terça-feira, dezembro 31, 2013

um pedido para 2014


O que o sábio quer, busca em si mesmo; o vulgo busca nos demais.
-Confúcio, filósofo chinês (551 a.C.-478 a.C.)-

Salomão Pede Sabedoria – 1 Reis 3
1 Salomão aliou-se ao faraó, rei do Egito, casando-se com a filha dele. Ele a trouxe à Cidade de Davi até terminar a construção do seu palácio e do templo do SENHOR, e do muro em torno de Jerusalém.
2 O povo, porém, sacrificava nos lugares sagrados, pois ainda não tinha sido construído um templo em honra ao nome do SENHOR. 
3 Salomão amava o SENHOR, o que demonstrava andando de acordo com os decretos do seu pai Davi; mas oferecia sacrifícios e queimava incenso nos lugares sagrados.
4 O rei Salomão foi a Gibeom para oferecer sacrifícios, pois ali ficava o principal lugar sagrado, e ofereceu naquele altar mil holocaustos. 
5 Em Gibeom o SENHOR apareceu a Salomão num sonho, à noite, e lhe disse: “Peça-me o que quiser, e eu lhe darei”.
6 Salomão respondeu: “Tu foste muito bondoso para com o teu servo, o meu pai Davi, pois ele foi fiel a ti, e foi justo e reto de coração. Tu mantiveste grande bondade para com ele e lhe deste um filho que hoje se assenta no seu trono.
7 “Agora, SENHOR, meu Deus, fizeste o teu servo reinar em lugar de meu pai Davi. Mas eu não passo de um jovem e não sei o que fazer. 
8 Teu servo está aqui entre o povo que escolheste, um povo tão grande que nem se pode contar. 
9 Dá, pois, ao teu servo um coração cheio de discernimento para governar o teu povo e capaz de distinguir entre o bem e o mal. Pois, quem pode governar este teu grande povo?”
10 O pedido que Salomão fez agradou ao Senhor. 
11 Por isso Deus lhe disse: “Já que você pediu isso e não uma vida longa nem riqueza, nem pediu a morte dos seus inimigos, mas discernimento para ministrar a justiça, 
12 farei o que você pediu. Eu lhe darei um coração sábio e capaz de discernir, de modo que nunca houve nem haverá ninguém como você.
13 Também lhe darei o que você não pediu: riquezas e fama, de forma que não haverá rei igual a você durante toda a sua vida. 
14 E, se você andar nos meus caminhos e obedecer aos meus decretos e aos meus mandamentos, como o seu pai Davi, eu prolongarei a sua vida”. 
15 Então Salomão acordou e percebeu que tinha sido um sonho.A seguir voltou a Jerusalém, pôs-se perante a arca da aliança do Senhor, sacrificou holocaustos e apresentou ofertas de comunhão. Depois ofereceu um banquete a toda a sua corte.

sábado, dezembro 28, 2013

sonâmbulos






"Essas experiências de despertar por alguns instantes num mundo que dorme e o sentimento de estranheza que a acompanha não são, em geral, acontecimentos fortuitos, mas resultados de esforços anteriores de lembrança de si. Tenho lembranças semelhantes de 'volta a mim' dessa maneira. Uma delas ocorreu na hora de maior movimento no metrô de Londres. Ali estava eu, espectador surpreso de um mundo estranho, observando uma multidão que era arrastada para as entranhas da terra pelas escadas rolantes e também pelas escadas excessivamente carregadas que se dirigiam ao meu encontro. E todos estavam dormindo, como eu estivera alguns minutos antes, uns franzindo as sobrancelhas, outros sorrindo e outros sem qualquer expressão, mas com os olhos que olhavam e não viam nada. A que estávamos acorrentados, como pessoas hipnotizadas, e qual a força que nos arrastava em nosso sono? Obviamente, alguns estavam mais assediados que outros pela necessidade da pressa, pois aqueles inquietos contorciam-se e abriam caminho através da multidão como peixes que vemos às vezes contorcendo-se num banco de areia. Para onde íamos todos nós, gente adormecida e apressada, e o que faríamos ao chegar lá? As nossas próprias vontades eram responsáveis por toda essa comoção ou estávamos sendo arrastados por uma grande força tão implacável e impessoal como a atração exercida sobre as marés pela lua?
(...)
Quando analisamos a mentira, descobrimos que era constituída de duas outras funções altamente mecânicas, contra as quais Ouspensky nos prevenira numa reunião anterior: o falar desnecessário e a imaginação. Estudaremos inicialmente a primeira delas e a parte inferior do centro intelectual - o 'aparelho formador'- responsável por ela. Em algumas pessoas, esse aparelho nunca está inativo. Falam sem cessar nos metrôs e nos ônibus ('Dei-lhe um pouco da minha atenção, disse a ele...'); falam de manhã, quando estão descansadas, e ainda mais à noite, quando estão cansadas; falam quer sejam escutadas ou não. Falam quando têm saúde e continuam falando quando estão doentes; e mesmo que a doença seja grave e exija uma operação, continuam falando enquanto a máscara de anestesia é fixada em seu rosto e o óxido nitroso é injetado. A sua conversa é sobre nada e principalmente sobre o nada que elas próprias são. É uma terrível calamidade essa irrefreável produção de palavras em alta pressão, tanto para quem fala quanto para quem ouve, e consome uma enorme quantidade de energia valiosa dos nervos.
Nem mesmo o homem taciturno está necessariamente livre disso, pois pode estar se produzindo dentro dele muita conversa inaudível, de baixa categoria. Se observarmos cuidadosamente o rosto das pessoas com quem cruzamos na rua, veremos muitas vezes os seus lábios se moverem e, ao mesmo tempo, a sua expressão facial mudar. Sorriem ou franzem as sobrancelhas, quando passam por nós, e o seu sorriso e franzir de rosto nada têm a ver conosco. Nem sequer perceberam a nossa presença, pois estão a quilômetros de distância em seus sonhos e vivem talvez num momento do tempo totalmente diferente. Não estão presentes aqui e agora, mas vivem na imaginação uma entrevista difícil prestes a correr ou relembram as coisas espirituosas que disseram há um ou dois meses. Meia hora depois apenas, estarão conversando ruidosamente com os amigos; por enquanto, porém, estão sendo levadas nas asas da fantasia e conversam silenciosamente consigo mesmas."
Kenneth Walker,
Os Ensinamentos de Gurdjieff

sexta-feira, dezembro 27, 2013

vem pra rua em 2014


(...) vejo um mundo cheio de caminhantes de mochilas, vagabundos zen recusando-se a atender à demanda geral para que consumam a produção e, por isso, se obriguem a trabalhar pelo privilégio de consumir toda aquela porcaria que, na verdade, não desejavam, como geladeiras, televisores, carros -pelo menos os últimos modelos-, brilhantinas, desodorantes e toda a quinquilharia que você vai acabar vendo uma semana depois na lata do lixo; todos eles aprisionados num sistema que ordena 'trabalhe, produza, consuma, trabalhe, produza, consuma'. Eu tenho a visão de uma grande revolução de mochilas, milhares ou até mesmos milhões de jovens americanos percorrendo o país com mochilas, subindo as montanhas para rezar, fazendo rir as crianças e alegrando os velhos, fazendo os jovens felizes e as velhas mais felizes ainda".
Jack Kerouac,
Os Vagabundos Iluminados (1958)

"Andar, a arte da progressão colocando um pé metodicamente adiante do outro, é o meio de locomoção mais venerável e universal da humanidade e o tem sido durante um milhão de anos. Andar no sentido mais nobre é um progresso regular inspirado pelos bosques e pelas colinas, por rios e flores do campo, uma fruição serena das eternas fontes de alegria. Andar leva à meditação. Ou talvez se devesse dizer que só aqueles de espírito filosófico andam, verdadeiramente, receptivos à beleza que está por toda parte na natureza não poluída pelo homem".
Enciclopédia Britânica, verbete "to walk"

rolezinho nos porões


Em "Eu e Você", de Bernardo Bertolucci, a nossa sensibilidade mitopoética é despertada pelo simbolismo do porão em que o adolescente protagonista resolveu se esconder da mãe e do mundo, dizendo que passaria a semana de férias com os colegas de colégio esquiando nas alturas. Estamos sem dúvida tratando de "nekya", descida aos mundos subterrâneos, uma das metáforas do inconsciente coletivo para articular, em diversas culturas, o rito de passagem, em que se entra garoto e se sai homem feito e pronto para a vida. Bachelard, na Poética do Espaço, mostra bem o contraste de sótão e porão como dicotomia entre, de um lado, nossas vontades de sublimação e, de outro, a necessidade e a coragem de enfrentamento de nossa dimensão sombria. 
No caso do protagonista, o rito de passagem parece ter a ver com a superação do complexo materno, explícito na conversa desabusada em que perguntava para a mãe, causando-lhe escândalo, se ela teria com ele um filho pelo bem da humanidade, no caso de só os dois terem sobrevivido a uma catástrofe dizimadora da espécie.
Dizimar, aliás, remete a dízimo, que por sua vez me remete a uma provocação que tenho feito a meus amigos analistas: não são eles os cobradores de dízimo da classe média intelectual que foge, sofisticada como é, com horror e ojeriza às "terapias para o povo" das igrejas e pastores? 
Falando da religião analítica, me chama a atenção também o diálogo inicial do filme, em que o garoto taciturno, de cabeça para baixo, monossilábico, reage com respostas vazias, tipo um "é normal", para perguntas do terapeuta paralítico sobre condutas que podiam ser tudo, menos normais. Claro que Bertolucci faz aqui, em primeiro lugar, alusão à sua própria condição de cadeirante, após malsucedida operação da coluna. 
Mas também me parece entreabrir uma dimensão de crítica da paralisia da razão terapeutizadora, a mesmice de nossas teorias, a impotência de ultrapassados quadros conceituais, que amamos mais que a realidade à qual os aplicamos a fórceps, mesma operação em vigor na simpatia nostálgica dos comentadores progressistas que correm a ver "cidadania" na horda infame dos rolezinhos, idiotia simétrica, só que abençoada pela pobreza, à dos babacas ricaços dos rachas assassinos, que mais que anomalia, são anseio profundo de "mobilidade urbana" de nossas metrópoles paralíticas, vide a celebração da irresponsabilidade a quatro rodas neste vídeo que acaba de entrar em circulação como comercial preliminar no youtube:  http://www.youtube.com/watch?v=siN9odjEh8Y#aid=P-WSyfix2Og
Curioso mas sintomático uma monstruosidade dessas preceder, para espectadores incautos como eu, vídeos sobre meditação zen ou música clássica.
Eu passei meus anos de paciente e aluno de freudo-lacanismo, além de tendo de aturar bastantes besteiras e ineficácias, esperando encontrar a analista dos meus sonhos, o que sempre confessei, não sem ser objeto de riso dos amigos, alguns inclusive das mesmas escola de psicanálise que eu insistia em pagar.   Acho que queria pular logo da conversa fiada (de fios que me amarravam e centuplicavam problemas, "sentidos" e interpretações) para o abraço desimpedido pelo qual justamente a alma buscava na análise a chance de experimentar. O rapazinho de "Eu e Você" vive quase literalmente essa sorte grande, sua "cura", se é que podemos dizer assim virá em ato, não em blablablá, deixando para trás o mundo dos adultos e suas razões e divertimentos e imergindo na  também incestuosa (tema clássico de Bertolucci), mas radical, e curadora do incesto estagnante que vivia sob o domínio da mãe,  atração pela meia-irmã um pouco mais velha com que vai, para sua surpresa e desagrado inicial, ter de conviver naqueles dias de refúgio que imaginava que seria a sós com suas formigas. Meia-irmã gostosa e transgressora, não só pela pouco recomendável relação com as drogas, mas pelo ódio (deu-lhe certa vez uma pedrada na cabeça) que nutria à mãe do garoto, pela qual o pai dos dois trocara a primeira família. 
Espécie demograficamente excessiva e substancialmente ruim essa que por hábito ainda chamamos de humana, insuportável sem, de quando em quando, que se pare o carro do mundo que eu quero descer para um rolezinho nos porões, com uma irmã de alma (anima) como a de "Eu e Você".
-Unzuhause-

quinta-feira, dezembro 26, 2013

The Corrs - Runaway

Runaway
The Corrs

Say it's true, there's nothing like me and you
I'm not alone, tell me you feel it too
And I would run away
I would run away, yeah, yeah
I would run away
I would run away with you
'Cause I am falling in love with you
No never, I'm never gonna stop
Falling in love with you
Close the door, lay down upon the floor
And by candlelight, make love to me through the night
(through the night)
'Cause I have run away
I have run away, yeah, yeah
I have run away, run away
I have run away with you
'Cause I am falling in love (falling in love) with you
No never, I'm never gonna stop
Falling in love with you
With you
And I would runaway
I would runaway, yeah, yeah
I would runaway (runaway)
I would runaway with you
'Cause I am falling in love (falling in love) with you
No never, I'm never gonna stop
Falling in love with you
Falling in love (falling in love) with you
No never, I'm never gonna stop falling in love with you
With you, my love, with you
(With you, with you, with you, with you)

terça-feira, dezembro 24, 2013

o natal de cada dia vos dai hoje


Santo Agostinho, um dos pilares da teologia católica, é franco em admitir:  "A própria ideia do que atualmente se chama de religião cristã existia entre os antigos também, e nunca deixou de existir desde o começo da raça humana até a vinda de Cristo em pessoa, e nesse momento a verdadeira religião, que já existia, começou a ser chamada de cristã".
 São palavras que projetam luz não só para o remoto passado pré-cristão, mas também para nosso presente pós-cristão, em que uma barafunda de opiniões as mais díspares sobre praticamente tudo cindem o vento e disputam nossos ouvidos de transeuntes sonâmbulos, raramente despertos para nós mesmos, na grande feira pública do "homo loquax", matraca indomável de infinitas palavras vazias, em seu espetáculo de excessos de informações, "confidências" e opiniões e ausência de sentido e de experiência, num horizonte sinistro de devastação hiperdemográfica dos espaços e despovoamento do tempo, instância própria da memória e do espírito, segundo Bergson. 
Ponderações pró e contra o materialismo natalino me cansam igualmente. São verso e reverso da mesma moeda podre e sem valor nenhum do homo loquax. Opinar contra papai noel insistindo em "meninos jesus em nossos corações" pra mim é só trocar de nome a mesma indigência de significado e de experiência. 
É preciso hoje aprofundar como significado e experiência essa própria indigência, se permitir um tempo (tempo, essa grande vítima de nosso inchaço grosseiro dos espaços) a sós com ela, antes de fingir alguma reconciliação apressada e uma abundância como a dos pernis e dos brindes e do sono. É preciso calar a matraca e acordar deste ininterrupto sono diurno, o "coma" comilão e bêbado de olhos abertos e passos arrastados dia após dia, se permitir a visitação do Khristós nos lampejos de recordação de si mesmo que nos arranquem do torpor e da renúncia tácita a ser e fazer o nosso melhor.
Sobre o "cristianismo" universal da espécie humana (tenho lido aliás sobre os impressionantes antecedentes egípcios da história mítica e mística que conhecemos como Novo Testamento), segue mais um pouco de material na bela reflexão indiana que vos ofereço como singelo brinde de boas festas.
-Unzuhause-


"Eles [os maometanos] têm um bonito costume: em uma certa parte do ano, vão de porta em porta carregando uma lanterna e dizendo em voz alta 'Alekh! Alekh! Alekh!', que significa LUZ! LUZ! LUZ! Há uma filosofia espiritual nesse pensamento. 'Eu trago luz para o seu lar; dou luz para sua casa; eu deixo luz em sua morada'.
Os maometanos celebram esta ocasião cultuando a pessoa de Maomé. Os budistas têm seu culto espiritual quando do nascimento de Buda. Os seguidores de Zoroastro honram seu nascimento, o profeta do Irã. O nascimento de Krishna é celebrado com grande solenidade e alegria, mas lá a personalidade é colocada em segundo plano e é o seu princípio eterno que é lembrado.
(...)

O culto ao sol tem sido considerado um costume pagão, mas todas as igrejas não têm luz em seus altares? Através dos tempos, o homem tem adorado a luz como símbolo de iluminação, o raio da divindade que procura brilhar dentro de cada um e de todos nós.
Moisés viu a luz no arbusto queimado. Isto não significa queimar árvores ou arbustos, mas purificação de tudo que é finito e limitado dentro de nós. Quando isto é queimado e iluminado nos tornamos cultuadores da luz. Salomão iniciava os seguidores do misticismo com a luz que é usada em cada iniciação messiânica.
Jesus, o grande Orientalista, disse: 'Eu sou a luz do mundo' (João 8:12). 'Vocês são filhos da luz'. Tanto quanto pode a mente humana recuar, a humanidade tem buscado realizar e revelar esta verdade. Que DEUS é a Luz Cósmica. No Rig-Veda, a mais antiga escritura hindu, lemos: 'Não havia existência, nem não-existência. Não havia morte, nem alguma coisa mortal. Aquela única realidade, aparte aquilo, o que quer que fosse, era nada. Quem sabe e quem pode dizer quando passou a existir a Criação? ELE, a origem primeira da Criação, é quem dirige o destino do universo. ELE realmente sabe. Desperta. A luz da vida outra vez nos alcançou. A escuridão passou'.
Que nosso Natal seja um pensamento eterno, uma recordação diária que nos desperta para a consciência de DEUS dentro de nós. 
(...)
A verdadeira religião está escrita dentro de cada um e de todos nós. A consciência de Cristo nasce e desperta dentro de nós no 'olho espiritual'. Lá, com a ascensão da consciência, uma estrela aparece no leste. Quando permanecemos olhando aquela luz ou estrela dentro de nós, nossa consciência gradualmente vai mergulhando na consciência infinita e tudo que é finito e limitado, literalmente dissolve-se e somos transportados a um glorioso estado de iluminação espiritual.
(...)
Este pequeno planeta terra não é nosso lar permanente. É um 'playground'. Nele lutamos desesperadamente como crianças por um brinquedo, mas quando somos chamados, cada um de nós deixa os brinquedos e retorna àquele lar eterno. Quando a mãe cósmica chama, todas as coisas são esquecidas nas areias do tempo. Permanecemos aqui muito pouco tempo. Amamos, encontramo-nos, vivemos e vamos embora. Este mundo é somente um lugar de morada temporária, cedido por Deus. Viemos para vá com o único propósito de realizar nossa identidade, nossa união com o ESPÍRITO CÓSMICO. Que a luz da sabedoria de Cristo ilumine a escuridão da ignorância humana e sem cessar lute para alcançar esta realização. Vivamos por isto.
(...) 
Temos cumprido essa missão divina, DAQUELE que nos enviou para cá? Temos meditado no poder divino que nos deu a vida: Nosso amor, livre arbítrio e razão? Se mantivermos nossa consciência acorrentada ao mundo sensorial perdemos a visão do nosso verdadeiro objetivo.
(...)
Alguma vez já apertou em suas mãos um objeto santificado ou uma conífera, com um sentimento de união? Um dia, quando você olhar as estrelas no céu e toda a natureza em sua volta, com a emoção da iluminação divina, sentirá seus olhos serem abençoados. Se você torna-se verdadeiro amante de DEUS, verá sempre o que é belo, nobre e bom. Quando você vê o bom em todos, suas mãos estarão sempre ocupadas a serviço de DEUS. Eliminará o mais simples mau pensamento ou palavra mais dura de sua mente. O corpo é um instrumento santificado de DEUS, através do qual nós vemos, falamos e atuamos. Falar ou agir com maldade é poluir este santificado instrumento. Suas palavras grosseiras podem não injuriar os outros, mas elas reagirão negativamente sobre você mesmo. 
(...)
Se você ama a humanidade, deve estar preparado para grandes sacrifícios. O amor humano traz tristeza, pois termina, mas o divino amor da alma é por toda a eternidade. O homem está unido com toda humanidade com DEUS. Esta é a verdade que Jesus ensinou. Nosso vizinho é o universo inteiro, desde a mais insignificante folha de grama, as árvores, as estrelas, as montanhas, os profundos rios e os vastos oceanos. Alargue sua consciência. Espiritualização é a universalização da consciência pela qual a luz do amor de Cristo torna-se a iluminação eterna na nossa caminhada a DEUS.
(...)
Não podemos estalar um dedo sem o outro; são precisos dois para fazer o estalo.
(...)
A mais alta de todas as sabedorias é sabermos que tudo é DEUS. Até que cada um de nós realize sua própria deidade e divindade, o nosso DEUS será apenas uma palavra e nada mais. Pela prática da meditação e da purificação do corpo, mente e coração, busquemos alcançar nossa missão divina na vida, guiando-nos pela iluminação da sabedoria, vontade divina, amor e realização. Então traremos paz para nós e para os outros, realizando a missão divina de boa vontade para todos.
(...)
Quando despertamos esta consciência crística, o Cristo renasce para nós e dentro de nós e absorvemos o verdadeiro significado do Natal, este tempo abençoado. Celebremos o nascimento do princípio eterno de Cristo neste santificado período do ano;
Que o espírito do Natal nos inspire e nos guie durante todo o ano, em cada momento de nossa existência na terra e depois dela".
Swami Premananda,
Os Sete Feriados Místicos

segunda-feira, dezembro 23, 2013

a mosca e o samurai


"O início de um hábito é como um fio invisível, mas, a cada vez que repetimos, o ato reforça o fio, acrescenta-lhe outro filamento, até que se torna um enorme cabo e nos prende de forma irremediável no pensamento e na ação".
Orison Swett Marden



sábado, dezembro 21, 2013

Resenhas para a Folha de S. Paulo


GUIA FOLHA - LIVROS, DISCOS, FILMES
Textos de CAIO LIUDVIK
MISERERE
"Miserere nobis", tende piedade de nós, é o apelo dos versos de Adélia Prado. Algo mais soturnos do que o habitual na escritora mineira, os poemas desta coletânea mergulham fundo nas angústias do envelhecimento, das perdas, da morte, contrabalançadas na crença em Deus, quiçá a maior de nossas licenças poéticas para suportar o medo e demais realidades prosaicas da existência. 
Mais que certeza positiva, porém, a religiosidade é aqui dado imediato da consciência (toda poesia é religiosa, mesmo se o poeta for ateu, diz Adélia), resposta espontânea da alma cuja "sensação" de si e do mundo (no que tem de mais rudimentarmente material)  "é exílio. / Criancinha de peito, essa já sabe, / seu olhar muda quando desmamada", o que um psicanalismo banal poderia tentar enquadrar em categorias outras que não a da neoplatônica que diz  que "Tudo é igual a tudo, mas por agora a unidade nos cega, / daí o múltiplo e suas distrações".
Experiência poética na antessala da mística para a qual nem o dizer nem o calar vulgares podem dar acesso: "Ao minuto de gozo do que chamamos Deus / fazer silêncio ainda é ruído".
AVALIAÇÃO – ÓTIMO

A REPÚBLICA DAS ABELHAS
Pelo recurso - consagrado por Machado de Assis-  a "memórias póstumas", o historiador e escritor Rodrigo Lacerda refaz em "A República das Abelhas" a saga de três gerações de políticos de sua família envolvidos no centro dos grandes embates ideológicos da cena brasileira ao longo do século 20.
 O "defunto autor", no caso, é  Carlos Lacerda (1914-1977), um dos mais controversos políticos do país, e célebre pela retórica udenista inflamada de oposição à era Vargas. O livro teve como ponto de partida o conto "Política", publicado na Ilustríssima, da Folhaem que Rodrigo resgatava  suas lembranças do velório do avô, episódio aliás que aqui ressurge reimaginado de maneira magnífica.  Sua estratégia narrativa favorece um enfoque menos factual, e sim mais introspectivo para este romance histórico, que admite muito influenciado pela experiência de tradutor de "O Conde de Monte Cristo" e "Os Três Mosqueteiros", de Dumas, e pela leitura de "O Tempo e o Vento", de Erico Veríssimo.
AVALIAÇÃO - ÓTIMO

DO CORPO
"Muito talento em alguns e muita conversa fiada em quase todos", era o cenário com que o jovem André Comte-Sponville se debatia quando do seu primeiro livro, inédito até agora. "Uma sabedoria para o nosso tempo, eis o que eu buscava e que devia evidentemente incluir uma moral", a despeito dos modismos descontrucionistas e niilistas  daquela virada para os anos 80. "Eu já não suportava minha época. Covardia demais. Complacência demais para com a tolice, o exibicionismo, a vulgaridade". 
O livro é uma coletânea de aforismos, já impregnados de inspirações materialistas e racionalistas entretecidas no diálogo com Epicuro, Espinosa, Marx e Freud, entre outros.  Antecipa, por exemplo, seu "Tratado do Desespero e da Beatitude" ao anotar que o homem verdadeiramente sábio cultiva uma alegria interior infensa tanto à esperança, essa paixão triste porque instável e procrastinadora, quanto ao temor.
AVALIAÇÃO – ÓTIMO

MESTRES DA VERDADE NA GRÉCIA ARCAICA
O discurso filosófico, a partir de Platão, se organiza como o debate racional que busca o acesso gradual a uma verdade independente da autoridade do enunciador, e pautado pelo princípio da não contradição. Não era assim que se passavam as coisas, no tempo dos "mestres da verdade", poetas, adivinhos e reis justiceiros. Eles eram porta-vozes de um regime da verdade, "alétheia", regulado por uma lógica ambígua, estranha aos nossos cânones rígidos do racional, e indissociável do prestígio pessoal de inspirados divinos, para, abolindo as fronteiras do tempo, revelar os meandros do porvir ou do dos primórdios. Este é o foco de Marcel Detienne, um dos maiores helenistas do século 20, neste estudo célebre sobre a secularização da verdade e a transição do mito à razão na aurora da civilização ocidental.
AVALIAÇÃO- ÓTIMO

CAMINHOS DO TEATRO OCIDENTAL
Crítica teatral consagrada (e temida) pela verve iconoclástica, Barbara Heliodora mostra em "Caminhos do Teatro Ocidental" a profundidade de repertório em que se alicerça para fazer mais que um polemismo de autopromoção barata. 
 O livro se baseia nas centenas de anotações que abasteciam seu ofício de professora entre as décadas de 60 e 80,  no Rio de Janeiro, além de capítulos inéditos sobre o contexto brasileiro, traçando um panorama abrangente e esclarecedor sobre a cena teatral desde os gregos até a segunda metade do século 20, passando pela Idade Média, teatro elisabetano (embora resistindo a se demorar em sua grande paixão como estudiosa e tradutora, Shakespeare) e o classicismo francês. 
Ela relativiza, no capítulo inicial, as certezas habituais sobre os fundamentos religiosos da arte da encenação e mostra como a história do teatro se nos oferece como perspectiva privilegiada, ainda que em sua inerente efemeridade, para a compreensão da história dos povos e da natureza do humano.
AVALIAÇÃO - ÓTIMO

  

quinta-feira, dezembro 19, 2013

salve regina - cântico templário



(a oração católica:)
Salve Regina
Salve, Regina, Mater misericordiae,
Vita, dulcedo, et spes nostra, salve.
Ad te clamamus, exsules filii Hevae,
Ad te suspiramus, gementes et flentes
In hac lacrimarum valle.
Eia, ergo, advocata nostra, illos tuos
Misericordes oculos ad nos converte;
Et Jesum, benedictum fructum ventris tui,
Nobis post hoc exilium ostende.
O clemens, O pia, O dulcis Virgo Maria.
V.: Ora pro nobis sancta Dei Genetrix.
R.: Ut digni efficiamur promissionibus Christi.




Salve Rainha, Mãe de misericórdia, vida, doçura e esperança nossa, salve! A vós bradamos os degredados filhos de Eva. A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia pois advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei. E depois deste desterro, mostrai-nos Jesus, bendito fruto de vosso ventre. Ó clemente ! ó piedosa ! ó doce sempre Virgem Maria! 
V. Rogai por nós Santa Mãe de Deus. 
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém.

segunda-feira, dezembro 16, 2013

quinta-feira, dezembro 12, 2013

você aprende


You Learn
(Alanis Morissette)
I recommend getting your heart trampled on
To anyone
Yeah, oh yeah, yeah
I recommend walking around naked
In your living room
Yeah

Swallow it down
(What a jagged little pill)
It feels so good
(Swimming in your stomach)
Wait until the dust settles

You live, you learn
You love, you learn
You cry, you learn
You lose, you learn
You bleed, you learn
You scream, you learn

I recommend biting off more than you can chew
To anyone
I certainly do
I recommend sticking your foot in your mouth
At any time
Feel free

Throw it down
(The caution blocks you from the wind)
Hold it up
(To the rays)
You wait and see when the smoke clears

You live, you learn
You love, you learn
You cry, you learn
You lose, you learn
You bleed, you learn
You scream, you learn

Wear it out
(The way a three-year-old would do)
Melt it down
(You're gonna have to eventually, anyway)
The fire trucks are coming up around the bend

You live, you learn
You love, you learn
You cry, you learn
You lose, you learn
You bleed, you learn
You scream, you learn

You grieve, you learn
You choke, you learn
You laugh, you learn
You choose, you learn
You pray, you learn
You ask, you learn

You live, you learn


Você Aprende
Eu recomendo pra qualquer um que deixe
seu coração em frangalhos
Yeah, oh yeah, yeah
Eu recomendo andar pelado
pela sala de estar
Yeah

Engula-a
(que pilulazinha ruim)
Ela faz tão bem
(nadando em seu estômago)
Espere até a poeira abaixar

Você vive, você aprende,
você ama, você aprende
Você chora, você aprende,
você perde, você aprende
Você sangra, você aprende,
você grita, você aprende

Eu recomendo pra qualquer um que tenha
o olho maior que a barriga
Eu certamente tenho
Recomendo agir por impulso
a qualquer hora
Sinta-se livre

Jogue-a pra longe
(A cautela lhe protege do vento)
Erga-a
(Para os raios)
Basta espere e ver quando a fumaça sumir

Você vive, você aprende,
você ama, você aprende
Você chora, você aprende,
você perde, você aprende
Você sangra, você aprende,
você grita, você aprende

Se deixe levar
(como uma criança de 3 anos faria)
Se desprenda
(você vai se desprender eventualmente, de qualquer jeito)
Os caminhões dos bombeiros estão virando a esquina

Você vive, você aprende,
você ama, você aprende
Você chora, você aprende,
você perde, você aprende
Você sangra, você aprende,
você grita, você aprende

Você se aflige, você aprende,
você se sufoca, você aprende
Você ri, você aprende,
você escolhe, você aprende
Você reza, você aprende,
você pergunta, você aprende
Você vive, você aprende

quarta-feira, dezembro 11, 2013

a personalidade do ano


O papa Francisco foi eleito a "personalidade do ano" pela revista norte-americana "Time".
O pontífice concorria com Bashar al-Assad (ditador sírio), Jeff Bezos (fundador da Amazon), Ted Cruz (senador do Estado do Texas), Miley Cyrus (cantora), Barack Obama (presidente dos EUA), Hasan Rowhani (presidente do Irã), Kathleen Sebelius (secretária de Saúde e Serviços Humanos dos EUA), Edward Snowden (ex-integrante da NSA) e Edith Windsor (ativista pelos direitos dos homossexuais).
Segundo a editora da Time Nancy Gibbs, o papa tem seu foco na compaixão e "se tornou a nova voz da consciência".
"Poucas vezes, um novo ator do cenário mundial captou tanta atenção de maneira tão rápida --de jovens e velhos, crentes e céticos-- como fez o papa Francisco", escreveu.
"Em nove meses no trono, Francisco se colocou no centro das principais conversas de nossa época: sobre riqueza e pobreza, imparcialidade e justiça, transparência, modernidade, globalização, o papel da mulher, a natureza do matrimônio, as tentações do poder", afirmou.
O cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio se tornou no dia 13 de março o pontífice de número 266 da Igreja Católica e sucedendo o agora papa emérito Bento 16, que supreendeu o mundo ao renunciar ao trono de São Pedro no dia 28 de fevereiro.
Francisco é o primeiro latino-americano e o primeiro jesuíta a se tornar papa. Sua primeira viagem oficial como líder máximo da Igreja Católica foi ao Brasil, em julho, onde participou da 28ª Jornada Mundial da Juventude. 
Desde 1927, a principal revista semanal norte-americana escolhe a pessoa que mais influenciou no ano. Em 2012, pela segunda vez depois de 2008, o presidente norte-americano Barack Obama foi o escolhido para receber o título.
fonte: http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2013/12/11/papa-francisco-e-eleito-personalidade-do-ano-pela-revista-time.htm

terça-feira, dezembro 10, 2013

o grande silêncio


A ALEGRIA DE SER CARTUXO 
http://www.vocatiochartreux.org/pdfs/A%20ALEGRIA%20DE%20SER%20CARTUXO.pdf


Há alguns anos o filme “O Grande Silêncio” causou grande impacto no público. 
Revelou um pouco sobre a vida dos cartuxos, mas só um pouco, porque a mudez do filme deixou os espectadores com muitas perguntas no ar. Quem são esses monges vestidos com grosseiros hábitos brancos? Que sentido tem essa vida retirada e silenciosa, tão diferente da vida dos sacerdotes e religiosos dedicados à 
vida pastoral, ao ensino, às missões, inseridos no mundo? 
Os cartuxos defendem com firmeza o seu silêncio e retiro do mundo para poder viver seu carisma próprio e especial, por isso fogem da publicidade e raramente concedem entrevistas aos meios de comunicação. Não é de se admirar que sejam 
tão pouco conhecidos. 
Apesar de tudo, a vida solitária dos cartuxos sempre atraiu homens famintos do Infinito, desejosos de viver ocultos aos olhos do mundo, consagrando a sua existência totalmente a Deus no silêncio e na solidão de um ermo. Santos como 
Inácio de Loyola, João da Cruz e outros, sentiram o desejo de ingressar em uma cartuxa. E a Cartuja continua despertando interesse em não poucas pessoas de fé que se sentem atraídos por uma vida de fé singela, centrada no essencial.  
Recolhemos aqui as perguntas que há alguns anos o Pe. Rosendo Roig, jesuíta, planejou para os cartuxos de Miraflores (Burgos, Espanha). Também aproveitamos para adicionar outras perguntas que os aspirantes costumam nos fazer em suas cartas e em seus retiros vocacionais. Esperamos que estes simples 
diálogos sirvam de orientação aos jovens desejosos de saber mais sobre o carisma e a vida diária dos cartuxos. 
(...)

- Que motivações não seriam válidas para ser monge cartuxo? 
- As desilusões da vida, o desejo de uma vida tranquila, sem problemas, em geral qualquer motivo egoístico. O único motivo válido é a busca dos valores que 
não passam, a busca mais ou menos claramente percebida (ou ao menos pressentida) de Deus. Procuramos analisar a vocação com o máximo de discrição e paciência. 
- Com que idade se pode entrar na Cartuxa? 
- Tende-se a desaconselhar cada vez mais o ingreso antes dos 21 anos. 
- Dos 21 até que idade? 
- Sem a autorização especial do Capítulo Geral ou do Reverendo Padre, que é 
o Superior Geral da Ordem, não se pode receber ninguém que já tenha 45 anos. 
- E a autorização é concedida? 
- Se a idade não supera muito os 45 anos pode ser concedida, mas só depois de ter feito uma experiência especial de três ou quatro meses antes de ser admitido como aspirante. 
(...)
4. OS ASPECTOS MAIS CARACTERÍSTICOS DA 
ESPIRITUALIDADE CARTUSIANA 

A. Deus só 

- Diferentemente das ordens religiosas de vida apostólica, que se dedicam à pregação, ao ensino, ao cuidado dos enfermos etc., a que se dedica a Ordem Cartuxa? 
- Nossa missão na Igreja é o que tradicionalmente se chama de “vida contemplativa”. 
- O que é, então, a vida contemplativa para um cartuxo? 
- Um mistério que se aproxima do mistério de Deus, de cuja grandeza e incompreensibilidade ela participa de certa forma. Mais além do cuidado pelas coisas do mundo; mais além, inclusive, de todo ideal humano e da própria perfeição, o monge cartuxo busca a Deus. Ele vive só para Deus, dedicado de corpo e alma a louvar a Deus. Este é o segredo da vida puramente contemplativa: viver só para Deus, não desejar mais que a Deus, não querer saber de outra coisa senão de Deus e não possuir mais que a Deus. Aquele que reconhece a Deus como o Bem supremo, compreenderá o valor dessa vida de consagração radical que é a vida do cartuxo. 
- É um lindo ideal. 
- É, mas esse lindo ideal exige um clima adequado para acontecer. 
- E qual é o clima adequado? 
- As nossas usanças e observâncias criam esse clima e revelam assim o seu sentido. Consideradas isoladamente, sem relação com o seu fim, seriam incompreensíveis e não passariam de um monte de práticas estranhas. 
- Vejamos... 


B. A solidão e o silêncio 

- Qual é a palavra que mais se repete na Cartuxa? 
- Se alguém se desse ao trabalho de buscar o vocábulo mais repetido nas páginas de nossos Estatutos, seriam certamente as palavras “solidão” e “silêncio”. 
- Sua espiritualidade têm algum slogan? 
- A espiritualidade cartusiana é a espiritualidade do deserto. 
- É uma tradição? 
- Assim afirmam nossos Estatutos quando dizem: “Os fundadores de nossa Ordem seguiam uma luz vinda do Oriente, a dos antigos monges que, consagrados à solidão e à pobreza de espírito, povoaram os desertos numa época em que a lembrança ainda viva do sangue derramado pelo Senhor ainda ardia em seus corações”. 

- Essa espiritualidade lhes é própria, ou tem fundamentos em outro lugar? 
- A Sagrada Escritura e a tradição da Igreja oferecem argumentos para colocar a vida solitária acima de qualquer outra vocação. 
- Apesar de reconhecer que a solidão é somente um meio, vocês lhe tributam um verdadeiro culto. Por quê? 
- Porque, como dizem muito bem os nossos Estatutos, citando Dom Guigo, quarto sucessor de são Bruno no eremitério Chartreuse, a solidão é o meio mais apto para a união com Deus: “o gosto pela salmodia, a aplicação à leitura, o fervor da oração, a profundidade da meditação, a elevação da contemplação e o dom das lágrimas, 
não podem encontrar ajuda mais poderosa que a solidão”. 
- Então essa importância que a Cartuxa dá à solidão tem alguma repercussão na estrutura jurídica da Ordem? 
- Toda a legislação da Cartuxa tende a conservar e favorecer essa solidão e esse silêncio, que são os traços mais marcantes da espiritualidade do deserto e da espiritualidade cartusiana. 
- Pode me indicar alguns aspectos de seus Estatutos sobre a vida de solidão do cartuxo? 
- Os Estatutos proíbem ao cartuxo, por exemplo, pregar, confessar e fazer acompanhamento espiritual, coisas em si excelentes, mas que não estão na linha da vocação eremítica.
(...)
- Em uma palavra, o que é necessário para um cartuxo?  
- Que se enamore da solidão para vivê-la em intimidade com o Senhor. 
- O cartuxo que é fiel a esses princípios é feliz? 
- Sim, porque o monge que é fiel à sua vocação compreende que Deus o chama a uma solidão e a um silêncio de espírito cada vez mais profundos.

C. O repouso espiritual 


- Solidão e silêncio cada vez mais profundos? 

- Sim, a solidão exterior cria o ambiente propício, necessário para que se 

possa desenvolver uma solidão mais perfeita, a solidão interior. 

- Em que consiste a solidão interior? 
- Em um processo espiritual pelo qual a memória, o entendimento e a vontade vão perdendo o interesse e o gosto pelas coisas passageiras. Por sua vez, Deus começa a ser percebido como o único que pode saciar as profundas aspirações do espírito. Só quando o cartuxo descobre, admirado, que enfim é só Deus que o preenche, começa a ser um autêntico “monge” contemplativo. Esta 
descoberta produz uma sensação de liberdade e gozo interior que é difícil expressar com palavras. 
- Esta experiência é algo típico e exclusivo da Cartuxa? 
- Se trata de um processo espiritual já descrito na espiritualidade dos antigos monges do deserto, tal como Antão, Pacômio, Evágrio, e em geral nos místicos cristãos de todos os tempos. 
- Como vocês, cartuxos, o concretizam? 
- Acho que todo esse processo espiritual poderia ser resumido em uma palavra muito cara a nosso pai São Bruno e aos primeiros cartuxos: ”quies”, isto é, o repouso espiritual. 
- Se entendo bem, isso significa que todo o ambiente da Cartuxa tende a isso? 
- A um clima de solidão e silêncio que elimina o barulho perturbador dos desejos e imagens terrenos. Se trata de uma atenção tranquila e sossegada da mente em Deus, favorecida pela oração e pela leitura pausada. Chega-se assim a essa “quies”, ou “repouso” da alma em Deus. Esse repouso divinizado, simples e 
gozoso faz com que o monge toque de alguma forma a beleza da vida eterna. 
- Que grau de contemplação é esse? 
- Digamos que a “quies”, é a meta do cartuxo, é onde anela chegar. 
D. Fidelidade à Cruz  
- Vocês têm a fama de serem muito penitentes. 
- Sobre o tema das penitências da Cartuxa, como sobre tantos outros, existem as ideias mais estranhas. Para nós as penitências são simples “meios para aliviar o peso da carne para poder seguir o Senhor mais prontamente”, como dizem os nossos Estatutos.  
- Mas você sabe que hoje em dia a penitência individual não é considerada um meio infalível... Vivemos em um tempo de comprensão e diálogo. 
- É, nos dias de hoje, a penitência e, em geral, tudo o que supõe sacrifício e abnegação, é malvisto; costuma-se falar disso com notável inconsciência. Todo o mundo acha razoável que um esportista se prive de muitas coisas boas e submeta 
o seu corpo a duros treinamentos. 
- Vocês, monges cartuxos, desejam viver segundo o “homem novo” da Sagrada Escritura. Pode me dizer precisamente quais são as penitências básicas? 
- A separação do mundo, a ausência de notícias e de passatempos... São privações que talvez custem mais aos noviços. Tem também o sono dividido em dois tempos, a simplicidade no vestir, a frugalidade na alimentação... 
(...)

No dia 6 de outubro celebramos o santo fundador da Ordem dos Cartuxos, considerada a mais rígida de todas as Ordens da Igreja, e que atravessou a história sem reformas. Filho de família nobre de Colônia, Alemanha, nasceu em 1035. Quando alcançou idade foi chamado pelo Senhor ao sacerdócio, e se deixou seduzir. Amigo e admirado pelo Arcebispo de Reims, Bruno, inteligente e piedoso, começou a dar aulas na escola da Catedral desse local, até que – já cinqüentenário e cônego – amadureceu a inspiração de servir a uma Ordem religiosa.
            Após curto estágio num mosteiro beneditino, retirou-se a uma região chamada Cartuxa com a aprovação e bênção de um bispo, o qual lhe ofereceu um lugar. Assim, São Bruno começou sua obra com o coração abrasado de amor por Jesus e pelo Reino de Deus. Com os companheiros observava absoluto silêncio a fim do aprofundar-se na oração e meditação das coisas divinas, ofícios litúrgicos comunitários, obediência aos superiores, trabalhos agrícolas, transcrição de manuscritos e livros piedosos.
            Quando um dos discípulos de São Bruno tornou-se Papa, o quis como assessor. Por obediência ao Vigário de Cristo, ele aceitou o convite. Porém, recusou ser bispo e – após pedir com insistência a Urbano II – conseguiu voltar à vida religiosa. Juntamente com amigos de Roma fundou, no sul da Itália, o mosteiro de Santa Maria da Torre. Faleceu em 1101, neste mesmo mosteiro.
            As suas últimas palavras foram: “Eu creio nos Santos Sacramentos da Igreja Católica. Em particular, creio que o pão e o vinho consagrados, na Santa Missa, são o Corpo e Sangue verdadeiros de Jesus Cristo”.
São Bruno, rogai por nós!

sábado, dezembro 07, 2013

reforma íntima- a figueira seca

Parábola da Figueira Seca

(in: Kardec, A. O Evangelho segundo o Espiritismo)

            8 – E ao outro dia, como saíssem de Betânia, teve fome. E tendo visto ao longe uma figueira, foi lá a ver se acharia nela alguma coisa; e quando chegou a ela, nada achou, senão folhas, porque não era tempo de figos. E falando-lhe disse: Nunca jamais coma alguém fruto de ti para sempre; o que os discípulos ouviram. E no outro dia pela manhã, ao passarem pela figueira, viram que ela estava seca até as raízes. Então, lembrando Pedro, disse para Jesus: Olha, Mestre, como secou a figueira que tu amaldiçoaste. E respondendo Jesus, lhes disse: Tende fé em Deus. Em verdade vos afirmo que todo o que disse a este monte: Tira-te daí e lança-te ao mar, e isto sem hesitar no seu coração, mas tendo fé de que tudo o que disser sucederá, ele o verá cumprir assim. (Marcos, XI: 12-14 e 20-23).
            9 – A figueira seca é o símbolo das pessoas que apenas aparentam o bem, mas na realidade nada produzem de bom: dos oradores que possuem mais brilho do que solidez, dotados do verniz das palavras de maneira que estas agradam aos ouvidos; mas, quando as analisamos, nada revelam de substancial para o coração; e, quando as acabamos de ouvir, perguntamos que proveito tivemos.
            É também o símbolo de todas as pessoas que podem ser úteis e não o são; de todas as utopias, de todos os sistemas vazios, de todas as doutrinas sem bases sólidas. O que falta, na maioria das vezes, é a verdadeira fé, a fé realmente fecunda, a fé que comove as fibras do coração, em uma palavra, a fé que transporta montanhas. São árvores frondosas, mas sem frutos, e é por isso que Jesus as condena a esterilidade, pois dia virá em que ficarão secas até à raiz. Isso quer dizer que todos os sistemas, todas as doutrinas que não produziram nenhum bem para a humanidade, serão reduzidas a nada; e que todos os homens voluntariamente inúteis, que não se utilizaram os recursos de que estavam dotados, serão tratados como a figueira seca.
            10 – Os médiuns são os intérpretes dos Espíritos. Suprem o organismo  material que falta a estes, para nos transmitirem as suas instruções. Eis porque são dotados de faculdades para esse fim. Nestes tempos de renovação social, desempenham uma missão especial: são como árvores que devem dispensar o alimento espiritual aos seus irmãos. Por isso, multiplicam-se, de maneira a que o alimento seja abundante. Espalham-se por toda parte, em todos os países, em todas as classes sociais, entre os ricos e os pobres, os grandes e os pequenos, a fim de que em parte alguma haja deserdados, e para provar aos homens que todos são chamados. Mas se eles desviam de seu fim providencial a faculdade preciosa que lhes foi concedida, se a colocam a serviço de coisas fúteis e prejudiciais, ou dos interesses mundanos; se, em vez de frutos salutares, dão maus frutos; se se recusam a torná-la proveitosa para os outros; se nem mesmo para si tiram os proveitos da melhoria própria, então se assemelham à figueira estéril. Deus,então, lhe retirará um dom que se tornou inútil entre as suas mãos; a semente que não souberam semear; e os deixará tornarem-se presas dos maus Espíritos.

quinta-feira, dezembro 05, 2013

quarta-feira, dezembro 04, 2013

pense diferente




“Treinar o intelecto não resulta em inteligência. Ao contrário, a inteligência surge quando a pessoa age em perfeita harmonia tanto intelectualmente como emocionalmente. Há uma vasta diferença entre intelecto e inteligência.
Intelecto é meramente pensamento funcionando independente da emoção.
Quando o intelecto, sem consideração da emoção, é treinado em alguma direção particular, a pessoa pode ter grande intelecto, mas não deve ter inteligência, porque na inteligência existe a capacidade inerente de sentir assim como de raciocinar; na inteligência as duas capacidades estão igualmente presentes, intensa e harmoniosamente.
Hoje a educação moderna desenvolve o intelecto, oferecendo mais e mais explicações da vida, mais e mais teorias, sem a harmoniosa qualidade da afeição. Assim, desenvolvemos mentes astuciosas para fugir do conflito; por isso ficamos satisfeitos com explicações que cientistas e filósofos nos apresentam.
A mente, o intelecto, fica satisfeito com estas inumeráveis explanações, mas a inteligência não existe, pois para compreender deve haver a completa unidade de mente e coração em ação.”
Jiddu Krishnamurti

terça-feira, dezembro 03, 2013

Alcatraz


"Se um homem pudesse entender todo o horror das vidas das pessoas comuns, que estão dando voltas num círculo de interesses insignificantes e insignificantes objetivos, se pudesse entender o que é que estão perdendo, compreenderia que só pode haver uma coisa importante para ele -escapar da lei geral, ser livre. O que pode ser importante para um homem que está na prisão e foi condenado à morte? Somente uma coisa: Como salvar-se, como escapar; nada mais é importante". 
G. I. Gurdjieff

segunda-feira, dezembro 02, 2013

queimando o lixo calórico mental





13 coisas que as pessoas mentalmente fortes evitam

http://hypescience.com/13-coisas-que-as-pessoas-mentalmente-fortes-evitam
++Perder tempo sentindo pena de si mesmas


Você não vê pessoas mentalmente fortes sentindo pena de si mesmas ou suas circunstâncias. Elas aprenderam a assumir a responsabilidade por suas ações e resultados, e têm uma compreensão inerente de que muitas vezes a vida não é justa. Elas são capazes de emergir de uma situação difícil com consciência e gratidão pelas lições aprendidas. Quando uma ocasião acaba mal para elas, pessoas fortes simplesmente seguem em frente.

 ++Ser controladas ou subjugadas

Pessoas mentalmente fortes evitam dar aos outros o poder de fazê-los sentir-se inferiores ou ruins. Elas entendem que estão no controle de suas ações e emoções. Elas sabem que a sua força está na sua capacidade de reagir de maneira adequada.

++Fugir de mudanças

Pessoas mentalmente fortes aceitam e abraçam a mudança. Seu maior “medo”, se tiverem um, não é do desconhecido, mas de tornarem-se complacentes e estagnadas. Um ambiente de mudança e incerteza pode energizar uma pessoa mentalmente forte e estimular o seu melhor lado.

++Gastar energia em coisas que não podem controlar

Pessoas mentalmente fortes não reclamam (muito) do tráfego, da bagagem perdida e especialmente das outras pessoas, pois reconhecem que todos esses fatores estão, geralmente, fora do seu controle. Em uma situação ruim, elas reconhecem que a única coisa que sempre podem controlar é a sua própria resposta e atitude.

++Preocupar-se em agradar os outros

É impossível agradar a todos. Pior ainda é quem se esforça para desagradar outros como forma de reforçar uma imagem de força. Nenhuma dessas posições é boa. Uma pessoa mentalmente forte se esforça para ser gentil e justa e para agradar aos outros quando necessário, mas não tem medo de dar sua opinião ou apoiar o que acha certo. Elas são capazes de suportar a possibilidade de que alguém vai ficar chateado com elas, e passam por essa situação, sempre que possível, com graça e elegância.

++Ter medo de assumir riscos calculados

Uma pessoa mentalmente forte está disposta a assumir riscos calculados. Isso é uma coisa completamente diferente do que pular de cabeça em situações obviamente tolas. Mas com a força mental, o indivíduo pode pesar os riscos e benefícios completamente, e avaliar plenamente as potenciais desvantagens e até mesmo os piores cenários antes de tomar uma atitude.

++Saudosismo freqüente

Há força em reconhecer o passado e, sobretudo, as coisas aprendidas com as experiências passadas, mas uma pessoa mentalmente forte é capaz de evitar se afundar em decepções antigas ou fantasias dos “dias de glória” de outrora. Elas investem a maior parte de sua energia na criação de um presente e futuro melhores.

++Cometer os mesmos erros repetidamente

Não adianta realizarmos as mesmas ações repetidas vezes esperando um resultado diferente e melhor do que o que já recebemos. Uma pessoa mentalmente forte assume total responsabilidade por seu comportamento passado e está disposta a aprender com os erros. Pesquisas sugerem que a capacidade de ser autorreflexivo de forma precisa e produtiva é uma das maiores características de executivos e empresários bem-sucedidos.

++Ressentir o sucesso dos outros

É preciso ter força de caráter para sentir alegria genuína pelo sucesso de outras pessoas. Pessoas mentalmente fortes têm essa capacidade. Elas não ficam com ciúmes ou ressentidas quando outros alcançam sucesso (embora possam tomar nota do que o indivíduo fez bem). Elas estão dispostos a trabalhar duro por suas próprias chances de sucesso, sem depender de atalhos.

++Desistir depois de falhar

Cada fracasso é uma oportunidade para melhorar. Mesmo os maiores empresários estão dispostos a admitir que seus esforços iniciais invariavelmente trouxeram muitas falhas. Pessoas mentalmente fortes estão dispostas a falhar de novo e de novo, se necessário, desde que cada “fracasso” os traga mais perto de seus objetivos finais.

++Ter medo de passar tempo sozinhas

Pessoas mentalmente fortes apreciam e até mesmo valorizam o tempo que passam sozinhas. Elas usam esse tempo de inatividade para refletir, planejar e ser produtivas. Mais importante, elas não dependem de outros para reforçar a sua felicidade e humor. Elas podem ser felizes com os outros, bem como sozinhas.

 ++Sentir que o mundo lhes deve algo

Na economia atual, executivos e funcionários de todos os níveis estão ganhando a percepção de que o mundo não lhes deve um salário, um pacote de benefícios e uma vida confortável, independentemente da sua preparação e escolaridade. Pessoas mentalmente fortes entram no mercado preparadas para trabalhar e ter sucesso de acordo com seu mérito, ao invés de já chegar com uma lista de coisas que deveriam receber de mão beijada.

++Esperar resultados imediatos

Quer se trate de um treino, um regime nutricional ou de começar um negócio, as pessoas mentalmente fortes entram nas situações pensando a longo prazo. Elas sabem que não devem esperar resultados imediatos. Elas aplicam sua energia e tempo em doses e celebram cada etapa e aumento de sucesso no caminho. Elas têm “poder de permanência” e entendem que as mudanças genuínas levam tempo.
E aí? Você tem força mental? Existem elementos nesta lista que você precisa melhorar?