Monday, February 27, 2012

Serra exige final contra o Vasco



http://revistapiaui.estadao.com.br/blogs/herald/brasil/serra-exige-final-contra-o-vasco

TWITTER - Em mensagens de 140 caracteres, José Serra anunciou que será candidato à prefeitura de São Paulo, a síndico do edifício Copan e a coroinha da Paróquia Imaculado Coração de Maria. "Ainda não desisti da Presidência. Mas não posso ficar parado", explicou, enquanto formava uma coalizão com alunos do Colégio Sion para concorrer a representante de turma.
Experiente e calejado, o ex-governador apresentou apenas uma condição: "Aceito disputar quaisquer tipos de prévias, mas exijo que a final seja contra o Vasco da Gama", obtemperou. Gilberto Kassab concordou e abriu mão da indicação do vice-prefeito em nome de um projeto partidário nacional. "Acredito que o Roberto Dinamite esteja mais preparado", explicou.
Animado, José Serra começou a montar sua equipe. "Convidei o Carlinhos Brown para fazer meu jingle, o Rubinho Barrichelo como motorista e o atacante Deivid para mirar o rumo da campanha".
O fato de as mensagens terem sido tuitadas às 9h da manhã provocou estranheza no PSDB. Por precaução, o partido adiou suas prévias para 2013. Os tucanos agora contabilizam o prejuízo. Já haviam alugado dois ônibus com ar condicionado e 47 jatinhos para transportar toda a sua militância até o evento. O restaurateur Rogério Fasano lamentou: "Importamos as melhores trufas da região setentrional da Itália. Agora, teremos que jogar tudo fora e encomendar trufas novas".

Ao saber dos planos de Serra, Bruno Covas retirou-se imediatamente das eleições para o Conselho Regional de Kumon.

Saturday, February 25, 2012

resenha na Folha de S. Paulo - Guia da Folha, 25/02/12

Francisco Goya, "O sonho da razão produz monstros", 1799

ANTOINE COMPAGNON, OS ANTIMODERNOS- DE JOSEPH DE MAISTRE A ROLAND BARTHES
LEDA TENÓRIO DA MOTTA, ROLAND BARTHES – UMA BIOGRAFIA INTELECTUAL

-Caio Liudvik-

"Pertenço, porém, àquela espécie de homens que estão sempre na margem daquilo a que pertencem, nem veem só a multidão de que são, senão também os espaços que há ao lado. Por isso nem abandonei Deus tão amplamente quanto eles, nem aceitei nunca a Humanidade".Esta passagem do Livro do Desassossego de Fernando Pessoa, ao lado de tantas passagens de Baudelaire, Balzac, Nietzsche ou Camus, seria uma excelente epígrafe para o primoroso e original estudo Os Antimodernos – de Joseph de Maistre a Roland Barthes, de Antoine Compagnon. Trata-se de uma análise das ideias e dos autores (a amostra é quase toda francesa, mas aberta a acréscimos de "malditos" de outras sendas) paradigmáticos de um espectro que assombra a civilização ocidental desde a Revolução Francesa: o antimodernismo. O sopro conservador que parece habitar o melhor das letras enquanto a política, na era das revoluções, caminhava sobretudo para a esquerda, antes do desastre nazifascista (negação do autêntico antimodernismo, ressalva o ensaísta). O antimoderno é ambivalência radical entre um estar dentro e fora da era fundada pelo assassinato do Rei e que culmina na morte de Deus. É, diz Compagnon, "o reverso, a cavidade vazia do moderno, seu recuo indispensável, sua reserva e seus recursos". Uma espécie de espinho demoníaco na carne para evitar o orgulho desmedido do devoto de Deus, se quisermos usar a metáfora do apóstolo Paulo. Mas o "deus" dos modernos, para desassossego de Pessoa, seria a própria Humanidade, esta novidade histórica. Claro, nossa espécie existe há milênios, mas desde fins do século 18 se considera uma potência autônoma, emancipada, soberana sobre si e sobre o mundo, criando ao bel-prazer com sua esposa gnóstica Sofia, a saber, a "deusa Razão". Os antimodernos são os revoltados contra este coro de contentes. Linhagem de escritores dilacerados, uma "força negativa e desestabilizadora que se opõe à noção de progresso e a todos os seus corolários", diz Compagnon. São "os reacionários sedutores a quem a modernidade não engana".

Não se trata necessariamente de escritores saudosistas dos catecismos da Igreja. Isso é o que permite ao conceito abarcar, para surpresa de muitos, um autor sempre tido como "vanguardista", Roland Barthes (1915-1980). Compagnon, um dos professores com maior platéia em suas aulas no Collége de France, foi amigo pessoal de Barthes, e propõe uma análise do conjunto de sua obra de trás para a frente, a partir sobretudo do conceito de "neutro" e do lamento de Barthes pela dessacralização e banalização do livro, da língua, da figura do professor de letras. Curiosamente, este mesmo percurso "anti-horário" é sugerido também por Leda Tenório da Motta em Roland Barthes – uma Biografia Intelectual. Professora da PUC e ex-aluna de Barthes, ela mostra como toda a obra barthesiana é permeada, do "grau zero da escritura" ao neutro, por uma "paixão da linguagem não-assertiva", um desejo de libertar a palavra da tirania fascista das verdades prepotentes, assim a devolvendo à sua potência utópica realizável como literatura, numa suspensão quase mística que permite o advento do "grau zero da presença". "O Neutro quer subtrair-se a essa produtividade (das estruturas vigentes do discurso), é explosão, sobressalto, recuo da 'estrutura'", diz a professora. Como fica então a imagem de um Barthes estruturalista? Talvez um primeiro auxílio prestado pela teoria do "anti-moderno" de Compagnon: conhecer o moderno (no caso, a idéia de estrutura, como entidade autônoma, coercitiva e abstrata como "a Humanidade"), reconhecer-se nele, para melhor subvertê-lo.
 AVALIAÇÃO – ÓTIMO

AVALIAÇÃO – ÓTIMO

Thursday, February 23, 2012

livre pro desassossego


‎"Uma vez que tenha o desejo pelo Ocultismo realmente despertado no coração do homem, não resta para ele qualquer esperança de paz, nem lugar algum de alívio e sossego em todo o mundo... já não encontra sossego e paz na vida de todos os dias".


Helena Blavatsky

Friday, February 17, 2012

Saturday, February 04, 2012

reconvexando geral



Reconvexo
Maria Bethânia

Eu sou a chuva que lança a areia do Saara
Sobre os automóveis de Roma
Eu sou a sereia que dança, a destemida Iara
Água e folha da Amazônia

Eu sou a sombra da voz da matriarca da Roma Negra
Você não me pega, você nem chega a me ver
Meu som te cega, careta, quem é você?
Que não sentiu o suingue de Henri Salvador

Que não seguiu o Olodum balançando o Pelô

E que não riu com a risada de Andy Warhol

Que não, que não, e nem disse que não
Eu sou o preto norte-americano forte
Com um brinco de ouro na orelha
Eu sou a flor da primeira música a mais velha
Mais nova espada e seu corte
Eu sou o cheiro dos livros desesperados,

sou Gitá gogoya
Seu olho me olha, mas não me pode alcançar
Não tenho escolha, careta, vou descartar
Quem não rezou a novena de Dona Canô

Quem não seguiu o mendigo Joãozinho Beija-Flor

Quem não amou a elegância sutil de Bobô

Quem não é recôncavo e nem pode ser reconvexo

Rachel Weisz - chega a doer de tão poderosa



Thursday, February 02, 2012

Amor e Outras Drogas


"Perder a conta" de quantas vezes se viu um filme... exagero retórico, certo? Errado. É exatamente o que está acontecendo na minha "relationship" com "Amor e Outras Drogas". Telecine desembestou a passar, e eu a devorar. Qualquer horário dia noite e madrugada. Não consigo dizer não.. Por que será? Pistas:
1) Um casal maravilhoso, tanto quanto a história de amor, dessas que o cinema americano conseguiria impor aos afetos até do mais intolerante cinéfilo godardiano. A metanóia (conversão) existencial de ambos,  a queda ("fall" in love) da carne que foge de ser ao corpo frágil, imperfeito, mas que enfim assume a coragem de se dar, amando para além do risco, do medo, da morte. Topamos com milhões, só raramente tocamos e nos deixamos tocar por alguém-"milagre" de fusão que, anônimos átomos, aguardamos sob os tráfegos da multidão, milagre  pelo qual acendemos velas em segredo e vamos religiosamente ao cinema para comer e beber com coca e pipoca, e chorar e suspirar por comunhão.
2) Anne Hathaway, impecável. Vejo e revejo e a cada vez procuro um detalhe novo de seu olhar, corpo, fala, de sua graciosidade. Seus recursos de atriz que faz da beleza não muleta, mas poder. 
3) Jake Gyllenhaal - O cara, descobri agora, fez um dos cowboys gays do maravilhoso "Segredo de Brokeback Mountain". Aperta um pouco o coração, não pelo outro filme, mas pelo egoísmo natural (meu) de quem se deixou fascinar por algo / alguém e quer que isto continue naquela mesma idade (atemporal) e mesmo "papel" que me cativou. O Ser se torna menos "nosso", ou nós, menos dele,  ao decair (mos) platonicamente do Uno ao Múltiplo. Mas enfim, por outro lado, redescobrir Jake naquele outro filme só me reforça o fato de se tratar de um ator diferenciado, na ousadia e talento, na grandeza e, ok, admito, na beleza. Também para ele um poder a serviço de sua arte. 

4) O amor, a paixão (pathos), a doença (pathos), a injustiça da degenerescência que paira sobre tudo o que há de mais belo, ameaçando apodrecer o fruto mais perfeito. A realidade do Parkinson, sem mistificação, mas com beleza em sua tragédia, não só por se tratar, claro, de uma paciente do porte de Maggie (Anne), mas também quando desalentado marido de uma paciente comenta com Randall (Jake): "Isto não é uma doença, é um romance russo". Referia-se à desgraça da vítima -e das vítimas da vítima-, os  tremores, demência, os espetáculos da degradação, como precisar limpar os desejos (queria escrever os dejetos, mas vou deixar o ato falho rs) do doente. Me fez ir correndo reabrir meu Dostoiévski..Ao invés de começar a tomar um psicotrópico sugerido na vida "real", que me traria, exatamente, risco de sintomas parkinsonianos como possível efeito colateral.
5) O filme relembra e talvez seja para a posteridade a grande narrativa simbólica do advento do Viagra. Para além disso, encanta pela força com que toca na questão da indústria farmacêutica em geral.Minha mãe me falara do filme , foi mamãe (sempre ela) a me precipitar desavisado em mais esta paixão e no vício. Mamãe, professora uspiana de farmácia, estudiosa da homeopatia e ancestralmente desconfiada das toxinas alopáticas, espertamente pressentiu num filme como este um alerta de que eu precisava. E de fato o filme toca em cheio em meus dilemas com a medicalização da alma pela qual o corpo se me tornou um fardo infernal nos últimos anos. Verdade que se acorri a remédios é porque também a alma estava mal, mas acho que "era feliz e não sabia" do meu jeitinho, sem tanto blablabla analítico e quimico-terapêutico em torno (só em torno, nunca através) da agonia e da loucura, afinal estados do Ser. Os efeitos colaterais eram pelo menos "meus", não de um corpo que não me pertence, palco de batalha de medos, contágios imaginários, desestruturação, enfado e desleixo. Velho fantasma infantil do corpo-lixo reciclando-se em senilidade precoce. Minha revolta é de sentir o Amor como a verdadeira cura, mas me enredar vida toda na droga do desamor de uma merda de realidade e de sociedade e de "euidade" que me degeneram.
Ah, que tolo querer enumerar e explicar o que simplesmente cabe (e não cabe) no sentir. AMO este filme, estou viciado nele, sem moderação.
-Unzuhause-