Thursday, August 26, 2010

Susanna nas Alturas (da Matrix)

Susanna Queiroz, adorável mochileira mística do Multishow

Povo cativo no Metrô da Sé, São Paulo
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Self sonhando em susannas
no ar um multi-show de 'true man'
e o corpo na corda em suores
e os povos cativos cavernam
nas sombras sem tele-visão
-Unzuhause-

Wednesday, August 18, 2010

na casa do Poeta

Casa de Jorge de Lima, em União dos Palmares, Alagoas


Poema do Cristão
-Jorge de Lima-



Porque o Sangue do Cristo



jorrou sobre meus olhos,


a minha visão é universal


e tem dimensões que ninguém sabe.


Os milênios passados e os futuros


não me aturdem, porque nasço e nascerei,

porque sou uno com todas as criaturas,


com todos os seres, com todas as coisas

que eu decomponho e absorvo com os sentidos


e compreendo com a inteligência


transfigurada em Cristo.



Tenho todos os movimentos alargados.


Sou ubíquo: estou em Deus e na matéria;


sou velhíssimo e apenas nasci ontem,



estou molhado dos limos primitivos,


e ao mesmo tempo ressôo as trombetas finais,


compreendo todas as línguas, todos os gestos, todos os signos,


tenho glóbulos de sangue das raças mais opostas.

Posso enxugar com um simples aceno
o choro de todos os irmãos distantes.


Posso estender sobre todas as cabeças um céu unânime e estrelado.


Chamo todos os mendigos para comer comigo,


e ando sobre as águas como os profetas bíblicos.


Não há escuridão mais para mim.


Opero transfusões de luz nos seres opacos,


posso mutilar-me e reproduzir meus membros, como as estrelas do mar,


porque creio na ressurreição da carne e creio em Cristo,


e creio na vida eterna, amém!



E, crendo na vida eterna, posso transgredir leis naturais:


a minha passagem é esperada nas estradas;


venho e irei como uma profecia,


sou espontâneo como a intuição e a Fé.


Sou rápido como a resposta do Mestre,


sou inconsútil como Sua túnica,


sou numeroso como a sua Igreja,


tenho os braços abertos como a sua Cruz despedaçada e refeita


todas as horas, em todas as direções, nos quatro pontos cardeais;

e sobre os ombros
A conduzo através de toda a escuridão do mundo,


porque tenho a luz eterna nos olhos.


E tendo a luz eterna nos olhos, sou o maior mágico:


ressuscito na boca dos tigres, sou palhaço, sou alfa e ômega, peixe,
cordeiro comedor de gafanhotos, sou ridículo, sou tentado e perdoado,


sou derrubado no chão e glorificado, tenho mantos de púrpura e de estamenha,


sou burríssimo como São Cristóvão e sapientíssimo como Santo Tomás.


E sou louco, louco, inteiramente louco, para sempre, para todos os séculos,


louco de Deus, amém!


E, sendo loucura de Deus, sou a razão das coisas, a ordem e a medida;


sou a balança, a criação, a obediência;


sou o arrependimento, sou a humildade;


sou o autor da paixão e morte de Jesus;


sou a culpa de tudo.


Nada sou.


Miserere mei, Deus, secundum magnam misericordiam tuam!

Sunday, August 08, 2010

espetáculo

Uma das maiores lutas que já assisti na minha vida! Me lembrou os tempos de Tyson, de Rocky. Eram duas da madruga de hoje, vibrei como num gol do Coringão, vizinhança que me perdoe. Anderson, na raça, depois de humilhado ao longo de intermináveis 9 dos 10 minutos totais da luta, o cinturão já tinha novo dono, só no finalzinho Anderson, esgotado, costela machucada nos treinos (o que explica sua estranha imobilidade ontem) virou tudo, num golpe preciso de jiu-jitsu, e venceu o Chael Sonnen, o americano falastrão (mas que estava fazendo tudo o que prometeu, bom que se diga). E dizem que o próximo confronto do Aranha será, nada mais, nada menos, que com Vitor Belfort! Valeu Anderson. É de provações, expiações como a de ontem, e da humildade do seu gesto no final, ajoelhando em reverência ao adversário, respeitando o deus interno do inimigo vencido, que se faz um grande campeão como você.

Thursday, August 05, 2010

com açúcar e com afeto




05/08/2010 - 11h06
Pesquisa CNT/Sensus: Dilma tem 41,6% das intenções de voto; Serra, 31,6%
Camila Campanerut

Do UOL

EleiçõesEm Brasília
Pesquisa CNT/Sensus divulgada na manhã desta quinta-feira (5) indica que a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, atingiu 41,6% das intenções de voto, contra 31,6% de José Serra (PSDB). Em terceiro lugar, aparece a senadora Marina Silva (PV) com 8,5%. Votos em branco, nulo e indecisos totalizam 14,3%. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para cima ou para baixo.
Na simulação de segundo turno, a candidata petista apresenta 48,3%, contra 36,6% do ex-governador de São Paulo. Nesse cenário, brancos, nulos e indecisos somam 15,3%. Num eventual segundo turno entre Dilma e Marina, a petista teria 55,7%, ante 23,3% da candidata verde - brancos, nulos e indecisos chegam a 21,1%.
Caso a disputa na última rodada fosse entre Serra e Marina, o tucano teria 50% das intenções de voto, contra 27,8 da ex-ministra do Meio Ambiente. Brancos, nulos e indecisos obtém 22,3%.
Na pesquisa espontânea, quando não são indicados nomes de candidatos aos entrevistados, Dilma aparece com 30,4% das intenções de votos, contra 20,2% de Serra e 5,5% de Marina Silva. Brancos, nulos e indecisos representam 31,7%.

Com relação à rejeição aos presidenciáveis, 25,3% dos entrevistados responderam que nunca votariam em Dilma Rousseff. Já 30,8% dos eleitores disseram que não votariam em Serra, enquanto 29,7% declararam que nunca dariam seu voto a Marina Silva.
"[O bom desempenho de Dilma] Se deve ao nível de conhecimento da candidata. Ela passou a ter identidade própria e musculatura política. Ela está colhendo os frutos do governo do presidente Lula", disse Clésio Andrade, presidente da CNT (Confederação Nacional dos Transportes).
Expectativa de vitória
Os entrevistados também foram questionados sobre quem ganharia as eleições para presidente da República neste ano, independemente do voto do eleitor. De acordo com o levantamento, 47,1% apontaram Dilma como vencedora, enquanto outros 30,3% indicaram Serra. Para 2,2%, Marina Silva é a favorita.
Foram entrevistadas 2 mil pessoas, em 136 municípios de 24 estados, entre os dias 31 de julho e 2 agosto de 2010. A pesquisa foi registrada no TSE em 29 de julho sob o número 21.411/2010.

Tuesday, August 03, 2010

de estrangeiros, misantropos e cachorrinhos

Um cocker-spaniel tristonho e bonito, da mesma raça do comovente cãozinho doente do "velho Salamano", em O Estrangeiro de Camus

Quem já não ouviu esta pérola da misantropia? "Quanto mais conheço os homens, mais amo meus cachorrinhos". Eu a escuto sempre, cada vez mais, e às vezes, confesso, eu a escuto de mim mesmo... E nem sempre precisa tomar a forma destes dizeres, basta o élan de choro e de ódio que me acomete ao saber de barbaridades humanas contra algum cachorrinho ou outro ser qualquer... em que se possam projetar afetos antropomóficos (não é o caso dos vírus e bactérias, ratos ou baratas, todo antropoformismo, portanto todo sentido global de vida, é na verdade particular e seletivo).

Como assim, que pensar desse antropomorfismo "ecológico" crítico do antropo? Elementar, meu caro Watson! É o paradoxo que me salva da lógica irresistível que haveria no rancor puro e simples com a condição humana! Sim, essa condição é um fardo, mas é dom de amor que nos possibilita até mesmo criticá-la e ir além de tal peso. Super-homens da compaixão, se Nietzsche me permitir essa tradução-traição apaixonada de seu pensamento.
Amamos sempre humanamente mesmo o que, a rigor, recai na fria categoria de os "inumanos", sejam eles apenas diferentes (os demais bichos, por exemplo) ou incógnitos (deuses). E a condição humana é tão elástica e generosa (palavra que vem de gênero, saber ser do seu gênero), que seu gênero é capaz de ser e mais-ser, igualando a si mesma céus, terra e inferno dos outros gêneros de ser os mais disparatados. A ponto de podermos transmutar a igualação em auto-diferenciação, e nos olharmos a nós mesmos com uma ótica descentrada, excelente para corrigir todos os tipos de vaidades e de medos que nos assediam e que fazem do homem o infortúnio da Terra.

Quanto à pérola misantrópica, "quanto mais conheço os humanos...", eu diria o seguinte, à luz e sombra desse descentramento que considero uma variante moderna, etnológico-existencial, do velho e bom (e novo e misterioso) desapego budista: o homem é o futuro do homem, mas é também um passado já cansativo e um presente cada vez mais desagradável. Nada melhor, em tal cenário, do que a salvação que vem do "Outro" de nós mesmos, de amar e de olhar, como os etnólogos e os budistas, o familiar à distância e o familiar do distante. Olharmo-nos a nós humanos como os cachorros nos olhariam. E melhor ainda: amarmo-nos a nós mesmos e uns aos outros, como se fôssemos e exatamente como o que somos, cada qual: um cachorrinho entre outros cachorrinhos, diversos apenas no design e no desígnio.