Saturday, March 31, 2012

"estou acordado e todos dormem".. e Renato era Russo por amor ao insone Rousseau

Insone é o sonho de justiça num mundo de desgraça.. A solidariedade quando tudo é solidão. Autoridade de Autor em sendo copidesque de minhas desarmonias e lírico do meu cárcere. Insone é amar a vida quanto tudo é empuxe à morte. A grande saúde quando o pavor da doença mina. É o horror da doença do fora que vem de dentro,ou do dentro que age como se fora, porque é o dentro que adoenta, não o fora, e o doente que somos ou seremos se descobre fora até do fora já que até o seu dentro lhe é fora. Exilado sem nenhum refúgio, pois não há onde possamos nos esconder, maldição bem dita pelos pesadelos a olho aberto em Kafka. Insone por fugir da mordida que me sangra quando afrouxo a guarda. Insone por lembrar saudoso a dor de outrora quando o fora era apenas voltar triste da balada pela investida errada na mina certa, ou investida certa na mina errada. Insone é a carência platônica da cara-metade quando o fardo é Narciso querer ser Uno só em mim, e no meu uno que é virtual ser real de dois ou mais. Insone é a Igreja à qual quero voltar, ou quem sabe reinventar, mas não ter mais meus grandes padres para reencontrar. É amar padre Pedro como pai, Dom Paulo Evaristo Cardeal Arns como meu papa, Boff e Francisco como meus santos, e estar sem todos eles -estou mesmo?- e ter de me contentar com  bento dezesseis-se ainda fosse o Um. Insone é a perda do Um. Insone é o fardo de ser dois ou mais, é imaginação de heterônimos sob a massa que nos quer anônimos com fantasia de grandeza. Insone é o profundo descontentamento acordado enquanto ao redor tudo são acordos dos contentes. A vontade de brilho tentada pela vaidade da fama, pelo medo da miséria e o retumbante fiasco universal.  Insone sou eu, somos nós e é você, que me lê.
-Unzuhause, R. Russo e Rousseau-





Monday, March 26, 2012

a Raquel do insone Rousseau


Fui dar um "bicadinha" de leitura final antes de pegar no sono e levei para cama o ensaio de Merquior sobre Rousseau e Weber, depois de rever o belo e sublime "Um Olhar do Paraíso", com Rachel Weisz. Resultado é estar aqui, quatro e meia da matina, sem um mínimo de sono e excitado de reacesas paixões adolescentes. As filosófico-políticas, com Jean-Jacques, e, com Rachel, paixões outras, mais arcaicas, a reboque, na surdina, pois toda paixão política, sobretudo nos solitários, é libido sublimada, é tesão que sobe ao céu, é infância que volta em chuva, para o bem ou para o mal, fecundar ou destruir. Paixões, pulsões fora de lugar em se tratando de um filósofo como Rousseau, suposto campeão das virtudes puramente políticas? Duvido. Do célebre "puritanismo"  cívico de Rousseau eu suspeito desde que deparei com seu lamento, no Discurso sobre as ciências e artes, pelo desastre humano que foi a perda do paraíso original em que as pessoas podiam "se penetrar" sem tanta mentira, obstáculo, opacidade.  Estaria decerto Rousseau,  naquele instante de comovente fragilidade libertina que escapa sob a forma de proposição intelectual, a pensar em sua Rachel, pensa pensa-dor!, com os olhos tristes do pensador solitário, revolto em insônia também.
-Unzuhause-

Saturday, March 24, 2012

Tuesday, March 20, 2012

morte em veneza nossa de cada dia




Impossível ouvir esta obra-prima de Mahler e não recordar "Morte em Veneza", e mais que recordar, reviver aquele morrer dos desejos impossíveis ante a imagem inalcançável do objeto saciador de todas as penúrias -Platão, o grande sentinela entre os dois mundos, revelou a Penúria como as grades de aço e parca ração da dulcíssima prisão de amar. Cadê o Expediente, o par platônico de Penúria,  para a fuga deste cárcere? Na praia ao longe, o puer aeternus do frescor das formas não profanadas pelo tempo que queríamos fosse outro, nosso, de novo, e na margem de cá essa carne trêmula, pútrida, agônica e que se derrete em impotências, como a patética tintura do cabelo, escorrendo ao suor da febre, maquiagem nenhuma para o desespero da vida que morre sem nunca ter vivido, sem nunca ter.. sentido.
-Unzuhause-

Thursday, March 08, 2012

Dia da Mulher




Recopiando, adaptando e generalizando meu recente post facebookiano:
 Para as garotas de todas as idades, cores, formas e línguas que iluminam e dão graça a este mundo. "Girls just wanna have fun", já proclamava essa velhinha música que era garota nos anos 80 (saudades demais!).
Prosseguindo aqui, por associações livre-cativadas, cativadas de fascínio e de cativeiro:
Eu as amo, minhas meninas! Ontem, uma sombra me perseguia já próximo de casa, e eu, fóbico de desastres como sou, já me preocupei, mas ao me voltar, era apenas uma estudante, mala nas costas, andando apressada, e respirei e pensei: ah! que mundo menos violento e chato, mais tesudo e terno, seria o meu se eu pudesse, qual o pai totêmico de Freud, ter todas as mulheres do mundo só para mim,  ok, que fossem minhas só as belas  -raciocínio circular, pois a beleza do outro está no meu amor, eros ou ágape, e, ao meu primeiro olhar estupefacto, a mulher de esplendor parece que foi feita pra mim e não sabia. Eu seria, nesta Era de Ouro matriarcal, súdito, escravo sexual promíscuo (num mundo sem Aids, este pesadelo que me tira a leveza do puro princípio do prazer) e poeta do amor cortês. Quanto aos homens, a fraternidade cristã, sim, mas dos homens ser irmão de bom grado só dos de alma assumida e poeticamente -como um Chico- feminina. Somos todos homens de alma feminina, Jung não me deixa querer (me) iludir, mas é raro, e obra de uma vida toda, ascender a mais saudáveis estados de guerra e amor com nossa metade mulher e metade melhor.
Feliz dia de vocês, que todos os meus dias sejam de vocês.
-Unzuhause-

Tuesday, March 06, 2012

Sartre precisaria refazer o inferno de "Entre Quatro Paredes"

Confiscados, livros são injustamente acusados pela falta de emoção do programa
-Mauricio Stycer-
http://televisao.uol.com.br/bbb/bbb12/critica/mauricio-stycer/2012/03/05/confiscados-livros-sao-injustamente-acusados-pela-falta-de-emocao-do-programa.htm

Noite de sexta-feira, nada para fazer, nenhum motivo para brigar, desânimo total. Alguns confinados conversam, outros lêem. De repente, vem o aviso da produção: todos os livros da casa devem ser levados para a despensa.

Não é preciso ser nenhum gênio para entender a razão do confisco. Renata e Monique perceberam na hora. “Depois de 52 dias na casa, eles vão pedir os livros agora?”, lamentou a morena. “É para a gente surtar mesmo, fazer alguma coisa de interessante”, disse a loira. “Quando a gente lê não é interessante para o público lá fora”, completou.
Fael não disse nada, mas fez cara feia. Um dos mais discretos e calados na casa, o coubói é quem mais buscava refúgio nos livros. Já foi visto com quatro obras diferentes no confinamento – “O Poder da Cabala”, de Yehuda Berg, “Quem Mexeu no Meu Queijo”, de Spencer Johnson, “Conversando com os Espíritos”, de James Van Praagh, e “Sobre Homens e Lagostas”, de Elizabeth Gilbert.
Sem a companhia destes livros, espera Boninho, Fael vai precisar se expor mais. Será? É surpreendente imaginar que livros possam atrapalhar alguma coisa, mesmo um “BBB”.
Como mostrou Mr. Edição no programa deste domingo, o problema não são os livros. É a falta de tempero e química entre os oito participantes que restaram na casa. Com ou sem ter o que ler, as semanas que restam de “BBB” prometem ser um suplício tanto para quem joga quanto para quem assiste ao programa.
Sintomático da aflição com o ritmo tedioso desta reta final, Pedro Bial tentou intrigar Jonas e Fael com Fabiana momentos antes da formação do paredão, comentando algo que os dois falaram da loira privadamente. E suplicou a Yuri e aos demais participantes que evitem revelar suas decisões antecipadamente, do contrário não sobra nenhuma surpresa para o público.

Monday, March 05, 2012

Rosa Vermelha de Luxemburgo

"Quem não se movimenta não sente as correntes que o aprisionam."

Rosa Luxemburgo
 
Acabo de receber esta maravilha de citação -aula de política, aula de alma- do combativo professor Emir Sader, pelo Facebook (que, aliás, cada vez "curto" mais, para usar termo da tribo, pela riqueza e instantaneidade das trocas de ideias com que brinda este solitário monge arquissecular). Com Emir, fiz minha Sociologia III na faculdade de Ciências Sociais, lá pelos idos de 1996, e lhe devo meu primeiro encontro com o clássico A Ideologia Alemã, de Marx e Engels, objeto de meu trabalho final da disciplina. Creio que fui da última turma de Emir antes da aposentadoria, esta triste mas inevitável passagem que cada vez mais me deixa sem referências dos grandes mestres na universidade. Hora de me tornar um, sussura mamãe unzuhause.. Ah, rosa mística em forma de mamãe, cujo perfume me salvou de perder o prazo de entrega daquele trabalho sobre Marx, pois na época eu nem sabia ligar um computador, e passei a tarde do deadline ditando pra ela minhas garatujas, que aliás resultaram num generoso e certamente imerecido 10 do professor Emir.. como amo seu jeito coach de me motivar e impulsionar, rosa mãe, quando minha vontade seria parar tudo e deixar de sentir o fardo e ferida das correntes, porque, como diz esta outra rosa, a vermelha de luxemburgo, só quem se mexe.. Rosas de amor, de libertação e de revolução, que um dia vós floresçais em nossos estéreis campos de sentido.
PS: enquanto digitava e revisava este "post" (é, o tempo passou, me mexi, fui obrigado a aprender, para depois amar desvairado, os mistérios e recursos fantásticos deste mundo virtual), a amiga Rossiley acrescentava no meu facebook que hoje é aniversário de Rosa Luxemburgo, mártir da utopia (Zamość, 5 de março de 1871 — Berlim, 15 de janeiro de 1919).. nascida num dia que vem poucos dias antes de rosa mamãe, piscianas as duas, e eu também.
-Unzuhause-

Sunday, March 04, 2012

mistérios gozosos


Toda tomada de consciência é um crescimento de consciência, um aumento de luz, um reforço da coerência psíquica. ”
-Gaston Bachelard-


Questionei meu analista essa semana sobre como, e se, o "inconsciente" é ainda categoria válida, e não meramente nominal, numa certa clínica lacaniana dita do "real", que por definição seria voltada ao que escapa dos fatos da linguagem, do sentido, do simbólico. Não seria o próprio inconsciente, dentro desta perspectiva clínica e teórica, um efeito ontologicamente secundário, e socialmente declinante, de algo alheio, mais opaco, no limite do intratável, os "mistérios gozosos" do real?
Digo gozoso por alusão a um conceito fundamental de Lacan, gozo,  um equivalente aproximado da terrível descoberta (ou mitologia) freudiana da pulsão de morte e fenômenos correlatos como masoquismo primordial, repetição, supereu, angústia, benefício do sintoma, reação terapêutica negativa e pulsão de destruição.
Digo mistério, mas esta própria palavra pode ser anacrônica, se a entendermos como algo velado a ser desvelado, uma descoberta que falta, um sentido que foge, uma verdade escondida.. A psicanálise atualmente mais arrojada, contestatária, a dos herdeiros de Lacan, estaria, pelo menos na versão psiquiátrica que tenho experimentado, se reencontrando de alguma forma com o cerebralismo (aposta no primado do cérebro sobre a mente) hegemônico das ciências cognitivas e quimioterapias da alma. Quimioterapia.. a alma como um câncer?
Daí minhas sentidas dúvidas sobre, não a beleza -sempre inegável-, mas a fecundidade analítica destas palavras de Bachelard, ainda comprometidas com uma chave de "tomada de consciência" como vitória (ainda que parcial) das luzes sobre as trevas. Divago tudo isto como um testemunho sobre meus anos e andanças de análise, a partir da implosão psíquica de 2006. Confesso-me - não sem lamento, revolta e sonhos de restauração de minhas antigas crenças sobre o sentido da psicanálise e a psicanálise do sentido- cada vez mais cético quanto a esses esquemas da-treva-para-a-luz: sinto-os assim mesmo, como esquemas, fórmulas, que repetidas até a exaustão perdem o poder desvelador que talvez já tenham tido.
Retóricas ocas, talvez inaplicáveis se tivermos a ousadia de encarar a vida como o absurdo repetitivo que ela é em sua nudez, antes das vestimentas da consciência - e do "inconsciente", que, para dizer tudo, segundo a ótica cansada e fora de forma que herdei de minha perda de visão, poderíamos julgar e descartar como uma mera superstição, fóssil conceitual outrora usado e abusado e morto para exprimir nossa saudade do mundo encantado que nos protegia do desamparo do real.
Ah, e o analista nada respondeu, manteve o mistério.
-Unzuhause-

Friday, March 02, 2012

Toca, Senhor



Com a intenção singela de fazer que mais espaços de meus caminhos e de minha escrita sejam oratórios vivos para Ti, relembro e compartilho esta musiquinha que tanto me encanta desde os tempos adolescentes de meu desabrochar na fé. Mas não sejam apenas versos melodiosos nem mesmo palavras bonitas, por mais que eu creia -contra a medicalização da alma- no poder da Palavra como forma de transformação e resgate de nossas fragilidades e culpas. Que sejam, isto sim, sementes que o próprio Semeador vem semear em nossas vidas-semeaduras, duras semióticas e semi-ópticas sem o espelho do face a face, na nebulosidade da fé, sob rajadas ríspidas da areia de poucas respostas e consolos, muitos perigos e inseguranças e imensas tarefas. Senhor, toca, transforma, abre, cura, liberta.
-Unzuhause-

TOCA SENHOR


Toca, Senhor, toca, Senhor,

com teu amor, com teu amor.
Tira todo o medo, angústia e aflição.
Toca nesta alma e cura o coração.

Toca, Senhor, toca, Senhor, com teu amor, com teu amor.

Cura da doença que faz o irmão sofrer,

toca neste corpo,Jesus com teu poder.

Toca, Senhor, toca, Senhor, com teu amor, com teu amor.

Tira toda mágoa que faz alguém chorar,
tira todo ódio, ensina a perdoar.

Toca, Senhor, toca, Senhor, com teu amor, com teu amor.

Cura do pecado e lava com o perdão,

faz das nossas pedras um novo coração.

Toca, Senhor, toca, Senhor, com teu amor, com teu amor.

Toca nossos lábios e o nosso interior,

vamos te louvar, Jesus, com muito amor.

Toca, Senhor, toca, Senhor, com teu amor, com teu amor.