segunda-feira, dezembro 27, 2010

combater o bom combate




MANTRA
-Nando Reis-

Composição: Nando Reis / Arnaldo Antunes


Quando não tiver mais nada

Nem chão, nem escada

Escudo ou espada

O seu coração

Acordará!...



Quando estiver com tudo

Lã, cetim, veludo

Espada e escudo

Sua consciência

Adormecerá!...



E acordará no mesmo lugar

Do ar até o arterial

No mesmo lar

No mesmo quintal

Da alma ao corpo material...



Hare Krishna Hare Krishna

Krishna Krishna

Hare Hare

Hare Rama

Hare Rama

Rama Rama

Hare Hare



Quando não se tem mais nada

Não se perde nada

Escudo ou espada

Pode ser o que se for

Livre do temor...



Hare Krishna Hare Krishna

Krishna Krishna

Hare Hare

Hare Rama

Hare Rama

Rama Rama

Hare Hare



Quando se acabou com tudo

Espada e escudo

Forma e conteúdo

Já então agora dá

Para dar amor...



Amor dará e receberá

Do ar, pulmão

Da lágrima, sal

Amor dará e receberá

Da luz, visão

Do tempo espiral...



Amor dará e receberá

Do braço, mão

Da boca, vogal

Amor dará e receberá

Da morte

O seu dia natal...



Aaadeeeus Dooooor...(4x)



Hare Krishna Hare Krishna

Krishna Krishna

Hare Hare

Hare Rama

Hare Rama

Rama Rama

Hare Hare (6x)



sexta-feira, dezembro 24, 2010

filósofo por autoconservação


"Assim como na sua esplêndida novela, Ivan Ilitch, sentindo pela primeira vez no próprio corpo as garras da morte, perguntava amedrontado: 'Talvez eu não tenha vivido como devia viver', também agora Tolstói começa a se interrogar, dia após dia, sobre a sua vida e seu sentido. Pesquisador da verdade e filósofo, não para satisfazer uma alegria primordial de pensar ou uma curiosidade de espírito, mas por instinto de conservação, por desespero".
STEFAN ZWEIG,
 in: O PENSAMENTO VIVO DE TOLSTOI

"Cresça espiritualmente e ajude os outros a fazer o mesmo; esse é o sentido da vida.
Terrível é a situação daqueles que não percebem o crescimento espiritual dentro de si. Eles vêem apenas a vida física, que desaparece com o tempo.
Quando você compreende o seu ser espiritual e vive com ele, ao invés de se desesperar, você passa a compreender a alegria que não pode ser destruída, que está sempre crescendo".
TOLSTÓI,
CALENDÁRIO DA SABEDORIA, 24 de dezembro

quarta-feira, dezembro 22, 2010

ladroeiros do espírito

"Eu sou um homem sob medida. Eu caminho no interior de uma moldura. Eu não aconteço, eu me assisto. Eu não fluo e o desconhecido não cerze caminhos através de mim. Cada gesto que vou 'executar' já está narrado, pensado. Vivo num mundo sem irrigação, sem veia e sem fluência, antimundo onde nada é livre, nada ficou encoberto. Apagou-se o bruxuleio da última chama. Um olho biônico invadido em mim antecipa em pensamento o sentido de cada gesto e de cada palavra que dirijo aos outros. Isso destrói e apaga a rugosidade da vida, sua face opaca, transformando tudo em significação pura, em 'pura significação'. Tudo agora está liso e eu funciono, eu transito. Não é espantoso?! Às vezes eu penso: quer dizer então que acabei por exorcizar o componente de opacidade que alegra e mina a existência de cada homem? Desfinitizei-me? Por componente de opacidade entendo o fato de que as significações dos gestos e atos de alguém lhes são, em grande parte, desconhecidos ou conhecidos apenas posteriormente, Isto é, há um hiato entre o gesto e o pensamento, e o gesto excederia o que pode ser pensado no pensamento, mas, no meu caso, a transparência do sentido, sua anterioridade total e sua incrível saturação, já coincide e já antecipou o gesto que realizo. Sou um homem deduzido, não um homem inaugural. Penso então que minha vida desconheceu a intensidade e o arrebatamento, e que, então, talvez a criança que fui inexistiu. Ou ela jamais teve gesto ou, de algum modo, esse gesto lhe foi roubado. Caiu muito asfalto, caiu piche no braço e no rosto de uma criança. Pois, como é possível uma criança sem gesto? Teria de haver uma criança sem corpo. (...) o mundo me parece invertido agora, pois é o pensamento que legisla o gesto e a idéia que comanda o corpo. Trata-se de uma existência em segundo grau, tísica mesmo, uma existência em pensamento, pois no adulto que sou aniquilaram-se sombra e corpo, e eu apenas dou voltas nesse reino ofuscado; reino de autotransparência. Já não tenho nem sonhos, dsconheço o milagre das cifras noturnas e eles (os sonhos) são meus velhos teoremas de acordado. Eu sou uma vigília permanente, observo tudo mesmo quando estou dormindo. (...) Os nomes precedem tudo. Os conceitos estão grudados em mim parece que desde sempre. Eu me fabrico a partir de conceitos. Ser é igual a ser autoproduzido a partir da idéia. Por isso já anotei: 'Eu nunca passei de cibernética, de imperador do vácuo e do barroco. Eu sou o estrategista de mim mesmo, artista da fome e fracasso da verdade'. Portanto, não há auto-observação, mas uma autofabricação avassaladora, uma simulação permanente de presença, uma simulação performática de quem teve a primeira presença roubada. (...) Tornei-me uma astúcia desvairada, um gigante do speech-act... mas se é assim, se eu sou apenas um Flipper lingüístico, ladrão de frases e relatos, o que teria ou não teria acontecido no velho país da infância?"



JULIANO GARCIA PESSANHA,


INSTABILIDADE PERPÉTUA

segunda-feira, dezembro 20, 2010

Noite Feliz para os perturbados

Quem me inspirou as seguintes palavras foi, uma vez mais, a Morcega Olímpia, e é pra vós que as dedico, embora radicalmente cristãs, ao meu modo, o que no fundo não dista em nada de vossa natureza sombriamente luminosa..
Cristianismo, sim, natalismo NÃO! Saco cheio das liturgias todas, das liturgias ocas, e seus templos podres. Quero de volta as igrejas pobres, a dos primeiros, a dos herdeiros, a dos hereges. Comunhão dos grandes santos, anacoretas escondidos e heróis anônimos da fé. E saco cheio de ver, a cada fim de feira, ops, de ano, Jesus Cristo confundido com o bozo da feira (Papai Noel) e reduzido a criança anormal deitada em presépio idiota no canto da sala enquanto as famílias vivem seus ritos miseráveis de comer-beber-blablablar. 
Jesus, pacato padroeiro da 'harmonia' natalino-familiar?  E o que me dizeis das seguintes palavras do jovem iconoclasta e "perturbado" que arrebentou os grilhões, expulsou os vendilhões, e deu deliciosos pés-na-bunda verbais nos falsários de seu tempo? 
"Não julgueis que vim trazer a paz à Terra. Não vim trazer a paz, mas a espada. Vim trazer a divisão entre filho e pai, entre filha e mãe, entre nora e sogra. Os inimigos do homem serão as pessoas de sua própria casa. Quem ama seu pai e sua mãe mais que a mim não é digno de mim. Quem ama seu filho mais que a mim não é digno de mim" (Mt 10, 34-37).
O crítico marxista e cristão Terry Eagleton anota a propósito desse trecho bíblico:
"É extraordinário que Jesus seja tantas vezes apresentado como um defensor dos valores familiares, ele que rejeita a importância de sua própria família com a maior regularidade. Na verdade, os valores familiares radicalmente transformados por Jesus rezam que a família biológica deveria ceder lugar a uma nova família fundada no compromisso comum de seguir o chamado de Deus".
Os adoradores em espírito e verdade não têm canga nenhuma sobre os ombros, nem a da família, nem a de quaisquer outras instituições formais, corrompidas e carcomidas.
Jesus nos chama um a um, e nos chama a sermos "Um" (Monos-Monastério: sozinhos, eremitas), unos com ele, como ele é Uno com o Pai, tabernáculos vivos, unitários, purificados e em comunhão universal ("católica") com as almas, solidários com todos os pecadores (todos nós), mas nunca de boca calada nem, muito menos, de cú arreganhado para os pecados e as igrejas de Satanás, o papa deste mundo. Amar o pecador, odiar o pecado, como ensinava o catecismo..
Noite Feliz? Ao lado dos perturbados, dos desesperados, dos aflitos, dos pobres, dos deserdados. Com alma casta e dentes desinfetados do amarelo dos sorrisos falsos de mais uma enfadonha noite feliz  dos natalinos e seus meninos, bois e vacas de presépio. 

segunda-feira, dezembro 13, 2010

a escola do Piorismo

Mal lançou seu clássico do Piorismo, "aaaai.. quanto Piorhh, melhorhhh", a pantera aristocrata trágica Cristã-Pior  dos cursos chiques implora-marido (as implora-marido são suas colegas de trabalho, colegas de aspiração místico-sexual e sua ração suja de mensalidade) já pode celebrar mais um "feitio": o "mundio" nordéstino-redimido da elite bourdieu-tupinica parece se render a suas encíclicas papísticas Piorísticas, que já fazem escola, irradiam novos nobres "produtios" editoriais -vide abaixo o novo clássico da escola, "Serena"- e podem cobrar mais mensalidades implora-marido "mundio" afora. Parabéns, implora-marido sênior!  Me dá um autógrafo?
-Unzuhause-

Em homenagem à merda filosófica em saco vendido como livro, leiamos em bom marrom:

13/12/2010 - 08h44

"Detesto escrever pra gente pobre", diz Vera Fischer

 

Vera Fischer lança este mês o primeiro de uma série de dez livros. O romance, chamado "Serena", estreia a coleção que terá como título apenas nomes de mulher e é "vibrante" na descrição da própria autora.

Os dez livros foram escritos em um ano e trazem episódios autobiográficos em sua trama, mas a atriz não revela quais são. "É segredíssimo", brinca.

A informação é da coluna Mônica Bergamo, publicada na Folha desta segunda-feira (13). A íntegra da coluna está disponível para assinantes do jornal e do UOL.

Uma característica que todos os personagens de Vera Fischer têm em comum é o fato de serem ricos.

"Eu não sei escrever pra gente pobre. Eu detesto", diz Fischer. Para ela, a vida dos ricos é mais interessante. "Cada livro tem pelo menos uma viagem ao exterior."

"Serena" será lançado no próximo dia 20.


quinta-feira, dezembro 02, 2010

sublime mãe catarina


em sujos odores,
tristes torpores
de amores
inferiores
o tempo que toca
pureza que volta
pro colo da mãe
dançando com ela
na plena esfera
no fim do
assalto das eras
do asfalto de trevas
florescem imagens
aromas de cátaros
sonoros sublimes
estrela que nina
rodopio da menina
que sonho, que sugo
no colo da mãe
liberto menino
d' "o homem que sabia demais"
eu sei demais
do tempo bandido
que rouba a origem
que tranca a esperança
que trai, que vicia
que anestesia
eu sei demais
das gangues de ratos
pisados com a bota
de preto do bope,
faço minh' ode
ao Nascimento
heróico de si
e do sim
à pena
de morte
pra morte