Friday, August 31, 2012

o arco e a flecha

estados de retenção e retração: pedidos da alma por uma metáfora nova ante o literalismo exausto dos esquemas estiolados, meta-forando na meta pra fora via fenda que expulsa da proteção estagnante do dentro e do mesmo. flecha que o arco prende e atrasa mas assim prepara para o vento expansão.
-Unzuhause-

 


Thursday, August 30, 2012

insossismo

"Massa hesita em resposta, mas diz que merece ficar na Ferrari 'porque sou bom piloto'", leio no noticiário do msn. cara, se isso não é um ser insosso, proíbam a palavra na próxima reforma ortográfica brilhante que já devem estar maquinando junto com outras pérolas do insossismo insuportável como acréscimos de 9 no celular e mudanças na tomada de nossas casas.
-Unzuhause-

te-ato e ensino

amigos, confessionário virtual do meu Brasil (e mundo), confesso que segurei o choro no fim do fim do curso na Mariantonia, ontem. palavras do meu analista hj, das poucas q um lacaniano pode se permitir em sessão: epifania, apoteose. isso mesmo. prazer como só no palco senti anos atrás. emoção de ensinar, emoção do te-ato.
-Unzuhause-

Monday, August 27, 2012

diálogos impertinentes


-se as pessoas postam no facebook o que estão pensando, algumas devem ter um c.. na cabeça ao invés de cérebro.
-é tanta merda que sou obrigado limpar o monitor com papel higienico.

Diálogo coletado no facebook agorinha há pouco, na comuna "Coruja da Depressão". Nada a comentar, senão um "ah!", como dá pra expandir o campo de aplicação disto, no modo de produção da canalha clônica hoje sentada nas cadeiras com suquinho e pão pullman com ricota falando de suas ideias radicais para seus pares gorduchinhos de meia-idade..
-Unzuhause-

o clone


São Paulo é a cidade dos clones. Somos clones de uma essência perdida e pra sempre escondida. Nascemos originais e morremos cópias (Jung). Mas, ajude a vida a te ajudar, este é meu lema, então o jeito é encontrar uma perspectiva da qual um mesmo fato, de trágico, possa se transmutar pelo menos em trágico suportável. Assim me divirto com os clones confessos, por exemplo, os Michael Jacksons (são uma legião, apesar de parecerem sempre o mesmo) que dançam no cruzamento da Paulista com a Augusta, nos fins-de-semana.. Outros tipos comuns naquele espaço (o que mais amo de toda a cidade) são os clonistas do afeto, tipo a pessoa com um cartaz em que oferece um abraço e de graça!! Há também os clonistas da alegria, como o cara lançando ao ar uma peteca azul fosforescente, não sei bem com que objetivo, senão secretamente esperar que algum de nós trouxas tomemos na cabeça esse objeto voador não-identificado. E os clonistas da ousadia, skatistas quase que nos atropelando em seus "rachas" furiosos e transfusões sanguíneas entre joelhos sangrados na calçada compartilhada. Mas ontem a coisa fugiu das medidas. Vi um clone exato do Clodovil, exaltado como um pastor com bíblia a tiracolo, e zoando geral com quem passasse por ele. Bicha (?!!), puta, pobre, mal-amado foram algumas das gentilezas com que brindou suas vítimas. E o pior é que todos pareciam rir entre si. Saudades e meus respeitos ao original, mas o clodovil de ontem realmente era inquietante. Como os bobos da corte, autorizados a falar brincando o que todos pensam de todos à escondida. Que falta faz um observador arguto de nossa realidade, e que fosse si próprio, sem aspas nem brilhantes de orelha comprados na 25..
-Unzuhause-

Sunday, August 26, 2012

vida náufraga e o lugar-comum invertido


Quantos antidepressivos e cristos pacificadores do mar poderiam aplacar o vendaval de uma noite sob o Mal e sob o sublime de "Titanic"?.. foi assim que perdi o dia, por ter ganho a madrugada, na companhia, de ontem pra hoje, via Telecine ("cinema" que me resta na fuga fóbica do rebanho que devora em telonas sua própria incultura para a vida) de um dos maiores filmes que já vi, não, que já vivi..
Me permitam então a confissão de um clichê. "Lugar-comum invertido", ensina o herói niilista de Pais e Filhos, também náugrafo trágico do amor, é o clichê bobo que o esnobe alegrinho elege pra revirar de ponta-cabeça e assim aparentar que é diferente. Recaindo em clichê pior. Ah, dizem que justiça social é bom? Oba, é a deixa: vou dizer, segundo orelha de fulano, que justiça social é ruim. Só por uma trapaça intelectual desse naipe eu esconderia que a história de Leonardo diCaprio e Kate Winslet me sangra de lágrimas, que chorei, e que choro, pelos náufragos, por nós, raça mais bela e mais frágil de todas, porque as contém todas, e as deve cuidar, se cuidar, mas sem super-homem pra nos salvar, senão o coração de guardar de cor e  sonhar.
-Unzuhause-



Saturday, August 25, 2012

educandário da existência

pensando em amigas que têm comentado em ótica cristã a perplexidade que nos acomete ao deparar com dor mesmo na seara de Deus, ofereço outra perspectiva, igualmente bela como a de todas as fés, mesmo a agnóstica, quando se trata da gravidade do que somos, o fardo do que desejamos, ante um mundo que não feito para nossa felicidade, conforme nos comunica Freud ;).
-Unzuhause-



NA HORA DO DESÂNIMO


Nunca desanimar na Seara do bem

 

Desânimo em ação espírita-cristã é francamente injustificável.

Vejamos alguns apontamentos, suscetíveis de confirmar-nos o asserto.

Se fomos ludibriados, na expectativa honesta em torno de pessoas e acontecimentos, desânimo nos indicaria o propósito de infalibilidade, condição incompatível com qualquer espírito em evolução; se incorremos em falta e caímos em desalento, isso mostraria que andávamos sustentando juízo excessivamente benévolo, acerca de nós mesmos, quando sabemos que, por agora, somos simples aprendizes na escola da experiência; se esmorecemos na tarefa que nos cabe, tão-só porque outros patenteiam dentro dela competência que ainda estamos longe de alcançar, nossa tristeza destrutiva apenas nos revelaria a reduzida disposição de estudar e trabalhar, a fim de crescer, melhorar-nos e merecer; se nos desnorteamos em amargura pelo fato de algum companheiro nos endereçar advertência determinada, nesse ou naquele passo da vida, tal atitude somente nos evidenciaria o orgulho ferido, inadmissível em criaturas conscientes das próprias imperfeições; se entramos em desencanto porque entes amados estejam tardando em adquirir as virtudes que lhes desejamos, certamente estamos provisoriamente esquecidos de que também nós estagiamos, no passado, em longos trechos de incompreensão e rebeldia.
Claramente, ninguém se rejubila com falhas e logros, abusos e desilusões, mas é preciso recordar que, por enquanto, nós, os seres vinculados à Terra, somos alunos no educandário da existência e que espíritos bem- aventurados, em níveis muito superiores ao nosso, ainda caminham encontrando desafios da Vida e do Universo, a perseverarem no esforço de aprender.

Regozijemo-nos pela felicidade de já albergar conosco o desejo sadio de educar-nos e, toda vez que o desânimo nos atire ao chão da dificuldade, levantemo- nos, tantas vezes quantas forem necessárias para o serviço do bem, na certeza de que não estamos sozinhos e de que muito antes de nossos desapontamentos e de nossas lágrimas, Deus estava no clima de nossos problemas, providenciando e trabalhando.

Emmanuel

Psicografia de Chico Xavier

Livro Encontro Marcado - FEB

minuto de sabedoria

filosofando no boteco reli o pensador Zeca Pagodinho:

ajude a vida a te ajudar..

Friday, August 24, 2012

depois botam a culpa no papa por transar ser perigoso

23/08/2012 - 19h39


Marca Olla anuncia recall de 620 mil preservativos

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DE SÃO PAULO

A Hypermarcas, fabricante da camisinha Olla, anunciou nesta quinta-feira o recall de cinco lotes do preservativo lubrificado vendido na promoção "leve 8 pague 6". Ao todo, são 78 mil pacotes com 620 mil unidades.

Os lotes que serão recolhidos são: J12A0534, J12A0535, J12A0599, J12B0083 e J12B0087.

Segundo a Olla, o recolhimento é preventivo, pois "identificou-se um possível desvio de qualidade que pode tornar o produto impróprio para o uso".

A marca disse que suspeitou do problema após receber ligações de consumidores.

Em comunicado, a Olla afirma que já tomou medidas para retirar os lotes do mercado, mas que, caso algum pacote seja localizado, o consumidor deve guardar a embalagem e entrar em contato com o SAC pelo telefone 0800-012-6888 ou pelo e-mail atendimento@olla.com.

A identificação dos lotes de preservativos fica no verso da embalagem.

A nota informa ainda que o valor dos preservativos será reembolsado ou o produto será trocado sem qualquer custo para os consumidores.

Thursday, August 23, 2012

no corpo da cidade




coisas q me agradam de tanto q me irritam, ou vice-versa, não sei em qual des-ordem, no corpo da cidade:

1) palitos na mesa do restaurante: é um estar tão à vontade, sugiro que ofereçam logo uma bacia com água e fio dental ao lado dos talheres.
2) os apressados da mão esquerda da escada rolante do metrô, esbarrando em mim sem que eu o tenha permitido nem sequer desejado: se correis atrás de vossos compromissos tão importantes e nobres à vossa espera, não vos mistureis com os pobres preguiçosos que queremos desfrutar de uma escada rolante, ide logo aos degraus ou para não sei mais onde.
3) a baba voadora em potencial na mão na boca de roedores de unha e na falta da mão na boca dos que tossem e espirram "à vontade".
4)as mulheres de belas pernas mas já comprometidas me deixando em desamparo, estrelas rasgantes do breu desse corpo cadente, horrendo corpo de fezes, e baba, e sangue, felicidade, não, feiacidade dos infelizes, eu a sós, única hora que me permitem isto neste presídio, a grande solidão, no quarto escuro de minha consciência borderline com as mãos ocupadas comigo mesmo, digo, com os telescópios da impotência ou no cometa halley da potência solitária.
-Unzuhause-

Tuesday, August 21, 2012

a grandeza de Dostoiévski


"Sua fisionomia lembra a de um camponês. As faces fundas, cor de terra, quase sujas, são pregueadas e enrugadas por um longo sofrimento. A pele ressecada, descolorada, privada de sangue por vinte anos de doença. De um lado e de outro dois blocos de pedra salientes: as maçãs eslavas contornam a boca dura; o queixo de traços muito firmes coberto por uma barba emaranhada. A terra, as rochas, a floresta, uma paisagem primitiva e trágica, tal nos parece o rosto de Dostoiévski. Tudo é sombrio, perto do solo sem beleza desta face de camponês, quase de mendigo: achatada, sem vida, sem cor, uma parcela da planície russa projetada sobre a pedra. Mesmo os olhos, encovados na sua órbita, não conseguem iluminar essa argila fria, porque a sua flama não se irradia para o exterior, para nos iluminar e cegar. Olham, por assim dizer, para o interior, queimam o sangue com o seu olhar penetrante. Desde que se fecham, a morte paira sobre esta fisionomia; à tensão nervosa que mantinha os seus traços suaves sucede uma letargia.
Nossa sensibilidade faz-nos a princípio recuar diante desse rosto como nos faz recuar diante da obra; mas eis a admiração que se apodera de nós timidamente, a princípio, depois com paixão, com entusiasmo crescente. Porque não é o que há de carnal, de baixamente humano, no seu rosto que projeta a luz sobre esse luto primitivo, ao mesmo tempo sinistro e sublime. Tal uma cúpula de brancura resplandecente, a fronte poderosa e abaulada eleva-se acima dessa face estreita de camponês.
Toda a luz aflui para o alto dessa fisionomia: quando se olha o seu retrato não se vê senão a fronte larga, poderosa, majestosa, cujo esplendor e cuja amplidão parecem aumentar à medida que o rosto vai sendo consumido pela idade, a moléstia e os desgostos. Alto como o céu, inabalável, domina esse corpo caduco, a auréola espiritual sobre a miséria física. Em nenhuma parte desse santuário de espírito vitorioso resplandece melhor do que no retrato representando Dostoiévski sobre o seu leito de morte, onde suas pálpebras estão caídas sobre os olhos apagados, onde suas mãos descoloradas apertam firmemente, avidamente o Crucifixo (esse pequeno Crucifixo de madeira que uma camponesa deu, outrora, ao forçado). Aí essa fronte, tal como a aurora sobre uma paisagem noturna, ilumina esse rosto inanimado em todo o seu esplendor, proclama a mesma mensagem que a sua obra inteira: o espírito e a fé o liberaram da vida corporal, melancólica e inferior. É no fim de tudo que está a grandeza de Dostoíévski: em nenhum outro momento seu rosto foi mais expressivo que na morte".
Stefan Zweig,
Dostoiévski

o escafandro e a borboleta


Nada como, em preparação da terceira aula na Maria Antonia, sondar as águas profundas do Cristo cósmico de Dostoiévski, com o escafandro e a borboleta, porque paralisia e enlevo, miséria e misericórdia, das minhas trilhas sonoras do sagrado -não necessariamente "música sacra" enquanto gênero estanque. O sagrado que advém como energia, não cânone, irrompe até (e como!) no transmundano de uma balada tecno (bons tempos!)
-Unzuhause-




Friday, August 17, 2012

preconceitos não vão impedir o novo Brasil de fé emergir..


Eu sempre tive todos e mais alguns catálogos de preconceitos armados e descarregados contra os chamados "crentes".. mas no meu deserto de espiritualidade atual, não posso negar que alguns deles - em especial o carismático apóstolo Valdemiro- são telecompanhias constantemente casuais que consolam, edificam e me deixam perplexo, tamanha a energia coletiva que têm conseguido suscitar. E aí meus irmãos católicos, o que fazer?
-Unzuhause-

Sunday, August 12, 2012

tuitando- nostalgia patrissacral

kcete, o Bernardinho já não bota medo nos caras, nos bons tempos de grito e cobrança forte eles nunca teriam deixado acontecer essa virada, estaria é ele virando só um titio sacal? - assim me buzina o heterônimo patrissacral, que todos temos num cantinho da alma..

Saturday, August 11, 2012

quero essa narração pra ringtone e despertador

Osmar Santos e a histórica invasão corintiana do Maracanã em 1976 (vide post anterior) -acontecimento à altura da importância deste palco, da genialidade desta voz, da grandeza deste time, do fervor desta torcida, e da angústia de um povo que não abandonava sua fé, ao contrário, só se agigantava com o tempo, mesmo num calvário de mais de duas décadas sem um título.
-Unzuhause-

Friday, August 10, 2012

Poderoso Timão: sofrimento e glória (2)




Setenta mil corintianos invadem o Maracanã. O maior deslocamento de multidão por um espetáculo esportivo em todos os tempos.
O palco sagrado dos grandes craques do futebol - Pelé (milésimo gol foi lá), Guarrincha, Zico.. e o maior de todos, a Fiel Torcida.
-Unzuhause-

FLUMINESE 1 (1) x 1 (4) CORINTHIANS
Campeonato Brasileiro de 1976 - Semifinal
FICHA TÉCNICA
CORINTHIANS: Tobias, Zé Maria, Moisés, Zé Eduardo e Wladimir, Givanildo (Basílio), Ruço e Neca; Vaguinho, Geraldão (Lance) e Romeu. Téc.: Duque

FLUMINENSE: Renato, Rubens Galaxe, Carlos Alberto Torres, Edinho e Rodrigues Neto; Carlos Alberto Pintinho, Cléber (Erivélto) e Rivelino; Gil, Doval e Dirceu. Téc.: Mário Travaglini

Local: Estádio do Maracanã - Rio de Janeiro (RJ)
Data: 05/12/1976
Árbitro: Saul Mendes (BA)

Público: 146.043

Renda: Cr$ 4.027.250,00

Gols: Carlos ALberto Pintinho (18 - 1º) e Ruço (29 do 1º)

Monday, August 06, 2012

baby language do "menino de sua mãe"


O maior gênio da sua pátria lingua portuguesa, em momento mátria baby language com Ofélia, seu "hamletiano" único amor (típico de homoeróticos encantados por uma mulher, segundo o estudo psicanalítico que estou lendo sobre ele):

O Nininho é pequenininho e escreve a minha Nininha:

Meu amorzinho, meu Bébé querido

Meu Bébé, minha bonequinha

Meu anjinho bébé

Meu Bébé-menininho
Meu amor pequenininho

Meu querido Bébé-pequeniníssimo

Meu Bebezinho mau e bonito
Meu Bébé pequeno e rabino
Meu Bébé pequenino, minha Nininha, etc. etc., etc

(Fernando Pessoa)