segunda-feira, dezembro 25, 2017

o degustador de arrotos



Natal e Ano Novo são para mim ritos arcaicos de repactuação de nossa relação com o mundo e com a vida. Experiências essenciais do que Mircea Eliade chama de o eterno retorno. Rememorar, em inglês, é re-member, algo não sem relação com o reagrupamento dos membros de um corpo, recomposição de um todo. Por isso o crente, mesmo quando fora do contexto eclesiástico formal, não apenas rememora um nascimento obscuro havido há mais de dois milênios. Ele tenta revê-lo e revivê-lo no seu aqui e agora, com parentes, amigos e no seu coração-manjedoura. Fazendo da vinda do Salvador em forma de menino um evento que volta a acontecer, que é agora. Repactuando a fidelidade ao Eterno e à história efêmera que Ele nos deu construir, história que seria insuportável e caótica sem a bússola do Espírito que fala no silêncio e demais formas do sutil. Semana que vem, seremos todos compelidos a acreditar que algo de substancialmente novo pode acontecer, recomeçar, por trás e para além de uma trivial mudança do calendário. Repactuamos, então, não só com o Eterno, mas com sua imagem móvel no tempo "novo" que cremos se abrir para nós.
Anunciar a deus e o mundo sua "alegria" com eventos de vida interior e familiar como o Natal com fogos de artifício intermináveis é retardado como descrever uma degustação de vinho com arrotos. Fazer o máximo de barulho externo para compensar o proporcional grau de embrutecimento da capacidade simbólica, de atrofia da capacidade de se conter, ou melhor, se focar, na afetividade viva da relação com quem está ao nosso lado e dentro de nós.

Queen & George Michael, "Somebody to love"


quinta-feira, dezembro 21, 2017

"Proserpina", do filme "Trash Fire"


Proserpina, Proserpina, come home to momma, come home to momma
Proserpina, Proserpina, come home to mother, come home to momma now
I shall punish the Earth, I shall turn down the heat
I shall take away every morsel to eat
I shall turn every feeling to stone
Where I walk crying alone
Crying for

Proserpina, Proserpina, come home to momma, come home to momma now
Proserpina, Proserpina go home to your mother, go home to Hera
Proserpina, Proserpina go home to your mother, go home to Hera now
She has ṗunished the Earth, she has turn down the heat
She has taken away every morsel stone
Where she walks cry-crying alone
Crying for
Proserpina, Proserpina, come home to momma, come home to momma
Proserpina, Proserpina, come home to momma, come home to momma now
She has turned every feeling to stone
Where she walks cry-crying alone
Proserpina, Ṗroserpina, come home to momma, come home to momma
Proserpina, Proserpina, come home to momma, come home to momma now