Sunday, February 27, 2011

controle remoto perdido


Uma vez mais ele voltou para casa devastado e surpreendido com a capacidade do 'próximo' para a estupidez, para a burrice intelectual e moral. Mas as consolações noturnas à espera após mais um árido dia agora se escondiam, um controle remoto que perdido não permitia a mudança do canal, e o "desgraçado", como gritava de seu subsolo decrépito para o sétimo céu de que aluga fantasias,  girava a esmo entre as "dependências" de sua "casa", e o controle ausente dava a medida e os contornos do buraco negro se expandindo no grito que emerge do fundo do peito, que rasgava as cordas vocais de amarras sapienciais. Eram  xingamentos para si, para o próximo, para o distante, para o Criador e a Criação. Pareciam perdidos de vez, junto com o controle remoto, os  álibis da inocência e as mentiras de estimação. Suas crenças desbotadas e gordas, carecas e banguelas, via, por espelho medonho, arrastarem-se em farrapos sujos,  e as mais doces melodias sendo agredidas por dentro por sua própria voz engrossada de gravador em fim de pilha. Tempo aconcavado, côncava cova triste e chuvosa das singelas procuras  defuntas, entra ano e sai ano, a mesma miséria, o pai de todos os impedimentos, parcerias oníricas que como a linda analista o explicou, não nos restituem o que esperamos de integralidades ideais do espelho d' água onde Narciso agora confessa que gostaria de se afogar e (re)encontrar sua mãe-sereia, e com ela co-habitar e passear, infinitas léguas adentro de águas e flores, unidos como a rêmora no colo do tubarão, pelos séculos dos séculos, sem esquecer do dedo em riste e a pistola de Breton que pudesse abrir fendas de surreal.
-Unzuhause-

'Não preciso acreditar. Eu sei' - JUNG na BBC de Londres


Monday, February 21, 2011

20/02, reingresso no signo de Jesus Cristo (feliz ano novo, irmãos-peixes)

"Como os dois peixes representam a mãe e o filho, certamente pressupõem a tragédia mítica da morte prematura e ressurreição do filho. Como duodécima constelação zodiacal, os Peixes significam o término do ano astrológico e, consequentemente, o início de um novo ano da mesma natureza. Tais peculiaridades coincidem com o acentuado caráter definitivo do cristianismo, bem como de sua expectativa do iminente fim escatológico do mundo e do reino vindouro de Deus. As características astrológicas de Peixes contêm, portanto, elementos essenciais do mito cristão: a cruz, o contraste moral e a sua separação entre os opostos Cristo e Anticristo; o filho da Virgem; a tragédia clássica entre mãe e filho; os perigos que cercam o nascimento do herói e a figura do libertador e salvador. Por isso, não erraríamos se relacionássemos a designação de Cristo como peixe com o início do novo éon de Peixes, ocorrido naquela época".
JUNG , C. G.
Aion - Estudos sobre o Simbolismo do Si-Mesmo

 PEIXE (ICHTHYS): Jesus Cristo, Filho de Deus, o Salvador
Grego:
ίχθύς - ICHTHYS (peixe em Português).
No grego, a palavra que significa peixe, produz um acróstico cheio de significado:
Ίησοΰς – Χριστός – Θεού – Υίός - Σωτήρ
I)ÉSÚS - (CH)RISTÓS - (TH)EOÚ - (HY)ÓS - (S)ÓTÉR
JESUS - CRISTO - DEUS - FILHO - SALVADOR
Traduzindo esse acróstico grego: Jesus Cristo, Filho de Deus, o Salvador.
A origem desse símbolo está nos primeiros anos de vida da Igreja Primitiva: desde o primeiro século os cristãos eram perseguidos, e não podiam declarar publicamente sua fé. Não podiam sair confessando "Creio em Jesus". Por esta razão, os cristãos desenvolveram formas "discretas" de confessar sua fé, sem correr o risco de ir parar nas Arenas com os leões. Uma delas era desenhar, mesmo no chão ou na parede, aquele peixe estilizado, como vemos no início deste tema. E por que razão o peixe poderia ser o símbolo do cristianismo? Por que os primeiros discípulos eram pescadores e se tornaram pescadores de gente? Por que Jesus fez um célebre milagre de multiplicar pães e peixes? A identificação com esses fatos bíblicos é interessante, mas, a razão é mais poética!! É que peixe em grego - língua corrente do Império Romano nos tempos de Jesus - forma o belíssimo acróstico citado acima.
Para nós cristãos é mais que uma simples coincidência, é uma Declaração de Fé.
Melhor dizer: é a menor e mais completa Declaração de Fé: "Jesus Cristo, Filho de Deus, o Salvador!"



Friday, February 18, 2011

dia memorável

Dor nas costas dois dias depois do rito de passagem: significante físico com o significado psíquico de que, com a conquista deste doutoramento em filosofia na USP, chego ao final de uma jornada existencial e intelectual difícil. Mas a alegria na alma revela que é uma jornada que valeu, e muito, tudo o que custou. 
Agradeço a Deus (que o Caio "agnóstico", e que presidiu os trabalhos, não me escute, aqui quem fala é o monge que também o habita, um dentre os "300, 350" de que se faz um eu, segundo Mário de Andrade). Agradeço à sociedade, base concreta das condições materiais de existência e do sentimento moral de que a religião é a expressão anímica mais profunda.  Agradeço aos anjos da guarda, do céu e da Terra: se nem sempre fiz jus a vós, quero que saibais que vos amo de coração, com todas as minhas forças e fragilidades. Agradeço aos amigos, pela companhia, agradeço a todas as interlocuções que vieram maturando, por consonâncias ou dissonâncias, o desenvolvimento de minhas idéias. Agradeço às ilusões, na travessia das quais tem sido possível forjar um caminho menos "esperançoso" -no sentido pejorativo, de "paixão triste" que a esperança tem, segundo Espinosa-, mas um caminho de mais gratidão e namoro para com a vida no seu sonhar e no seu realizar, no não e no sim, (nada) simples ser-assim.
-Unzuhause- 



DEFESA DE DOUTORADO / FFLCH-USP

Candidato: Caio Liudvik Caramico Soares



Orientador: Prof. (a) Dr. (a) Franklin Leopoldo e Silva Hora: 14:00:00 Data: 16.02.2011 Local: Salão Nobre (145)


Titulo: Evangelhos da revolta. Camus, Sartre e a remitologização moderna


Banca: Profs. Drs. André Constantino Yazbek (PUC-SP), Thana Mara de Souza (UFES), Vladimir Pinheiro Safatle (FFLCH), Olgária Chain Féres Matos (FFLCH).

Monday, February 14, 2011

valeu, Ronaldo!

Escrevo a poucos instantes do que deve ser o anúncio da aposentadoria de Ronaldo. Sentimento que me vem é um estar "junto e misturado", como disse o Anderson Silva em homenagem ao Fenômeno após a vitória sobre Vitor Belfort. Estar junto e misturado de sentimentos contraditórios, dos quais o primacial, claro, é a melancolia. Visitação da morte, que me visita quase tanto quanto as moções de Deus. Aliás, pensaríamos em Deus não fosse a morte?
Todo fim de uma história é tão inevitável quanto, nas boas histórias, insuportavelmente doloroso. Um romance que termina -na vida, ou como leitor de ficção- dói assim. Mortes em vida. Insuportáveis até que um novo e mais alto propósito de vida , um novo "romance" de ler e de viver nos arranque das garras estáticas da morte. Nos recoloque em movimento.
E dói a partida do Fenômeno, dói como um luto. Os sinos da morte dobram por nós. Me ponho no lugar do ídolo que perde a justificação heróica de viver. Há soldados que, por piores horrores que tenham presenciado no front, sofrem mais com a vida mesquinha que os aguarda, decrépita e de boca alegre desdentada,  na volta para a "guerra" surda das horas banais. Mas, quanto a Ronaldo, levo em conta sobretudo sua etapa final, corintiana, de carreira. E -não é sempre que o ditado se comprova- a primeira impressão será a que fica. Olha que síntese é esta cena que relembro acima, festa nos alambrados, alambrados caindo, após o gol no último minuto, contra o Palmeiras, no primeiro jogo. Diferentemente de Roberto Carlos, que nunca teve maior identificação com o clube, Ronaldo não. Se juntou, se misturou. Passou sim a amar o Corinthians. Descobriu-se igual e irmão a nosso bando de loucos, à legião que vem de baixo, que é de baixo, que faz deste time uma paixão única, a maior, mais fanática, mais carismática, mais corrosiva, grandiosa. Ronaldo fez história conosco. Campeão paulista, campeão da Copa do Brasil. Trouxe grande aporte financeiro, com seu status de maior artilheiro das Copas do Mundo, bicampeão mundial etc etc. Nos deu golaços, provas de raça. Em duas chances, não nos trouxe a Libertadores, é verdade. Junto com a exclusão da seleção da CBF, ano passado, é a frustração maior que certamente pesa na decisão de Ronaldo de antecipar o adeus. 
Um imbecil dizia, outro dia, nesses chats de torcedores, algo que não deixa de ser uma verdade: o corintiano é diferente dos demais porque projeta suas frustrações no seu time. Sim, e quem não tem frustrações, quem não é moldado ao fogo de sua dor e delícia de existir? Ter frustrações é sina de todos. Mas infeliz de quem não tenha a outra sina, a de um Corinthians, para "re-presentá-las". A Libertadores hoje é símbolo disto para nós: o inalcançado, o inalcançável. O Corinthians não tê-la é mais notícia, fascina mais, a corintianos e anticorintianos, do que o fato banal de todos os outros times que já a têm.
Eu, em particular, tô é pouco me lixando com copa cucaracha. Mas sei que minha nação quer e "precisa" disto. Mas precisa mais é de jogadores valentes, dedicados, que comam bola e grama, e comam com tesão. Ronaldo gordo trocou de fome, infelizmente. Compreendo-o por isto. As dores de suas oito operações, seu corpo em crescente ruína atlética, sua fortuna, seus negócios, seus filhos, seus amores, tudo isso pede seu preço, e não combina com a ascética rotina de um atleta, ainda mais de um sacerdote de chuteiras a serviço de nossa religião alvinegra.  Preto no branco, o que fica é a memória de um grande ídolo do Brasil e da "república popular" (termo subversivo que está no nome de nosso CT) do Coringão. Ídolo que venceu, perdeu, foi exaltado e humilhado como os grandes heróis, e como o povo. O mesmo povo que "pegou em armas" -pedras, palavras- para praticamente expulsá-lo, depois do recente vexame na Libertadores, assim como fez com o pipoqueiro do Roberto Carlos, que partiu em troca de mais uns gorduchos caraminguás nos cafundós do mundo da bola. Que este povo pegue em armas também para outras causas, e em nome de outras repúblicas populares que hão de nascer.
Valeu Ronaldo!
-Unzuhause-

Saturday, February 12, 2011

tripalium, tortura, cultura, roda-viDa


Trabalho, tripalium, tortura.. Conexões óbvias como informação escolar, mas que a partir de hoje ganharam concretude visual para mim -vi na TV o nefasto instrumento de três paus, feito para fazer sofrer, origem da palavra "trabalho"- graças  ao meu remoto controle em andanças no fastio do acaso pela TV Cultura . Canal, aliás, que sempre admirei, a que já tive o hábito de assistir mais, e de propósito,  sem precisar das dedilhadas randômicas da Fortuna. Mas mudou a Cultura ou mudei eu? A decadência parece mesmo ser a lógica do universo, se não me engano os físicos nos comunicam essa mesma lei schopenhaueriana pelo nome técnico de entropia. E toda "cultura", ou nossa necessidade de "cultura",  não fogem a tal lei..No mínimo se transformam, o que pro meu conservantismo psíquico é sempre mau prenúncio. Nos casos mais comuns, perdem qualidade. Exemplo?  O que é isto que sobrou vagando no ar, na tv chamada cultura, nas segundas à noite, fraco, desdentado e caricato, com o mesmo nome do (re) finado "Roda Viva".. não, não, nãooo seus equivocados.. Disto, de tudo, o que sobra é o osso, o urso decomposto na encosta, carcaça para formigas, a roda viva, roda-vida. Roda de Ixíon, gerando e gerindo e girando e torturando e trabalhando. Trabalho, trabalho, trabalho, a três paus. Tripalium!
-Unzuhause-

Monday, February 07, 2011

a luta do século

Assistiram a Anderson versus Vitor? Chamo-os pelo primeiro nome não para afetar uma intimidade pessoal de que não privo, mas apenas para denotar o afeto que me liga a ambos, e que me tornou simplesmente incapaz de torcer para só um, na "luta do século" desta madrugada de sábado para domingo. Torci literalmente para os dois. Lamentei um pouco -tanto quanto vibrei- pelo próprio fato do confronto, pois entre nós brasileiros  (os lutadores americanos são nisto diferentes) só se luta quando se briga, ou seja, só se sobe no octógono quando há além da disputa profissional certa carga de desavença e mal-querença. No mínimo indiferença, este oposto do amor. Em suma, na nossa mentalidade luso-brasileira, católica, "cordial" (Sérgio Buarque de Holanda) UFC é "trocação" de porrada que se vê legitimada, entre dois compatriotas, quando não se gosta ou não se está "de bem" do outro. Que bom que, no final, Anderson e Vitor se abraçaram e nos mostraram que toda a rixa anterior (meu deus, que foi aquela pesagem? aquela encarada? de arrepiar..) tinha também muito de marketing. Amei, é claro, o Anderson no final vestido com o cinturão e um "troféu" ainda mais valioso, a camisa do Timão.. Esse é corintiano puro (viu, dona Morcega? rs), vandalismo do bem, violência da garra, da paixão, do coração, da macheza (não machismo). Vitor, fortíssimo, embora dessa vez menos do que nos áureos tempos, mas sempre com uma cara que inspira respeito mas certa ternura, vontade de amparar. Espreito naquela massa de virilidade um espírito bacana, em sintonia comigo (vide a inscrição "Jesus" em seu calção, viu, dona Morcega? HAHAHAHAHAHA).
 Sempre quis ter um pai forte assim, e "humano" assim. Morcega, quem me lembra isto, esta dualidade e dialeticidade dentro de uma mesma pessoa, é sua dupla de manos gêmeos..
Mas se não pude ser filho assim, que bom se um dia vier a ser pai assim, seja de um moleque da minha própria lavra biológica (embora meu desejo prioritário sempre tenha sido por uma filhinha), seja de alunos ou ovelhas de meu sonhado rebanho clerical. Porém monges estão fadados à não-paroquialidade.
Enfim, devaneios que me tomam de assalto, com a força e surpresa daquele chute do Anderson no queixo do Vitor, em nocaute fulminante. Meu Deus, que golpe fantástico, esse  é o Cassius Clay do MMA, sem dúvidas. E Vitor, força pra ti, Jesus no coração e muitas vitor-ias no caminho.
-Unzuhause-

Friday, February 04, 2011

comunicado da nação


Do site da Gaviões da Fiel. Não tem o que pôr nem o que tirar. Aliás, tirar tem.. AQUELA CORJA CIRCENSE CULPADA PELA PALHAÇADA DESTA QUARTA-FEIRA. FORA TODOS!
-Unzuhause-

Não vivemos de títulos. Vivemos de CORINTHIANS!!
Nunca vou te abandonar porque te amo, eu sou CORINTHIANS!!
Essa FOI, É e sempre SERÁ a postura dos Gaviões perante qualquer adversidade pela qual o Corinthians passe. Não medimos esforços nem consequências para estarmos onde quer que o Corinthians vá, por mais longe que seja o destino, os Gaviões tem o compromisso de mostrar para todos que este time tem a maior torcida do mundo. Isso exige muito desprendimento, muitas perdas e muito, muito amor.

Os Gaviões nasceram para cobrar e fiscalizar o clube e sua administração. Evidentemente, a cobrança exercida há 40 anos atrás no auge da ditadura é diferente da cobrança exercida hoje, mas não podemos e não vamos nos omitir diante da falta de comprometimento de alguns jogadores, comissão técnica e dirigentes.

Estamos assistindo o time ser desmantelado e ouvindo promessas de remontagem do elenco à novas contratações, mas o que vemos é que os dirigentes estão mais preocupados em marketing do que em futebol. Esqueçam estádio, libertadores, propaganda, mídia... O CORINTHIANS é muito maior que tudo isso.

Desde o Campeonato Brasileiro de 2009 estamos assistindo um Corinthians incompatível com sua grandeza. Jogadores e comissão técnica se acovardam diante de adversários que (com todo o respeito) não tem sequer “camisa” para competir com o Corinthians.

Queremos GARRA, AMOR A CAMISA, HOMBRIDADE. Não queremos estrelas, queremos guerreiros. Não queremos melhores do mundo, queremos aqueles que querem estar no melhor do mundo. Ou melhor, queremos aqueles que concordam que o CORINTHIANS é o melhor do mundo e honrem nossa camisa como ela merece, pois somos e representamos o Corinthians, este é o nosso maior prazer, o nosso maior orgulho e o que nos faz superior a todos...

A derrota de ontem [quarta, 02/02, para o Tolima, na Colômbia]não nos diminui, mas a postura do time em campo sim, a falta de garra de alguns jogadores também. Nos envergonha saber que essa camisa tão sonhada e suada por GIGANTES é desdenhada por medíocres.

Nosso recado é direto: FORA DO CORINTHIANS ÀQUELES QUE NÃO HONRAM A GRANDIOSIDADE DO SEU MANTO seja quem for! FORA! Estaremos mais do que nunca fiscalizando e cobrando de TODOS uma atitude diferente.

Quem não estiver preparado para encarar esta cobrança: FORA TAMBEM!!!

Aqui é CORINTHIANS e NÓS SOMOS OS GAVIÕES!!