quarta-feira, julho 31, 2013

a mudança criativa


How Creativity Enhances Persuasion
(Kurt Mortensen)
Creativity is a skill anyone can learn and master. It does not matter if you have tried to be creative in the past. Creativity will open your mind, you will feel less tied down and it will enable you to see more solutions. The latest research shows we can learn to be more creative and creativity increases your ability to influence.
Being creative is taking old ideas, new ideas, imagination and creating a combination that solves your prospect's problem. It is taking thoughts or ideas that seem unrelated and formulating a creative solution. Everyone has access to the same information, but creativity comes when people see, organize or combine the information in a new way. One thing that holds people back is they focus on all the negative aspects of the problem they are trying to solve. They focus so much on the worry and what could go wrong, they miss the solution or what could go right.  
Creative people aren't the ones that are full of tattoos, have purple hair and sing in a band. In fact, most creative people tend to be average. Part of being creative is never being satisfied with the status quo or the willingness to ask why at the right times. We have to pay the price, face the consequences to win the game. When we are creative and stick our neck out, we will face bumps in the road, but you'll never get to your destination if you aren't willing to drive over the bumps. Top performers know that creative change is the key to both their success and their ability to influence others and create long-term influence
Application
Here are 5 steps you can follow to become more creative:
1. Always try to find at least 5 solutions to each challenge - this forces you to be creative and to understand there is not always one solution to every challenge.
2. Use group synergy and energy to find solutions - other peoples experience, education and 3. Never downplay any suggestions or ideas - sure they might be less than ideal suggestions, but as a group you can build, change, adjust or fine tune any idea to solve your challenge. 
3. Have confidence in your subconscious mind - many of the answers are there, take time to be alone with your thoughts and trust in yourself that they will be discovered
4. Practice telling stories, metaphors or analogies - choose any subject at random and come up with various ways to teach someone else the topic using stories, metaphors or analogies. This exercises your creative muscle. 
5. Time is not always your friend - be patient with the solution you are seeking. It might take longer than expected, but the perfect solution is always worth the wait. 
Take-Away
Creativity involves the ability to generate new ideas. To master creativity you must have access to new information. Read new books, listen to educational CD's, watch the discovery channel, pick a foreign topic to review or learn. Branch out and learn from many different industries and topics. Magazines are also a great resource to stimulate your mind. Your mind will become more fertile, more imaginative and help generate new creative ideas when you need them. Today I want you to brainstorm 10 creative ideas to solve your biggest influence challenge. 
Persuade with Power


terça-feira, julho 30, 2013

creio na minha história, creio na minha dor


É impreciso chamar Hegel de filósofo na medida em que ele, místico da Dialética do Espírito Absoluto, pretendeu com essa chave-mestra racional ter acessado o Saber, não estar do lado de fora como "amigo"do Saber, segundo a etimologia da palavra. Mas vá lá: como a coruja de Minerva da "filosofia"hegeliana, meu espírito soturno gosta de chegar meio que atrasado aos grandes eventos festivos. 
Alguma desconfiança congênita, que já de criancinha me fizera dizer, do banco de trás de nosso fusquinha branco,  para meus pais, cheios de planos sobre nem sei mais o quê: "Não façam planos demais, pode não acontecer como a gente quer". Não sei se foram exatamente essas as palavras, mas me lembro, isso sim, desse pathos de prudência, que muitas vezes se deixa degradar no maior de meus pecados, o medo. Pois tenho medo do sucesso, medo da alegria, medo da generosidade, medo de que tudo o que é sólido se desmanche no ar, agora mesmo. 
Me seria impossível, creio, seguir a cartilha "otimista" de um livro como este que acabei de topar na Fnac, Curai Enfermos, Expulsai Demônios. Considerado um clássico do movimento evangélico neopentecostal, muito citado por R. R. Soares, talvez o mais gabaritado, teologicamente, de nossos ministros evangélicos da TV. O livro aliás está sendo republicado pela Graça editorial, que é de Soares e de sua Igreja Internacional da Graça de Deus. Um livro que embasa muito do que os pastores, bispos, "apóstolos" evangélicos preconizam sobre cura divina de tantas anomalias do corpo e da alma - base teológica da famigerada "cura gay". A doença como coisa do diabo, pois Cristo pagou na cruz por todas as nossas misérias, só fica ou permanece doente quem quiser, ou melhor, que náo tiver a fé suficiente para "repreender" as artimanhas do Tinhoso.
Na mesma compra, trouxe comigo livros sobre papa Francisco. É a propósito dele que eu comecei o texto falando de minha procrastinação da felicidade. Evito escancarar para mim mesmo meu amor por essa figura, guiado pela minha prudência ou temor crônicos, por essa desconfiança que me torna pessimista demais para o tipo de poderes que o evangélico considera acessíveis ao homem de fé. Evito "investir" intelecto e paixão na construção, para mim mesmo, do pleno significado existencial, para mim, do fracasso de Ratzinger e ascensão deste jesuíta de alma franciscana, exatamente o que eu esperava para curar minhas feridas de católico exilado e triste com as desventuras que corroíam as vestes da Santa Madre. 
Quase nada quis ler ou ver na grande imprensa nos dias da Jornada, preferindo me recolher à alegria íntima de oração e sintonia com Francisco. O retumbante sucesso do evento, o efetivo "início" do novo pontificado, nada disso é o bastante para, como dizia no post anterior, eu cair em idolatria, pior dos vícios que os evangélicos apontam nos católicos -tomar a imagem pelo Imaginado, a parte pelo Todo, o homem por Deus. Imagens, partes e homens, tudo o que é temporal está sujeito ao implacável "panta rei" (tudo passa) do filósofo grego Heráclito. Esse pecado é sim possível, não só para os católicos, mas para nós em especial, dada a nossa intimidade com a Imagem, com a Vida Simbólica, ponto que Jung aliás dizia nos tornar psiquicamente mais saudáveis do que os protestantes (ele era de família luterana). Os imbecis da Marcha das Vadias agrediram náo só as imagens, mas o imaginário de um povo, mas nem por isso nossa reação deve ser inclemente e idolátrica, como se tivessem atingido os mistérios de nossa fé. Assim também o avesso desse gesto grotesco, o sorriso doce, fala firme e simbolismo da pobreza e da simplicidade, em Francisco, não irão me desviar da ascese rigorosa, do irmanamento à Igreja desde meu deserto, no meu cotidiano, nas minhas lutas, onde Francisco, o de Assis como o de Roma, é spiritus rector inspirador. Seguem entáo algumas falas que colhi rapidamente no estudo de Saverui Gaeta, Papa Francisco - A Vida e os Desafios (ed. Paulus). Entre suas maravilhas, o aceno ao "amor fati"(amor ao destino) da dor, especificamente católico, antes de nietzschiano:  irmã Morte, a irmã Dor, não excluídas do banquete fraterno a que Francisco de Assis já nos convidava com os homens, mulheres, com o Sol, com a Lua.
-Unzuhause-



"Foi o estupor de um encontro com alguém que está à tua espera"
*em 1953, perto de completar  17 anos; assim resumiu o impacto da descoberta da vocação sacerdotal,  após se confessar com um certo padre Duarte, que nunca vira antes, e que lhe impactou, disse, pela forte espiritualidade.

"Você está imitando Jesus"
*irmã Dolores (nome adequadíssimo ao contexto), religiosa que lhe assistiu durante gravíssima crise de pneumonia, aos vinte anos de idade, num período entre a certeza e a vocaçáo e a resolução de entrar para o seminário. Precisou extrair a parte superior do pulmão direito, além de passar por dolorosas terapias para se curar. A irmã se referia ao sofrimento do jovem Mario Jorge, e comentaria depois com as coirmãs, em deliciosamente simples redundância verbal: "Ele subirá muito ao alto".

"Desejo crer em Deus Pai, que me ama como um filho, e em Jesus, o Senhor, que infundiu o seu Espírito na minha vida para fazer-me sorrir e conduzir-me assim ao reino eterno de vida. Creio na minha história, que foi penetrada pelo olhar de amor de Deus, o qual, no dia da primavera, 21 de setembro, veio ao meu encontro para convidar-me a segui-lo. Creio na minha dor, estéril por causa do egoísmo, no qual me refugio. Creio na mesquinhez da minha alma, que procura sugar sem dar… sem dar. Creio na vida religiosa. Creio que quero amar muito. Creio na morte cotidiana, ardente, da qual fujo, mas que me sorri convidando-me a aceitá-la. Creio na paciência de Deus, acolhedora, boa como uma noite de verão. Creio que papai [Mario] esá no céu junto do Senhor. Creio que também padre Duarte está lá e intercede pelo meu sacerdócio. Creio em Maria, minha mãe [nome, na verdade, de suas duas mães, a Virgem de Cristo,Grande Mãe de todo cristão,  e sua mamá pessoal, Regina María], que me ama e que nunca me deixará sozinho. E espero a surpresa de cada dia, na qual se manifestará o amor, a força, a traição e o pecado, que me acompanharão até o encontro definitivo com esse semblante maravilhoso que não sei como seja, do qual continuamente fujo, mas que quero conhecer e amar. Amém".
*Oração que proferiu em dias de intensa agitação espiritual, às vésperas de se ordenar sacerdote e que, quando se tornou cardeal, quis tornar conhecida, afirmando que estaria disposto a assiná-la novamente.

"Sou Jorge Bergoglio, padre. Gosto de ser sacerdote"
em 2010, no livro entrevista "El Jesuita", respondendo à pergunta acerca de como se apresentaria diante de um grupo de desconhecidos

"Tenham vida longa e feliz. Mas se algum dia a dor, a doença ou a perda de uma pessoa amada os preencherem de desconforto, lembrem-se que um suspiro diante do Tabernáculo , onde se encontra o mártir maior e augusto, e uma olhada a Maria que se encontra aos pés da cruz, poderá fazer cair uma gota de bálsamo sobre as feridas mais profundas e dolorosas".
Carta que a vó lhe entregou no dia da ordenação, deixando seus votos para os netos



a mamá do ventre que dança


Depois de um quarto de século do conservadorismo de João Paulo II, e do período reacionário e autoritário do Papa-que-veste-Prada, o papa Francisco reata com uma linhagem que é a de João XXIII e teria sido a do papa Luciano, que se chamou João Paulo I e morreu após um mês apenas como pontífice. Volta a alegria. Volta a abertura ao mundo. Xô, chatice!!
(Renato Janine Ribeiro, no facebook agora há pouco)
Claro que manifestações como esta me emocionam. Mas escuto pedido de prudência pelo  personagem psíquico (no sentido quase heteronímico que Pessoa ensina como caminho do esfacelado Eu da modernidade) da devoção católica que volta à tona, de minhas profundezas, obstruídas como prisão de ventre, na época de Ratzinger, ventre preso que agora dança, esse eu carola, garotinho de vinte anos atrás, redivivo com mais amargura e mais experiência. Ele pede prudência. Livre de extremos, do sim e do não maniqueístas, porque amanhã não será mais Francisco no trono, será outro, outros signos, preferências ideológicas, jeito de se vestir e de sorrir ou não, e não posso oscilar ao sabor dessas contingências, perdendo de vista o essencial: como Deus na alma, de que fala Eckhart, a Igreja hoje pra mim está interiorizada, a Igreja sou eu, é a minha Mamá, como diz Francisco, Me nanando no colo , me chamando pra dança, me nutrindo da vida, que é Jesus Cristo.
-Unzuhause-

segunda-feira, julho 29, 2013

Spinoza e a cultura do joinha



Lenda urbana atribui essas palavras ao grande pensador holandês Baruch de Spinoza. Ao se voltar para a História das ideias, desconfie se elas lhe parecerem demasiado confortáveis e simpáticas, como se escritas ontem e pra amealhar joinha de facebook. A História é o reino do atrito, opacidade e pluralidade indomável dos significados, a descoberta de um sentido é  conquista difícil, se quiseres buscar o universal é melhor te esvaziares da pretensáo de que tua época e suas simpatias detenham qualquer chave-mestra explicativa. Daí meu fascínio de cético pelo estruturalismo budista de Lévi-Strauss, melhor, enquanto antropologia dos mitos (Jung é terapia e mística), que os arquétipos junguianos tão impregnados da ilusáo da seletividade: escolhemos dois, três exemplos razoavelmente similares e decretamos a "identidade"de tudo com tudo. Mas essas ideias "spinozanas"sao bonitinhas mesmo rs
-Unzuhause- l

DEUS SEGUNDO SPINOZA

“Pára de ficar rezando e batendo o peito! O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida.
Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.

Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa.
Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.

Pára de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade
fosse algo mau.
O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo
o que te fizeram crer.

Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem,
no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho... Não me encontrarás em nenhum livro!
Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?

Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.

Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz... Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos,
de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti?
Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez? Crês que eu poderia criar um lugar para queimar
a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?

Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar,
que só geram culpa em ti.

Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida,
que teu estado de alerta seja teu guia.

Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso.
Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas.

Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar.
Ninguém leva um registro.
Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.
Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho. Vive como se não o houvesse.
Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não há nada,
terás aproveitado da oportunidade que te dei.
E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste,
se te divertiste... Do que mais gostaste? O que aprendeste?

Pára de crer em mim - crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti.
Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias
teu cachorro, quando tomas banho no mar.

Pára de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja? Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam.
Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo.
Te sentes olhado, surpreendido?... Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.

Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui,
que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que precisas de mais milagres?
Para que tantas explicações?
Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro... aí é que estou, batendo em ti.
Baruch Spinoza

as ressonâncias de Mara


"Moisés fez partir os israelitas do mar Vermelho e os dirigiu para o deserto do Sur. Caminharam três dias no deserto, sem encontrar água. Chegaram a Mara, onde não puderam beber de sua água, porque era amarga, de onde o nome de Mara que deram a esse lugar; Então o povo murmurou contra Moisés: 'Que havemos de beber?' Moisés clamou ao Senhor, e o Senhor indicou-lhe um madeiro que ele jogou na água. E esta tornou-se doce. Foi nesse lugar que o Senhor deu ao povo preceitos e leis, e ali o provou. Disse-lhe: 'Se ouvires a voz do Senhor, teu Deus, e fizeres o que é reto aos seus olhos, se inclinares os ouvidos às suas leis e observares todas as suas leis, não mandarei sobre ti nenhum dos males com que acabrunhei o Egito, porque eu sou o Senhor que te cura" (Ex 15, 22-27)

Mara: amargo, amargura; em hebraico: mar. Curiosamente, Mara é nome de um personagem mitológico tão crucial para o Oriente quanto Satanás para o Ocidente. Vejamos o que nos diz uma nota erudita da edição brasileira da Palas Athena do Dhammapada - a Senda da Virtude, clássico budista:

"Literalmente, ' O Matador; às vezes traduzido por 'O Tentador', 'O Mau'. Ele é tido como um ser demoníaco que é o arquiinimigo de todos quantos procuram viver a vida santa. De acordo com a tradição budista, ele tentou impedir o Buda de alcançar a Iluminação. O Mara aparece de quando em quando ao longo da vida de Buda, por vezes assumindo as formas humana ou animal como disfarce; mas sempre com a mesma completa inabilidade de efetuar qualquer mau propósito contra Buda, que sempre reconhece seu disfarce. Mara é representado como sempre procurando perturbar especialmente os bikshus e bikshunis budistas quando estão empenhados em meditação, geralmente quando estão prestes a atingir um dos estágios meditativos e seu fruto; isso pode acontecer também a um praticante leigo. (...) Nas religiões indianas este conceito de 'o Mau' é peculiar ao Budismo. Mara é um ser cuja natureza combina aquelas forças que militam contra a vida religiosa, especialmente as qualidades moralmente insalutares de avidez, ódio e delusão. Ele é tido como dominando o mais inferior dos três níveis de existência: o mundo sensual. Num estágio de entendimento mais avançado e sofisticado, a figura de Mara é vista como sendo um nome para tudo o que é impermanente, insatisfatório e impessoal. O papel da crença em Mara, na história do Budismo, parece ter sido o de prover uma transição das noções populares de maus demônios desencarnados, à análise mais abstrata da situação humana em termos psicológico-morais, e um meio proveitoso de entender a resistência à vida santificada que um homem pudesse experimentar, resistência essa que pode ser superada pelo seguimento do caminho budista".
Curioso que a nota conclua por um termo que me ocorrera quando comecei a transcrição dela: resistência. Pensei-a no contexto da psicanálise, mais célebre de nossos modernos processos terapêuticos (os mais refinados recusarão esse adjetivo para a invenção freudiana em sua radicalização lacaniana: análise não é terapia!) que tenho experimentado nos últimos anos. Psicanálise que, terapêutica sim, também mostra que, como o Mara budista, a resistência interna tende a ser tanto mais aguda nos momentos mais iminentes de iluminação, modernamente designada por termos como abreação e insight.
Que há mais terapias entre o céu e a terra do que sonham os freudianos, isso vemos em qualquer prateleira de auto-ajuda, de toque quântico, terapia do disco voador, de grito primal, de "Fora Cabral" na Avenida Paulista (!) e tantas mais. 
Mas não me interessa a horizontalidade das alternativas proliferantes, e sim a verticalidade que aponta para o alto e para o profundo, lá onde está a imorredoura religiosidade do espírito humano. Tão similar nos quatro quadrantes da Terra quanto a palavra que designa o "mal" na passagem bíblica e no conceito budista acima evocados. 
Como não ver na água amarga, insalubre, inútil para a sede do homem, um correlato concreto da noção budista da inimizade interna que ameaça o caminho ascensional dos budas, tão inumeráveis quanto os grãos de areia do rio Ganges. Poética religiosidade que, em expressões tão distintas como a judaica e a budista, calca nas pedras e areias do mar e do deserto meditações e incomparáveis insights sobre as agonias da Alma na História. E para nós amigos do gnosticismo, sempre se abre a possibilidade de pensar Israel e Egito como tipos antagônicos que estão dentro de nós, como o im-passe (não passarás!) da individualidade supraegoica, "coletiva", entre luz e trevas, liberdade e cativeiro. 
Água amarga que se apresenta como, literalmente, primeira provação imposta pelo  Senhor após a euforia da libertação do Egito. Respondemos, muito humanamente, com murmurações e queixas, queremos fugir de nossas responsabilidades apelando para algum bode expiatório, bezerro de ouro, fora cabral (o do Rio e quiça o de Portugal, que começou a merda toda vindo pra cá).
O madeiro lançado por Moisés: "figura", como diria Pascal, veterotestamentária para o madeiro da cruz que viria a dulcificar o vale de lágrimas da existência, tornando o que era antes condenação estéril uma "feliz culpa" que nos traz tão sublime redenção pela encarnação do próprio Deus.
Buda, no Oriente, é celebrado como o médico das almas que Iahweh mostra ser também: "eu sou o Senhor que te cura". Se soubermos ouvir Sua palavra (a fé vem pelo ouvir, e o o ouvir vem palavra) e colocá-la em prática, as águas amargas e imprestáveis para a nossa sede se transmutam em Fonte de Água Viva que, mais que qualquer "bolsa-esmola", não bota calmantes ideológicos na sede, antes a acirra e a elucida como sede de vida, sede de ser, sede de luz, sede de Deus.
-Unzuhause-


domingo, julho 28, 2013

os livros-ha!


"Há bons livros, livros, quaisquer e livros ruins. Entre os bons, há os que são honestos, inspiradores, emocionantes, proféticos, edificantes. Mas na minha língua há outra categoria, a dos livros-ha!
Os livros-ha são aqueles que determinam, na consciência do leitor, uma mudança profunda. Eles dilatam a sua sensibilidade de tal maneira que ele se põe a olhar os objetos mais familiares como se os observasse pela primeira vez.
Os livros-ha galvanizam. Atingem o centro nervoso do ser, e o leitor recebe um choque quase físico. Um arrepio de excitação percorre-o da cabeça aos pés"
Verno Proxton,
prefácio a Fynn, 
Anna et Mister God,
Ed. du Seuil, 1976, p. 7


o "clássico" da luta de classes


A vulgaridade das vadias ontem, ao profanar imagens de fé, está longe de ser acidental. Apenas revela, em seu grotesco nível, intenções profundas dessa cambada, sob o bom pretexto da causa das mulheres, em si mesma justíssima, afinal a minha liberdade acaba onde começa a do outro, mesmo de um bebezinho, à vida e dignidade . 
A ópera de horrores de ontem em Copacabana é parte de uma orquestração mais ampla, tão nojenta quanto, de erradicação das raízes morais e espirituais da civilização ocidental. Alguns analistas designam este movimento como 'marxismo cultural". Vou investigar isso mais a fundo. Por ora, quero registrar uma breve anotação que fiz ontem no facebook:
Até o marxista, quando chama Marx, Lukács e Adorno de "clássicos", sabe que a sociedade, as pessoas, a vida, se organizam por classes, ontem, hoje e sempre. Hierarquias segundo não só a quantidade de renda, mas qualidade de caráter, de honradez, de originalidade, de carisma. Nenhum processo de "planificação" estatal (hierarquia dos "iluminados" amigos do Povo!) irá erradicar o paradoxo, a contradição, a ironia do destino, como esta, de se chamar de "clássico" um autor que arrota (como forma de lucro para si mesmo e sua vaidade) a eliminação das classes.
-Unzuhause-

sábado, julho 27, 2013

Resenhas para a Folha





Folha de S. Paulo
Guia Folha - Livros, Discos, Filmes
*Caio Liudvik
O ÚLTIMO COPO
Um bom ponto de partida para provar da "filosofia do álcool" de Daniel Lins é correr ao youtube ver o que Gilles Deleuze, no "B de bebida"  do "Abecedário", relata de seu próprio vício alcoólico, de como o abandonou, e do álcool como forma sacrificial, senão mesmo estúpida, ao arruinar a saúde, que o homem ao longo das eras buscou para lidar com o que há de demasiado intenso e ingovernável na potência da vida.
Lins parte deste e de outros textos de Deleuze, bem como de notas e gravações das aulas do autor de "O Anti-Édipo" a que assistiu em Paris VIII. Evita condenações moralistas do alcoolismo, tampouco recai no clichê oposto, da exaltação "dionisíaca" ingênua, mas medita a dimensão filosófica desta "solução" particular para o drama universal de nos havermos com as "multiplicidades embriagadas, embriagadoras", dos turbilhões do cosmos, ou melhor, do "caosmos", esse outro exemplo das palavras de estranho poder de fascinar com que Lins se irmana ao mestre, mais do que repeti-lo no que seria um sóbrio (e por vezes chato) trabalho típico de compilador acadêmico de ideias alheias.
AVALIAÇÃO – ÓTIMO

OPUS DEI
Não, Giorgio Agamben não resolveu surfar –senão na ressonância provocativa desse título- na onda de Dan Brown e do fascínio atual em torno de "sociedades secretas" como a prelazia católica Opus Dei. O que ele procura sim é o que há de secreto em nossa própria sociedade, a civilização ocidental dita laica, mas repleta de vivas heranças de seu passado teocêntrico e clerical. 
"Opus Dei", obra de Deus,  equivale nesse contexto ao ofício litúrgico, que é aqui analisado na sua dimensão de práxis terrena.  Responsável pela edição italiana da obra de Walter Benjamin,  um dos grandes nomes do pensamento de esquerda contemporâneo, Agamben escava as camadas semânticas e históricas do conceito de liturgia, desde os tempos gregos em que denotava a prestação de "obra pública", isto é, a obrigação que a cidade impunha aos cidadãos de uma certa renda de prover uma série de prestações de interesse comum, da aquisição de cereais e óleos à organização de ginásios e envolvimento nas guerras e jogos olímpicos.
Mas, no espírito arqueológico que remonta a Foucault, não se trata de mera curiosidade erudita pelo passado em si, mas pelo esclarecimento que dali se projeta acerca dos conflitos e estruturas do presente.  Para o autor de "Homo Sacer", o conceito antigo e religioso de ofício foi decisivo para a definição de nossas categorias do ser e do agir, que segundo Agamben, aluno de Heidegger, respondem por asfixias da sociedade tecnocrática que precisam ser superadas se ainda se trata de lutar para além de bravatas voluntaristas pela emancipação do gênero humano.
AVALIAÇÃO – ÓTIMO


NIETZSCHE E O PROBLEMA DA CIVILIZAÇÃO
Comentador e tradutor de Nietzsche, Patrick Wotling é um do expoentes da mais recente forma de recepção do filósofo das marteladas no território intelectual francês (e portanto brasileiro). Passou o tempo dos eufóricos "retornos" irreverentes, à procura do espírito mais que da letra nietzschiana, as "interpretações" auto-projetivas de Deleuze, Foucault e Lyotard. 
Mais que pensar a atualidade (o tempo presente) "no" texto de Nietzsche, cumpre escavar a atualidade "do" texto, a força de sua lógica interna, do que efetivamente quis dizer. Na pena sofisticada de Wotling (como, entre nós, de Scarlett Marton, que assina a apresentação), esta é uma abordagem que se revela instigante, profunda e frutífera. 
A segunda parte do título assinala algo de crucial no projeto nietzschiano: a substituição do problema da verdade, obsessão da tradição filosófica, pelo problema da "civilização" ou "cultura", isto é, pelo complexo de pulsões, valores e interpretações da vida, e seus respectivos tipos ascendentes ou decadentes,  que os homens fabricam entre si para dar sentido e poder ao seu navegar  impreciso.
AVALIAÇÃO – ÓTIMO


A CANÇÃO DE AQUILES
Bela, erudita e talentosa: difícil não começar por suspiros pela autora qualquer comentário sobre a obra de Madeline Miller, jovem professora de latim e grego e especialista em adaptação de textos clássicos para o público moderno. "A Canção de Aquiles",  premiado no circuito internacional, transpõe para um gênero literário eminentemente profano  –o romance- a epopeia arcaica, que mais que forma de entretenimento, condensava a visão de um tempo em que deuses e heróis se misturavam aos mortais. 
É esse efeito de proximidade e verossimilhança que, paradoxalmente, a transformação formal da "Ilíada" –respeitada no nível da trama e de seu contexto histórico- torna possível no romance de Miller. O relato da ira de Aquiles ante o assassinato do amigo Pátroclo ganha  contornos mais dramáticos, humanizados, do que nos arquétipos de Homero: adentramos, por exemplo, a psicologia tumultuada de Pátroclo (que aqui é o narrador), cujos pendores homossexuais e dificuldade de ajustamento ao mundo nos parecem tão "modernos". O esplendor selvagem da natureza feminina é lindamente figurado no personagem da mãe de Aquiles, a deusa Tétis.
AVALIAÇÃO- ÓTIMO

MEIERHOLD
Um teatrólogo já dizia de Meierhold, em 1923, ser este inclassificável, se por classificação entendermos aprisionamentos estáticos impostos a uma obra inquieta, fluida, em constante criação destrutiva no diálogo com suas próprias inspirações e referências, como o legado de Stanislávski (com quem Meierhold trabalhou no início do Teatro de Arte de Moscou), o simbolismo e a ideia wagneriana de obra de arte total. 
Tais esclarecimentos são da professora Béatrice Picon-Vallin neste magnífico estudo –acompanhado de impagáveis recursos iconográficos, como a imagem do teatrólogo russo vestido de Pierrô para uma de suas montagens. 
A ênfase do livro é nas encenações meierholdianas no período de 1905 a 1926, mas não sem abrir perspectivas gerais sobre um projeto teatral que, tendo como grande eixo a estética grotesca (de vasta afinidade com a paixão carnavalesca), se move na tensa união entre anseios revolucionários tanto políticos (Meierhold vestido de trajes do Exército Vermelho, anos antes de ser fuzilado pelas forças stalinistas) quanto imaginativos – a vontade de fazer do teatro espaço para a revolta simbólico-onírica contra a banalidade da vida cotidiana.
AVALIAÇÃO - ÓTIMO


antiaborto subliminar


Papa sábio, que fala por imagens, tão mais contundentes que palavras, para nosso incosciente: esse gesto tão repetido ao longo da semana, de beijar as criancinhas, é também campanha antiaborto em ato.
A Igreja é tanto mais sedutora quanto mais não se detém no nível verboso em que a sociedade moderna se entretém de "polêmicas". É tanto mais imprescindível quanto mais vem ao encontro da alma, que quer mais que o fluxo de conceitos da vida cotidiana, os prós e contras da mediocridade que adora "tomar posições". A Igreja é a Casa de Deus quando habita em nós, despida do ouro e da prata, como simples manjedoura da Criança nova, inviolável pelos Herodes da pena de morte dos bebês.
-Unzuhause-

piedade de nós


sexta-feira, julho 26, 2013

onde está o Wally?


"Buenos Aires cresce descontrolada e imperfeita, é uma cidade superpovoada em um país deserto, uma cidade em que se erguem milhares e milhares e milhares e milhares de edifícios sem nenhum critério. Ao lado de um muito alto, existe um muito baixo, ao lado de um racionalista, um irracional, ao lado de um de estilo francês há outro sem estilo algum. Provavelmente estas irregularidades nos refletem perfeitamente, irregularidades estéticas e éticas.

Estes edifícios que se sucedem sem nenhuma lógica demonstram uma total falta de planejamento. Exatamente igual à nossa vida, vamos vivendo sem ter a mínima idéia de como queremos ser. Vivemos como se estivéssemos de passagem por Buenos Aires. Somos os inventores da cultura do inquilino. Os edifícios são cada vez menores, para dar lugar a novos edifícios, menores ainda. Os apartamentos se dividem em ambientes, e vão desde os excepcionais 5 ambientes com varanda, sala de jogos, dependência de empregados, depósito, até a quitinete, ou caixa de sapatos.

Os edifícios, como quase todas as coisas pensadas pelo homem são feitos para nos diferenciar uns dos outros. Existe uma fachada frontal e posterior, e os pavimentos baixos e os altos. Os privilegiados são identificados com a letra A, excepcionalmente a B, quanto mais progride o alfabeto menos categoria tem o apartamento. As vistas e a luminosidade são promessas que raramente condizem com a realidade. O que se pode esperar de uma cidade que vira as costas para o seu Rio?

Estou convencido de que as separações e os divórcios, a violência familiar, o excesso de canais de cabo, a falta de comunicação, a falta de desejo, a abulia, a depressão, os suicídios, as neuroses, os ataques de pânico, a obesidade, as contraturas, a insegurança, o estresse e o sedentarismo são responsabilidade dos arquitetos e empresários da construção. Desses males, exceto o suicídio, eu padeço de todos. " 
***
Bastavam as imagens e o discurso do início do filme para que eu largasse as coisas na cadeira do cinema, saísse e pagasse de novo pelo privilégio de ali estar. "Medianeras",  mais uma florada da magnífica primavera por que passa o cinema argentino há anos, é dentre todos os filmes desse período, o que mais me cativou. Por mais que educado com os antropólogos a valorizar o particular, o específico de cada cultura, minha "Seele" (alma) de romantismo alemão pede, exige o encontro do universal e do que sobretudo, me inclui, fale pra mim, mais ainda, fale de mim. "Medianeras" é assim. 
Fala de tantas coisas, fala em primeiro plano da Buenos Aires concreta (e de concreto, cimento e vazio) destes anos de crise econômico-social, de perda de perspectivas humanas, em especial para os jovens. Buenos Aires que, vemos na reflexão de Martin, tanto se assemelha a São Paulo nos pequenos e grandes desastres urbanísticos que abriga, na desorganização, crescimento descontrolado, patíbulo de multidões que arrastam suas solidões dia após dia em espaços exíguos, claustrofóbicos e estressantes, seja nos corpos engarrafados em carros nas ruas,  seja nas águas que deveriam ajudar a relaxar de uma academia de natação. Mas como não se identificar com a história de Martin e Mariana, dois jovens que, vizinhos, se esbarram sem saber pelas ruas portenhas, perdidos cada qual em suas angústias, fobias, solidão, errantes em busca do amor.. 
Como este blog tem uma marca confessional, de diário (místico e niilista), o enfoque em primeira pessoa é inevitável. E a Argentina me remete a um sem-número de emoções. Com o perdão da redundância, porque números, lembra Jorge Forbes falando do perfil do novo líder em tempos globais, não emocionam, não cativam, são inumanos como o discurso relatorial de governos falando de PIB ou de merreca de redução de taxa de homicídios no último trimestre e blablabla.
Deixarei de lado, nestas breves ruminações portenhas pelas quais minha fantasia gosta de zanzar, as referências esportivas e culturais mais óbvias. Falo da Argentina da linda professora de espanhol que me resgatou do inferno inestético pelo poder  da sua magia que me fez, deslumbrado por esta Anima encarnada e vinda de um romance de Sabato,  propor-lhe o psicomago Alejandro Jodorowsky como eixo de nossos "trabajos" a dois.
Argentina de Papa Francisco, que com sua sabedoria, humildade e carisma decretou o término do meu exílio da minha Igreja, me chamando de volta para o seio da Santa Madre, revigorado e comissionado por Cristo para a luta pela "nova evangelização" deste mundo sedento como um deserto.
E Argentina, agora, de "Medianeras", filme que, brincando à vera com referências como "Onde está Wally", fala ao meu coração existencialmente cravado de medos, barreiras e solidão, ansioso por um novo patamar de amor, carnal, sim, mas mais profundo que isso, anseio de "relacionamento", de conexão profunda, cumplicidade que não precisa ser careta para ter responsabilidade.

Me identifiquei com as dificuldades e ironias do destino que se impõem pelo caminho, des-encontros do afeto que chegam a dar vontade de parar o filme e gritar para o diretor sádico que mude esse script sacana!). Dei com o queixo no chão ante a beleza, inteligência e melancolia de Mariana, vivida por uma Pilar Lopez de Ayala que, madrilenha, me remete com justeza à imagem de mulher argentina que me assedia e irrita o espírito -incomoda no sentido que o crente usa ao falar que "Deus me incomodou a fazer tal coisa" . Daimon (cristianizado depois na figura sinistra do demônio, mas que para os gregos era o gênio de cada um) que compele, ânsia a saciar, enigma que devora e põe em movimento.
O diretor do filme, Gustavo Taretto, diz que a solidão que quis abordar não é "dramática, mas uma "solidão a que já estamos acostumados. De todos os dias. Solidão urbana. A solidão que sentimos quando estamos rodeados de desconhecidos".
Solidão que a interconexão de todos com todos na era virtual veio acirrar, até com ares de crueldade ao esfregar na cara do solitários insulados a suposta redenção como estando próxima, a mensagem libertadora na garrafa encontrada na beira da ilha, ao alcance de um clique na página certa do Facebook. 
A solidão pode sim ser um estado magnífico para a criatividade e o desenvolvimento pessoal. Mas, por mais que nos queiram massa de anônimos sonâmbulos consumidores,  por mais que, atemorizados e em fuga de nós mesmos, nos petrifiquemos, somos seres em aberto, porosos (reparem como nossos buracos são protagonistas nos atos de amor), seres em relação, o amar é tão valioso, senão mais, quanto o respirar e o comer para este corpo de desejos e de sonhos combustíveis que a alma fagocita e pilota como carruagem.  
Mais não direi, senão lhes convidar: vejam, revejam, se vejam neste simples, profundo, angustiante e empoderador "Medianeras". Nunca mais procurarão da mesma forma os "Wallys" secretos de vossos corações insatisfeitos.
-Unzuhause-


quinta-feira, julho 25, 2013

novena a Santa Catarina de Alexandria



Oração a Santa Catarina
Senhor, nosso Deus, nas tribulações Tu nos revelas o poder de Tua misericórdia. De Ti, Santa Catarina recebeu a graça de suportar o martírio. De Ti nos venha também a força de confiar em Teu auxílio em todas as necessidades. Isto Te pedimos por Jesus Cristo. Amém.

Oração pedindo a intercessão de Santa Catarina
Gloriosa santa Catarina, modelo de virtude, por aquela fé que vos animava desde a mais tenra idade e que vos fez tão agradável aos olhos de Deus, que merecestes não só a coroa do martírio, mas que também confundistes os sábios deste mundo e os convertestes a Cristo, alcançai-nos a graça de conservarmos em nossos corações a fé, em toda a sua pureza e de nos confessarmos cristãos não somente por palavras, mas também por obras, para que Jesus, de quem damos testemunho diante dos homens, nos confesse e glorifique diante do Pai. Ó Santa Catarina, Virgem forte na fé, por aquela constância com que conservastes vossa Consagração a Cristo, no meio do mundo corrompido, alcançai-nos de Deus o espírito de fortaleza para vencermos todas as tentações e nos conservarmos puros de coração. Ó Virgem ardente no amor, por aquela força que abrasava o vosso coração na fidelidade ao amor de Deus e à missão para a qual Deus vos chamou e que vos fez suportar tantos sofrimentos e torturas, alcançai-nos de Deus a graça que purifica o nosso amor, para que possamos um dia participar da mesma glória que merecestes pelo vosso martírio. Amém.

Novena a Santa Catarina

Oração preparatória (para todos os dias):
Ó Deus, nosso Pai, vós quereis que bendigamos e glorifiquemos vossos santos, com os quais, cheio de clemência e de amor, repartistes os tesouros de vossa bondade e misericórdia. Humildes e confiantes, estamos em vossa presença e, durante esta novena em honra de Santa Catarina, nós vos pedimos a graça ... (mencionar a intenção).
Dai-nos, também, a graça de vivermos de acordo com vossa vontade. Livrai-nos de todo pecado e tornai-nos zelosos na prática do bem. Permanecei conosco em todas as tentações, e recebei favoravelmente nossos pedidos durante esta novena.

(Segue a reflexão do dia). Pai nosso, Ave Maria, Glória ao Pai. V. Rogai por nós, Santa Catarina. T. A fim de obtermos o verdadeiro espírito de Jesus Cristo.

Oração final (para todos os dias):
Ó Deus, que entre outros milagres de vosso poder, destes a Santa Catarina a glória do martírio,
concedei-nos propício que, por sua intercessão, caminhemos para vós segundo seu exemplo de amor e fidelidade. Amém!

1º dia - Virtuosa mártir, Santa Catarina, vós permanecestes até à morte constante na fé, na esperança e no amor a Deus e ao próximo. Intercedei por nós e obtende-nos a graça de perseverar na prática de boas obras até que, passando esta vida, possamos ser admitidos no Reino Eterno. Amém!
2º dia- Corajosa virgem, Santa Catarina, que generosamente suportastes sofrimento e afrontas com firmeza e por amor a Cristo, pedi a Deus por nós, afim de que recebamos com fé as provações de toda sorte que nos acontecerem, para que nossa fé seja purificada. Amém!
3º dia- Gloriosa Santa Catarina, desde a juventude vos consagrastes exclusivamente a Jesus Cristo, amando-o sobre todas as coisas e de todo o coração, e nada vos pôde separar dele. Intercedei por nós a fim de que, pelo amor fiel, nos unamos a Jesus Cristo, nosso Salvador. Por seu amor, renunciemos a todo pecado e em tudo sejamos conforme a vontade salvífica de nosso Deus. Amém!
4º diaSanta Catarina, mártir, fostes inabalável e firme em vossa fé. Corajosa e heroicamente a confessastes diante do imperador pagão, selando-a com vosso sangue. Intercedei por nós para que tenhamos a felicidade de viver a verdadeira fé e nela perseverarmos. E que, assim, possamos permanecer fiéis à Igreja de Jesus Cristo, dando testemunho, por palavras e ações, daquilo que cremos. Amém!
5º diaSanta Catarina, virgem, por amor a Cristo conservastes a pureza do corpo e do espírito e renunciastes a qualquer outro valor. Intercedei por nós para que nossos pensamentos, olhos, corações e todo o nosso ser sejam purificados de toda malícia, afim de que, por meio de uma vida casta, testemunhemos a todos o amor de nosso Deus. Amém!
6º dia- Santa Catarina, verdadeira discípula de Jesus Cristo, na escola da cruz conhecestes as vaidades do mundo, renunciastes a suas alegrias e encantos. Por amor a Jesus, suportastes alegre todos os sofrimentos, até o martírio. Nós temos medo de nossa hora e constantemente resistimos ao sofrimento. Intercedei por nós, para que tenhamos coragem de seguir a Jesus Cristo no caminho do Calvário, completando em nossa carne o que falta à sua paixão, para que conheçamos em nossa carne sua Ressurreição. Amém!
7º diaHeroica Santa Catarina, vós, com a graça de Deus, soubestes resistir a tantas palavras e situações sedutoras, e fostes perseverante até ao martírio. Rogai a Deus por nós, para que nosso sim seja sim e nosso não seja não; desse modo, por palavras e obras, permaneceremos fiéis à vocação para qual fomos chamadas. Amém!
8º dia- Santa Catarina, virgem prudente e sábia, crescestes em um ambiente de honrarias e riquezas. À luz do evangelho de Jesus Cristo, soubestes discernir os verdadeiros valores de nossa existência, e conquistastes a alegria de possuir o supremo Bem. Intercedei por nós, a fim de que não nos deixemos ofuscar pelo falso brilho da riqueza e do poder, mas, com um coração de pobre, encontremos o tesouro do Reino do Céu. Amém!
9º diaSanta Catarina mártir, na oração encontrastes o alimento de vossa fé e a coragem de caminhar na fidelidade de vossa consagração a Jesus Cristo. Vencestes as tentações e sofrestes o martírio. Rogai a Deus por nós, para que sejamos dóceis ao Espírito que nos foi dado para manifestarmos toda a verdade e, guardando sua Palavra em nosso coração, possamos viver a vida de verdadeiros filhos de Deus. Amém!

Liturgia - 25 de novembro - SANTA CATARINA DE ALEXANDRIA, VIRGEM E MÁRTIR

SANTA CATARINA DE ALEXANDRIA,
Virgem e Mártir

Cor litúrgica: Vermelho

Ofício da memória
Liturgia das Horas: 1613-773
Oração das Horas: 1509-892

Leituras: Dn 5,1-6.13-14.16-17.23-28 – Cânt. Dn 3 – Lc 21,12-19
“É pela perseverança que mantereis vossas vidas.”Estas palavras de Jesus anunciam as perseguições da comunidade cristã e asseguram a proteção constante de Deus se perseverarem em sua vida e testemunho.



Em Alexandria, no começo do século IV, o martírio de Santa Catarina. Esta virgem cristã, misticamente unida à sabedoria encarnada, derrubou com sucesso certas objeções levantadas contra a fé por alguns filósofos. Muito popular na Idade Média, foi uma das “vozes” de Joana d´Arc. Seu culto permanece ainda vivo em um mosteiro situado aos pés do monte Sinai.
Santa Catarina nasceu em Alexandria, principal cidade do Egito antigo. Era filha do ilustre Rei Costus e de D. Sabinela, nobres descendentes diretos dos reis e governadores do país!A pequena Catarina era dotada de uma beleza incomparável, porém destacava-se pelo seu espírito alegre e despojado.Desde muito cedo demonstrou uma inteligência clara e brilhante; teve como mestres os sábios de Alexandria e, tão rápidos foram seus progressos, que aos 13 anos era mestra das sete artes: eloqüência, poesia, música, arquitetura, escultura, plástica e coreografia.Quando Catarina estava com 15 anos, o Rei Costus, seu pai, faleceu e assim foi com sua mãe para as montanhas das Cilícia, vivendo assim uma temporada de descobertas.Durante aquele tempo conheceu Ananias, um velho sacerdote amável e comunicativo. Ananias transmitiu a Catarina os mistérios do Cristianismo.Dona Sabinela, já era cristã batizada, e desejava o mesmo para a sua filha, além de um bom casamento que trouxesse segurança e proteção.Numa determinada noite, mãe e filha, tiveram um sonho bastante significativo no qual a Santíssima Virgem Maria apresentava o Menino Jesus a Catarina, e este, tomando da mão de Catarina, coloca em seu dedo um anel de ouro, anel de compromisso. Maria pede a Catarina que seja batizada. Quando Catarina desperta do sono, percebe o anel em seu dedo!Desejosa em cumprir o que prometera em sonho, Catarina procura ainda mais, instruir-se nas verdades da fé, e, assim sendo, recebe o Santo Batismo. Dona Sabinela e a filha confiaram o reino a um governador e voltaram à Alexandria.Com a morte de sua mãe, Catarina transforma sua residência num lar de acolhida e escola de formação Cristã. A nossa jovem, tendo apenas 18 anos, é capaz de confundir os maiores filósofos de Alexandria e arredores.Catarina é testemunho de fé e vida, incontáveis são os que a seguem, e nela encontram as repostas das verdades do evangelho de Jesus Cristo!O Imperador Maximiano havia decretado uma perseguição aos cristãos e sua doutrina, tendo Conhecimento e sabedor do grande preparo de Catarina, prometeu um prêmio ao filósofo que conseguisse afastar a jovem da religião Cristã. Numa discussão pública, para a qual Catarina foi convidada, tudo fizeram para desorientá-la. Ela, porém, iluminada pelo Espírito Santo, respondeu-lhes com tanta clareza e sabedoria que os próprios filósofos abandonaram o erro.Surpreendido pelo êxito inesperado da discussão pública, o imperador procurou, por todos os meios, arrancar Catarina do Cristianismo. Adulações e promessas de fazê-la imperatriz: tudo em vão!Com soberano desdém, a jovem repeliu as ofertas do Imperador, declarando-se esposa de Cristo. Catarina foi lançada em um cárcere escuro, onde ficou doze dias. Quando saiu de lá estava mais bela do que nunca; seus olhos eram como fachos de luz e sua pele alva estava reluzente.Nossa jovem mártir é entregue aos algozes, condenada ao martírio da roda. No momento em que ia ser estendida sobre a roda, Catarina traçou o sinal da cruz e esta despedaçou-se imediatamente. Este milagre fez com que o povo rendesse louvor ao Deus dos Cristãos e a própria Imperatriz confessasse a sua fé no Filho de Deus. Cada vez mais irritado e enfurecido, Maximiano, percebendo que todos os seus esforços eram em vão, pronunciou a sentença de morte e mandou levá-la ao lugar do suplício. Após uma oração de louvor e súplica e agradecimento ao Deus verdadeiro. Catarina foi decapitada e de suas veias saiu leite ao invés de sangue!Seu corpo foi levado ao Monte Sinai, onde a sepultaram. Dizem que os próprios anjos levaram seu corpo! Mais tarde sobre sua sepultura foi construído um convento, que ainda hoje existe, e é habitado por monges gregos. Santa Catarina de Alexandria, por seu grande saber, é padroeira dos estudantes, filósofos e juristas, e com muito orgulho, a padroeira do Estado de Santa Catarina.