quinta-feira, abril 20, 2017

o país 171


Diálogo de House com a jovem estuprada 'lubrificou meus olhos', no episódio que assisti às 3h50 desta madrugada (sim, sou desses). Pra secá-las, vejo que o mesmo canal anuncia pra domingo estreia de série nacional sobre um tiozinho safado q adora roubar parentes e amigos e q, afastado por eles, está voltando para enganá-los de novo, possível metáfora do "Lula 2018". Título certeiro: 171. Como produzir aqui algo da grandeza de House sem soar a cópia dublada e vagabunda de idéias fora de lugar?

sábado, abril 15, 2017

Páscoa: Ladainha de todos os santos

Selfie de Cristo para a Morte e o Diabo





quarta-feira, abril 12, 2017

terça-feira, abril 11, 2017

aqueles dias, aquele eu


SURREAL topar, quase vinte anos depois, com uma gravação integral daquela que foi minha primeira e maior aventura como estudante de teatro, no papel do imperador louco da peça "Calígula", a obra-prima de Albert Camus :D Sempre difícil conservar a vitalidade e o impacto de um espetáculo teatral na transposição para o vídeo, fazendo jus ao jogo das luzes, aos sons, ao frisson de comunhão e tensão dos atores entre si (com uma tensão adicional naquela trupe pelos choques de vaidade, dada a natural cobiça pelo papel principal) e com a plateia. 
Mas ao menos se pode ter uma ideia, e, no meu caso, morrer de saudade daqueles dias e daquele "eu" .
 Que bom, entre tantas perdas inevitáveis na torrente do tempo, desfrutar ainda da amizade intelectual de Camus, e com ele poder me engajar em sempre novas aventuras existenciais (são elas que me importam, mais que tudo)  na procura ativa e na espera não-passiva da graça da criação.

quarta-feira, abril 05, 2017

a revolta dos dândis




A Revolta dos Dândis (1987), dos saudosos Engenheiros do Hawaii, faz alusão O Homem Revoltado de Albert Camus -uma de suas seções mais interessantes empresta o nome ao álbum da banda gaúcha e a duas de suas músicas, ambas de forte tom camusiano. A Revolta 1 fala da condição do "estrangeiro", evocando o romance mais famoso do escritor franco-argelino. E como em a Revolta 2, Humberto Gessinger traduz em música o desalento de O Homem Revoltado com a comédia de horrores encenada por esquerda e direita no Ocidente contemporâneo, ambas distantes das raízes mais profundas da vida humana, ambas cúmplices de uma mesma lógica safada, predatória, assassina, useira e vezeira em cagar para o povo, como na última desculpa da diarreica e cropófoga "guerreira do povo brasileiro "que ousamos suportar que fosse nossa dirigente por tempo demasiado, pesadelo ainda não encerrado, vide o vice medíocre que nos legou.
À diferença do mimado histérico que despeja suas afetações em caricaturas estéreis de um mundo melhor, mas também a anos-luz dos conformistas e dos parasitas da ordem mentirosa e opressiva, o revoltado em Camus, transitando pelo absurdo do mundo com a leveza dos dândis de Baudelaire e Byron, encara de frente a falência farsante das velhas dicotomias ideológicas, ao mesmo tempo que faz suas as ambiguidades efetivas da vida, perseguindo, ou se deixando tocar pela sabedoria do Caminho do Meio já antevisto pelo Tatagatha da Índia, que tanto relembra, em certos aspectos, o projeto de  "pensamento mediterrâneo" em que O Homem Revoltado  culmina.
Atentem para esse trecho da música A Revolta dos Dândis II: 

Esquerda & direita, direitos & deveres,
Os 3 patetas, os 3 poderes
Ascensão & queda, são dois lados da mesma moeda
Tudo é igual quando se pensa
Em como tudo poderia ser
Há tão pouca diferença e há tanta coisa a fazer
Nossos sonhos são os mesmos há muito tempo
Mas não há mais muito tempo pra sonhar

Pensei que houvesse um muro
Entre o lado claro e o lado escuro
Pensei que houvesse diferença
Entre gritos e sussurros
Mas foi um engano, foi tudo em vão
Já não há mais diferença entre a raiva e a razão