quinta-feira, dezembro 29, 2011

meus ciúmes de Ayrton Senna


Pobre do povo que precisa de heróis? Pobre, isso sim, de quem não os tem. Ele foi nosso herói. Ele foi a encarnação do Brasil que queríamos ser. Mais que isso, do Anthropos (Homem primordial, completo) que em nós pede para vir a ser. Forte, agressivo, belo, corajoso. Campeão não só nos troféus, mas na atitude. OK, nada disso é original. Falar  de Senna é realmente um desafio a nossa fobia de clichês. Me esparramo neles com prazer, se é para exprimir minha alegria e paixão por este mito. Mas é sempre possível a diferença na uniformidade.  E esse documentário "Senna", que vi no Sportv por esses dias, impressiona por causa disto: fantástico pelas imagens inéditas e também pelas arquiconhecidas, em perspectiva inaudita. Não sobrecarrega em melodrama o trágico desfecho. Celebra a vida do gênio. Sua relação com Deus, por exemplo: Senna "via" Deus a 320 por hora, rompendo a barreira da Luz, e a Câmera em sua Ação, dentro de seu carro, nos faz, senão vê-Lo também, ao menos pressentir fazendo nossa a experiência mística camuflada em esporte automotivo. Prost, amado inimigo, disse corretamente, no auge da rivalidade histórica: o maior perigo de Senna é que acredita em Deus: sente-se por isso iluminado, privilegiado, ungido, e sobretudo -mas isto Senna faz questão de negar- invulnerável: ameaça para os demais. Ameaça para si mesmo, também: pois as grandes paixões, se imbuídas do Absoluto, glorificam não apenas a Vida, mas também a Morte. Difícil imaginar Ayrton morrendo de outra forma, ou (sobre-) vivendo velhinho entre nós. Falei isso com minha mãe, que o amava como  um outro filho. Aliás, se tenho ciúmes (filial) de alguém, é de Senna: até costumava, na infância, me projetar no amor de mamãe por ele, isto é, pensava que ela se referia a mim  comparando as vitórias de domingo de manhã com minhas notas, garra, inteligência rs,  quando exaltava nosso ídolo em comum, que pra ela, repito, era mais que ídolo. Inefável amor e devoção. Ela não se  convenceu pelo meu argumento.  E não assistiu ao filme, ela foge até de conversas de mais de um minuto sobre o assunto. E cá comigo, fico a pensar na beleza da morte, sobretudo da morte quando jovem, ainda belo, ainda campeão. Dorian Gray, eu vos amo. Ayrton, vos amo também, por vossa vida, paixão, morte e perenidade: não quero ficar velho, não quero partir depois de mamãe, a Morte é outra rival, essa sim invulnerável, quiçá mesmo imortal, a ameaçar arrebatar nossos amores. Ciúmes dela também. 
-Unzuhause- 

quarta-feira, dezembro 28, 2011

em claro

Madrugada em claro por conta de uma infernal coceira no pé esquerdo. Nada resolvia, álcool, água, sabão, fenergan, hipoglos. Não é que não resolvia, sequer aliviava. O ataque sem tréguas. Deles. Algum "eles", palavra que me ocorre é "pernilongos". Espero que sim, pois o alarme hipocondríaco não precisa de muito para disparar e me ventilar terríveis ameaças subjacentes. Pior é que, quanto mais a gente envelhece (ou seja, vive), os medos da hipocondria começam a ter mais razão de ser. Até o dia em que o catastrofismo coincide com a catástrofe, nosso temor vira realidade, e percebemos como perdemos nosso escasso tempo com medo de coisas que iriam acontecer mesmo assim, temidas. Temê-las não as faz menos possíveis. Como Lacan, que ouviu numa entrevista psicanalítica a lamúria auto-crítica: "Doutor, sou um mau pai, mau esposo, como sou mau nisto, naquilo e naquilo outro". E Lacan responde, cortante feito o cerol de seus tempos lógicos: "Sim, e dizer tudo isso não impede você de ser, de fato, tudo isso".
Voltando à coceira madrugada afora, que demonstração aguda do que pode ser a angústia de não dormir, sequer bocejar, não conseguir prestar atenção em nada, não conseguir nenhuma "meditação transcendental" tipo UPP contra os traficantes de nosso mal-estar. Irmãos internados nos hospitais, em presídios superlotados, internados em vossas próprias loucuras e solidões: eu vos compreendo melhor depois desta madrugada.
Hoje se promete uma mega-faxina nesta casa solteira e sem a luz de uma Mulher Cuidadora (mamãe, onde está você! hahaha). E me dizem que repelentes podem ajudar. Repelentes:  gosto da palavra. Queria encontrar na mesma farmácia pré-2012 repelentes contra tudo o que meu corpo ranzinza desgosta no mundo: calor excessivo, tesão mal-resolvido, ser-tão limitação, inveja, raiva, egoísmo, separação de quem amo, conjunção forçada com o que me repugna, superlotação dos espaços cada vez mais exíguos, entulhados e mesmo assim desertos, envelhecimento (dorian gray, eu vos amo!) e medo. Como Selton Mello no seu belo filme "Palhaço", que vi este fim-de-semana, meu reino por um ventilador! Não dos que ventilam imaginários de medo auto-realizados. Ventilador natureza. Pra que eu possa reconciliar queijo com o rato, banana com o macaco, osso com o cachorro, e vida com trabalho.
-Unzuhause-

protege tua legião, São Genésio!

São Genésio

Ceumar


Santinho pequenininho
De coração assim assim pequenininho
Protege tua legião
Abençoa nosso ofício
Que o drama, que o riso
De forma assim assim pequenininha
Conceda a todos coração
Abençoa nosso ofício
Que o drama, que o riso
De forma assim assim pequenininha
Conceda nosso ganha pão
São Genésio protege tua legião
São Genésio concede a todos coração
São Genésio concede nosso ganha pão

terça-feira, dezembro 27, 2011

iniciação



Consolo para iniciantes

Vejam a criança em meio aos porcos que grunhem,
Desamparada [Hülflos], com os dedos dos pés dobrados!
Não pode senão chorar, somente chorar!-Aprenderá algum dia a se erguer e andar?
Não receiem! Logo, creio,
Poderão vê-la dançar!
Quando se puser sobre as duas pernas
Também se porá de cabeça para baixo.

NIETZSCHE
A Gaia Ciência

Estado "suíno" pré-iniciação: desamparo (termo-chave na leitura freudiana da angústia criadora de religiões como pais substitutos), choro e imobilidade.
O iniciado: ficar de pé, caminhar, dançar e se pôr de cabeça para baixo.
Plenitude de iniciação advém quando da conquista da "verticalidade", inclusive como modo de se auto-subverter: só se põe de cabeça para baixo (regresso lúcido aos instintos) quem aprendeu a ficar de cabeça para cima (autonomia).

parafraseando Hitchens

Ouvindo um cara como Hitchens (vide post anterior) eu confesso realmente que balanço nas minhas crenças enquanto sistemas assertivos. Não só pela agudeza de seus argumentos, mas pela ironia, simpatia, graciosidade e elegância de seus modos, afastando de mim o preconceito de que arrogância é prerrogativa dos incréus -não só os que não crêem em Deus, mas os que eu gostaria de achar, pobre de mim, que "acreditam errado". Escuto suas dinamites assim: religião como fruto da irracionalidade biológica radical de um ser dotado de inteligência mas fadado à miséria; a religião, sintoma da agonia existencial deste experimento inaudito, pretensioso e banal da natureza que é o homem; religião, arrogância violenta que, como tal, camufla medos. Do sexo, da mulher, do sangue, da vida, da morte. Medo do Outro, do desconhecido, do efêmero, do absurdo. Medo: a verdadeira "partícula de Deus"?
-Unzuhause-

Christopher Hitchens: 'A religião envenena tudo'

sexta-feira, dezembro 23, 2011

diário do verão - abduzido pelos pernilongos assassinos

Ele teve as pernas transformadas em refeição dos pernilongos assassinos da madrugada. Matam a madrugada enquanto experiência dormida e sonhante. Trazem, ou quiçá anunciam a angústia dos olhos bem abertos. Sentinelas e adagas voadoras da angústia lenta, preguiçosa, gorda e barbada da estética da feiúra finalmente reconciliada consigo. Ele se revira nos quentes sofá e cama entre os quais reveza. Tenta apelar para os canais evangélicos, mas não dá. Volta-se então pras pedrinhas caleidoscópicas que juntas compõem seu amor à cultura. Mas uma cultura que fosse mais visceral do que cerebral, mais sublime do que sublimadora dos desejos do rés-do-chão. Assiste a um, dois filmes. Um bonito em especial, "Mestre da Vida", sobre um jovem pintor à procura de seu mentor, consagrado artista russo que se estagnou na amargura da Feiúra do mundo de sempre e da arte atual. Discípulo ardoroso, ele próprio, do Mestre das formas e cores da Vida, o que o velho ranzinza tem a passar para o jovem entusiasmado e promissor -com quem todavia se identifica, sem rixas retardatárias nem cobiças carnais inferiores- são apenas os borrões de suas "lições" de desapontamento com a História. Até que a reviravolta, na sua própria história, se torne possível, na fresta dos rancores destampados e vindos à tona, eles que eram insistentes nos seus ritos de devoramento feito os pernilongos assassinos da madrugada, no calor e na insônia. Ele conseguiu dormir apenas depois das seis da matina. Nada muito duradouro, o calor não dá trégua.
-Unzuhause-

arquétipo (pré) Natal - Quem É Muito Querido A Mim?



"Deus não tem filhos preferidos; Deus é o preferido de alguns de seus filhos"
(Sabedoria Hermética)

Resenhas para a Folha


O filósofo brasileiro José Arthur Giannotti

*JOSÉ ARTHUR GIANNOTTI,
NOTÍCIAS NO ESPELHO
Caio Liudvik- Folha de S. Paulo, sábado, 17 de dezembro de 2011; versão com modificações

Professor emérito da USP, José Arthur Giannotti é um mestre, entre outras virtudes, pela fidelidade à tarefa de trazer a filosofia para fora dos muros acadêmicos. Oferece-a como um "espelho" , ou como a lente corretiva do exame do oftalmologista, em que podemos ver com mais profundidade e nuanças os fardos e possibilidades inscritas na e embaçadas pela vida cotidiana. É o que estas "Notícias no Espelho" vêm confirmar sobejamente. Trata-se de uma compilação de artigos de Giannotti publicados na Folha entre 2000 e 2010, abrangendo desde o 11 de setembro aos impasses do lulismo, passando pela lei que autoriza a pesquisa com células-tronco e pela ressurreição da heresia maniqueísta no discurso evangélico contemporâneo, obcecado pelo diabo. Interessantíssimo, a respeito do terrorismo, é o modo como o filósofo nos faz ver a violência humana que se afigura quase como "catástrofes naturais" em metrópoles que nos impõem uma segunda natureza, cujos sistemas de "segurança" (física e ontológica) são cada vez mais gigantescos, porém abstratos e impessoais. A lamentar, a falta do polêmico artigo de 2001 sobre as necessárias ambiguidades da moralidade na política, argumento que petistas (antes da chegada ao poder) bombardearam como se fosse um endosso filosófico a supostos fisiologismos do governo de Fernando Henrique Cardoso, amigo pessoal de Giannotti. Mas não ficam de fora provocações a certos modos esquerdista de pensar, ou melhor, sonhar -e portanto negar- a política, nem uma comovente homenagem póstuma ao professor Bento Prado Jr (1937-2007): "Sua morte interrompe esse diálogo e me priva de um amigo adversário. Visto que em geral só penso na contramão, uma parte de mim mesmo foi-se embora". Num ensaio inédito, "Sobre a imagem", Giannotti fala sobre o que é a obra de arte e o tipo especial de transcendência, não-religiosa, por ela propiciada, e comenta a dificuldade da percepção estética adequada em museus e exposições superlotados, em que o visitante, levado pelo fluxo de pessoas e pelo falatório dos guias, é impedido de fruir de uma observação demorada e global da obra. Uma crítica que não deixa de metaforizar os condicionamentos da percepção crítica da realidade em geral, nesse contexto de multidão frenética de gente, de fatos e de achismos em meio aos quais nos encontramos (ou melhor, nos perdemos) hoje em dia.Que bom poder ainda contar nesta selva escura no inferno com "virgílios" como um Giannotti.

AVALIAÇÃO- ÓTIMO

quinta-feira, dezembro 22, 2011

primeiro dia do Verão 2012 -pela clemência da deusa das tempestades

-Iansã-

"A cura consiste em tornar pensável uma situação dada inicialmente em termos afetivos, e [tornar] aceitáveis para o espírito as dores que o corpo se recusa a tolerar" - Lévi-Strauss 

Recolho junto à recém-amiga virtual  Mariana Festucci esta excelente evocação para um primeiro dia de Verão, estação envolta em badalações midiáticas mas que, numa cidade como São Paulo -sem falar nas serras cariocas, ou Santa Catarina ou outros tantos exemplos recentes- remete atualmente a trágicas fúrias da Natureza. O homem da modernidade, que se supõe autônomo ante as coações exteriores (Deus, Estado, Natureza), reencontra sob o próprio artifício de sua liberdade -a cidade grande- o fardo maior ainda de uma "segunda Natureza" nos impon do desgraças ano inteiro -e ainda mais gravemente no Verão. Enchentes, destruição, morte. Natureza enlouquecida, como se fosse personagem de uma dramaturgia shopenhaueriana da Vontade cega, impiedosa e cruel. Na sabedoria da mitologia -e aqui voltamos ao pensamento do grande antropólogo estruturalista-, encontro a metáfora Iansã, a orixá feminina das tempestades. Deusa Iansã, perdão pelos homens que não sabem o que fazem enquanto esquecem ser meros e nobres hóspedes de vossos corpos, enquanto não devolvem a alma ao Criador, enquanto assassinam cãezinhos inocentes e devastam e entopem as cidades do asfalto da Falta bêbada. Senhora Iansã, tende clemência de nós neste Verão, minimize as dores, permita que a estação da Alegria não seja uma mentira midiática, mas direito reconquistado. Se não direito, ao menos graça. Vossa graça.
-Unzuhause-

arquétipo (pré) Natal - Senhor, fazei de mim instrumento de vossa Mestria

Samael Aun Weor (1917-1977)

P-Mestre, por que você chama de "papagaios de gaiola" os espiritualistas das escolas de hoje?
R- Porque eles falam como papagaios, sem jamais haver experimentado aquilo que falam. Entendo por espiritualismo, saber viver dignamente entre os homens, e não como muitos entendem que espiritualismo é teorizar; uma coisa é saber viver e outra coisa é saber teorizar. Quem sabe viver é um Mestre e quem sabe teorizar é um intelectual

-entrevista de Samael Aun Weor-

Sinto um débito profundo meu com a vida, pelos anos todos em busca sôfrega de um Saber que desse encaixe a todas as desarmonias, angústias, calores e caretas da existência fenomênica.. fenomênica como se eu já dominasse o "numênico", a Coisa-em-si, a essência metafísica por detrás das aparências ilusórias. Mas não: sou devorado pelas aparências. Um exemplo é a intensa perturbação pelas coxas de lindas mulheres que fazem das ruas da Paulista passarela para um andar com "naturalidade" em sainhas do tamanho de calcinhas, tudo à mostra para minha volúpia ascética. A agressividade da cidade tem nessas epifanias escópicas de Eros não um contraponto, mas coroamento, erotismo agressivo, nem sempre intencional -vide o quanto as "meninas" gostam de dizer que querem roupas que as falam apenas "se sentir à vontade".. Nos meus devaneios cálidos e suarentos sonho se não seria bom botar todas essas donas ou caronas de provocantes pares de coxas numa bela de uma burca que trouxesse de volta para o feminino a verdade corânica de que o desejo mais potente é aquele envolto em mistério, recato, culpa, como diria o professor Luiz Felipe Pondé. Como termos um Nelson Rodrigues cronista de nossos sonhos, se o pesadelo saiu dos bafos sufocados do quarto íntimo para virar hálito cotidiano dessas coxas,ESSAS COXAS! Deus, o que tenho a ver com Mestres não é o que tive a ver com mestrados - e doutorados e pós-doutorados e novas graduações. Tudo girando em vão, girando girando e me deixando tonto de gozo ansiado mas só ansioso. Gozo des-a-fora-do e sufocante do real do do Diabo, enquanto falta o frescor do simbólico orden(H)ador -tirar leite da pedra- do dentro. Burca nelas, pelo amor de Alá! rs
-Unzuhause-

domingo, dezembro 18, 2011

Anima em álbum

Charlotte Gainsbourg

arquétipo (pré) Natal -meu Pai Oxalá é o Rei, venha me valer!



O Natal na Umbanda



Chegamos em Dezembro, um mês mágico que altera o estado de espírito das pessoas, principalmente dos umbandistas, que já comemoraram Yemanjá, Yansã e Oxum no começo dele.
Ainda temos o dia 25, quando a cristandade comemora o nascimento do Mestre Jesus no mundo todo e temos o dia 31, quando todos comemoram a passagem do ano com uma explosão de alegria e votos de que o ano que começará seja de paz, saúde e prosperidade.

Para os umbandistas a comemoração do natal cristão é algo natural, até porque a maioria dos seus seguidores e médiuns praticantes veio da religião cristã. Inclusive, muitos umbandistas seguem uma corrente doutrinária denominada Umbanda Cristã, muito parecida com o Espiritismo Kardecista.

Na maioria dos seus centros os umbandistas colocam em seus altares a imagem do Mestre Jesus no seu degrau mais alto, prestando-lhe uma reverencia e adoração sublime devido seu sincretismo com o Orixá Oxalá, o maior dos orixás cultuados na Umbanda.

Esse respeito e reverencia ao Mestre Jesus enobrece ainda mais a umbanda, a mais tolerante das religiões existentes no Brasil, já que ela acolhe em seus centros os seguidores de todas as outras com amor e respeito, sem constrangê-los com perguntas sobre a religião que seguem e sim, os auxiliam onde elas não podem ou seus sacerdotes não sabem como lidar: a Mediunidade e os problemas espirituais de fundo kármico!

Nesse ponto a Umbanda é única entre as religiões!

Seus dirigentes e médiuns, assim como todos os Guias Espirituais, acolhem os seguidores de outras religiões como irmãos e os auxiliam como podem e da melhor forma possível, livrando-os de suas perturbações de fundo espiritual, auxiliando-os na cura de suas doenças, auxiliando-os a conseguirem um emprego, quebrando demandas das quais são vitimas, etc.

E isso sem perguntar-lhes quais as suas religiões, sem atribuir às suas crenças religiosas a causa de suas dificuldades e nem os obrigando a se converterem para que, aí sim, sejam ajudados pelos sagrados Orixás e pelos Guias Espirituais de Umbanda.

Não vemos isso acontecer nas outras religiões, onde o usual, assim que sabem a religião de quem adentra em seus templos é ir alertando-os ou acusando-os de seguirem uma religião errada, ou pagã, ou do diabo, etc. Nesse aspecto a Umbanda é única e insuperável porque todos os umbandistas acreditam que Deus é único, esta presente na vida de todos e em todas as religiões, não importando a forma que usam para cultuá-lo e adorá-lo. Inclusive, é comum aos seguidores das outras religiões regirem com palavras ofensivas à nossa religião e à nossa pessoa assim que ficam sabendo que seguimos a religião Umbanda, dando a entender que só eles cultuam e adoram Deus.

Essa postura intolerante por parte da maioria dos seguidores de outras religiões para conosco, os umbandistas, provavelmente é uma decepção para o mestre Jesus, que não fundou nenhuma religião e não pregou a intolerância, mas vê entre os seus seguidores uma reação não fraterna aos seus irmãos em Deus que professam outras crenças religiosas.

Os umbandistas seguem a Umbanda, mas respeitam todas as outras religiões e a crença dos seus seguidores e não temem entrar em suas igrejas porque nesse quesito estão anos-luz à frente dos demais, já que sabe que só há um Deus, criador de tudo e de todos e existem suas divindades, espalhadas entre as muitas religiões existentes na face da terra, com Jesus Cristo incluído entre elas e ao qual respeitam e amam.

No dia em que todas as religiões e todos os seus seguidores pensarem e agirem como prega a Umbanda e os umbandistas nesse mundo haverá mais fraternidade verdadeira e menos miséria, doenças, crimes, racismo e intolerância.

Mas isso talvez seja esperar demais dessa humanidade pecadora que discrimina seus semelhantes só porque seguem uma religião diferente, ainda que todos saibam que só há um Deus e que todos somos seus filhos... que todos somos irmãos perante Ele, o nosso Divino Criador!

Por ser como são e por amarem e respeitarem o Mestre Jesus os umbandistas comemoram o Natal e lhe rendem merecida homenagem, pois, pelo menos nessa data cristã os cristãos de fato se mostram mais fraternos e tolerantes.

Nesse natal, que o amado mestre Jesus abençoe a todos!

Feliz Natal Umbandistas!


-Pai Rubens Saraceni-
http://luzvital.blogspot.com/p/o-natal-na-umbanda.html

sábado, dezembro 17, 2011

assim falou meu polvo paul

Minha torcida: Barcelona
Minha aposta : Santos
A imagem final: euforia do menino Neymar e companhia, entre um viva-santos e um insulto a mais sobre meu Timão (que todos amam odiar rs), e 'craque' Messi  saindo com a cara de bunda, exalando vapores de fake amarelão, de quando joga pela Argentina
-Unzuhause-

inesquecível (Joãosinho Trinta, 1933-2011)



Samba Enredo 1989 da Beija-Flor de Ninópolis

Ratos e Urubus, Larguem a Minha Fantasia

Reluziu... É ouro ou lata
Formou a grande confusão
Qual areia na farofa

É o luxo e a pobreza

No meu mundo de ilusão

Xepa de lá pra cá xepei

Sou na vida um mendigo

da folia eu sou rei

Sai do lixo a pobreza
Euforia que consome

Se ficar o rato pega

Se cair urubu come
Vibra meu povo
Embala o corpo

A loucura é geral

Larguem minha fantasia
Que agonia... Deixem-me

Mostrar meu carnaval

Firme... Belo perfil!

Alegria e manifestação

Eis a Beija-flor tão linda

Derramando na avenida
Frutos de uma imaginação

Leba - laro - ô ô ô ô

Ebó lebará - laiá - laiá - ô

Reluziu...

segunda-feira, dezembro 05, 2011

campeão é ser corintiano (dia de ação de graças rs)



Obrigado, meu Deus, por  mais uma vez me permitir do tempo caótico o instante kairótico, de alegria e plenitude
Obrigado, doutor Sócrates, cuja beleza soube -tal qual seu xará no Fédon de Platão- transfigurar de significado até a morte, que chegou dolorosa mas sagrada
Obrigado Andrés Sanchez, o "capitão Nascimento" do Timão, conforme batizado em mim por mais uma centelha de sonho junguiano
Obrigado equipe e comissão técnica, por dignificarem a camisa alvinegra com o suor e humildade de quem não tinha estrelas..
porque estrela é você, Fiel Torcida, Corpo Místico de quem sou orgulhoso de ser membro e vibrar e sofrer junto, campeão é ser corintiano
parabéns Vasco da Gama pelo belíssimo campeonato e pelas mordidas incessantes no nosso calcanhar, nos impedindo qualquer acomodação
OBRIGADO CORINTHIANS, MINHA PAIXÃO, MINHA VIA DE RE-LIGAÇÃO
-Unzuhause-

domingo, dezembro 04, 2011

bando de loucos reforça o timão das estrelas

Sócrates (1954-2011)

sexta-feira, dezembro 02, 2011

nada mais importa





Nada mais importa
by Metallica


Tão perto, não importa quão longe
Não poderia ser muito mais vindo do coração,
Sempre confiando em quem nós somos
E nada mais importa


Nunca me abri desse jeito,
As vidas são nossas, nós vivemos do nosso jeito,
Todas essas palavras eu não apenas digo
E nada mais importa


Confiança eu procuro e acho em você
Todos os dias para nós algo novo
Mente aberta para uma visão diferente
E nada mais importa


Nunca me importei pelo o que eles fazem
Nunca me importei pelo o que eles sabem
Mas eu sei
Tão perto, não importa quão longe


Não poderia ser muito mas vindo do coração,
Sempre confiando em quem nós somos
E nada mais importa


Nunca me importei pelo o que eles fazem
Nunca me importei pelo o que eles sabem
Mas eu sei


Nunca me abri desse jeito,
As vidas são nossas, nós vivemos do nosso jeito,
Todas essas palavras eu não apenas digo
E nada mais importa


Confiança eu procuro e acho em você
Todos os dias para nós algo novo
Mente aberta para uma nova visão
E nada mais importa
Nunca me importei pelo o que eles dizem
Nunca me importei pelos jogos que eles jogam
Eu nunca me importei pelo o que eles fazem
Eu nunca me importei pelo o que eles sabem
E eu sei...!Yeah!!!


Tão perto, não importa quão longe
Não poderia ser muito mais vindo do coração,
Sempre confiando em quem nós somos
E nada mais importa

quinta-feira, dezembro 01, 2011

primeira bomba da semana, almirante Gama rs


vasquinho ELIMINADO  DA SUL-AMERICANA.. SERÁ QUE FOI PARTE DO "COMPLÔ" DO TIMÃO??

quarta-feira, novembro 30, 2011

jansenismo

Frontispício do Augustinus, de Cornelius Jansen. Edição de 1640

Amo o estado de transe e de transa com as palavras. Mágoa profunda quando deparei na minha edição do Houaiss com várias páginas ausentes. Não o abri mais por meses, até a manhã de hoje. A verdade, nas coisas e pessoas, é mesmo não-toda! E, assim como o que supomos grande pode falhar, o que esnobaríamos como vulgar pode esconder pérolas: não tenho preconceito, mas discernimento, ao fuçar na net o (s) sentido (s) de conceitos que me atraem. Começo aqui a compartilhar convosco destes meus exercícios.
-Unzuhause-

JANSENISMO
(Wikipédia)

O jansenismo foi um movimento de caráter dogmático, moral e disciplinar, que assumiu também contornos políticos, que se desenvolveu principalmente na França e na Bélgica, nos séculos XVII e XVIII, em reação a certas doutrinas e práticas no seio da Igreja Católica. Tem esse nome por ter sua origem nas ideias do bispo de Ypres, Cornelius Jansen.

Doutrina e prática do jansenismo
Podemos distinguir no jansenismo três diferentes aspectos, cada um deles representado por uma personalidade importante na história do jansenismo.
o dogmático, representado pela obra Augustinus, de Jansen, e que incidia principalmente na doutrina sobre a graça e o pecado; o moral, que dizia respeito sobretudo aos sacramentos, nomeadamente a Eucaristia e a Penitência, e no qual encontramos em Antoine Arnauld o principal promotor; o disciplinar, relativo sobretudo à relação com as autoridades eclesiásticas, e que derivou num sentido político, cujo principal defensor foi o Abade de Saint-Cyran.

Jansenismo dogmático
Os aspectos dogmáticos do jansenismo têm uma grande importância, na medida em que dão origem e sustento às outras dimensões. Muitas das prescrições morais e disciplinares do jansenismo são consequência das suas posições dogmáticas.
A doutrina jansenista baseia-se numa leitura crítica da teologia de S. Agostinho e nas propostas do teólogo Miguel Bayo, e apresenta um nítido parentesco com as doutrinas agostinianas que deram origem à Reforma Protestante, sobretudo nas doutrinas calvinistas, sobre a graça, a natureza humana e a predestinação.
O ponto central e essencial é uma antropologia pessimista, que vê no pecado original a corrupção da natureza humana, doravante incapaz de qualquer obra boa e fatalmente inclinada para o mal.
Intrinsecamente corrompido pelo pecado, o homem torna-se um joguete de duas forças antagónicas: a concupiscência e a graça. Cada uma delas exerce sobre o homem uma determinação interna a que ele não pode resistir. Ou seja, assim como o homem que recebe a graça age forçosamente segundo essa graça, assim também aquele a quem a graça não é dada segue fatalmente a concupiscência. A liberdade do homem salvaguardar-se-ia pelo facto de tanto a graça como a concupiscência apenas determinarem o homem internamente, deixando-o livre da coacção externa. Nisto consiste a diferença em relação ao protestantismo. A graça, portanto, é de tal modo determinante que, uma vez recebida, o homem não pode resistir-lhe.
São diversas as implicações desta doutrina. Por um lado, o pecado pessoal significa necessariamente uma privação da graça: quem peca, é porque não tem graça, pois se a tivesse agiria segundo ela. Por outro lado, o homem não tem mérito nas boas obras, pois elas são fruto da graça que interiormente o determina, e não da sua liberdade. Além disso, o homem privado da graça peca infalivelmente e é incapaz de qualquer boa obra, pois segue sempre a concupiscência. Daí que as obras dos infiéis sejam sempre pecado, pois estão privados da graça eficaz proveniente da redenção de Cristo.
Uma outra implicação brota desta doutrina: o homem só realiza boas obras por virtude da graça eficaz. Ora, tal graça não é sempre concedida, mas é Deus que com absoluta liberdade determina a quem a concede. Logo, é Deus que determina quem são os que realizam boas obras e, consequentemente, aqueles que se salvam e aqueles que se condenam. A consequência lógica do jansenismo é a doutrina da predestinação. Aqui temos mais um forte ponto de contacto com o calvinismo.
Por conseguinte, Cristo não morreu por todos os homens, mas somente por aqueles que se salvam, os eleitos, e só esses recebem a graça. No fundo, com o jansenismo assistimos a uma reação à Soteriologia do Concílio de Trento através da tentativa de restauração das doutrinas agostinianas no seio da Igreja Romana.
Todas estas doutrinas, estão presentes no Augustinus, e foram condenadas diversas vezes, por diversos Papas. [1]

Jansenismo moral
Não foi o aspecto dogmático do jansenismo que originou a sua grande difusão e popularidade. Foi antes a sua doutrina moral.
Podemos encontrar um eloquente exemplo da moral jansenista em Arnauld e no seu livro De la fréquente communion. Mas devemos buscar a doutrina moral do jansenismo também nas fontes anteriores, a começar pelo Augustinus.
Nesta obra, no tomo II, encontramos os fundamentos da moral jansenista. Segundo o autor, a ignorância, ainda que invencível, não escusa do pecado, porque tal ignorância é precisamente a consequência do pecado original. Além disso, o homem, sem a graça, peca necessariamente, a sua natureza arrasta-o sempre irresistivelmente para o pecado, de tal modo que, se o homem, por suas forças, pretender escapar a um pecado, cai fatalmente noutro. Ou seja, o pecado é inevitável na vida humana. Daí todo o pessimismo jansenista em relação à natureza humana, que tanto leva ao desprezo por todas as obras, ainda que aparentemente meritórias, dos pecadores e dos infiéis, como conduz a um extremo rigorismo no que diz respeito a qualquer possível “cedência à natureza”.[2] [3]
Saint-Cyran foi o iniciador da prática moral jansenista. A penitência, para ele, era tratada com um imenso rigorismo. Assim, dizia ele que a absolvição não perdoava propriamente os pecados, mas declarava sim que eles haviam sido perdoados por Deus. Deste modo, era necessária uma contrição perfeita para que a absolvição fosse válida. A consequência prática disto era a recusa da absolvição aos pecadores reincidentes e àqueles em que não fosse certa uma perfeita contrição.
Em relação à comunhão, as condições exigidas também eram bastante rigoristas. Exigia-se a perfeição, de modo que acabava por ser considerada mais meritório o desejo de comungar, ou a “comunhão espiritual”, do que a própria comunhão eucarística. Daí que um dos efeitos do jansenismo, através dos tempos, tenha sido precisamente o afastamento dos sacramentos.
Todo este rigorismo aparecia como contraposição ao laxismo que os jansenistas personificavam nos jesuítas. E, de facto, um dos méritos do jansenismo foi precisamente a denúncia desse laxismo que imperava na vida cristã de muitos. O erro, porém, foi condenar, junto com o laxismo, toao a preocupação pastoral, a favor dum rigorismo teórico e desencarnado.[4]

Jansenismo disciplinar
A nível disciplinar, o jansenismo advoga uma reforma da Igreja que elimine as perniciosas novidades introduzidas desde o tempo dos antigos padres e os desvios operados por escolásticos e jesuítas. Isto baseado na concepção da Igreja como sociedade imutável, de origem divina, e como tal isenta de qualquer mudança.
O que vem a acontecer, fruto das sucessivas condenações de que o jansenismo foi vítima, é que se advoga um aumento da autoridade da hierarquia local, em detrimento da do Papa. Com o tempo, ainda, face às perseguições, o jansenismo procura fazer alianças com as autoridades civis, a fim de melhor resistir, e nesse aspecto assume um significado político. Sobretudo a partir do séc. XVIII, o jansenismo relaciona-se com a pretensão de independência face à Igreja de Roma e confunde-se com a criação de Igrejas nacionais.[5]

(...)

As controvérsias sobre a graça
Uma questão antiga, reavivada pelos reformadores
A natureza da graça divina e as suas relações com a liberdade humana é um tema que desde cedo entreteve muitos pensadores cristãos. Uma leitura extremada da posição de S. Agostinho, que exalta o primado da graça sobre o mérito humano, em contraposição aos pelagianos, que defendiam o oposto, influenciou em primeiro lugar os reformadores e teve um papel importante na génese e no desenvolvimento do jansenismo.
Uma das mais determinantes doutrinas de Lutero tem a ver precisamente com a sua visão do papel da graça na salvação do homem. Para este reformador, o homem, após o pecado original, perdeu toda a capacidade de optar pelo bem. A sua liberdade foi aniquilada pelo pecado, de modo que não podemos falar de livre arbítrio. Por causa do pecado, por conseguinte, o homem só pode seguir o caminho do bem através da graça de Deus, sem a qual permanece totalmente incapaz. A salvação, para Lutero, é assim obra exclusiva da graça divina, sem lugar para qualquer colaboração humana. Daí que Lutero defenda o princípio de que apenas a fé é necessária para a salvação: as obras humanas provêm apenas da determinação divina, sem terem significado como acolhimento humano da salvação.

Os outros reformadores defenderam posições semelhantes à de Lutero. Os jansenistas, ainda que o negassem, sofreram uma influência considerável por parte das posições assumidas por eles.
A posição da Igreja Católica foi de reprovação desta doutrina. O Concílio de Trento, contudo, não pôde resolver totalmente a questão, pelo que se ficou pela salvaguarda dos dois elementos essenciais, a graça de Deus e a liberdade do homem. A maneira como se relacionam não foi determinada com rigor, pelo que a discussão estava em aberto, surgindo várias propostas. [6]

Miguel Baio
Foi neste contexto de discussão acerca da conciliação entre liberdade e graça que surgiu a posição de Miguel Baio (Michel du Bay). Na leitura da doutrina de S. Agostinho sobre a graça, (marcada pela polémica contra os pelagianos) Baio concluiu que, antes do pecado original, a graça santificante e a integridade faziam parte da natureza humana, e não eram dons sobrenaturais. Ora, pelo pecado original, tudo isto se perde, ficando a vontade humana escravizada pela concupiscência e incapaz de qualquer obra meritória. Ao ser salvo por Cristo, o homem recebe de Deus a graça de fazer boas obras. Contudo, ao contrário do estado primitivo, agora a capacidade para as boas obras é de origem totalmente sobrenatural, é uma pura graça.
É evidente a semelhança desta doutrina com o pessimismo luterano. Baio, no entanto, pretendia escapar da acusação de luteranismo salvaguardando, na liberdade humana, a ausência de coacção externa (mas não de coacção interna…).

As teses de Baio foram censuradas por diversas Universidades europeias, entre as quais a de Paris e a de Salamanca.

Contudo, a disputa prosseguia de modo que foi pedida a intervenção de Roma. Foi o que aconteceu em 1567, com a bula Ex omnibus afflictionibus, de Pio V, que condenou 79 proposições. Baio declarou submeter-se, e fê-lo efectivamente, abjurando os seus erros e jurando fidelidade ao Concílio de Trento. A discussão, todavia, estava longe do seu fim. Baio continuou a defender algumas ideias, justificando a sua proveniência da Escritura e dos Padres da Igreja, o que originou novos processos e condenações.[7]


Báñez e Molina
Uma outra discussão acerca da natureza da graça e da liberdade humana brotou pouco depois. O dominicano Báñez explicava a eficácia da graça pela sua natureza e pela determinação física que ela implicava. O jesuíta Molina, numa obra publicada em Lisboa em 1588, criticou este sistema, denunciando as suas semelhanças com o calvinismo, e defendendo, ao invés, uma concepção que procurava conciliar o livre arbítrio humano com o conhecimento prévio que Deus tem dos actos humanos, que distinguia da predestinação. A discussão entre estes dois autores rapidamente se transformou numa disputa entre as respectivas ordens religiosas, de modo que o Papa decidiu entregar a questão a uma comissão de cardeais que, após condenações e protestos duma e outra parte, acabou por não decidir totalmente a questão, mas proibiu os intervenientes de se atacarem mutuamente, continuando livres para ensinar cada um a sua doutrina.
Este contexto, de controvérsia e de, ao mesmo tempo, certa liberdade teológica, contribuiu para o aparecimento e desenvolvimento do jansenismo.[8]


O laxismo
Com a atenção dada, a partir do Concílio de Trento, à cura de almas, desenvolveu¬ se a casuística, a análise dos casos concretos no campo da moral. Muitos autores, contudo, consideraram a casuística no sentido de estudar as condições em que determinado acto, em si mesmo reprovável, poderia tornar-se aceitável ou até lícito. Na tentativa de mostrar a sua argúcia de raciocínio, muitos casuístas dedicaram-se a considerar não casos concretos, mas hipóteses arrojadas e até mirabolantes, com as quais conseguiam justificar acções que o senso comum dos cristãos reprovava.
A consequência disto foi a consolidação do laxismo teórico, que reduzia grandemente o rol dos pecados e permitia teoricamente uma vida recheada de abusos e acções condenáveis. O historiador Giacomo Martina observa, com humor, que “alguns teólogos do séc. XVI mereceram o elogio que receberam: Ecce Agnus Dei, qui tollit peccata mundi…”, pela sua habilidade em reduzirem drasticamente os pecados possíveis.
Com estes sistemas, que se difundiram, apesar das condenações da Igreja, os deveres cristãos eram reduzidos ao mínimo, permitindo uma autêntica vida de mentira e hipocrisia. Mas, neste aspecto, o laxismo teórico muitas vezes veio apenas confirmar o estado prático das coisas naqueles tempos.

O surgimento do jansenismo, sobretudo no seu aspecto moral, explica¬ se em grande parte como reacção a este laxismo teórico e prático.[9]

Início e desenvolvimento do jansenismo
Cornelius Jansen
A primeira grande figura do jansenismo, de tal modo que deu o nome ao movimento, foi o holandês Cornelius Jansen.
Descrito como um homem de estudo, com uma grande memória, perseverança e tenacidade, mas também como tendo um espírito duro, seco, gelado, ambicioso e tímido, Jansen, nasceu em 1585, em Acquoy, no sul da Holanda. Estudou nas universidades de Utrecht e de Lovaina, onde, ouvindo as lições do mestre Janson, toma contacto com as doutrinas de Baio e orienta-se para o agostinianismo. Mais tarde prosseguiu os seus estudos em Paris. Foi nesta cidade que conheceu o seu grande amigo Jean Duvergier de Hauranne, mais conhecido por Saint-Cyran.

De 1611 a 1617 permaneceram ambos em Bayonne, onde Duvergier possuía uma casa, para se dedicarem ao estudo da antiguidade cristã.[10] Foi por essa altura que Jansen terá lido dez vezes as obras de S. Agostinho e trinta vezes os escritos deste santo sobre a graça e o pelagianismo, segundo ele mesmo mais tarde se gabava.[11]

Em 1638, graças a uma obra escrita contra os França
franceses, Jansen foi promovido a bispo de Ypres, onde veio a falecer dois anos depois, não sem ter completado, corrigido e entregue aos seus amigos para publicação a grande obra da sua vida e a matriz do jansenismo: o Augustinus.[12]

O 'Augustinus'
Desde que tomou contacto com S. Agostinho e a sua doutrina sobre a graça (muito marcada pela polémica contra o pelagianismo), Jansen pensou em escrever uma obra onde expusesse e defendesse com clareza a doutrina do grande Doutor. Durante anos ocupou-se da composição desta obra, que nunca cessou de rever e corrigir, ao longo dos anos, inclusive enquanto bispo de Ypres. Esta obra, intensamente burilada, foi entregue, após a morte do seu autor, pelos seus amigos, para ser publicada. Apesar da oposição dos jesuítas, a obra foi efectivamente publicada na Holanda, em 1640, propagando-se com rapidez para a Alemanha e para outros países. Alcançou bastante sucesso e foi louvada inclusivamente pelos calvinistas, de tal modo que alguns chegaram a ver nesta obra a base duma união entre calvinismo e catolicismo.
A obra de Cornelius Jansen tem por título completo Augustinus, seu doctrina Sancti Augustini de humanae naturae, sanitate, aegritudine, medicina adversus Pelagianos et Massilienses, e divide-se em três tomos. Apresentava um total de cerca de 1300 páginas, em duas colunas de letra pequena.

No primeiro tomo, constituído por oito livros, expõe-se a história do pelagianismo e do semipelagianismo, refutando cuidadosamente, com minúcia, todos os seus pontos (e fazendo sub-repticiamente um paralelo entre os semipelagianos e os jesuítas…).

Nos nove livros do tomo II, após analisar as relações entre a filosofia e a teologia e criticar com dureza os escolásticos e a filosofia aristotélica exaltando a autoridade de S. Agostinho, peça fundamental do seu método teológico, o autor descreve o estado de graça e a liberdade do homem original, assim como a essência do pecado original e as suas consequências, nomeadamente a concupiscência e a diminuição do livre arbítrio. De seguida, nega a possibilidade do estado de natureza pura e declara a impossibilidade de o homem poder amar a Deus naturalmente.
O tomo III, nos seus dez livros, contém a parte principal da obra. Jansen reflecte agora sobre o modo de sanar a natureza humana e de ela recuperar a liberdade através da redenção de Cristo. A este propósito, a tese de Jansen é a de que a graça é activa e eficaz de modo infalível, sem que isso destrua, porém, a liberdade do homem. Nega ainda a vontade salvífica universal e a possibilidade de observar certos mandamentos. Ocupa-se também do livre arbítrio, da conciliação entre liberdade e graça, da predestinação e das diferenças entre a doutrina de S. Agostinho e a de Calvino. Termina com uma síntese dos erros de vários teólogos modernos, particularmente jesuítas, estabelecendo um paralelo entre estes e os hereges massilienses. [13]
(...)
Antoine Arnauld
Antoine Arnauld (1612-1694) foi discípulo de Saint-Cyran e o seu grande continuador. Durante mais de cinquenta anos defendeu o jansenismo através dos seus escritos, cheios de grande erudição e de bastante habilidade dialéctica. Na verdade, foi o chefe indiscutível do jansenismo durante esse período. Era perito na arte da dissimulação, conseguindo difundir as suas ideias sem se comprometer verdadeiramente. Teve a inteligência de propagar as ideias que eram novas sempre com a aparência de não serem mais do que as antigas ideias recuperadas. Na verdade, tal como os outros defensores do movimento, Arnauld pretendia ser fiel intérprete e difusor das ideias de S. Agostinho.
Com uma grande tenacidade e uma incansável obstinação, dedicou-se a responder a todos os ataques, intervindo em todas as polémicas causadas pelo jansenismo. Dissimulado, mas ao mesmo tempo sagaz, Arnauld teve a arte de conseguir que fossem os seus adversários a serem considerados mestres na dissimulação.

Contudo, apesar de todos estes defeitos, há que lembrar a boa-fé de que Arnauld era dotado, a sua convicção de prestar um bom serviço à Igreja, contra os seus inimigos. O seu amor à Igreja e a sua dedicação granjearam-lhe o respeito de várias pessoas, incluindo Papas.
Pela sua persistência e pela sua arte, Arnauld veio a ser uma das incontornáveis figuras do jansenismo, com um contributo determinante na sua história. Escreveu 43 obras, das quais a mais célebre é De la fréquente communion.[17]
(...)
Port-Royal
Este mosteiro de beneditinas, a dado momento, ficou sob a orientação espiritual de Saint-Cyran. A madre era a irmã de Antoine Arnauld, Jacqueline (1591-1661), que tomou o nome de madre Angélica. Esta, aos oito anos, foi nomeada coadjutora da abadessa de Port-Royal-des-Champs, com direito de sucessão, e por morte da antecessora tornou-se abadessa, com a idade de onze anos. Claro está que a jovem Jacqueline não tinha a mínima vocação religiosa, obrigada que fora a seguir esse caminho. Uma vez que em Port-Royal entraram seis irmãs da família Arnauld, com seis sobrinhas, o mosteiro era praticamente uma espécie de casa de campo da família. A vida religiosa não tinha ali qualquer significado: não se observava a clausura nem a modéstia no vestir.
Mas tudo mudou quando, em 1608, um capuchinho fez uma pregação no mosteiro, após a qual a madre Angélica se sentiu convertida e interiormente transformada. Nos anos seguintes, dedicou-se a reformar a comunidade por completo: o hábito rude e modesto, longos tempos de oração, incluindo as matinas às 2h00, silêncio e clausura rigorosos e toda a austeridade da antiga regra beneditina. Com o seu exemplo e a sua persistência, conseguiu uma efectiva reforma do mosteiro, e começaram a aparecer novas vocações, sedentas duma autêntica vida religiosa. Tal sucesso obteve que foi chamada a reformar outros mosteiros da zona. Num deles, Maubuisson, onde permaneceu de 1618 a 1622, recebeu direcção espiritual de S. Francisco de Sales (um santo de índole oposta ao jansenismo), que procurou infundir-lhe as virtudes da humildade e da doçura, de que tanto carecia. Contudo, após a morte do santo, em 1622, deixou de receber os seus prudentes conselhos e reapareceu o seu orgulho. Consta mesmo que se teria sentido algo ofendida por o santo a tratar por “minha filha”, em vez de por “Reverenda Madre”.[20]

Com um grande coração e um espírito persistente, faltou-lhe contudo a humildade e um verdadeiro equilíbrio.

Sob a direcção de Saint-Cyran, Port¬ Royal tornou¬ se o grande centro do jansenismo. A vida espiritual daquelas religiosas passou a ser dominada por angústias e escrúpulos. Algumas aproximavam-se do sacramento da penitência com terror, receosas de não estarem preparadas, e não se atreviam a receber a absolvição. Os mesmos temores rodeavam a comunhão. O receio da severidade do Divino Juiz foi-as habituando a aproximarem¬ se cada vez mais raramente da comunhão.
Da autoria duma outra religiosa do mosteiro é um opúsculo destinado à adoração eucarística e intitulado Le chapelet secret du Saint-Sacrement. Esta obra propunha à meditação 16 atributos do Santíssimo Sacramento, entre os quais a santidade, a eminência, a inacessibilidade, a incompreensibilidade, a incomunicabilidade, o reinado: nenhum deles é, na verdade, o amor, a bondade ou a misericórdia. Esta obra, ainda que não possa considerar-se rigorosamente jansenista (foi escrita em 1633) e não seja propriamente um documento essencial deste movimento, reflecte bem o espírito que reinava em Port-Royal: a relação com Deus baseada no temor, e não no amor.
(...)

Blaise Pascal e as 'Provinciais'
Mas entretanto surgiu uma outra personagem, cuja intervenção na luta jansenista foi determinante. Referimo-nos a Blaise Pascal (1623-1662), grande matemático e filósofo, apesar da sua curta vida.
Em 1656, no cerne da controvérsia motivada pelas condenações pontifícias e pela expulsão de Arnauld da Sorbonne, Pascal encontra-se com este em Port-Royal e aceita um convite para por o seu talento literário ao serviço da causa.[26]

Assim, em 23 de Janeiro de 1656, surge a primeira das Provinciais, com o título Lettre écrite à un provincial par un de ses amis sur le sujet des disputes récentes de la Sorbonne. Aparecem sob a forma de cartas dirigidas a um amigo morador na província, sobre os acontecimentos em Paris.

Pascal escreveu um total de 18 cartas Provinciais, sendo a última datada de 24 de Março de 1657. Podemos dividi-las em dois tipos: as cartas 1-3 e 17-18 têm conteúdo dogmático e dirigem-se contra a Sorbonne e a condenação das cinco proposições; as restantes são de conteúdo moral e elegem como adversários os jesuítas.

As Provinciais foram colocadas no Índex em 1657. Contudo, como protesto da consciência cristã contra os abusos do laxismo, tiveram o seu resultado: O Santo Ofício, sob Alexandre VII, em 1665-1666, e sob Inocêncio XI, em 1679, condenou um total de 110 proposições laxistas, 57 das quais provinham indirectamente das Provinciais.[27]
Associados a Port-Royal estiveram também os chamados “solitários”. Tratava¬ se de um grupo de homens que decidiram viver solitariamente, junto do mosteiro, praticando uma vida de estudo e oração, sem votos religiosos, com liberdade para entrar e sair e para deixar aquele modo de vida quando quisessem. Foram grandes apoiantes de Saint-Cyran e de Madre Angélica. Entre eles estiveram Antoine Arnauld e, durante algum tempo, Blaise Pascal, cuja intervenção foi importante na história do jansenismo.[21]


Mais informações em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jansenismo

self-made-marketing-men também podem se questionar..


A notícia a seguir é só um sintoma do quão as leis fundamentais da vida continuam a operar (e pur si muove!) por mais maquiadas que sejam pelo interesse egóico. Pobre ego idiota, empregado da Vontade, vivendo de aluguel no "palácio" de palha (de)pendente sobre o abismo. O desejo interdito, o medo inconfessado. Mas que o sonho confessa: acordei hoje literalmente aos gritos, enojado por imaginar que uma barata, a terceira que eu tentara matar com spray de veneno, tonteou mas voou em minha direção, eu tentei desviar dela mas não me desviei da agonia de não saber se a engoli. E uma voz ambiente repercutia a notícia de que o Corinthians perdeu o título, sendo alvo de chacota generalizada porque seus dirigentes já teriam se considerado campeões antes da hora. Mente o corintiano que se diga sem medo e sem angústia neste momento. O segundo gol do Vasco, domingo -aliás, todos os méritos para o Vasco, que, como nós, conseguiu se reabilitar de uma administração horrorosa e falimentar-, foi realmente um golpe. Merecido pela garra dos vascaínos, e pela nossa inépcia ao desperdiçar pontos inacreditáveis ao longo do paris-dacar, do "road movie" que é um campeonato de pontos corridos, ainda mais em país continental como o nosso. 
Que bom que o "homem" do marketing tenha ao menos tentado consertar um pouco da merda que havia feito quando menosprezou a rivalidade histórica de Corinthians e Palmeiras.
-Unzuhause-

30/11/2011 - 10h03
Rosenberg não quer mais receber faixa do Palmeiras: "Disputa agora é muito séria"
Luiza Oliveira 
UOL

O vice-presidente de marketing do Corinthians Luis Paulo Rosenberg decidiu evitar novas polêmicas com o Palmeiras nas vésperas do clássico que decidirá o título brasileiro, domingo, no Pacaembu. O dirigente disse que foi mal interpretado e afirma não querer mais receber a faixa de campeão do rival porque agora a ‘disputa será muito séria’.

Rosenberg considerou uma imbecilidade a interpretação dada a sua declaração que, segundo ele, foi até em respeito ao rival. Isso porque não gostaria que um clássico decidisse o título.

“Eu rogava a Deus e a São Jorge que fosse campeão antes. Dessa forma, o jogo contra o Palmeiras não teria importância, se tornaria um amistoso e o Palmeiras poderia entregar a faixa. Foi em respeito”, disse. Perguntado se gostaria de receber a faixa. “Não mais. Agora a disputa é muito séria”, disse.

Rosenberg trabalha em uma gestão que tem o Palmeiras como coirmão, e algumas ações de marketing já foram realizadas em parceria. No último dia 18, ele disse que a entrega das faixas seria um sinal de fair play.

“Gostaria que eles entregassem a faixa de campeão para a gente. Seria um exemplo de que estamos muito mais acima do que qualquer tipo de rivalidade. Mostraria o clima amistoso entre os dois clubes”, disse, ao UOL Esporte.

A declaração, no entanto, não repercutiu bem no lado rival que entendeu como uma provocação. O lateral direito Cicinho disse que se negaria a entregar a faixa a um rival. Já o vice de futebol Roberto Frizzo afirmou que Rosenberg deveria estar sofrendo de insanidade momentânea, por entender que o discurso incitaria a violência.

terça-feira, novembro 29, 2011

os objetivos e o subjetivo

Em duas postagens, comunicados públicos de um mosteiro em que  hoje tá parecendo um ontem: nostalgia de Spectreman, infância que vivi. E de dom Hélder, sonho que não cheguei a viver, futuro abortado, horizonte de uma geração outra, talvez apenas anterior, menos infeliz, não que a condição humana fosse distinta, ela é sempre má, mas pela vantagem circunstancial de que havia um alvo e uma causa bem determinadas: não o "paraíso na Terra" -ser cristão é necessariamente ser um niilista, como mostrou, condenando, mas pra mim elogiando, Nietzsche-, mas derrotar a ditadura e o subdesenvolvimento colonial. Os objetivos prevaleceram, o subjetivo, não. Os sonhos não. Eram tempos de crise e de criatividade da política e da cultura, o que permitia a grandeza de um Dom Hélder e a de um Nelson Rodrigues, para citar gênios opostos mas sutilmente afins. Minha geração é a do Spectreman rs, em casa, e, na rua, a da"ideologia, eu quero uma pra viver", como nos brados contra a Reitoria, que ecoam a música profética de Cazuza, ele próprio síntese das loucuras e arrojos que, nos 80, deram com a cara ensanguentada na porta fechada das três letras macabras: HIV.
Terça-feira mais melancólica ainda pela porra de vizinhança fazendo barulho, e pelo ódio e rancor estampados nos dizeres de um flamenguista pedindo pro time ENTREGAR O JOGO pro seu maior rival, o Vasco, tudo pra f.. o meu Corinthians. Puta que pariu, chato ser gostoso, como diria o velho refrão dos anos 80, que me lembram, ai não!, depressão é circular, tudo de novo, infância, mordaça costurada na boca do clero (isto quando a mordaça do Estado desbotava), Cazuza.. Objetivos não cessam de ser alcançados, mas segue a mesma insatisfação da genero-sidade (pensar-se e praticar-se enquanto gênero humano, para além de only me and myself do self-made-marketing-man), o subjetivo empalidece em hemorragia com as ideologias,  arrefecimento das energias, no corredor do Emílio Ribas.
-Unzuhause-

Mariama de dom Hélder Dom



INVOCAÇÃO À MARIAMA
Dom Hélder Câmara
Mariama, Nossa Senhora Mãe de Cristo e Mãe dos Homens! Mariama Mãe dos Homens de todas as raças, de todas as cores, de Todos os cantos da Terra. Pede ao teu Filho que esta festa não termine aqui, a marcha final vai ser linda de viver.

Mas é importante, Mariama, que a Igreja de Teu Filho não fique em palavra, não fique em aplauso. O importante é que a CNBB, a Conferencia dos Bispos, embarque de cheio na causa dos negros, como entrou de cheio na Pastoral da Terra e na Pastoral dos Índios. Não basta pedir perdão pelos erros de ontem. É preciso acertar o passo hoje sem ligar ao que disserem.

Claro que dirão, Mariama, que é política, subversão, que é comunismo.É Evangelho de Cristo, Mariama. Mariama, Mãe querida, problema de negro, acaba se ligando com todos os grandes problemas humanos. Com todos os absurdos contra a humanidade, com todas as injustiças e opressões. Mariama, que se acabe, mas se acabe mesmo a maldita fabricação de armas. O mundo precisa fabricar é Paz. Basta de injustiças, de uns sem saber o que fazer com tanta terra e milhões sem um palmo de terra onde morar. Basta de uns tendo de vomitar pra poder comer mais e 50 milhões morrendo de fome num ano só. Basta de uns com empresas se derramando pelo mundo todo e milhões sem um canto onde ganhar o pão de cada dia.

Mariama, Nossa Senhora, Mãe querida. Nem precisa ir tão longe como no teu hino. Nem precisa que os ricos saiam de mãos vazias e os pobres de mãos cheias. Nem pobre nem rico. Nada de escravos de hoje ser senhor de escravos amanhã. Basta de escravos. Um mundo sem senhor e sem escravos. Um mundo de irmãos.

De irmãos não só de nome e de mentira. De irmãos de verdade, MARIAMA

minha nossa, quanto tempo.. rs

segunda-feira, novembro 28, 2011

jejuando no deserto

Acredito em milagres, e mais ainda  em mentiras, sem dúvida majoritárias no nosso mundo desertificado pela fraude e violência..
Que diferença entre os 100% de cura dessa igreja (vide notícia abaixo, no UOL de hoje), os 100 % de segurança dos jovens que se acreditam invulneráveis, e o discurso de que camisinha basta 100% para evitar infecção?  Por essas e outras, meu apetite sexual "prático", que não aquele consagrado, vem se esfarelando como, ao toque do visitante, se esfarelava um braço de algum dos cadáveres com aparência de vivos, dado o bom estado de conservação e a rija postura de oração, encontrados nas grutas dos Padres eremitas do Deserto, no antigo Egito.
-Unzuhause-

http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultimas-noticias/2011/11/28/igreja-no-reino-unido-afirma-ter-tratamento-que-garante-100-a-cura-da-aids.jhtm
28/11/2011 - 12h42
Igreja no Reino Unido afirma ter tratamento que garante 100% a cura da Aids
Do UOL Ciência e Saúde
Em São Paulo
 
Seis pessoas já morreram em consequência do HIV por parar de tomar a medicação prescrita pelos médicos depois de terem sido "curados" por métodos religiosos. A investigação ocorreu em Londres e foi feita por repórteres do Sky News. Eles estavam disfarçados e foram acompanhar como funcionava o suposto processo de cura.
Os jornalistas, que fingiram possuir o vírus da Aids, tiveram água jogada no rosto, enquanto um membro da igreja falava para o demônio sair de seu corpo.
Os pastores, da Igreja Sinagoga das Nações, afirmam que o método garante 100% de cura da doença. As sessões são realizadas uma vez por mês e os fiéis precisam trazer a nota dos remédios para provar que tem a doença.
Rachel Holmes, uma das pastoras, disse à repórter do Sky News que se os sintomas persistissem era apenas porque o vírus estava saindo do corpo.
A reportagem foi realizada com base em documentos que mostraram que pelo menos seis pessoas já morreram no Reino Unido, pois pararam de tomar os medicamentos para a Aids depois de tratamento feito em igrejas. No entanto, não existem provas de que todos os que morreram frequentavam a igreja Sinagoga das Nações.
O Departamento de Saúde está preocupado e afirma que a medicação para os infectados pelo HIV é eficiente no combate à doença e que nenhum tipo de oração ou ato religioso é capaz de curar nenhum indivíduo.
Um porta-voz da igreja Sinagoga das Nações afirmou que eles não pedem para que ninguém pare de tomar a medicação. “Não somos nós que curamos, mas sim Deus e não existe doença que ele não possa curar. Os médicos tratam as doenças e não há nada ruim em tomar remédios”, declarou.

domingo, novembro 27, 2011

conspiratória é a alma..


"O equilíbrio mental depende de algum insight da variedade de nossos impulsos e sentimentos contraditórios  e da capacidade de lidar com estes conflitos internos... Não ser capaz de experenciar conflitos dolorosos traz também perdas em outras direções, tais como perda do desenvolvimento de interesses, da capacidade para apreciar pessoas e de experenciar prazeres de várias espécies... Integração também tem o efeito de tolerância com os próprios impulsos e, portanto, com os defeitos dos outros".
MELANIE KLEIN

Não nego meu fascínio por teorias conspiratórias em escala psicossocial (tipo illuminati e "1984") e espiritual - o Diabo é historicamente o primeiro dos conspiradores, contra o poder do seu (e nosso) Pai e contra a felicidade de seus co-irmãos humanos.
Mas uma crítica da (ir) razão pura é necessária previamente a toda e qualquer especulação confiante em si mesma, pois antes de conhecer algo de eventualmente real é preciso conhecer o nosso conhecer, seus limites e condicionamentos, inclusive no que tange a este esquisito anseio de que as conspirações sejam mesmo verdadeiras. A contra-vontade oculta ou ostensiva do "tá tudo dominado". O mistério do Mal convertido em ação intencional e fenômeno causal. A reitoria e a PM contra os estudantes. Os estudantes como os "vagabundos" do paraíso artificial das drogas (Baudelaire), conspirando contra a moralidade social e os impostos que lhes sustentam as delícias juvenis enquanto nós, os velhos ou excluídos, trabalhamos.

"Conspiratório", antes ou consubstancialmente aos demônios de carne e espírito, diríamos nós graduados na escola de Freud, é nosso inconsciente. Ou será o inconsciente a nossa mitologia, como disse Freud em relação a seu conceito de pulsão? Mito ou real, mito real, o "isto" enquistado no malquisto da alma é o que boicota, o que burla, o que (se) repete, o que fracassa (ou melhor, vence pelo nosso fracasso), é a namorada que perdi, a noitada que não houve, o emprego que se foi, o inimigo que subiu,  o amigo que caiu, é a trepada que gorou, é a viagem que não deu, é o Ser parado dos eleatas do Nada, é o caneco na mão do outro, é o rojão no céu do outro, é a segunda divisão, é a bandeira no sovaco, é a morte, é a vida, são as águas de março fechando o verão, é a promessa fraudada no meu coração..
-Unzuhause-

sábado, novembro 26, 2011

a prostituta dos Illuminati? (notícia na Folha de hoje, em sincronicidade com as Unzunews de ontem rs)

Lady Gaga
Artistas pop são agentes dos Illuminati?

Sites criam teorias da conspiração e colocam Lady Gaga, Rihanna e Jay-Z como mensageiros da sociedade secreta
Músicos, por sua vez, se divertem com acusações fazendo referências jocosas em clipes e no Twitter

JONAH WEINER
DA “SLATE”

Não tenho certeza se Eminem já conseguiu escapar do domínio dos Illuminati -a sociedade secreta de manipuladores para a qual entrou anos atrás em troca de riqueza, fama e poder-, mas eu sei que está fazendo o possível.
Diversas pessoas on-line me dizem isso. Para começar, existe uma página do Yahoo Respostas que traz a pergunta "Eminem está tentando se libertar dos Illuminati?" e oferece uma investigação espirituosa e análise de mensagens secretas contra a ordem escondidas em "Not Afraid".
Bem-vindo ao mundo das teorias da conspiração da música pop, uma indústria de denúncias na qual Eminem é um dos artistas evocados por instigadores anônimos da afinidade iluminista.
As melhores delas costumam ser as mais malucas, e esta vai ao topo das paradas.
Jay-Z? Uma "marionete dos Illuminati". Lady Gaga? Uma "prostituta dos Illuminati". Kanye West, Lil Wayne, Beyoncé, Rihanna: todos agentes dos Illuminati. Michael Jackson e 2Pac, por sua vez, foram assassinados por ordem dos Illuminati.
A investigação dos Illuminati se espalha de forma desordenada, mas vigorosa, por inúmeros sites, do YouTube ao Twitter, de fóruns de discussão a lojas especializadas, como VigilantCitizen.com.
O olho treinado sabe identificar roupas escolhidas pelos Illuminati.
Existem letras de música Illuminati, como a menção de Eminem a uma "nova ordem mundial" em "Lose Yourself", ou as referências que ele e Jay-Z fizeram a uma figura misteriosa chamada "Rain Man" (os teóricos parecem desconhecer o filme com Dustin Hoffman).
Os denunciadores dos Illuminati fazem os teóricos da conspiração do 11 de Setembro parecerem tão rigorosos quanto Bob Woodward e Carl Bernstein no caso Watergate.
As provas que apresentam se resumem a erros de interpretação forçados, numa impressionante alergia à possibilidade da metáfora.
Eles ocupam a periferia da música, mas sua mensagem chegou à grande mídia.
No final de 2009, um repórter da CNN achou adequado perguntar a Lady Gaga sobre os boatos dos Illuminati (ela se recusou a responder).
Rihanna reconheceu em tom de piada as acusações de envolvimento com o grupo no clipe "S&M", em que manchetes falsas pipocam na tela descrevendo-a como a "princesa dos Illuminati".
Existe um forte sabor fundamentalista cristão em grande parte das conversas do iluminismo pop, um temor mal dissimulado de que Lady Gaga e Jay-Z sejam agentes do Anticristo, cuja missão é subjugar as massas e transformar "nossas" crianças em homossexuais e/ou negras.
As tais ligações com os Illuminati têm a ver, de certa forma, com quase todo astro da música -Bob Dylan, Taylor Swift e até Céline Dion.
No entanto, parece mais do que mero acaso que Jay-Z e Lady Gaga sejam os alvos principais: um negro fascinante, rico e que fala de política sem papas na língua e uma esquisitona pró-gay que mistura gêneros.
A caçada aos Illuminati pop é uma volta ao tempo em que pais esquadrinhavam músicas do Led Zeppelin e Black Sabbath em busca de referências ocultistas.
A paranoia Illuminati dentro dos círculos do rap ataca e reduz a grande narrativa enaltecedora do sucesso negro descomunal, oferecida pelo hip-hop. A única forma pela qual Jay-Z, ou qualquer negro, poderia ter sucesso nos EUA, segundo essa linha de pensamento, seria capitulando e transformando-se em peão das pessoas que sempre tomaram as decisões.
Quando Kanye West canta em "Power" que "neste mundo do homem branco, somos os escolhidos", ele faz uma queixa implícita sobre os limites da mobilidade negra.
Ironicamente, alguns teóricos da conspiração do pop entenderam o verso como uma confissão de afiliação.
West abordou os boatos de forma provocadora no Twitter. "Illuminati e adorar o Diabo são a mesma coisa... Eles têm uma rede social na qual as celebridades podem entrar", escreveu ele, acrescentando: "Pergunta: dá para adorar o diabo no novo iPhone??? KKKK!!!".
As piadas de West apontam para uma razão gritante pela qual a teoria dos Illuminati pop se mostrou tão contagiante: é um grande barato transformar o ato de ouvir música pop numa caçada por simbolismos ocultos à altura de "O Código Da Vinci".
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JONAH WEINER é crítico de música pop da revista "Slate".
Tradução de "THE NEW YORK TIMES SYNDICATE".

 Saiba mais

Grupo surgiu como um bicho-papão reformista
DA “SLATE”
Os Illuminati foram um grupo fundado na Baviera no final do século 18 pelo filósofo e professor de direito Adam Weishaupt (1748-1830). O historiador Frederick C. Beiser os descreve como "uma sociedade secreta dedicada à causa da reforma política e ao iluminismo alemão".
É complicado afirmar com precisão por que os Illuminati ficaram tachados por paranoicos como adoradores do Diabo, mas aparentemente entre as razões estaria a tendência anticlerical de Weishaupt.
Eles entraram em conflito com Carlos Teodoro (1839-1909), príncipe da Baviera, que baixou decreto em 1784 determinando que o grupo se dispersasse.
Nascidos como um bicho-papão reformista em oposição ao poder arraigado e por fim por ele extintos, os Illuminati sucumbiram em 1787, mas sobreviveram na imaginação conservadora.
Referências a essa sociedade secreta começaram a pintar em músicas de hip-hop no começo da década de 1990, mas, com a chegada da internet de banda larga, as conspirações dos Illuminati receberam a mesma injeção de esteroides que a pornografia e as fotografias de gatos.

(Fonte: FOLHA DE SÃO PAULO, "Ilustrada", sábado 26 de novembro 2011)

sexta-feira, novembro 25, 2011

illuminati e o "true man"




SOBRE OS ILLUMINATI
(Wikipédia)

Illuminati, (plural do latim illuminatus, "aquele que é iluminado"), é o nome dado a diversos grupos, alguns históricos outros modernos, reais ou fictícios. Mais comumente, contudo, o termo "Illuminati" tem sido empregado especificamente para referir-se aos Illuminati da Baviera, uma sociedade secreta da era do Iluminismo fundada em 1 de maio de 1776. Nos tempos modernos, também é usado para se referir a uma suposta organização conspiracional que controlaria os assuntos mundiais secretamente, normalmente como versão moderna ou como continuação dos Illuminati bávaros. O nome Illuminati é algumas vezes empregue como sinónimo de Nova Ordem Mundial, Muitos teóricos da conspiração acreditam que os Illuminati são os cérebros por trás dos acontecimentos que levarão ao estabelecimento de uma tal Nova Ordem Mundial, com os objetivos primários de unir o mundo numa única regência que se baseia em um modelo político onde todos são iguais.

Origem do termo
Dado que "Illuminati" significa literalmente “os iluminados” em latim, é natural que diversos grupos históricos, não relacionados entre si, se tenham autodenominados de Illuminati. Frequentemente, faziam isso alegando possuir textos gnósticos ou outras informações arcanas (secretas) não disponíveis ao grande público.
A designação "Illuminati" esteve em uso também desde o século XIV pelos Irmãos do Livre Espírito, e no século XV, o título foi assumido por outros entusiastas que argumentavam que a luz da iluminação provinha, não de uma fonte autorizada, mas secreta, de dentro, como resultado de um estado alterado de consciência, ou “iluminismo”, ou seja, esclarecimento espiritual e psíquico.
Desta forma, durante os períodos moderno e contemporâneo, foi designado por "Illuminati" um número de grupos (alguns dos quais têm reivindicado o título), mais ou menos marginal e secreto, e muitas vezes em conflito com autoridades religiosas ou políticas; são eles: os Irmãos do Livre Espírito, os Rosacruzes, os Alumbrados, os Illuminés, os Martinistas, o Palladium... e, principalmente os Illuminati da Baviera. Embora as doutrinas desses grupos tenham sido variadas e por vezes contraditórias, a confusão entre eles tem sido muitas vezes mantida por seus adversários, e esta confusão levou às teorias de conspiração de uma sociedade secreta atuando através da história.

Os Iluminati da Baviera
Um movimento de curta duração de republicanos livre-pensadores, o ramo mais radical do Iluminismo – a cujos seguidores foi atribuído o nome de Illuminati (mas que a si mesmos chamavam de “perfectibilistas” ou "perfeccionistas") – foi fundado a 1 de Maio de 1776 pelo professor de lei canónica e jesuíta Adam Weishaupt, (falecido em 1830),[1], e pelo barão Adolph von Knigge, na cidade de Ingolstadt, Baviera, atual Alemanha.[2] . O grupo foi fundado com o nome de Antigos e Iluminados Profetas da Baviera (Ancient and Illuminated Seers of Bavaria, AISB), mas tem sido chamado de Ordem Illuminati, a Ordem dos Illuminati e os Illuminati bávaros.

Origens
Na conservadora Baviera, onde o progressista e esclarecido Eleitor Maximiliano José III de Wittelsbach foi sucedido em 1777 pelo seu conservador herdeiro Carl Theodor, e que era dominada pela Igreja Católica Romana e pela aristocracia, tal tipo de organização não durou muito até ser suprimida pelo poder político. Em 1784, o governo bávaro baniu todas as sociedades secretas incluindo os Illuminati e os maçons. A estrutura dos Illuminati desmoronou logo, mas enquanto existiu, muitos intelectuais influentes e políticos progressistas se contaram entre os seus membros. Eles eram recrutados principalmente dentre os maçons e ex-maçons, juravam obediência a seus superiores e estavam divididos em três classes principais: a primeira, conhecida como Berçário, compreendia os graus ascendentes ou ofícios de Preparação, Noviciado, Minerval e Illuminatus Minor; a segunda, conhecida como a Maçonaria, consistia dos graus ascendentes de Illuminatus Major e Illuminatus dirigens, esse último algumas vezes chamado de Cavaleiro Escocês; a terceira, designada de Mistérios, estava subdividida nos graus de Mistérios Menores (Presbítero e Regente) e Mistérios Maiores (Magus e Rex). Relações com as lojas maçônicas foram estabelecidas em Munique e Freising, em 1780. A ordem tinha ramos na maior parte dos países europeus, mas o número total de membros parece nunca ter sido superior a 2000 durante o período de dez anos..[2] O esquema teve a sua atração para os literatos, como Goethe e Herder, e mesmo para os duques reinantes de Gota e Weimar. Rupturas internas precederam o desmoronamento da organização, que foi efetivado por um édito do governo bávaro em 1785. A ordem foi encerrada em 1788..[2]
A Ordem dos Illuminati da Baviera foi fundada na noite de 30 de abril a 1 de Maio de 1776 (véspera da famosa Noite de Santa Valburga) em uma floresta perto de Ingolstadt (Baviera), no sul da Alemanha, onde um pequeno grupo de jovens criaram e prometeram cumprir os fins da sociedade. Entre aqueles que estavam naquela noite, sabe-se apenas a identidade de três: Adam Weishaupt, Max Merz e Anton von Massenhausen. O fato de que não se saber exatamente quem estava presente naquela noite foi a causa da especulação sobre o número de pessoas que criaram a ordem, alguns dizem que eram apenas quatro e outros argumentam que foram treze.

Após a fundação, Adam Weishaupt (que se proclamou a si mesmo o nome simbólico de Spartacus) atraiu seus primeiros seguidores, um estudante de Munique chamado Franz Xavier von Zwack e um barão protestante de Hannover chamado Adolph von Knigge (Frater Philon) que já havia sido iniciado na Maçonaria e, posteriormente, desenvolveu o Rito dos Illuminati da Baviera, junto com Weishaupt, a quem foi introduzido na loja de Munique: Theodor zum guten Rath.
Graças às habilidades de von Knigge, os Illuminati rapidamente se espalham pela a Alemanha, Áustria, Hungria, Suíça, França, Itália e outras partes da Europa e afiliando personalidades como Herder (Damasus), Goethe (Abaris), Cagliostro, o Conde de Mirabeau (Leonidas) e o lendário alquimista o Conde de St. Germain, entre outros. Alguns nobres como o duque de Saxe-Weimar e de Saxe-Gotha, os príncipes Ferdinando de Brunswick e Karl de Hesse, Conde de Stolberg e o Barão Karl Theodor von Dalberg, também figuraram dentro da iniciação iluminada.
Incentivado pelo seu sucesso em conseguir recrutar um grande número de pensadores, filósofos, artistas, políticos, banqueiros, analistas, etc; Adam Weishaupt tomou a decisão de juntar-se a Maçonaria por meio de Von Knigge, e ordenou a infiltração e dominação da mesma.
Em 16 de julho de 1782, numa reunião da maçonaria continental realizada no Convento de Wilhelmsbad, os Illuminati tentaram unificar e controlar sob a sua autoridade todos os ramos da Maçonaria. Embora tenham conseguido se infiltrar nas lojas em toda a Europa, a Grande Loja de Inglaterra, a Grande Oriente de França e os iluminados teósofos de Swedenborg decidiram não apoiar os planos de Weishaupt, nesse momento tomou-se conhecimento das intenções do grupo e do conflito entre seus princípios e os da maçonaria, por isso, nesse momento a Instituição Maçônica decidiu manter oposição direta contra os Illuminati.
Devido ao fracasso do movimento, Von Knigge renunciou pensando que seria inútil continuar com os planos e foi para Bremen, onde passou seus últimos anos. Entretanto, Weishaupt recebia a ofensiva dos Maçons da Inglaterra e dos Martinistas, a quem denunciou em seus escritos, argumentando que a Grande Loja de Londres em si foi criada em 1717 por pastores protestantes, que não foram iniciados na Maçonaria, isto é, que foi fundada por profanos sem documentos válidos ou provas.

Dissolução
Em 22 de junho de 1784, o Eleitor da Baviera, duque Karl Theodor advertiu sobre o perigo representado pelos Illuminati para a Igreja Católica e as monarquias por causa de seus objetivos ideológicos, e aprovou um decreto contra a sociedade bavara e em geral qualquer sociedade não autorizada por lei (que abrange as duas instituições, como se tivessem natureza comum, apesar do grande conflito que já existia naquela época entre os Illuminati e os maçons). Weishaupt foi demitido de sua cátedra indo para o exílio em Regensburg, para liderar a Ordem no exterior sob a proteção do duque de Saxe. Em 1785, o edital foi confirmado e assim começou a perseguição e detenções aos membros da sociedade.
Em seguida, o jornalista Johann Joachim Christoph Bode, se torna o líder de fato da Ordem. Em 1787, vai para a França, à Strasbourg e depois a Paris, onde se encontrou com membros da Loja de Filaleto. De acordo com o seu "Travel Journal", alguns deles, então, constituiem em segredo o núcleo dos "Philadelphes", uma sociedade semelhante aos Illuminati alemães.
Caçados, tratados como criminosos, os Illuminati da Baviera desapareceram completamente do sul da Alemanha, em 1786, apenas algumas lojas resistiram na Saxônia até 1789.
Os planos mais secretos dos Illuminati foram revelados por acaso na noite de 10 de julho de 1784, quando um mensageiro de Weishaupt, identificado como o abade Lanz, morreu inesperadamente devido a um raio. Seu corpo foi levado para a Capela de San Emmeran por habitantes do local e entre os seus hábitos foram encontrados documentos importantes que se tratavam de planos secretos para a conquista mundial. A polícia da Baviera investigou os detalhes da conspiração, dando a entender a Francisco I, Sacro Imperador Romano-Germânico, o complô contra todas as monarquias, sobretudo na França, onde mais tarde, em 1789, gestaría a chamada Revolução Francesa e a queda de Luís XVI e Maria Antonieta, seus últimos monarcas.
Os documentos foram divulgados pelo governo da Baviera, alertando a nobreza e o clero da Europa, no entanto, logo se convenceram de que a conspiração tinha sido destruída devido à dissolução formal dos Illuminati, juntamente com o banimento de Weishaupt e a detenção de muitos adeptos.

Efeito cultural
Apesar de sua curta duração, os Illuminati da Baviera lançaram uma longa sombra na história popular, graças aos escritos de seus opositores. As sinistras alegações de teorias conspiratórias que têm colorido a imagem dos maçons-livres têm praticamente ofuscado a dos Illuminati. Em 1797, o Abade Augustin Barruel publicou o livro “Memórias ilustrativas da história do Jacobinismo”, delineando uma vívida teoria conspiratória envolvendo os Cavaleiros Templários, os Rosacruzes, os Jacobinos e os Illuminati. Simultânea e independentemente, um maçom escocês e professor de História Natural, chamado John Robison, começou a publicar “Provas de uma conspiração contra todas as religiões e governos da Europa”, em 1798. Quando viu o livro sobre semelhante tema escrito por Barruél, incluiu extensas citações dele em seu próprio livro. Robinson alegava apresentar evidências de que uma conspiração dos Illuminati estava dedicada a substituir todas as religiões e nações com o humanismo e um governo mundial único, respectivamente.
Mais recentemente, Antony Cyril Sutton sugeriu que a sociedade secreta Skull and Bones foi fundada como o ramo norte-americano dos Illuminati. Outros pensam que a Scroll and Key também tem origem nos Illuminati. Robert Gillete defende que esses Illuminati pretendem, em última instância, estabelecer um governo mundial por meio de assassinatos, corrupção, chantagem, controle dos bancos e outras entidades financeiras, infiltração nos governos, e causando guerras e revoluções, com a finalidade de colocar seus próprios membros em posições cada vez mais altas da hierarquia política. Thomas Jefferson, por outro lado, defendeu que eles pretendiam espalhar informação e os princípios da verdadeira moralidade. Ele atribuiu o caráter secreto dos Illuminati ao que chamou de “a tirania de um déspota e dos sacerdotes”. Ambos parecem concordar que os inimigos dos Illuminati foram os monarcas da Europa e a Igreja. Barruel afirmou que a Revolução Francesa (1789) foi planejada e controlada pelos Illuminati através dos jacobinos, e mais tarde os adeptos de teorias conspiratórias também alegaram a responsabilidade deles na Revolução Russa (1917), embora a Ordem tenha sido oficialmente extinta em 1798.

Iluminati modernos
Desde o final do século XVIII até meados do século XX, muitos teóricos de conspiração reacionários especulam que os Illuminati sobreviveram a sua supressão, por causa de sua suposta infiltração na Maçonaria, e se tornaram o cérebro por trás de grandes eventos históricos como a Revolução Americana, a Revolução Francesa, a Revolução Russa, as Guerras Mundiais e até os ataques de 11 de setembro de 2001; levando a cabo um plano secreto para subverter as monarquias da Europa e a religião Cristã visando a formação de uma Nova Ordem Mundial secular baseada na razão científica.
Escritores como Mark Dice,[3] David Icke, Ryan Burke, Jüri Lina e Morgan Gricar têm argumentado que os Illuminati da Baviera sobreviveram, possivelmente até hoje. Muitas destas teorias propõe que os eventos mundiais estão a ser controlados e manipulados por uma sociedade secreta que se autodenomina Illuminati. .[4][5] Os teóricos da conspiração afirmam que muitas pessoas notáveis foram ou são membros dos Illuminati, incluindo Winston Churchill, a família Bush,[6] Barack Obama,[7] a família Rothschild,[8] a família Rockefeller (incluindo David Rockefeller) e Zbigniew Brzezinski, entre outros.[9] O termo "Illuminati" também é geralmente associado com os membros de instituições e sociedades secretas de inspiração ocultista e / ou globalista, independentemente do fato de eles serem realmente relacionados com a Ordem Illuminati: os Skull & Bones, Grupo Mesa Redonda, a Sociedade Fabiana, o Royal Institute of International Affairs, o Council on Foreign Relations, o Bohemian Club, o Clube de Bilderberg, a Comissão Trilateral, o Clube de Roma, a Fundação Carnegie, a Fundação Rockefeller, etc.
Também sugerem que os fundadores dos Estados Unidos da América – sendo alguns deles franco-maçons – estavam “influenciados” pela corrupção dos Illuminati. Frequentemente o símbolo da pirâmide que tudo vê no Grande Selo dos Estados Unidos é citado como exemplo do olho sempre presente dos Illuminati sobre os americanos. E também citam que usam nas notas a escrita Novus Ordo Seclorum que significa ''New Deal" ou Nova Ordem Secular, "novo ideal" desmentindo a escrita do lado, que diz Em Deus Confiamos. Jordan Maxwell, pesquisador dos Iluminatti, afirma que 'Novus Ordo Seclorum" pode ser traduzido para "Nova Ordem Mundial".
Bem pouca evidência confiável pode ser encontrada para apoiar a hipótese de que o grupo de Weishaupt tenha sobrevivido até o século XIX. Contudo, diversos grupos têm usado a fama dos Illuminati desde então para criar seus próprios ritos, alegando serem os Illuminati, incluindo a Ordo Illuminatorum, Die Alten Erleuchteten Seher Bayerns, The Illuminati Order, e outros."[10][11][12]


A pirâmide com o olho que tudo vê e o lema Novus ordo seclorum no Grande Selo dos Estados Unidos, é considerado um símbolo dos Illuminati

Os Aquisitores
Os Aquisitores é o nome genérico dado a supostos grupos dissidentes que surgiram com a atuação dos Illuminati no Brasil. Sua origem está quase sempre relacionada à renuncia de Jânio Quadros, o presidente que renunciou por não aguentar o peso das "forças terríveis" ("forças ocultas") e a instauração do Regime Militar em 1964. O nome Aquisitores é uma referência a prosperidade financeira e a atuação de seus membros na economia do país, especialmente na região de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista onde sua influência resultou na próspera fase pela qual passou a região na década de 1970, no movimento metalúrgico e na posterior eleição do Presidente Lula.
Durante a ditadura militar, até pouco depois de 1985, os membros brasileiros dos Illuminati supostamente se organizaram em dois grupos inimigos e teoricamente independentes dos Illuminati da Baviera. Estes capítulos isolados passaram ambos a reivindicar o antigo nome do grupo como sendo os únicos e verdadeiros Aquisitores. Os teóricos da conspiração se esforçam para ligar todos os escândalos políticos que ocorreram no pais desde a ditadura militar a estes dois grupos e seus jogos de poder.
É importantíssimo lembrar que os Aquisitores não são reconhecidos como grupo por nenhum historiador sério, e não existe sequer um trabalho acadêmico que confirme sua existência. Um exemplo típico deste tipo de elocubração está na investigação feita nos anos 90 sobre a morte do presidente Juscelino Kubitschek ou a investigação iniciada em 2007 no Rio Grande do Sul sobre a morte de João Goulart, que oficialmente morreu de doença cardíaca, mas teria sido assassinado pela Operação Condor arquitetada pelos Aquisitores. Até o momento nenhuma dessas investigações apresentou qualquer prova palpável, mas a coincidência alimenta a curiosidade dos teóricos da conspiração: Jango, JK e Lacerda, os três grandes nomes da oposição ao regime militar morreram todos em espaço de meses entre o fim de 1976 e início de 1977.


Referências
1.↑ The European Illuminati by Vernon L. Stauffer, hosted on the Grand Lodge of British Columbia & Yukon website (hereafter BC&Y).
2.↑ a b c A Bavarian Illuminati Primer Compiled by Trevor W. McKeown hosted BC&Y
3.↑ Angels & Demons Causing Serious Controversy - 5/17/09 - Fresno News — abc30.com. Abclocal.go.com (2009-05-17). Página visitada em 2009-07-08.
4.↑ Barkun, Michael. A Culture of Conspiracy: Apocalyptic Visions in Contemporary America, Comparative Studies in Religion and Society, University of California Press, 2003,
5.↑ Illuminati News website: The Secret Order of the Illuminati (A Brief History of the Shadow Government)
6.↑ The Bush Family and their Illuminati Rituals
7.↑ The Barack Obama Illuminati Connection
8.↑ Makow Ph.D, H: Illuminati: The Cult that Hijacked the World, BookSurge Publishing, 2008, ISBN 1439211485
9.↑ Springmeier, F: Blood Lines of the Illuminati, Ambassador House, 1998, ISBN 0966353323
10.↑ The Illuminati Order Homepage
11.↑ Official website of The Illuminati Order
12.↑ *Orden Illuminati Consejo Central México
[editar] Bibliografia1911 Encyclopædia Britannica: "Illuminati"
America's Secret Establishment: An Introduction to the Order of Skull & Bones — Antony C. Sutton (Trine Day, LLC, 2003)
Die Korrespondenz des Illuminatenordens. vol. 1, 1776-81, ed. Reinhard Markner, Monika Neugebauer-Wölk e Hermann Schüttler. - Tübingen, Max Niemeyer, 2005. - ISBN 3-484-10881-9
Proof of a Conspiracy Against all the Religions and Governments of Europe — Robinson, John A.M. (New York, 1798)
Grand Acquisitors - John L. Hess - ISBN 0-395-18013-9
alt.illuminati FAQ (http://anti-masonry.info/alt.illuminati_FAQ.html)
Os Iluminados da Baviera - (Texto de Carlos Raposo em http://www.artemagicka.com/artigos/lluminati.htm)
A Ditadura Derrotada - Elio Gaspari, Companhia das Letras, 576p.
René Chandelle, Au-delà des Anges et Démons, le secret des Illuminati et la grande conspiration mondiale, Éditions Exclusif, 2006. ISBN 2848910542
Marie-France Etchegoin, Frédéric Lenoir, Code Da Vinci : l’enquête, éd. Robert Laffont, coll. Points P1484, Paris, 2006.
René Le Forestier, Les illuminés de Bavière et la Franc-maçonnerie allemande, 1915, réédité en 2001 par Archè, Milan (Les illuminés de Bavière et la Franc-maçonnerie allemande)
Monika Neugebauer-Wölk, Hermann Schüttler, Die Korrespondenz des Illuminatenordens vol. 1, 1776-81, Éd. Reinhard Markner, Tübingen, Max Niemeyer, 2005. ISBN 3-484-10881-9
Jean Racine, Abrégé de l’histoire de Port Royal, 1767, rééd. 1994, Éd. de la Table Ronde, Petite Collection Vermillon, Paris. ISBN 2-7103-0604-2. Fait allusion aux événements de l’abbaye de Maubuisson.
John Robison, Proofs Of A Conspiracy. ISBN 0944379699
Pierre-André Taguieff, La foire aux Illuminés : Ésotérisme, théorie du complot, extrémisme, Éditions Mille et une Nuits, 2005. ISBN 2842059255
Werner Gerson, Le Nazisme société secrète, éd. J'ai lu / L'Aventure mystérieuse N°A267. L’auteur cite les illuminés de Bavière.
Jean-Pierre-Louis de Luchet, Marquis de la Roche du Maine, Essai sur la Secte des Illuminés, Londres, 1789.
BARON, André: Les Sociétés Secrètes, leur crime depuis les initiés d'Isis jusqu'aux Francs-Maçons modernes.
CAMACHO, Santiago: La conspiración de los illuminati, La Esfera de los Libros, 2006, ISBN 84-9734-440-5.
KOCH, Paul: Illuminati. Barcelona (España): Planeta, 2004, ISBN 84-08-05568-2.
LUCHET, Marquis de: Essay on the Sect of the Illuminati, January 1789.
MARTÍNEZ OTERO, Luis Miguel: Los illuminati: la trama y el complot. Obelisco, 2005.