Saturday, June 30, 2012

Resenhas para a Folha de S. Paulo (II)- 30/06/2012

Exercício de biomecânica de Meyerhold, sobre os telhados de Moscou, 1934
 
Guia Folha - Livros, Discos, Filmes
-Caio Liudvik-

O teatro total de Meyerhold

O fim trágico de Meyerhold –julgado e assassinado em 1940 como "inimigo do povo" pelas forças stalinistas- é em si um monumento à burrice degenerativa das revoluções políticas. Mas sua vida, como diretor, ator e pensador do teatro, é um monumento à inteligência e radicalidade da revolução em arte. Um dos nomes mais importantes do teatro do século 20, o russo nascido em 1874 nos legou arquivos que um de seus célebres discípulos, Eisenstein, denominava simplesmente de "o tesouro". Este "Do Teatro", porém, é especialmente valioso por ser o único livro que o autor organizou e publicou em vida. Contém a "base fértil" para o desenvolvimento dos preceitos estéticos que o consagraram, entre eles a idéia de um "teatro teatral", em redundância proposital para enfatizar a primazia do espetáculo sobre o texto. Outra grande ênfase dele era no teatro como corpo em movimento –vide a sua célebre teoria "biomecânica" para potencializar a conexão entre corpo e mente do ator. É especialmente interessante atentar para as notas, neste livro, sobre uma montagem de "Tristão e Isolda", de Richard Wagner, o gênio que converteu a ópera ,assim como Meyerhold quis fazer com o teatro, em "obra de arte total", de um dionisismo que, no caso do palco teatral, exorbitava os limites apolíneos do realismo e naturalismo de Stanislávski, de quem Meyerhold foi discípulo e dissidente, mas "eterno aluno". A edição deste livro é a primeira, informa, em língua portuguesa e direto do russo - esse atestado hoje indispensável de conexão espiritual de nosso país com o espírito russo e seus grandes expoentes, como Tostói , Dostoievski e, sem dúvida, Meyerhold.

AVALIAÇÃO - ÓTIMO

Resenhas para a Folha de S. Paulo - 30/06/2012

Pintura do artista francês Nicolas-André Monsiau (1755 - 1837) sobre o encontro de Diógenes com Alexandre o Grande

Guia Folha - Livros, Discos, Filmes
-Caio Liudvik-

O riso irado de Sloterdijk

Num jargão nada acadêmico, poderíamos dizer à luz destes dois livros de Peter Sloterdijk, Critica da Razão Cínica e Ira e Tempo: esse é um cara marrento. Mas que se garante. A pretensão não é pouca quando o pensador alemão faz seus livros evocarem, aparentemente sem nenhum espírito de paródia jocosa, dois imortais da filosofia.

Crítica da Razão Cínica, de 1983, faz evidente alusão a Kant, no bojo das celebrações pelo bicentenário da Crítica da Razão Pura. Segundo explica o grande kantiano Ottfried Höffe, o termo grego "krinein" significa distinguir, julgar, levar ante o tribunal. Não se trata para Kant, nem para Sloterdijk, de uma empreitada unilateralmente destrutiva, mas de um discernimento do que pode e do que não pode a razão – seja ela teórica, prática ou estética, em Kant, ou cínica, para nosso autor.
Desse discernimento deriva a evidente simpatia dele (que justamente por este livro virou estrela na cena intelectual atual) pelo cinismo filosófico grego. Não o cinismo covarde e cúmplice da mentira e da brutalidade. Cinismo originário, à la Diógenes, aquele que, com direito a pedir o que quisesse ao imperador (em troca de colaboração com o poder), pede apenas que aquele esquisito ser falante fantasiado de manto e coroa saísse de sua frente e assim não atrapalhasse o banho de Sol do "mendigo" pensador . Aquele que perambulava com a lâmpada acesa, em plena luz do dia, "à procura de um ser humano", um que fosse.
Nesse espírito, Sloterdjik retoma em novas bases a crítica frankfurtiana à dialética da Aufklärung (iluminismo ou "esclarecimento"). Quer ultrapassar o que considera o elemento prevalente de masoquismo em Adorno, pensador no qual escuta também ecos de um certo budismo, na ênfase de que "tudo é dor" (e dominação), que o sofrimento é motriz de conhecimento, que toda representação, quanto mais afastada do "sensível" (erigido ao status de utopia), é mais ilusão.
Note-se que, no caso de Sloterdjik, isto não é necessariamente pejorativo –ele viveu na Índia e lá colheu lições sobre a pretensão desastrada do saber-poder ocidental. Mas parece preferir o riso, com Diógenes, à lamúria, para fazer frente a nossa vida falsa, a nosso sistema "que se sente como uma coisa intermediária entre prisão e caos".
Com um mesmo gênio para os paralelos históricos de longa duração, para as conexões espirituais as mais surpreendentes, Sloterdijk opera em seu Ira e Tempo (2006), que tão bem ressoa Ser e Tempo, de Heidegger, um de seus irmãos espirituais. Ele retoma as palavras iniciais da Ilíada, e, portanto, simbolicamente, de toda a cultura ocidental: "A ira, Deusa, celebra do Peleio Aquiles, / o irado desvario, que aos Aqueus tantas penas trouxe" (para usarmos aqui a tradução mágica de Haroldo de Campos). E defende que este elemento da ira é motor decisivo dos acontecimentos da História, da autoconquista do grande homem às revoluções ou mesmo ataques terroristas de hoje em dia (são assim desculpados? ), a despeito das censuras "beatas", ou domesticações intelectualistas, contra o orgulho e a raiva, da parte de sistemas como o estoicismo, o cristianismo e a psicanálise.
AVALIAÇÃO – ÓTIMO
AVALIAÇÃO – ÓTIMO



Monday, June 25, 2012

depois da catarse purista (fragmento teológico-político)

O que fizeram com a democracia no Paraguai é um alerta pra não condenarmos tão rapidamente alianças com os malufs. Maluf não como nome próprio, mas fenômeno "econômico", quase: unidade de medida - um maluf, dois malufs..-,  nome da moeda de troca e preço terrível da sabedoria de uma esquerda não-revolucionária, mas esquerda de inclusão social, inclusive inclusão do Mal. O Mal não é mera ausência do Bem, como queriam os teólogos otimistas da Idade Média. Para eles era preciso recalcar a divindade de tudo - a não ser o Criador separado e transcendente à criação, o "Sumo Bem" incapaz (?) de causar o mal. Era preciso, neste esquema otimista -porque tentava "livrar a cara" do Autor em relação aos descaminhos de sua Obra- reprimir sobretudo a divindade do diabo. Nisto a esquerda revolucionária tem um antecedente teológico hoje inaplicável, e que se traduz na aposta na vitória derradeira do Bem, como se o Mal (o conflito social) tivesse sido algo provisório, um tanto quanto insubstancial, a ser relegado à "pré-história" derrotada pela era messiânica secularizada (fim da luta de classes) . Não. O Mal tem existência própria, é um atributo moral (portanto ilusão necessária para nossos óculos antropomórficos) tão inerente quanto a bondade, na economia total da Substância una, única, per-feita do universo. Popularmente, Deus. Minha dúvida não é se Deus existe, minha certeza é que só Ele existe. E que nós não existimos, senão como reflexos no espelho do tempo, modos finitos do Infinito que é Ele. Não há luz sem sombra, a sabedoria é sempre terrível, e, na política atual, é necessariamente anestésica, mas não sem resultados progressistas: lulinha paz e amor, lulismo "país para todos".
-Unzuhause-

Saturday, June 23, 2012

meu primeiro novo amor..


Al Capone e Core, a menina Anna - há foto mais linda de ti, S. Freud?

"Creio que a revolução que o senhor provocou em toda a estrutura psicológica, filosófica e moral de nosso mundo é muito mais importante do que a parte meramente terapêutica de suas descobertas. Pois hoje todas as pessoas que não conhecem nada sobre o senhor, todo ser humano de 1930, mesmo quem nunca ouviu a palavra psicanalista, já está indiretamente tingido de ponta a ponta pela sua transformação de almas".
-Stefan Zweig, a S. Freud, em 1929-

Todo grande amor é, de novo, o primeiro amor. E isso aprendi contigo, ou melhor, aprendi da vida, para conceituar contigo. Tudo o que me fazias resistir com relação a ti deriva de meu complexo paterno - que é também complexo de autoridade, que tendo a amar/odiar profundamente. Em ti, odiava o "mau pai" que foste com meu pai Jung, Mas me redescubro amando-te por tudo que tenho descoberto sobre ti e tua filha Anna. Foste um pai-namorado de uma eterna, linda, cobiçada mas refratária donzela - refratária a todos, menos a ti. Como os mortais poderiam competir contigo pelo coração de Core? Como poderiam ousar, flácidas sombras, decrépitas sobras, ser um novo "primeiro amor" que tomasse teu lugar no coração de tua Core? Ou Antígona, como tu "brincavas" de chamá-la, não é mesmo, soberano e trágico Édipo da alma moderna? Al Capone do "movimento psicanalítico" de conspiração que pra mim é a grande máfia (no bom e forte sentido)dos sem-religião, sem-pátria, "judeus errantes", geração unzuhause, como nós.
S. Freud -assim gosto de brincar de te grafar-, obrigado por este semestre em tua companhia, no meu curso de formação, enfim liberto da canga do lacanês. Sem ti, Lacan seria apenas um chato. Contigo, já me parece um chatinho inteligente rs. Quiçá um dia eu possa dizer da boca pra dentro: um chatinho genial. Chatinho e arrogante por querer destituir Anna do posto filial? Não sei. O tempo, os estudos, Deus -em quem não acreditas, mas deixemos este "polemos" para outro lugar, quem sabe me convenças de renunciar a essas ilusões-, enfim, nome que for, o destino dirá o que poderei poder, saber, dizer de minhas andanças com tua ciência, ou tua arte.. Só sei que chego ao fim do semestre de formação mudado do que eu era no princípio: te amando. Como num novo princípio. Como frescor de descoberta sem clichês. Como mestre. Como primeiro novo amor. Como pai-namorado de Anna -ecos de um destino que sei bem quão é difícil, delicioso, perigoso, sim, sei bem, sabemos bem, eu e minha lenda com minha "mãe-namorada" arquetípica.
-Unzuhause-

retuitando - legiões urbanas

Meu vizinho faz terapia por telefone na varanda, com a voz projetada.
Nivel avançado de carencia e falta de educação.Sua vida não é relevante pra mim.
#NOJODENOVORICO

-Mila Ribeiro, no Facebook hoje-

Friday, June 22, 2012

Mario, Plínio, Conan: companheiros na noite suja dos mil e um sonhos perdidos


DOCE BÁRBARO O CARALHO
-Mario Bortolotto-

Ele era um garoto solitário que praticava boxe e gostava de escrever histórias. Ele acreditava em códigos de ética de bandidos, que costumam ser códigos bem mais sérios dos que os tão propalados pelas pessoas de bem. Ele acreditava que “o barbarismo é o estado natural da humanidade. A civilização é antinatural. Um mero capricho circunstancial. E o barbarismo há de conquistar o triunfo definitivo”. Ele cresceu em meio à explosão do petróleo, e presenciou de perto como nasce nos homens a ganância e a crueldade, e escreveu que “só posso dizer uma coisa a respeito da explosão do petróleo...ela pode ensinar uma criança, com uma velocidade que nada mais seria capaz, que a vida é uma coisa bem podre”. Ele cuidou de sua mãe com tuberculose, até o fim da vida dela. Quando ela morreu em 1936, ele cometeu suicídio. Ele então escreveu : “Tudo feito e encerrado, ergam-me então até a pira. O festim acabou e a chama das lâmpadas expira”. Ele tinha 30 anos de idade. Ele era Robert E. Howard, o cara que criou “Conan, o Bárbaro”, o personagem “dono de gigantesca melancolia e gigantesca jovialidade”. Em 96, foi lançado nos EUA (e nunca chegou por aqui), o filme “The Whole Wide World” com direção de Dan Ireland. O filme conta a história de Howard tendo como protagonista o ator Vincent D´Onofrio. Lembro de estar lendo “Conan” numa noite festiva de natal. A lâmpada da luminária queimou momentos antes de eu terminar a leitura. Os fogos explodiam lá fora e as pessoas urravam na rua. Não sentia nenhuma sintonia com tudo aquilo, com aquela alegria forjada e festividade capenga. Nada mudou muito. Talvez, por Crom, eu ainda consiga sorrir com verdadeira satisfação. Assim espero.

o homem que amava as mulheres..



Há mulheres
-Rita Ribeiro-

Há mulheres que se pintam de caulim
na costa do marfim 
para o deus louvar  

Eu também me pinto para o luar, em mim, 

a prata derramar 

Oh! Musa da inspiração! 

Oh! Musa da inspiração! 

Oh! Musa da inspiração! 

Caia sobre mim este céu sem fim 

Caia, sobre mim este céu

Thursday, June 21, 2012

pra começar a dança da chuva..

ÉPICO

tuitando - futebol, o ópio e o gozo

Futebol não deve ser ópio, mas laboratório de consciência, dizia eu agorinha pra uma amiga no facebook. Aquela coisa de "enquanto te exploram, tu grita gol" é e não é verdade. Que o jogo, que o Timão (que é bem maior que futebol em si) sejam para nós laboratório de consciência, mas que sejam também -porque aquário é pra peixe capturado, peixe preso fora do mar- mergulho oceânico no inconsciente: "Massenpsychologie", diria Freud, Le Bon etc. Psicose legitimada, heroísmo visceral e catártico. Como um bom grito de gol, entre outras trepadas gozosas.

tuitando - uhu, carandiru!!!!!!!!!!

é nóis mano! uhu, carandiru!!!uhu carandiru!!!!!!!!!
 *pra zoar com meu amigo professor santista de psicanálise, parado ontem pela massa perto do estádio, machão de calça preta da adidas com listras brancas, toque de tosco -todo santista é no fundo um corintiano da praia. Elegante em seu jeito tosco de ser, bem percebeu que preciso não da analista dos sonhos, mas de análise de verdade, não das coxas e doçura infalível, mas da porrada que engrandece rs-

"les mains sales" (II)

PT ‘expulsa’ Erundina pela segunda vez
-Maria Frô-

(20/06/2012)

http://mariafro.com/2012/06/20/pt-expulsa-erundina-pela-segunda-vez/

Nunca me filiei ao PT, ou melhor aos 16 anos recebi uma filiação simbólica já que em princípio da década de 1980, antes da Constituição de 1988, menores de 16 não podiam votar ou se filiar a partido.
Mas o fato de não ser filiada nunca me impediu de fazer campanha desde a fundação, de torcer para o PT, de vibrar com as vitórias de Lula e Dilma e de me emocionar com a vitória de Luiza Erundina como a primeira prefeita do PT em São Paulo.
Sei que o PT dia a dia se torna cada vez mais pragmático e nos últimos dois anos chega a assustar o nível de concessões e alianças: cede para religiosos fundamentalistas e recua nos direitos humanos: crescimento da homofobia sem reações concretas do governo federal; concessões e mais concessões ao vaticano e à bancada evangélica em relação aos direitos reprodutivos fazendo do nosso corpo uma moeda de troca política, distanciamento dos movimentos sociais…. a lista da realpolitik é longa.
Mas em São Paulo, parece-me que o PT é ainda mais complicado em seus paradoxos. O pragmatismo do PT torna quem é esquerda ideológica algo anacrônico. Hoje, chegou às raias da loucura: o PT, a chapa de Haddad e São Paulo perderam uma candidata dos movimentos sociais, uma pessoa íntegra, coerente e de luta e ficou com o pulha do Maluf.

Hoje me lembrei de 15 de novembro de 1988 quando, pela primeira vez, São Paulo elegeu uma prefeita oriunda de um partido de esquerda, esse partido era o PT.

Me lembrei também de 1 de janeiro de 1992. Ficamos todos em São Paulo em solidariedade a Erundina pra não deixá-la só na hora de transferir a faixa de prefeita ao procurado pela Interpol, Paulo Maluf, que havia derrotado Suplicy nas eleições. Nós não nos referíamos ao evento como ‘posse do Maluf’, mas ‘transmissão de cargo’.

Estava ao lado de Lélia Abramo quando a tropa de choque dos leões de chácara do Paulo Maluf chegou ao estilo dos gangsters. Lélia do alto de suas inúmeras décadas vividas nos dizia “Não aceitem provocações, desfralllllldem as suas bandeiras.”

Não adiantou, leões de chácara acostumados a proteger gângsters não se preocupam com bons modos e empurraram violentamente Lélia que, ao cair, arranhou os joelhos a ponto de sangrarem. Minha gana era a de dar umas voadoras naquele bando de covardes. Mas perto daqueles bandidos legalizados éramos muito frágeis. Ajudei Lélia a se levantar e prometi a mim mesma que viveria pra ver a derrocada daquela política de coronéis.

Pouco depois, por participar do governo de Itamar Franco, Erundina foi expulsa do PT, numa época em que o PT era avesso a alianças.

Hoje Erundina foi ‘expulsa’ pela segunda vez, expulsa pela realpolitik da luta pela hegemonia.

Hoje, o PT endossou Paulo Maluf que diz: “Não há mais direita e esquerda, o que há são segundos de TV”.Hoje foi difícil não dar razão ao que diz o ‘comunista’ Paulo Maluf: “Quem mudou foi o PT. Perto do que o PT ajudou os banqueiros, eu, o industrial Paulo Maluf, me sinto comunista”

"les mains sales"

NÓS, OS PUROS
-Luciano Froes, da Carta Capital-
(pelo Facebook)

Deu-se estes dias que chegamos a um encruzilhada inaudita. Assim, os que ousaram se alinhar ao sentimento de Luiza Erundina, de repúdio à ligação do PT e de Lula a Paulo Maluf, passaram a ser chamados de "puros". Assim mesmo, entre aspas, para que fique claro a conotação de que, uma vez puros, são também tolos, tristes sonhadores, idealistas cuja atitude pueril não só transgride as regras do jogo como, no fim das contas, subverte a ordem de uma guerra santa. Em meio ao jihadismo estabelecido nas eleições paulistanas, de demônios tão nítidos quanto malignos, a atitude de Erundina contra a aliança da esquerda com um bandido procurado pela Interpol, com o cúmplice ativo dos assassinos da ditadura militar, com o construtor da vala comum do cemitério de Perus, com a representação do pior da direita, enfim, tornou-se um ato de traição, de purismo político, de angelical perversão.
Ato contínuo, os mesmos que dias antes haviam comemorado a chegada da deputada do PSB à campanha de Fernando Haddad passaram, de uma hora para outra, a demonizá-la, curiosamente, pelo viés de um purismo atávico e infantil. Erundina, a louca idealista, a tresloucada individualista capaz de destruir os planos de redenção da esquerda por causa de uma foto, uma imagem de nada, um instantâneo sem relevância nem simbolismo, apenas o registro banal de um líder da resistência a se confraternizar com chefe da escória. Ah, os puros, como são tolos! Justo quando deles se exige fortaleza e dedicação, aparecem esses sonhadores cheios de escrúpulos e regramentos éticos.
De toda parte, então, passaram a rugir leões do pragmatismo político, militantes de uma realpolitik feroz, implacável, a pregar a irrelevância dos puros, dos tolos da ética, quando não de sua influência nefasta sobre os jovens e, claro, do enorme desserviço prestado à democracia e ao admirável mundo novo que se anuncia. Os puros, dizem, nunca ganham eleições. E se não o fazem, portanto, que não atrapalhem os que as querem ganhar a qualquer custo. É preciso impedi-los, portanto, de se mostrar em público. É preciso calá-los, desqualificá-los, torná-los ridículos, patéticos em sua fraqueza.
Nem que para isso seja preciso transformar em traidora uma brasileira digna, com 40 anos de vida pública inatacável, uma heroína da resistência, uma política que passou a vida levando assistência a favelas e cortiços, uma parlamentar que dedica seus mandatos a defender a democratização da comunicação e o resgate da memória dos que foram seqüestrados, torturados e mortos pelo regime ao qual serviu Paulo Maluf.
Este mesmo Maluf contra o qual os puros, os tolos e os sonhadores da política, vejam vocês, tem a ousadia de se voltar.

Wednesday, June 20, 2012

e além do mais é a cara de minha vovó..


Ah Luiza... Me lembra os versos de Bandeira (vide abaixo): se a vida ao menos pudesse ser toda ela horrenda, seria mais fácil desapegar dela.. Em sendo por vezes doce e não fel, é aí que ela é mais cruel. Se a política fosse toda ela "como ela é", seria mais cômoda minha indiferença (quem é Cachoeira?). Que bom você ser assim. Mas que droga você ser assim. Seria tão mais fácil sem você...
-Unzuhause-

A VIDA ASSIM NOS AFEIÇOA
-Manuel Bandeira-


Se fosse dor tudo na vida,

Seria a morte o sumo bem.

Libertadora, apetecida,

A alma dir-lhe-ia, ansiosa: - Vem!


Quer para a bem-aventurança

Leves de um mundo espiritual

A minha essência, onde a esperança

Pôs o seu hálito vital;


Quer no mistério que te esconde,
Tu sejas, tão somente, o fim:

- Olvido, impertubável, onde

"Não restará nada de mim!"


Mas horas há que marcam fundo...

Feitas, em cada um de nós,

De eternidades de segundo,

Cuja saudade extingue a voz.


Ao nosso ouvido, embaladora,

A ama de todos os mortais,
A esperança prometedora,
Segreda coisas irreais.

E a vida vai tecendo laços
Quase impossíveis de romper:Tudo o que amamos são pedaços

Vivos do nosso próprio ser.


A vida assim nos afeiçoa,

Prende. Antes fosse toda fel!

Que ao se mostrar às vezes boa,

Ela requinta em ser cruel...

Monday, June 18, 2012

un monumento a mi dolor

"Yo escribí para que me quisieran: en parte, para sobornar, y, también en parte, para ser víctima de un modo interesante. Para levantar un monumento a mi dolor y convertirlo, por medio de la escritura, en un reclamo persuasivo."
-Adolfo Bioy Casares-

Sunday, June 17, 2012

a rosa búdica de Plínio Marcos

Conta-se que Buda, cercado dos discípulos, começou e terminou um de seus sermões simplesmente pelo ato de levantar uma rosa. Em silêncio. Para um dos discípulos, foi o que bastou para a súbita iluminação. Esta história me ocorre no minuto 3:01 (soma 4, arquétipo da Totalidade) desse lindo clipe com a música maravilhosa de Ceumar. A imagem de Plínio Marcos e a flor desencadeia verdadeira epifania nas avenidas intransitáveis, mal cicatrizadas mas, aqui,  cheias de pelo em levante de arrepio e sentido de minha pele.

Chamado de reconversão urgente aos deuses do teatro. Benção, meus amados. Livrai-me da rota de derrota que é a alma encardida e gordurosa e essa realidade -esse teatro sem arte- demasiado insípida pros meus princípios de prazer . Benção, seu Plínio. Benção, São Genésio e, pra não gerar ciúme, a bênção, claro, amado São Jorge gavião.
-Unzuhause-

Monday, June 11, 2012

Roberto Justus contra "Max Uéber"

O alemão Max Weber (1864-1920), um dos maiores cientistas sociais de todos os tempos

Acabo de descobrir e de me surpreender para o bem com o Roberto Justus versão entrevistador (programa na Record). Elegância, perspicácia, inteligência, sobriedade, preparo. Um saber do assunto em pauta (hoje, violência urbana) e um saber brilhar sem querer roubar a cena dos convidados, por sinal muitíssimo bem escolhidos e bem aproveitados no que tinham a contar e  nos ajudar a pensar. Não fugiu dos pontos delicados ou controversos, fez o "polemos" (luta) da polêmica emergir da própria realidade contraditória, não de uma vontade arbitrária de causar barraco tipo programa de Luciana Gimenez. Enfim, categoria pessoal que sobressai sob a sombra de uma categoria profissional que, em muitos casos, é nível bem "Max Uéber", como se ousou dizer por aí na cobertura da morte do professor Pierucci, nosso maior weberiano. Senti falta apenas, no programa, de uma voz à esquerda, de contraponto às bordoadas contra a turma dos direitos dos bandos -ou dos manos rs-, como disse o coronel da Rota ironizando os defensores dos direitos humanos. Gostei do jornalista Marcelo Rezende e sua distinção entre o valentão que no fundo é um covarde e, caso dele, por lidar tão de perto com o risco, na cobertura policial, o homem de coragem que admite trabalhar com medo. Ao ouvi-lo falar da chacota que é nosso regime penal, e bradar pela prisão perpétua com trabalho forçado (pena de morte não, disse, porque não quer se igualar ao criminoso), vi de novo que não tenho jeito: por mais que minhas convicções de esquerda, e pró-cidadania, me censurem, o coração bate mais à direita, no que tange à convicção quanto à necessidade de penas fortes para os fascínoras, muitos irrecuperáveis, e que devem é ser matriculados, já nesta vida, na escola do sofrimento regenerador para esta e sobretudo, se houver, para a próxima encarnação.  Gostei também do comandante do Bope e de sua explicação, que eu já ouvira, mas que sempre me encanta ao me embeber do leite nutriente da magia simbólica:  "faca na caveira" como símbolo não de exaltação da morte em si (esta minha fascinação romântico-melancólica), mas da coragem do combate e vitória contra ela.
-Unzuhause-

Sunday, June 10, 2012

país do feriadão



Topei ao acaso, pela net, com essa preciosidade de reflexão sobre a praga dos feriados. Nada a acrescentar, até porque eu, sinceramente, não conseguiria traduzir sem palavrões o que sinto por .. isto aí que fazemos de nosso tempo, de nosso trabalho e de nossa vida.
-Unzuhause-


Brasileiros e seus feriados
- Tais Luso de Carvalho-

http://taisluso.blogspot.com.br/2012/01/ferias-e-feriados-alegria-dos.html

Brasileiro adora entrar em recesso e voltar pra casa bem descansadinho e com a cabeça flutuando de contente. Pelo menos é o que a maioria gosta de fazer. Ir para o litoral ou subir à Serra, dar uma relaxada no decorrer do ano. Boa parte do povo diz que precisa descansar, que feriados encurtam o ano! Eu nunca vi gente que goste mais de feriado - que vira feriadão - como nós. E de férias nem se fala fala: enquanto as de outros povos são curtinhas, a nossa se estica...
Mas é no ponto de encurtar o ano é que fico encucada: fico pensando o porquê de um ano mais curto, fragmentado com tantos feriados. Eu não tenho nenhuma pressa de chegar a lugar nenhum. Não entendo essa pressa para entrar noutro ano. Para fazer o quê?

Pensando bem, não tenho pressa nenhuma em comemorar mais um ano, terei ao mesmo tempo, um ano a menos no ciclo da vida. Tenho a plena convicção de que aqui tá bom, mesmo entre escombros e tsunamis. Então, vida longa ao ano!

Mar, sol, futebol, música, cervejinha é tudo que brasileiro gosta. Por isso somos um povo alegre - o que não quer dizer que todos sejam felizes. Trabalhar é duro, muito sufoco, não é? Ainda mais os que são mal remunerados. Muita notícia preocupante; muita gente na contramão, muita conta pra pagar, planos de saúde cobrando alto e oferecendo cada vez menos, milhões de precatórios trancados, esquecidos, e um povo sonhador. Tudo muito aborrecido. Então o negócio é se alegrar para esquecer. E um feriado, aliás vários, vêm na medida pra brasileiro ficar bonzinho.

Nero oferecia ao seu povo o ópio do Circo; talvez seja uma maneira boa para acalmar o estresse do nosso povo, seu enorme salário, suas necessidades básicas, como estudo, saúde, segurança e lazer, enfim, todas as suas carências; plantando vários feriados pra falar mais em futebol, bebericar na beira da praia ou um churrasquinho de picanha ao ponto. Hum...
Já andei dando uma olhadela na folhinha de 2012... Tá supimpa! Vai dar pra emendar uma coisa na outra, tipo vagão. Aliás, tem muita gente que adora emendas. Lá no Congresso, eles conhecem tudo sobre emendas. E como emendam! As emendas lá começam nas sextas e terminam nas segundas. Mas feriados mesmo, vamos ter nos Jogos e na Copa. Viva o Brasil e que vivam os brasileiros.
Mas falando a verdade... Nosso país têm feriado demais; enche a paciência; emendamos Natal com Ano Novo; o carnaval, a Páscoa, o Dia do Trabalho, Proclamação da República, Finados, Aparecida - nossa Padroeira e outros feriados regionais que aproveitamos pra botar o pé na estrada. De um limão, fazemos uma limonada. Sabemos fazer isso direitinho. Somos latinos, não escapamos à regra, e gostamos de boa vida. E o tiro sai pela culatra. Ou tiro no pé.

E uma última coisinha: se nossos representantes trabalham apenas uns dias por semana – lutam feito leões em defeza de nossos interesses - por que o povo vai trabalhar como um condenado pra ganhar um centésimo do que eles ganham?

Acho que está explicado por que adoramos tantos feriadões....

Saturday, June 09, 2012

lastimável, inacreditável




Madrugada de ontem bem que podia ter acabado sem essa notícia, que me invadiu sonho adentro até o despertar na miséria de um mundo sem mais um grande homem. Forte, provocativo e generoso, me impressionava pela potência de pessoa e de intelectual. Pujante nas escritas e nas condutas. Não cursei Sociologia IV com ele, perdendo assim a chance de aprender Weber com o maior e mais apaixonado de nossos weberianos. E não o fiz por contingências alfabéticas na distribuição das turmas, sim, mas também por um medo calouro, que os cursos não tiram, diante de tudo que um cara desses podia abalar em meus alfabetos egóicos mais empedernidos. Ele tinha um olhar que atravessa, olhar de chama, olhar que chama. Não tinha frescuras, não tinha tabus, havia de nutrir certa paixão religiosa entranhada , lapidada pela experiência terapêutica com o grande junguiano Roberto Gambini, e transmutada em devoção intelectual que fez dele um dos principais especialistas acadêmicos em religião no Brasil. Não esqueço uma vez no xerox da saudosa biblioteca das Sociais, ele me dizendo, chamejante como sempre, e passando os dedos de uma mão no seu outro braço: "o inconsciente não tá escondido, o escondido" , digo, o inconsciente, mas que fique o ato falho que quis se interpor por minha conta, "tá na pele". Eu o adorava a uma distância segura e burra, transgredida por uma ou outra aula, entrevistas, como aquela riquíssima no Cebrap (ainda assinando como Caio Caramico Soares, in: http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u24286.shtml), e entre um papo e outro nos encontros nas Anpocs e corredores de FFLCH da vida. Vida de merda, ao nos ceifar gente desse quilate. Medo de merda,  pra me afundar na expertise doutoral no manejo de todos os alfabetos de fuga, impedimento e esconde-esconde do que está à flor de fogo cravado na terra que é a pele. Adeus, professor Pierucci.
-Unzuhause-


08/06/2012 - 17h42
Morre, aos 67 anos, o sociólogo paulista Flávio Pierucci
DE SÃO PAULO
Morreu hoje em São Paulo, vítima de um infarto fulminante, o sociólogo e professor da Universidade de São Paulo (USP) Antônio Flávio Pierucci.
Atuante no ramo da sociologia da religião, Pierucci, que tinha 67 anos, era especialista em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana. Também era filósofo e obteve, em 1977, o título de Mestre em Ciências Sociais, defendendo a tese "Igreja Católica e reprodução humana no Brasil".
Mais tarde, se tornou Doutor em Sociologia com o estudo "Democracia, Igreja e Voto: o envolvimento do clero católico nas eleições de 1982".
Pierucci foi também pesquisador do Cebrap, professor da USP, onde chefiou o departamento de Sociologia e, desde 2001, era secretário-geral da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.
Entre as dezenas de trabalhos publicados, destacam-se os livros "A realidade social das religiões no Brasil" e "Igreja: contradições e acomodação".
Um dos estudos mais importantes que realizou, pioneiro no tema, analisava a relação entre o crescimento das igrejas neopentecostais e a relação delas com a política partidária.
Pierucci nasceu no município de Altinópolis, no norte do estado de São Paulo.

Thursday, June 07, 2012

Édipo, Jung e o parágrafo tirânico


Carl Gustav Jung
Falando em lides cativantes (cf. post anterior), por vezes minha conquista não só como leitor, mas também como autor, advém da força de umas poucas palavras de origem. Meu trabalho semestral no curso de psicanálise veio à luz assim: uma primeira frase foi o detonador anímico. A anotei despretensiosamente, apenas para não esquecer, num caderno de esboços, e o texto não me permitiu mais parar. Eis então o começo do texto, que, longo demais para este espaço, se intitula A meta-suspeita de Jung e o perigo do método de Freud. Comentário a partir do filme "Um Método Perigoso", de David Cronenberg. Com destaque para o parágrafo tirânico inicial, que é como Oedipus Rex, o tirano de origem do texto de nossos destinos:
Como Sigmund Freud, sou um apaixonado por Carl Gustav Jung. Embora não tenha chegado ao extremo de desmaiar ante a figura imponente do "príncipe herdeiro", logo persona non grata, da psicanálise, compreendo intimamente o fascínio que levou Freud a tal desmaio, conforme mostrado no filme "Um Método Perigoso", do diretor David Cronenberg.

E esta paixão e este filme são meu duplo ponto de partida, subjetivo e objetivo, para a presente "elaboração", em sentido menos acadêmico que ensaístico e, por que não, psicanalítico –pois só me vale a pena uma leitura em si mesma anímica dos grandes mestres da alma, como Freud e Jung.

Tuesday, June 05, 2012

a polêmica que sangra



Recebi essa matéria via facebook, e desde ontem ela não me sai da cabeça. Já começa impactante, como um bom lide jornalístico deve ser:

"Se você tem pavor de sangue, é melhor parar de ler esse post agora. A revista canadense 'Vice', mundialmente conhecida por gerar polêmicas, decidiu fazer um ensaio fotográfico de gosto bem peculiar em seu site.
Na sessão de moda, as modelos fotografadas por Emma Arvida Bystrom estavam menstruadas".

O texto completo, pra quem tenha o tesão de contemplar a "obra de arte":


http://www.tribunahoje.com/noticia/28047/entretenimento/2012/05/24/site-canadense-faz-ensaio-fotografico-com-mulheres-menstruadas.html
Me remete às velhas campanhas da Benetton, com sua rara capacidade de nunca nos deixar indiferentes, o que já é a grande vitória para quem luta -todos nós o fazemos- no mercado das imagens de choque e em choque na nossa contemporaneidade dos simulacros, das cópias sem arquétipo, agonia das sombras. Concordar ou não com os conteúdos "chocantes" é o de menos, e tenho impressão de que tentar resistir, objetar, nesse nível semântico é se manter ingênuo e cativo de um jogo que opera  e se reproduz mais por força da sintaxe, da lógica da polêmica enquanto modo preferencial de produção simbólica de informação, opinião ou entretenimento. Sistema que conta com os indignados contra ele.
É como o humor do jackass: assisto, sim! E por vezes gargalho! E reservo uns risinhos para mim mesmo como participante da comédia, vítima da pegadinha, quando me pego filosofando sobre a degradação a que esses caras expõem o corpo, a dignidade humana. O humor do horror.  
Bem, mas me permitindo algo da ingenuidade de opinar no semântico: eita matéria horrorosa, esta da menstruação. Claro que suscita perguntas intelectualmente pertinentes, como uma amiga afirmou lá no face. Por exemplo o tabu ancestral da menstruação, a estranheza de lidar culturalmente com isto que, como tantas outras "perturbações", presentifica a animalidade obscena: fora da cena da moral, da boa estética, da sublimação.
Para nós freudianos esclarecidos, parece que a verdade do humano se basta no obsceno, no que pulsa sob a cena. O "liberar geral" é o imperativo categórico da imoralidade repressiva.
Desconstruir a moral, porém, é chutar cachorro bêbado, como diria Luiz Felipe Pondé acerca da facilidade do cético iluminista em se desvencilhar da religião. Mas o ceticismo, mostrei anos atrás em artigo na belíssima revista do próprio Pondé na PUC, tem sua radicalidade maior na crítica da razão, não da fé! Mutatis mutandis, aplico o raciocínio ao nosso fetichismo do obsceno. Se o obsceno é crítica da cena, cabe criticar também a crítica obscena. Preferimos ignorar que nossa verdade também pode estar no que escapa do que escapou, no que o obsceno não captou, no que o obsceno tem de capacidade de mentir só dizendo verdades, como ao expor as mulheres desse modo bizarro, e como no memorável anúncio da Folha sobre a propaganda nazista, anos atrás. 
O professor Franklin Leopoldo e Silva ontem comentava -em curso na Casa do Saber, sobre a "filosofia do além"- o ânimo destrutivo de um iconoclasta naturalista que veja  -com razão, mas sem verdade- a cena da despedida de Sócrates junto aos discípulos, antes de morrer, reduzindo-a ao "obsceno"(termo meu, aqui) da reunião de esqueletos revestidos de carne e capazes de emitir sons articulados. Sons que, para bom entendedor, dizem, para além da cena, não abaixo dela, mas como símbolo imortal, o testemunho trágico da agonia da verdade sob as razões da materialidade densa do corpo e da pólis. 
-Unzuhause-

Saturday, June 02, 2012

Friday, June 01, 2012

tuitando - facebook e auto-ajuda

o q aborrece um pouco no facebook é a enxurrada de frases feitas, sabedoria recitada. talvez seja coisa de meu humor melancólico, mas prefiro viver acompanhado de trevas e confusão do que com frases luminosas que sinto não chegarem a mim de vivências outras, mas de auto-ajuda genérica.

o taxista gentil

Gentileza gera gentileza, já dizia o poeta. Gentileza gera bem-estar! O taxista de hoje se despedindo de mim: boa tarde, bom fim-de-semana e até a próxima, se Deus quiser. Doçura e simplicidade de uma pessoa com modos de grande asseio psíquico. E quanto à teologia implícita no que ele falou (ah, a metafísica que há em todo discurso de "senso comum"..), cabe um paralelo bíblico: como na carta de Tiago, que ilusão o homem que se jacta de que fará isso, aquilo, irá ali ou acolá. Quem sabe o que será de si na próxima curva!  No que quer que eu queira, quero é o querer de DEUS. Ele é origem, destino, imprevisto, condutor, meu taxista gentil. E logo que desci o taxista emendou outra corrida.
-Unzuhause-