Monday, December 27, 2010

combater o bom combate




MANTRA
-Nando Reis-

Composição: Nando Reis / Arnaldo Antunes


Quando não tiver mais nada

Nem chão, nem escada

Escudo ou espada

O seu coração

Acordará!...



Quando estiver com tudo

Lã, cetim, veludo

Espada e escudo

Sua consciência

Adormecerá!...



E acordará no mesmo lugar

Do ar até o arterial

No mesmo lar

No mesmo quintal

Da alma ao corpo material...



Hare Krishna Hare Krishna

Krishna Krishna

Hare Hare

Hare Rama

Hare Rama

Rama Rama

Hare Hare



Quando não se tem mais nada

Não se perde nada

Escudo ou espada

Pode ser o que se for

Livre do temor...



Hare Krishna Hare Krishna

Krishna Krishna

Hare Hare

Hare Rama

Hare Rama

Rama Rama

Hare Hare



Quando se acabou com tudo

Espada e escudo

Forma e conteúdo

Já então agora dá

Para dar amor...



Amor dará e receberá

Do ar, pulmão

Da lágrima, sal

Amor dará e receberá

Da luz, visão

Do tempo espiral...



Amor dará e receberá

Do braço, mão

Da boca, vogal

Amor dará e receberá

Da morte

O seu dia natal...



Aaadeeeus Dooooor...(4x)



Hare Krishna Hare Krishna

Krishna Krishna

Hare Hare

Hare Rama

Hare Rama

Rama Rama

Hare Hare (6x)



Friday, December 24, 2010

filósofo por autoconservação


"Assim como na sua esplêndida novela, Ivan Ilitch, sentindo pela primeira vez no próprio corpo as garras da morte, perguntava amedrontado: 'Talvez eu não tenha vivido como devia viver', também agora Tolstói começa a se interrogar, dia após dia, sobre a sua vida e seu sentido. Pesquisador da verdade e filósofo, não para satisfazer uma alegria primordial de pensar ou uma curiosidade de espírito, mas por instinto de conservação, por desespero".
STEFAN ZWEIG,
 in: O PENSAMENTO VIVO DE TOLSTOI

"Cresça espiritualmente e ajude os outros a fazer o mesmo; esse é o sentido da vida.
Terrível é a situação daqueles que não percebem o crescimento espiritual dentro de si. Eles vêem apenas a vida física, que desaparece com o tempo.
Quando você compreende o seu ser espiritual e vive com ele, ao invés de se desesperar, você passa a compreender a alegria que não pode ser destruída, que está sempre crescendo".
TOLSTÓI,
CALENDÁRIO DA SABEDORIA, 24 de dezembro

Wednesday, December 22, 2010

ladroeiros do espírito

"Eu sou um homem sob medida. Eu caminho no interior de uma moldura. Eu não aconteço, eu me assisto. Eu não fluo e o desconhecido não cerze caminhos através de mim. Cada gesto que vou 'executar' já está narrado, pensado. Vivo num mundo sem irrigação, sem veia e sem fluência, antimundo onde nada é livre, nada ficou encoberto. Apagou-se o bruxuleio da última chama. Um olho biônico invadido em mim antecipa em pensamento o sentido de cada gesto e de cada palavra que dirijo aos outros. Isso destrói e apaga a rugosidade da vida, sua face opaca, transformando tudo em significação pura, em 'pura significação'. Tudo agora está liso e eu funciono, eu transito. Não é espantoso?! Às vezes eu penso: quer dizer então que acabei por exorcizar o componente de opacidade que alegra e mina a existência de cada homem? Desfinitizei-me? Por componente de opacidade entendo o fato de que as significações dos gestos e atos de alguém lhes são, em grande parte, desconhecidos ou conhecidos apenas posteriormente, Isto é, há um hiato entre o gesto e o pensamento, e o gesto excederia o que pode ser pensado no pensamento, mas, no meu caso, a transparência do sentido, sua anterioridade total e sua incrível saturação, já coincide e já antecipou o gesto que realizo. Sou um homem deduzido, não um homem inaugural. Penso então que minha vida desconheceu a intensidade e o arrebatamento, e que, então, talvez a criança que fui inexistiu. Ou ela jamais teve gesto ou, de algum modo, esse gesto lhe foi roubado. Caiu muito asfalto, caiu piche no braço e no rosto de uma criança. Pois, como é possível uma criança sem gesto? Teria de haver uma criança sem corpo. (...) o mundo me parece invertido agora, pois é o pensamento que legisla o gesto e a idéia que comanda o corpo. Trata-se de uma existência em segundo grau, tísica mesmo, uma existência em pensamento, pois no adulto que sou aniquilaram-se sombra e corpo, e eu apenas dou voltas nesse reino ofuscado; reino de autotransparência. Já não tenho nem sonhos, dsconheço o milagre das cifras noturnas e eles (os sonhos) são meus velhos teoremas de acordado. Eu sou uma vigília permanente, observo tudo mesmo quando estou dormindo. (...) Os nomes precedem tudo. Os conceitos estão grudados em mim parece que desde sempre. Eu me fabrico a partir de conceitos. Ser é igual a ser autoproduzido a partir da idéia. Por isso já anotei: 'Eu nunca passei de cibernética, de imperador do vácuo e do barroco. Eu sou o estrategista de mim mesmo, artista da fome e fracasso da verdade'. Portanto, não há auto-observação, mas uma autofabricação avassaladora, uma simulação permanente de presença, uma simulação performática de quem teve a primeira presença roubada. (...) Tornei-me uma astúcia desvairada, um gigante do speech-act... mas se é assim, se eu sou apenas um Flipper lingüístico, ladrão de frases e relatos, o que teria ou não teria acontecido no velho país da infância?"



JULIANO GARCIA PESSANHA,


INSTABILIDADE PERPÉTUA

Monday, December 20, 2010

Noite Feliz para os perturbados

Quem me inspirou as seguintes palavras foi, uma vez mais, a Morcega Olímpia, e é pra vós que as dedico, embora radicalmente cristãs, ao meu modo, o que no fundo não dista em nada de vossa natureza sombriamente luminosa..
Cristianismo, sim, natalismo NÃO! Saco cheio das liturgias todas, das liturgias ocas, e seus templos podres. Quero de volta as igrejas pobres, a dos primeiros, a dos herdeiros, a dos hereges. Comunhão dos grandes santos, anacoretas escondidos e heróis anônimos da fé. E saco cheio de ver, a cada fim de feira, ops, de ano, Jesus Cristo confundido com o bozo da feira (Papai Noel) e reduzido a criança anormal deitada em presépio idiota no canto da sala enquanto as famílias vivem seus ritos miseráveis de comer-beber-blablablar. 
Jesus, pacato padroeiro da 'harmonia' natalino-familiar?  E o que me dizeis das seguintes palavras do jovem iconoclasta e "perturbado" que arrebentou os grilhões, expulsou os vendilhões, e deu deliciosos pés-na-bunda verbais nos falsários de seu tempo? 
"Não julgueis que vim trazer a paz à Terra. Não vim trazer a paz, mas a espada. Vim trazer a divisão entre filho e pai, entre filha e mãe, entre nora e sogra. Os inimigos do homem serão as pessoas de sua própria casa. Quem ama seu pai e sua mãe mais que a mim não é digno de mim. Quem ama seu filho mais que a mim não é digno de mim" (Mt 10, 34-37).
O crítico marxista e cristão Terry Eagleton anota a propósito desse trecho bíblico:
"É extraordinário que Jesus seja tantas vezes apresentado como um defensor dos valores familiares, ele que rejeita a importância de sua própria família com a maior regularidade. Na verdade, os valores familiares radicalmente transformados por Jesus rezam que a família biológica deveria ceder lugar a uma nova família fundada no compromisso comum de seguir o chamado de Deus".
Os adoradores em espírito e verdade não têm canga nenhuma sobre os ombros, nem a da família, nem a de quaisquer outras instituições formais, corrompidas e carcomidas.
Jesus nos chama um a um, e nos chama a sermos "Um" (Monos-Monastério: sozinhos, eremitas), unos com ele, como ele é Uno com o Pai, tabernáculos vivos, unitários, purificados e em comunhão universal ("católica") com as almas, solidários com todos os pecadores (todos nós), mas nunca de boca calada nem, muito menos, de cú arreganhado para os pecados e as igrejas de Satanás, o papa deste mundo. Amar o pecador, odiar o pecado, como ensinava o catecismo..
Noite Feliz? Ao lado dos perturbados, dos desesperados, dos aflitos, dos pobres, dos deserdados. Com alma casta e dentes desinfetados do amarelo dos sorrisos falsos de mais uma enfadonha noite feliz  dos natalinos e seus meninos, bois e vacas de presépio. 

Monday, December 13, 2010

a escola do Piorismo

Mal lançou seu clássico do Piorismo, "aaaai.. quanto Piorhh, melhorhhh", a pantera aristocrata trágica Cristã-Pior  dos cursos chiques implora-marido (as implora-marido são suas colegas de trabalho, colegas de aspiração místico-sexual e sua ração suja de mensalidade) já pode celebrar mais um "feitio": o "mundio" nordéstino-redimido da elite bourdieu-tupinica parece se render a suas encíclicas papísticas Piorísticas, que já fazem escola, irradiam novos nobres "produtios" editoriais -vide abaixo o novo clássico da escola, "Serena"- e podem cobrar mais mensalidades implora-marido "mundio" afora. Parabéns, implora-marido sênior!  Me dá um autógrafo?
-Unzuhause-

Em homenagem à merda filosófica em saco vendido como livro, leiamos em bom marrom:

13/12/2010 - 08h44

"Detesto escrever pra gente pobre", diz Vera Fischer

 

Vera Fischer lança este mês o primeiro de uma série de dez livros. O romance, chamado "Serena", estreia a coleção que terá como título apenas nomes de mulher e é "vibrante" na descrição da própria autora.

Os dez livros foram escritos em um ano e trazem episódios autobiográficos em sua trama, mas a atriz não revela quais são. "É segredíssimo", brinca.

A informação é da coluna Mônica Bergamo, publicada na Folha desta segunda-feira (13). A íntegra da coluna está disponível para assinantes do jornal e do UOL.

Uma característica que todos os personagens de Vera Fischer têm em comum é o fato de serem ricos.

"Eu não sei escrever pra gente pobre. Eu detesto", diz Fischer. Para ela, a vida dos ricos é mais interessante. "Cada livro tem pelo menos uma viagem ao exterior."

"Serena" será lançado no próximo dia 20.


Thursday, December 02, 2010

sublime mãe catarina


em sujos odores,
tristes torpores
de amores
inferiores
o tempo que toca
pureza que volta
pro colo da mãe
dançando com ela
na plena esfera
no fim do
assalto das eras
do asfalto de trevas
florescem imagens
aromas de cátaros
sonoros sublimes
estrela que nina
rodopio da menina
que sonho, que sugo
no colo da mãe
liberto menino
d' "o homem que sabia demais"
eu sei demais
do tempo bandido
que rouba a origem
que tranca a esperança
que trai, que vicia
que anestesia
eu sei demais
das gangues de ratos
pisados com a bota
de preto do bope,
faço minh' ode
ao Nascimento
heróico de si
e do sim
à pena
de morte
pra morte

Sunday, November 28, 2010

a voz da carne



"O objetivo do cristianismo foi o de nos libertar de nossa determinação natural (da determinação pela natureza), dos desejos e dos impulsos; com isso, pretendia-se que o homem não se deixasse determinar por seus desejos. Isso não significa que ele não possa ter desejos, mas sim que os desejos não devem tê-lo, que eles não devem se tornar fixos, indomáveis e indissolúveis. Ora, aquilo que o cristianismo (a religião) tramou contra os desejos não poderemos aplicar a seu próprio preceito segundo o qual o espírito (pensamento, representações, idéias, fé etc) que nos deve determinar? Não poderíamos exigir também que não fosse o espírito ou a representação a idéia a nos determinar, que eles não deveriam se tornar fixos e intocáveis ou 'sagrados'? Se assim fosse, estaria aberto o caminho para a dissolução do espírito, para a dissolução de todos os pensamentos ou representações. E tal como antes se dizia que podemos ter desejos, mas os desejos não nos devem ter, agora se diria: podemos ter espírito, mas o espírito não deve ter a nós. Quem não encontrar sentido nessa última proposição, que pense naquele para quem uma idéia se torna uma máxima, transformando-o em seu prisioneiro de tal modo que não é ele que tem a máxima, mas a máxima que o tem. E com a máxima ele tem de novo um 'ponto de vista estável'. As doutrinas do catecismo tornam-se, sem que percebamos, nossas regras fundamentais, e não é possível rejeitá-las depois. O pensamento que os anima -ou seja, o espírito- detém o poder exclusivo, e não dá ouvidos a nenhuma objeção da 'carne'. E, no entanto, é apenas por meio da 'carne' que eu posso quebrar a tirania do espírito, pois só quando se dá conta da voz da carne é que um ser humano se dá conta completamente de si, e só quando se dá conta completamente de si é que ele é um ser verdadeiramente perceptivo ou racional. O cristão não percebe a miséria de sua natureza amordaçada, todavia vive em 'humildade' , e é por isso que não resmunga contra a injúria feita à sua pessoa: sente-se satisfeito com a 'liberdade de espírito'. Mas se a carne se impõe e seu tom, como não pode deixar de ser, se torna 'apaixonado', 'indecoroso', 'incorreto', 'mal-intencionado'... ele julga ouvir vozes do diabo, vozes contra o espírito (porque a decência, a ausência de paixão, a correção etc são...o espírito), e insurge-se, compreensivelmente, contra elas. Se as quisesse tolerar, não seria cristão. Só dá ouvidos à moralidade e combate a imoralidade; só dá ouvidos à legalidade e amordaça a palavra sem lei. O espírito da moralidade e da legalidade é a sua prisão, um senhor que o domina de forma rígida e inflexível. A isso, eles chamam de o 'poder do espírito' –e é, ao mesmo tempo, o ponto de vista do espírito".



MAX STIRNER,

O Único e Sua Propriedade

Tuesday, November 23, 2010

Nelson explica..Bourdieu também!

Todas as minhas crenças estão em profunda crise devido ao poder iconoclasta incrível, impiedoso  e arrasador  dos En-VIADOS do verdadeiro Deus, do Deus além-Deus, apofático sombrio niilista..  Já não sei o que fazer, estou sem chão. E tudo em que acreditei antes das encíclicas infalíveis do papa-ilusão?... Ohhhhhhhh , deus meu Deus,  que será de mim.??? E meus últimos fiapos de idealismo natalino se incendeiam de vez agora que até Richarlyson..até tu precisas recalcar vossas "vergonhas" desse modo, discípulo de Bordieu? Um remake de "O Príncipe" de Maquiavel de auto-ajuda para alpinistas sociais assombra  como um espectro no mundo de-privado.. Richarlyson..  não, não, leiam por vós mesmos, amados, eu preciso de quarto escuro, aspirina, prozac  e cabeça debaixo de travesseiro.. para.. pensar em tudo isso OHHHHHHHHHHHHHHHH DEUS, MEU DEUS! OBRIGADO PELO GAFANHOTO-FILÓSOFO QUE MANDASTES AO MEU DESERTO TRAZER ESCLARECIMENTO E DESILUSÃO NIILISTA COM ESSE "MUNDIO" CRUEL!!!

22/11/2010 - 15h14


Árbitro relata na súmula que Richarlyson o xingou e o chamou de 'viado'

O árbitro Héber Roberto Lopes relatou na súmula o motivo de ter expulsado Richarlyson na partida entre São Paulo e Fluminense, domingo, em Barueri. Segundo o documento divulgado pela Confederação Brasileira de Futebol, o jogador proferiu xingamentos ao árbitro após cometer uma falta e ainda o chamou de veado ao deixar o campo.


“Após cometer uma falta contra seu adversário, o mesmo dirigiu-me as seguintes palavras. Seu filho da p... vai tomar no c.. Relato ainda que fui informado pelo quinto árbitro que quando o mesmo deixava o gramado proferiu as seguintes palavras: além de tudo, ele é viado”, diz a súmula da partida.


O procurador do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) Paulo Schmidt disse que ainda não viu a súmula, mas confirmou que o atleta será julgado, procedimento que tem sido regrar com quem levou cartão vermelho no Campeonato Brasileiro.


O lateral pode ser enquadrado no artigo 243-F do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) que fala em ofensa. A pena varia de uma a seis partidas.


A ofensa homofóbica atinge um dos atletas que mais se envolve em polêmicas sobre preconceito no futebol nacional. Richarlyson afirmou algumas vezes ter sofrido preconceito.


Em campo, Richarlyson foi o jogador muito criticado e acusado de ter feito corpo mole e facilitado para o adversário. Ele chegou a ser alvo de piadas pelo seu desempenho no jogo de domingo.


Diante de uma atuação pífia no primeiro tempo, o lateral levou uma bronca de Fernandão. Ele ainda foi expulso aos 24 minutos do segundo tempo e deixou o São Paulo com nove em campo.

Monday, November 15, 2010

as coxas da mata-bloqueios

Logan Tom, show de bola do time de vôlei dos EUA, que no Mundial ficou em quarto (e pena que ela não ficou "no MEU" quarto, diria um tarado parceiro de boemia, amigo meu); na foto abaixo, ela fulmina o bloqueio


Como o "io voglio una donna" do tiozinho doido em cima da árvore em Amarcord de  Fellini, quem tem medo de virar a véia tiazona chata, a "solteirona casada" vindo encher o saco toda hora em seus pronunciamentos papais, que por leis de cotas em favor dos desfavorecidos da sorte  e da virilidade, e por questão de decoro da controvérsia democrática, a família se dá ao trabalho de deixar falar, como "o Filho do Homem não encontra o seu ninho para pousar a cabeça", como o horror que acomete meu Ego-Ira ante os  nadas gosmentos de pata e antena que nele tentam se encostar, graxosos, viscosos, esses carecas ontológicos imbecis que, sem teto capilar próprio, tentam irritar e dividir espaço na cidade arrastada, estrumes empilhados e dando saltinhos em dois pés, retardando e me forçando a repetições que estorvam o tempo do meu Ego-pressa como quem espera godot nas filas do metrô, como quem olha às gargalhadas o vôo da corva, quem é a corva, é o corvo feito de mulher, "linda esposa" do corvo abstrato, enquanto no céu de verdade quem voa é teu salto e cortada, o que me salta feito um raio nos bloqueios do sonho é você, Logan Tom, e tuas coxas que voltam ao chão com um tremorzinho, delirium tremens para meu  Ego-fome, larva incandescente corroendo couraças, fulminando os "bloqueios", desconstruindo os  andaimes, dando paulada e pontapés e tiro de escopeta nos arqui-velhos-tetos ascéticos dos sem-teto capilares que me ensinaram Ego-mentiras no clube do papa dos papa-garotinhos.

Tuesday, November 09, 2010

a catedral do coração humano





Festa da dedicação de uma catedral, festa da Igreja

Bem-aventurado John Henry Newman (1801-1890), presbítero, fundador de comunidade religiosa, teólogo

Uma catedral é fruto de um desejo momentâneo ou é algo que se pode realizar pela vontade? [...] Com toda a certeza, as igrejas que herdámos não resultam apenas da gestão de capitais, nem são uma pura criação do génio; são fruto do martírio, de grandes feitos e de sofrimentos. As suas fundações são muito profundas; elas assentam sobre a pregação dos apóstolos, sobre a confissão da fé dos santos, e sobre as primeiras conquistas do Evangelho no nosso país. Tudo o que é nobre na sua arquitectura, que cativa os olhos e chega ao coração, não é um puro resultado da imaginação dos homens, é um dom de Deus, é uma obra espiritual.
A cruz assenta sempre no risco e no sofrimento, é sempre regada com lágrimas e sangue. Em parte alguma cria raízes e dá fruto se a pregação não for acompanhada de renúncia. Os detentores do poder podem fazer um decreto, favorecer uma religião, mas não a podem estabelecer, podem apenas impô-la. Só a Igreja pode estabelecer a Igreja. Só os santos, os homens mortificados, os pregadores da rectidão, os confessores da verdade, podem criar uma verdadeira casa para a verdade.


É por isso que os templos de Deus são também os monumentos dos Seus santos. [...] A sua simplicidade, a sua grandeza, a sua solidez, a sua graça e a sua beleza não fazem senão recordar a paciência e a pureza, a coragem e a doçura, a caridade e a fé daqueles que não adoraram a Deus apenas nas montanhas e nos desertos; eles sofreram, mas não em vão, porque outros herdaram os frutos do seu sofrimento (cf Jo 4, 38). Efectivamente, a longo prazo, a sua palavra deu fruto; fez-se Igreja, esta catedral onde a Palavra vive desde há muito tempo. [...] Felizes os que entram nesta relação de comunhão com os santos do passado e com a Igreja universal. [...] Felizes os que, entrando nesta igreja, penetram de coração no céu.

Monday, November 08, 2010

espetacular II


Filósofo Vladimir Safatle estreia amanhã coluna semanal na Folha


Professor escreverá sobre política nacional e internacional e cultura

DE SÃO PAULO

O filósofo Vladimir Safatle, 37, estreia amanhã como colunista da Folha, na pág. A2. Professor livre docente do Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo, Safatle é especialista em epistemologia (teoria do conhecimento) da psicologia e filosofia da música.


Professor visitante das Universidades de Paris 7, Paris 8, Toulouse (França) e Louvain (Bélgica), Safatle é responsável por seminário no Collège International de Philosophie (Paris) e um dos coordenadores da International Society of Psychoanalysis and Philosophy.


Tem artigos publicados em periódicos de França, Reino Unido, Argentina, Japão e Espanha.


Durante a campanha eleitoral, escreveu uma coluna semanal às segundas-feiras nos cadernos Poder e Eleições 2010: "A coluna era muito focada no debate eleitoral. Agora eu gostaria de articular outros temas: política internacional, nacional e crítica da cultura".


O filósofo diz que pretende mostrar "como o pensamento de esquerda é capaz de sintetizar problemas novos e encontrar respostas inesperadas para os antigos". Para ele, a "discussão deve ser feita com a opinião pública, e não só na universidade".

Saturday, November 06, 2010

toquem o meu coração

RÁDIO PIRATA
Composição: RPM ( Luiz Schiavon/ Paulo Ricardo)

Abordar navios mercantes
Invadir, pilhar
Tomar o que é nosso
Pirataria nas ondas do rádio
Havia alguma coisa
Errada com o rei...

Preparar a nossa invasão
E fazer justiça
Com as próprias mãos
Dinamitar!
Um paiól de bobagens
E navegar o mar
Da tranqüilidade...

Toquem o meu coração
Façam a revolução
Que está no ar
Nas ondas do rádio
No submundo
Repousa o repúdio
E deve despertar...

Oh! Oh! Oh! Oh!
Oh! Oh! Oh! Oh!...

Disputar
Em cada freqüência
Espaço nosso
Nessa decadência...

Canções de guerra
Quem sabe canções do mar
Canções de amor
Ao que vai vingar...

Toquem o meu coração
Façam a revolução
Que está no ar
Nas ondas do rádio
No underground
Repousa o repúdio
E deve despertar

Oh! Oh!...
Oh! Oh! Oh! Oh!
Oh! Oh! Oh! Oh!
Oh! Oh! Oh! Oh!
Oh! Oh! Oh! Oh!...

Toquem o meu coração
Façam a revolução...(2x)

Wednesday, October 20, 2010

não nos deixeis descansar em "paz" nunca, mestre

José Ângelo Gaiarsa, 1920-2010

Chico Xavier previa que seu passamento ocorreria em um dia marcado por grande alegria do povo brasileiro. E não deu outra: partiu em pleno domingão da conquista do pentacampeonato da "Seleção Brasileira". Já Gaiarsa, outro grande mestre, da mesma cepa dos avatares espirituais que caminham entre nós como cristos e budas anônimos, acaba de nos deixar, mas em dias não de alegria e sim de inquietação: dias que confirmam a olho nu tudo o que Gaiarsa denunciou e combateu sobre a peste emocional da humanidade, que nasce na família e vira religião política do rebanho e de seus tutores (ou candidatos parvenus a serem tutores do que quer que possam). Que espetáculo risível de oportunismo e baixeza estamos assistindo nestes tempos eleitorais! Como pode ser medíocre o ser humano quando se faz aproveitador da religião como santo sudário  para embalar suas mentiras, inseguranças e seus desejos mais ridículos de poder e de prestígio pessoal. Confirmação, na superfície do legível, de um câncer que apodrece o corpo social. A sociedade da privada, depravada, privatista, é uma usina de neuroses que usufrui da sua energia envenenada para seguir "trabalhando" pela e lucrando com sua própria destruição. Que bom que o golpe, de tão canhestro e patético, esteja já escancarado, e devidamente avaliado pelas pessoas intelectual e moralmente capazes: perucas ao chão, seu caveirão,  eleição fica pra outra encarnação! Vai tomar um bom prozac pra se acalmar de mais um insucesso, e assista apaziguado (a "paz" entre aspas, tudo entre aspas, coisa pra gente como você) a vitória de Dilma e do campo popular-democrático que ela hoje representa, suprapartidário, tão lindamente retratado no evento de ontem no TUCA (teatro da PUC de São Paulo), em apoio à candidata do PT.
Frei Betto, Chalita (que energia tem esse "rapaz"! fiquei bem impressionado, acho que ele vai longe), Erundina (muito, muito ovacionada; amo você, guerreira arretada), Eduardo Suplicy, Marta, Mercadante, Ana Maria Araújo Freire (mulher de Paulo Freire) e tantos outros grandes. O teatro histórico do TUCA superlotado. Uma festa de religiosidade política (toda religiosidade é política) no sentido bacana do termo, o sagrado imanente à alegria, à solidariedade e ao sentimento da Libertação, que vai muito além das instâncias do poder (na verdade é o oposto do poder, como nos ensina o anarquista Nazareno), mas que passa sim, culturalmente, pelas mediações institucionais da sociedade vigente. Vamos à luta, vamos à vitória! Sem descanso nem paz, como Gaiarsa, mestre da política da alma, e das guerras de Libertação da libido, certamente gostaria e espera de nós, de onde estiver nos vendo com seu sorriso maroto e seu boné de eterno moleque insubordinado à peste que envelhece e encaveira os homens mesmo quando, supostamente, e sempre entre aspas, se consideram ainda  "vivos".
"É DILMA, É DILMA SIM, PORQUE EU NÃO PENSO SÓ EM MIM" (criação de Chico Buarque em ato pró-Dilma anteontem, no Rio, e ontem também  entoado com muita empolgação)
"OLÊ OLÊ OLÊ OLÁ, DILMA, DILMA"

Monday, October 18, 2010

entre aspas, ecce homo (ssexual)

Amados,

Conforme prometido semana passada, inicio uma breve rememoração de certos comentários pretéritos do boletim do Monastério, apenas por uma questão de economia de tempo e de saco: ante a repetição tediosa, no "mundus imundus", do strip-tease de travecas-papisas cuja calcinha niilista (que esconde o pingolim da crendice ególatra) pede pra ser puxada sem dó, estou sem paciência de ficar redizendo noutras palavras o que já foi dito. Não vejo necessidade de apelar pra eufemismos apotropaicos que funcionem como repetitivas "neutralizações" verbais da Verdade (a careca ontológica sente um frio na nuca e corre pra peruca, até que o vento bata de novo na testa, e dá-lhe nova peruca, e mais vento etc). Mas por que, neste flashback, começar justamente pelo relato evangélico do nascimento da Papisa Satã?
Claro que vai aqui um gesto de marketing: estamos falando nada menos do que da Papisa Satã, meus amados, aquela que é capaz de abalar céus e terra, Monarquias sacrossantas e Repúblicas democráticas, com o peso de sua sapiência pegajosa e gordurosa feito graxa !! Alguém Phd, alguém da Elite!!   
-Sabe com quem está falando? [pergunta a Mestra-papisa impotente, digo, imponente.. trovões parecem irradiar de seus o-Cu-linhos fashion, fome de rainha Richarlyson sendo expulsa todo jogo pra provar que é macha, ainda que em suas chuteiras róseas]
-Eu sei, eu sei [eu diria com um tímido dedo indicador pra cima, sorriso no canto da boca, olhar penetrante]
-Cala a boca, a aula acabou.
E do nosso Vaticano tabajara correm rumores de que Papisa Satã está lançando sua tão aguardada autobiografia intelectu-anal, que virá elucidar finalmente o mistério de sua genialidade, suas fontes ancestrais, heróis intelectu-anais de cabeceira, o momento decisivo (abraâmico, dir-se-ia) da Escolha Divina entre aspas (tudo nessa rainha Richarlyson das "faculdades-de-privada" é entre aspas, tudo o que ela pensa e mente e caga com suas faculdades intelectu-anais na privada é entre aspas); ela foi eleita, entre aspas, o "pai", entre MUUUUITAS aspas,  da verdadeira fé e Papisa da bugrada tabajara, Jesusóloga senior dos jesusólogos tabajara com mensalidade e bolsa de pesquisa pra decifrar a mortalidade dos homens e o sexo predileto dos anjos. O da Papisa senior eu já sei! e sem muita bibliografia de apoio rs.. 
O "Ecce Homo (ssexual)" da Porca Beata -que bom se fosse beata de verdade, e não essa fé-demais fedorenta-, suas Confissões, eu dizia, ao que parece, trarão detalhes das guerras palacianas contra os padres hostis, a histórica resistência solitária (junto com a turma dos tabajaras-mirins da jesusologia), a atual luta de morte contra as forças parisienses-uspianas (em que o Herodes de pole-dancing de A Lôca suspeita que possa ter nascido a Criança rebelde, o novo Rei, e luta agora como Cronos para matar no nascedouro quaisquer rebentos da reviravolta, os Filósofos-filósofos, não infectados de mistificação).
Esta é uma história emocionante, meus amados. No que puder oferecer meu humilde auxílio, desde os recantos obscuros de meu Monastério, contem comigo. Pra começar, rememoro o que os evangelhos apócrifos dizem sobre o NASCIMENTO DO MITO: como Papisa Satã veio ao mundo? Será um avião, um pássaro, não, será a mulher do corvo, o corvo feito mulher, será o  "Super-Homem", entre aspas???? Estas e outras descobertas sensacionais estão nos evangelhos recém-desenterrados, e ainda em vias de tradução do medieval arcaico. Como ponto de partida então, que rememoremos, para alegria da bugrada tabajara, o que já se sabe da gênese da grande Papisa Satã.
O post é de meados deste ano, como se segue. Boa (re) leitura!
-Unzuhause-


Falava em solidão dias atrás, e Deus,ou meu diabinho (daimon), já começa a semana me dando, mal acordei, um tapete vermelho (ou casca de banana) como passarela rumo à vigília: palavras de meu maior amódio filosófico, o meu caro e solitário Friedrich Nietzsche, em reflexão sobre a sina do grande espírito que é algoz dos covardes mas também presa deles . Muito da grandeza - e da tragédia- do Super-Homem da filosofia talvez se deixem ver nestes dizeres profundamente "auto-clínicos", que comovem por mostrar justamente o oposto do que dizem: a desproteção de quem esbanjava energia mas não a guardava para sua própria proteção e sanidade, um "péssimo administrador doméstico" de si mesmo, a fragilidade de uma alma que amava se odiar e fugir de si, como vemos em seu mal-estar e cismas em relação a suas maiores paixões ideais, espelhos dele mesmo, e que ele precisou bombardear para, quebrando-se, encontrar unidade no seu próprio estilhaço: recalcava o que mais o perturbava e o instigava, a mulher (Lou), o santo (Schopenhauer), o gênio romântico (Wagner). Não por acaso sua solução e condenação: solidão. E a rendição a ideais substitutos, claramente "reativos", pra usar sua própria expressão.



Sempre somos auto-clínicos, apesar e por causa de todas as perucas desesperadas que compremos, nos vestuários e perucários socialmente disponíveis da linguagem coletiva, para a nudez culpada de adão broxa comedor de Erva (ele não era muito chegado na gostosa da Eva, preferia ficar estudando com suas ervas, as comendo e as cagando; Eva, então, sempre segundo relatos apócrifos, teve de se socorrer da serpente, não por acaso a raça de homens-víboras com as quais presenteou a Terra Santa, um dos quais "iniciou" vibóricamente o próprio Adão na resolução de seus pecados broxas de antes; assim Adão se fez Madame Satã). A calvície moral e libidinal assolando os sótãos e baratas até dos travecos filosofastros mais consagrados na arte de falar merda, de fazer merda, de ser merda. Merda Mérdieval.


Não seríamos mais belos assumindo e justificando esteticamente nossas carecas, como os metrossexuais (homossexuais sublimados, segundo os maldosos, eu discordo!) que fogem da calvície justamente se raspando todinhos, e até fazendo uma barbicha charmosérrima, compensações que embelezam o destino cruel como se fosse uma questão de escolha e style?


-Unzuhause-


"Um grande nojo provocaram-me até agora os parasitas do espírito: podem-se encontrá-los, em nossa Europa insalubre, já por toda parte, e deveras com a melhor consciência do mundo. Talvez um pouco confuso, um pouco air pessimiste [ar pessimista]; no principal, porém, voraz, sujo, espalhador de sujeira, sorrateiro, acomodado, ladrão, cheio de comichões - e inocente como todos os pequenos pecadores e micróbios . Eles vivem do fato de que outras pessoas têm espírito e o distribuem a mancheias; eles sabem como isso é próprio da essência do espírito rico, dissipar-se despreocupadamente, sem prudência mesquinha, em pleno dia e mesmo de forma esbanjadora. - Pois [e este é o incipit tragoedia existencial de Nietzsche, re-velado (mostrado e reescondido) em sua própria fala autoclínica] o espírito é um péssimo administrador doméstico e não dá nenhuma atenção para o fato de que tudo vive e se alimenta dele."


Friedrich NIETZSCHE


A Vontade de Poder

Friday, October 15, 2010

Tuesday, October 12, 2010

dulcíssima prisão do amor


Dulcíssima prisão esta que me faz tolerar tanto sofrimento e aborrecimento por ti, Corinthians. Sabendo ser a senda, em preto e branco, sempre mais difícil do que a dos outros, sempre mais dolorosa, sabendo ser a sina de quem nasce corintiano marcada para ser, nesse sentido do fardo redentor, mais "cristã" , diria em alusão festiva a mais este feriadão ex-católico que o Brasilzão brasileiro se permite neste dia 12. Viva!
Isto que acontece agora, bagunça, derrotas, demissão de técnico etc, este Monastério já previra em seu lançar privado de búzios na calada da noite da ansiedade gerada pela saída de Mano Menezes, comprado pelo time da CBF (chamado outrora de Seleção Brasileira, essa ridícula abstração). Vou ter que começar a repetir posts passados pra me poupar trabalho de redizer o que me é óbvio há muito tempo.
Se é verdade que os grandes amores só começam se for na fulminância do instante fundante, "à primeira vista", a mediocridade do mundo por sua vez é também "instantânea", é de um óbvio ululante, como diria mestre Nelson Rodrigues. É de uma evidência cristalinamente burra, embora turva de sua sujeira. Mas -e isso ela tem em comum com o amor, nem sempre sabemos que já estamos amando ou que já deixamos de amar, quando começa ou quando termina a pena da dulcíssima prisão do amor- é uma obviedade que, em cada caso concreto, a gente nem sempre consegue perceber à primeira vista, ou ao primeiro cheiro, mesmo que por muitas vezes um pouco ruinzinho, eita fedozinho..
O golpe da CBF, tomando-nos Mano Menezes, um cara que admiro até pela semelhança física e anímica com meu amado Padre Pedro, de saudosa memória, esse golpe, dizia, se fez sentir por mim como o que era, desde o início: mais uma grave derrota para o futebol brasileiro e para seu maior clube (com o perdão das outras torcidas rs).
Mas o dia é de festa, novo feriadão do Brasilzão brasileiro! Viva!

Wednesday, October 06, 2010

E-terna soberana

MORCEGA OLÍMPIA NITA NIETZSCHE NYX

COM A MÚSICA QUE PRA MIM É SINÔNIMO DE VAMPIRA OLÍMPIA, UMA SINGELA HOMENAGEM A VÓS, RAINHA DAS TREVAS, E-TERNA SOBERANA, PATRONA DESTE REINO QUE VOS RENDE, PELOS SÉCULOS DOS SÉCULOS, LOUCA E PAGÃ E FIEL DEVOÇÃO DE ADMIRAÇÃO, AFETO E AMIZADE KKKKKKKKKKKKKKKKK

OBRIGADO POR MAIS ESTE PRESENTE (A FERRAMENTA DO YOUTUBE) QUE TROUXESTES A UM BLOG QUE SIMPLESMENTE NÃO EXISTIRIA SEM VÓS

BEIJOSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS

-CAIUS CALÍGULA-

Monday, October 04, 2010

espetacular


Numa eleição tão pobrinha de idéias e de teatro no sentido forte, em termos de emoção aristotélica e criticidade brechtiana, um alívio e alento e rejuvenescimento para quem não abdica do pensar profundo vêm dos artigos na Folha de São Paulo do novo grande nome da filosofia brasileira, Vladimir Safatle, professor do Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo. Um gigante, aliando seriedade e inteligência, erudição e segurança de si. Capacidade. Virilidade. Obrigado professor Vladimir. Você veio para ficar.

Sunday, October 03, 2010

Saturday, October 02, 2010

habentibus symbolum facilis est transitus


"É necessário contar com a magia dos símbolos atuantes, portadores das analogias primitivas que falam ao inconsciente. Só através do símbolo o inconsciente pode ser atingido e expresso; este é o motivo pelo qual a individuação [segundo Jung, o processo de desenvolvimento psíquico e maturação da personalidade, com a integração dos seus componentes conscientes e inconscientes] não pode, de forma alguma, prescindir do símbolo. Este, por seu lado, representa uma expressão primitiva do inconsciente e, por outro, é uma idéia que corresponde ao mais alto pressentimento da consciência".


JUNG, C. G.

O Segredo da Flor de Ouro

Monday, September 27, 2010

Sol oculto



"Os homens do abismo", como a Veja tão belamente intitulou, em edição recente, os mineiros soterrados, é expressão forte por seus ecos arquetípicos: a alma é o homem do abismo, mas esquece as virtudes de sua natureza abismal, sendo apenas vítima de seus fardos, quando soterrada na alienação.
Meu catarismo não é fóbico em relação à matéria, a este outro dom e cifra oculta do Espírito que é a matéria. Portanto não situo como vilão do soterramento, como agente da alienação, a corporeidade. Carcereiro e carrasco de si é o próprio "eu- como se o "eu" fosse uma entidade homogênea e unitária, mas vá lá mais esta ilusão antropomórfica, como do gosto dos jesusólogos tabajara, que fazem das metáforas do "Povo Eleito" ou do "Filho do Homem" pretexto burro para o racismo da espécie, o "especismo", fugindo da divindade de luz e fúria que pulsa em cada grão de "eu" do Universo.
Sim, o eu é o agente, ou melhor, o agente-paciente, além de presídio, banheiro e ração, do soterramento, quando sucumbe a hábitos que podem ter sido úteis à vida noutro estágio, mas que, como tudo o que é vivo no tempo, perde o cabelo, vê amolecidos os dentes e ganha apenas em rugas o que gostaria que fosse lido pelos outros como ganho de "experiência". Experiência o cacete, você ficou é velho.
O eu é um manto encardido, uma casa carcomida, quando fecha a janela para o Sol que nasce, quando está alheio ao prazer do camponês que pode abrir as persianas e dizer que "a tempestade acabou agora", como canta a linda música que acabei de conhecer, esta manhã, pelo Sol da TV, à falta do Sol de se ver. A TV tem sido, entre outros primeiros-socorros espirituais, piedosa companhia de cárcere nesses tempos de obrigações pessoais inadiáveis e de saco cheio me arrastando, ralentando os gestos de sempre (embora ameaçando gerar por si próprio um novo "gesto de sempre", velha sina dos hábitos) e impedindo de tolerar nem que por minutos de contágio a sarna dos passeios vazios, travecas ontológicas encardidas profissionais e amontoados humanos monstruosos.
Por isso o vídeo a seguir me tocou tanto. Não como uma agenda de turismo futuro (aliás, por que não?), mas lembrança platônica de que um Sol invictus sorri lá fora do cárcere, oculto dos olhos carcomidos, mas vistoso e exibido rs, chamando a todos, lá no alto do penhasco, à espera impaciente da coragem do eu brotar em flor no abismo, do pavio acender, das pernas decidirem ascender, mas sabendo também ser a coragem de descer, o abismo é quem manda, e somos nós, a seu serviço, quem devemos morrer e renascer a cada tempo, como as células velhas e novas do corpo, como os indivíduos-personagens das estórias alegres e tristes, modorrentas, cruéis e compassivas, que embalam os sonos diuturnos do Grande Sonhador Universal.
O vídeo:

Tuesday, September 21, 2010

a síndrome da boneca de vento: mais que uma patologia conservadora


Nego enchendo o saco pra ser notado já é uma aberração. Nego enchendo o saco, fazendo palhaçada, só pra sentir o bafo da hostilidade alheia e, nessa medida, se sentir existente e significativo, à falta de amor e felicidade sexual, não é só patologia conservadora, termo muito chique pra esses coitados (aliás, amo, sempre amei a leitura dos grandes conservadores, como de Maistre e Auguste Comte). É sim um caso clínico-trágico, até divertido de se acompanhar. Confesso que é um hobby meu nas horas vagas, como a literatura bas fond, quando rasgo meus diplomas e me divirto vendo vídeo de swing no Multishow, programa da Gimenez e do Datena, que aliás acho muito engraçado e corajoso no seu jeitão tosco de ser, etc).
Mas tudo tem seu limite, tem hora que fico cansado, não dos "bons selvagens" do meu amado bas fond, que ao menos é honesto naquilo que se propõe, mas com esses caras constrangedores, esses embustes da civilização artificialesca tão deplorada por Rousseau, que se acham mais do que são e escancaram sua dependência da raiva alheia, tipo boneca de vento de posto de gasolina. Saco. Vão comer feijão pra se segurar por si mesmos em pé, suas bonecas de vento de posto de gasolina!
-Unzuhause-

Monday, September 20, 2010

o furo da Papisa Satã

A véia Madame Satã, nova papisa filosófica do Brasil, abre as asas gosmentas rumo à consagração definitiva; mais um e último furo espetacular da respeitabilíssima e (re) finada Revista dos Jesusólogos Tabajara, os maiores Jesusólogos do Brasil, de revista que adorava dar o furo, antes de tomar outra e maior e mais urgente utilidade enfeitando e cobrindo furos no "trono" da Papisa Satã


HABESMUS PAPAM!!!!!!!!!!!!!!!!
FONTE: REVISTA JESUSÓLOGOS TABAJARA, ÚLTIMA EDIÇÃO, ÚLTIMA MESMO, ELA JÁ NÃO SERVE PARA MAIS NADA, APESAR DE A GRANDE CONGREGAÇÃO, MAIOR DO BRASIL, A DOS JESUSÓLOGOS TABAJARA, CONTINUAR AVANTE E BEM, MUITO MUITO BEM OBRIGADO!!! ATÉ QUANDO? BOM, A REVISTA EXISTIU ATÉ ONDE FOI ÚTIL À NOSSA PAPISA SATÃ, A VÉIA MADAME SATÃ DOS TEMPOS DE PORCA MAGRA E CABELO NA CABEÇA. AO FIM DOS TEMPOS DE DURA TRAVESSIA NO DESERTO, A PAPISA ESTELAR, DA CARECA DE UM BRILHO QUASE PORNÔ DE TÃO ESPLENDOROSA, E CABELO CONCENTRADO NO QUEIXO FORMOSO, DEVIDAMENTE "INICIADA" E PRONTA PARA SUA VOCAÇÃO PAPAL, DE FARISEU CAGADA AUTO-CHAMADA DE DEUS, PASSOU A DAR O FURO SOZINHA ALÇANDO SUAS ASINHAS GOSMENTAS RUMO AO ALTAR DEFINITIVO QUE TANTO ALMEJAVA, NO "TRONO" (PRIVADA) DO SÉTIMO CÉU; MAS TUDO TEM FINAL FELIZ, SE NÃO FOI FELIZ NÃO FOI FINAL, E A REVISTA JESUSÓLOGOS TABAJARA, MORTINHA, COITADA, PODE IR PARA O CÉU (BOA MENINA QUE ELA ERA) E AGORA SERVIR CUIDAR MAIS DE PERTO, DIRIA INTIMAMENTE, NO TRONO, COMO BOM PAPEL HIGIÊNICO, DOS EFEITOS MATERIAIS INTELECTU "A" NAIS DOS FUROS, INSIGHTS FENOMENOLÓGICOS E IMENSA REPERCUSSÃO DA PAPISA SATÃ, COMO PAPISA SATÃ TANTO SONHOU ENQUANTO EXAURIA-SE A VIDA , BROXAVAM-SE AS FORÇAS, ESCANCARAVAM-SE OS FUROS E CAÍAM PRO QUEIXO FORMOSO OS CABELINHOS DA PAPISA SATÃ.

Saturday, September 18, 2010

nosso lar


"Coloca na cabeça do livro a cepa de vinha que te desenhamos [a imagem acima reproduz o desenho que teria sido feito originalmente pelos espíritos para Allan Kardec para ser divulgado no seu livro, marco fundador do espiritismo], porque ela é o emblema do trabalho do Criador; todos os princípios materiais que podem melhor representar o corpo e o espírito nela se encontram reunidos: o corpo é a cepa; o espírito é o licor; a alma ou o espírito unido à matéria é o grão. O homem quintessencia o espírito pelo trabalho e tu sabes que não é senão pelo trabalho do corpo que o espírito adquire conhecimentos."


Allan Kardec,

O Livro dos Espíritos

Friday, September 17, 2010

São Paulo


Amado Dom Paulo Evaristo Arns, que fez 89 anos neste dia 14, dia consagrado pela Igreja à festividade da "Exaltação da Cruz de Cristo".



"Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho. Os homens se libertam em comunhão".-Paulo Freire (1921-1997)-

Thursday, August 26, 2010

Susanna nas Alturas (da Matrix)

Susanna Queiroz, adorável mochileira mística do Multishow

Povo cativo no Metrô da Sé, São Paulo
+++
Self sonhando em susannas
no ar um multi-show de 'true man'
e o corpo na corda em suores
e os povos cativos cavernam
nas sombras sem tele-visão
-Unzuhause-

Wednesday, August 18, 2010

na casa do Poeta

Casa de Jorge de Lima, em União dos Palmares, Alagoas


Poema do Cristão
-Jorge de Lima-



Porque o Sangue do Cristo



jorrou sobre meus olhos,


a minha visão é universal


e tem dimensões que ninguém sabe.


Os milênios passados e os futuros


não me aturdem, porque nasço e nascerei,

porque sou uno com todas as criaturas,


com todos os seres, com todas as coisas

que eu decomponho e absorvo com os sentidos


e compreendo com a inteligência


transfigurada em Cristo.



Tenho todos os movimentos alargados.


Sou ubíquo: estou em Deus e na matéria;


sou velhíssimo e apenas nasci ontem,



estou molhado dos limos primitivos,


e ao mesmo tempo ressôo as trombetas finais,


compreendo todas as línguas, todos os gestos, todos os signos,


tenho glóbulos de sangue das raças mais opostas.

Posso enxugar com um simples aceno
o choro de todos os irmãos distantes.


Posso estender sobre todas as cabeças um céu unânime e estrelado.


Chamo todos os mendigos para comer comigo,


e ando sobre as águas como os profetas bíblicos.


Não há escuridão mais para mim.


Opero transfusões de luz nos seres opacos,


posso mutilar-me e reproduzir meus membros, como as estrelas do mar,


porque creio na ressurreição da carne e creio em Cristo,


e creio na vida eterna, amém!



E, crendo na vida eterna, posso transgredir leis naturais:


a minha passagem é esperada nas estradas;


venho e irei como uma profecia,


sou espontâneo como a intuição e a Fé.


Sou rápido como a resposta do Mestre,


sou inconsútil como Sua túnica,


sou numeroso como a sua Igreja,


tenho os braços abertos como a sua Cruz despedaçada e refeita


todas as horas, em todas as direções, nos quatro pontos cardeais;

e sobre os ombros
A conduzo através de toda a escuridão do mundo,


porque tenho a luz eterna nos olhos.


E tendo a luz eterna nos olhos, sou o maior mágico:


ressuscito na boca dos tigres, sou palhaço, sou alfa e ômega, peixe,
cordeiro comedor de gafanhotos, sou ridículo, sou tentado e perdoado,


sou derrubado no chão e glorificado, tenho mantos de púrpura e de estamenha,


sou burríssimo como São Cristóvão e sapientíssimo como Santo Tomás.


E sou louco, louco, inteiramente louco, para sempre, para todos os séculos,


louco de Deus, amém!


E, sendo loucura de Deus, sou a razão das coisas, a ordem e a medida;


sou a balança, a criação, a obediência;


sou o arrependimento, sou a humildade;


sou o autor da paixão e morte de Jesus;


sou a culpa de tudo.


Nada sou.


Miserere mei, Deus, secundum magnam misericordiam tuam!

Sunday, August 08, 2010

espetáculo

Uma das maiores lutas que já assisti na minha vida! Me lembrou os tempos de Tyson, de Rocky. Eram duas da madruga de hoje, vibrei como num gol do Coringão, vizinhança que me perdoe. Anderson, na raça, depois de humilhado ao longo de intermináveis 9 dos 10 minutos totais da luta, o cinturão já tinha novo dono, só no finalzinho Anderson, esgotado, costela machucada nos treinos (o que explica sua estranha imobilidade ontem) virou tudo, num golpe preciso de jiu-jitsu, e venceu o Chael Sonnen, o americano falastrão (mas que estava fazendo tudo o que prometeu, bom que se diga). E dizem que o próximo confronto do Aranha será, nada mais, nada menos, que com Vitor Belfort! Valeu Anderson. É de provações, expiações como a de ontem, e da humildade do seu gesto no final, ajoelhando em reverência ao adversário, respeitando o deus interno do inimigo vencido, que se faz um grande campeão como você.

Thursday, August 05, 2010

com açúcar e com afeto




05/08/2010 - 11h06
Pesquisa CNT/Sensus: Dilma tem 41,6% das intenções de voto; Serra, 31,6%
Camila Campanerut

Do UOL

EleiçõesEm Brasília
Pesquisa CNT/Sensus divulgada na manhã desta quinta-feira (5) indica que a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, atingiu 41,6% das intenções de voto, contra 31,6% de José Serra (PSDB). Em terceiro lugar, aparece a senadora Marina Silva (PV) com 8,5%. Votos em branco, nulo e indecisos totalizam 14,3%. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para cima ou para baixo.
Na simulação de segundo turno, a candidata petista apresenta 48,3%, contra 36,6% do ex-governador de São Paulo. Nesse cenário, brancos, nulos e indecisos somam 15,3%. Num eventual segundo turno entre Dilma e Marina, a petista teria 55,7%, ante 23,3% da candidata verde - brancos, nulos e indecisos chegam a 21,1%.
Caso a disputa na última rodada fosse entre Serra e Marina, o tucano teria 50% das intenções de voto, contra 27,8 da ex-ministra do Meio Ambiente. Brancos, nulos e indecisos obtém 22,3%.
Na pesquisa espontânea, quando não são indicados nomes de candidatos aos entrevistados, Dilma aparece com 30,4% das intenções de votos, contra 20,2% de Serra e 5,5% de Marina Silva. Brancos, nulos e indecisos representam 31,7%.

Com relação à rejeição aos presidenciáveis, 25,3% dos entrevistados responderam que nunca votariam em Dilma Rousseff. Já 30,8% dos eleitores disseram que não votariam em Serra, enquanto 29,7% declararam que nunca dariam seu voto a Marina Silva.
"[O bom desempenho de Dilma] Se deve ao nível de conhecimento da candidata. Ela passou a ter identidade própria e musculatura política. Ela está colhendo os frutos do governo do presidente Lula", disse Clésio Andrade, presidente da CNT (Confederação Nacional dos Transportes).
Expectativa de vitória
Os entrevistados também foram questionados sobre quem ganharia as eleições para presidente da República neste ano, independemente do voto do eleitor. De acordo com o levantamento, 47,1% apontaram Dilma como vencedora, enquanto outros 30,3% indicaram Serra. Para 2,2%, Marina Silva é a favorita.
Foram entrevistadas 2 mil pessoas, em 136 municípios de 24 estados, entre os dias 31 de julho e 2 agosto de 2010. A pesquisa foi registrada no TSE em 29 de julho sob o número 21.411/2010.

Tuesday, August 03, 2010

de estrangeiros, misantropos e cachorrinhos

Um cocker-spaniel tristonho e bonito, da mesma raça do comovente cãozinho doente do "velho Salamano", em O Estrangeiro de Camus

Quem já não ouviu esta pérola da misantropia? "Quanto mais conheço os homens, mais amo meus cachorrinhos". Eu a escuto sempre, cada vez mais, e às vezes, confesso, eu a escuto de mim mesmo... E nem sempre precisa tomar a forma destes dizeres, basta o élan de choro e de ódio que me acomete ao saber de barbaridades humanas contra algum cachorrinho ou outro ser qualquer... em que se possam projetar afetos antropomóficos (não é o caso dos vírus e bactérias, ratos ou baratas, todo antropoformismo, portanto todo sentido global de vida, é na verdade particular e seletivo).

Como assim, que pensar desse antropomorfismo "ecológico" crítico do antropo? Elementar, meu caro Watson! É o paradoxo que me salva da lógica irresistível que haveria no rancor puro e simples com a condição humana! Sim, essa condição é um fardo, mas é dom de amor que nos possibilita até mesmo criticá-la e ir além de tal peso. Super-homens da compaixão, se Nietzsche me permitir essa tradução-traição apaixonada de seu pensamento.
Amamos sempre humanamente mesmo o que, a rigor, recai na fria categoria de os "inumanos", sejam eles apenas diferentes (os demais bichos, por exemplo) ou incógnitos (deuses). E a condição humana é tão elástica e generosa (palavra que vem de gênero, saber ser do seu gênero), que seu gênero é capaz de ser e mais-ser, igualando a si mesma céus, terra e inferno dos outros gêneros de ser os mais disparatados. A ponto de podermos transmutar a igualação em auto-diferenciação, e nos olharmos a nós mesmos com uma ótica descentrada, excelente para corrigir todos os tipos de vaidades e de medos que nos assediam e que fazem do homem o infortúnio da Terra.

Quanto à pérola misantrópica, "quanto mais conheço os humanos...", eu diria o seguinte, à luz e sombra desse descentramento que considero uma variante moderna, etnológico-existencial, do velho e bom (e novo e misterioso) desapego budista: o homem é o futuro do homem, mas é também um passado já cansativo e um presente cada vez mais desagradável. Nada melhor, em tal cenário, do que a salvação que vem do "Outro" de nós mesmos, de amar e de olhar, como os etnólogos e os budistas, o familiar à distância e o familiar do distante. Olharmo-nos a nós humanos como os cachorros nos olhariam. E melhor ainda: amarmo-nos a nós mesmos e uns aos outros, como se fôssemos e exatamente como o que somos, cada qual: um cachorrinho entre outros cachorrinhos, diversos apenas no design e no desígnio.

Friday, July 30, 2010

Jagunça Sherazade


Minha cara-metade é uma Jagunça Sherazade, e Diadorim das vendettas em nome de Alá e nossa mãe Maria com os pés sobre a serpente e beata beatriz da travessia dos umbrais do inferno do sultão fechado em seu próprio rancor antes de reaberto pela lavra que vem da pa-larva e se transmuta em Pa-lavra fecunda de outros caosmos hipoteticamente reais. Assomação assombrada que me faz suportar céus e lodos à procura dos lótus de alguma alquimia que não seja mera fraseologia bem intencionada do condenado no estéril. Sarjetas e templos, castelos e oásis, os íncubos e súcubos da longa jornada de mil e uma vezes noite a-dentro (no dentro e em seu oposto, sem dialética), mãos dadas com a mão invisível não da quimera hipócrita, mas da doce inverdade poética incubadora da Jagunça Sherazade me contando a mim mesmo, em gestas épicas e gestos sutis.
-Unzuhause-
PS: palavras que me vieram ao sopro da seguinte canção:

Saturday, July 24, 2010

desabafo na arquibancada vazia


Até dormi mal de ontem pra hoje, tamanha a inquietação com a notícia que veio a se confirmar na manhã deste sábado: não contente com o lixo de campeonato brasileiro e de seleção brasileira que impõem goela abaixo de todos, a CBF acaba de fazer o favor de nos tomar o técnico responsável pelo renascimento do Timão após o caos do rebaixamento. 
Minha torcida pelo Brasil se encerrou na derrota nos pênaltis para a França, na Copa de 1986. Não pela derrota em si, aquele jogo foi tão maravilhoso e passional que o resultado fica sendo de menos. Os grandes espetáculos , na arte ou no esporte, justificam-se por si mesmos, justiça e injustiça, bem e mal, vitória e derrota ficam aquém do significado que explode e se vive.
Refiro-me a tudo o que se seguiu dali em diante, na virada dos anos 80 para os 90, por efeito da maldita globalização neoliberal e mercenarização geral: êxodo maciço dos jogadores, consequente perda de força dos clubes e de identidade da seleção, era Dunga, era Parreira, seleção, ou melhor, o time da CBF, virando sinônimo de balcão de expropriação e exportação (os torcedores de clubes sabem que, quando um jogador do seu time é chamado, é hora de dizer "good-bye" para ele, arrancar aquela foto do álbum afetivo, pois ele nem voltará da convocação, sendo negociado imediatamente com o estrangeiro) e o dourado da antes gloriosa camiseta tricampeã do mundo desbotando, empalidecendo, perdendo a graça que não foi recuperada, nem de leve, mesmo com os outros dois títulos "burrocráticos "que vieram a acontecer. Mais recentemente, esse lixo de Brasileirão, esse Arrastadão, com seus times medíocres e fórmula insuportável, monótono amontoado de joguinhos, sem o crescendo das fases decisivas e da grande final - um atentado a todos os cânones da dramaturgia viva do futebol. E hoje, a nova expropriação cebefedorenta. Não bastassem as tantas incompetências e arrogâncias. O vôlei mais forte do mundo é o brasileiro (e, ele sim, conta com meu respeito, amor e identificação patriótica), e nele, além da maioria dos jogadores jogarem no próprio país, um técnico genial como Bernardinho não tem que ficar coçando o saco e convocando jogadores para amistosos vagabundos até a época da Copa.. podem permanecer trabalhando em times, se dividindo perfeitamente bem entre as duas funções. Bernardinho abrilhanta a Liga Nacional feminina de clubes, e nem por isso deixa de ser o mestre supercampeão que é da seleção masculina há tantos anos. 
Que o time da CBF perca a final da Copa de 2014 para a Argentina no Maracanã!

Monday, July 19, 2010

o místico do silêncio (19 de julho, dia de Santo Arsênio)

Santo Arsênio, "fundador dos anacoretas e animador dos eremitas, no século IV da era cristã"


Deus fala no silêncio!


CARDEAL D. EUSÉBIO OSCAR SCHEID
Arcebispo da Arquidiocese do Rio de Janeiro


As sagradas páginas da Bíblia testemunham e exaltam o Verbo Divino, Encarnado no ventre da Virgem Maria, expressando, de modo admirável, a ação benevolente de Deus, cujo designo consistiu em revelar-se a si mesmo e manifestar o seu amor por meio do seu Filho unigênito, trazendo, assim, a salvação aos homens. Tendo constatado a precisão com que Deus falou, outrora, a nossos antepassados por meio dos “profetas” e nesses, que são os últimos tempos, o modo como fala-nos por meio de seu Filho único (cf. Hb 1,1), as Sagradas Escrituras não deixam de acenar para a necessidade do silêncio humano diante de tão grande mistério. “O Senhor é bom para os que nele esperam e o buscam; é bom esperar em silêncio a salvação do Senhor; tudo irá bem ao homem que suportar o jugo desde jovem” (Lm 3,25-27).
Definitivamente, o silêncio conquistado por Nossa Senhora, em sua vida, não era inato, nem sequer estático, mas, sobretudo, dinâmico, de atitude diante de tudo o que era revelado (cf. Lc 2,19). Canta-se, com insistência, em nossas comunidades à Virgem do silêncio: “Virgem, que sabe ouvir o que o Senhor te diz, crendo, geraste, quem te criou. Ó Maria, tu és feliz!”
O silêncio espiritual, portanto, não pode ser considerado como mera passividade diante das grandes turbulências da vida, tampouco como a inércia psicológica estruturada pelo misticismo.
Ora, a Tradição da Igreja preserva inúmeros testemunhos da riqueza espiritual, vivenciada pelos santos, através do silêncio. A respeito disso, destacamos a expressiva e contundente consciência de Arsênio, fundador dos anacoretas e animador dos eremitas, no século IV da era cristã: encontrou respostas precisas sobre o silêncio no imperativo divino, que norteou sua vida e suas instruções: “Foge, cala e repousa [FUGE, TACE, QUIESCE]” (Arsênio, 1.2).O primeiro imperativo de Arsênio é uma resposta bastante coerente para os cristãos, em especial para aqueles que vivem em grandes centros metropolitanos, como é o caso da vida proposta pela agitação carioca. Opõe-se sensivelmente à proposição psicológica da fuga da realidade ou da angustiante insanidade do espiritualismo desencarnado e insiste na atividade da consciência humana, que é orientada para a realização última do homem. Ao invés de escapar para o deserto em busca de uma estrutura fantasiosa, o eremita era impulsionado a encontrar um lugar de estabilidade e segurança, por meio do qual sua vida era centralizada nos ensinamentos de Cristo, orientada pela graça e confirmada pela comunidade eclesial, com a qual nunca perdera os laços.
A experiência dos Apóstolos no lago de Genesaré face à tempestade e, em especial, a provação de São Pedro, caminhando sobre as águas, traduzem o valor da exortação para o refúgio na quietude: nunca se limitou em superar as agitações, o medo, os barulhos, a escuridão da noite ou a violência das circunstâncias, porém, a partir da virtude da fé, o imperativo “fugir” se verificou na firmeza inspirada e assegurada por Cristo (cf. Mt 14,26-33). Portanto, o primeiro passo na mística do silêncio é a centralidade da vida cristã firmada em Jesus Cristo.Ademais, ao recomendar a quietude, Santo Arsênio apreciará o silêncio como domínio das más inclinações do espírito humano e fundamento das virtudes. O silêncio acentuado pelos santos facilita ao fiel o detectar das raízes da soberba e da prepotência em si mesmo, para, assim, continuar crescendo na fé. Havendo ressentimento em seu coração, por aquilo que o silêncio indica, os seus sentimentos serão purificados e reordenados. Assim, diante do aquietar-se o homem enxerga os ideais de conversão, propostos pelas bem-aventuranças, abrindo-se cada vez mais à vida nova, oferecida por Deus.A terceira e incisiva exortação do monge anacoreta é a necessidade do repouso. Como os outros imperativos, também este precisa ser entendido para além das noções de passividade. Esse repousar segue o percurso da doação extrema, da entrega absoluta. A capacidade de silenciar é verificada pela disposição da doação sincera, que conduz à quietude. Não é aquele silêncio estimulado pelas monótonas recitações e repetições viciadas, por vezes necessárias à vida de oração, que acabam por se converter em descanso e sono. Esse silêncio supera a rotina e rompe com a preguiça. É, portanto, a força da voz de Deus na vida do homem. Palavra ofertada, Verbo Encarnado, Deus, feito homem... Comunhão! O silêncio revela a vivacidade e a eficácia da palavra de Deus, que “é mais penetrante que a espada de dois gumes, penetra até a separação da alma e espírito, articulações e medula, discerne os sentimentos e os pensamentos do coração” (Hb 4,12). Esse silêncio é mais expressivo que as línguas e qualifica a caridade: “o amor é paciente, é afável; não é invejoso nem fanfarrão, não é orgulhoso nem faz coisas inconvenientes, não procura o próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor, não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acabará...” (1Cor 13,4-8a). Tudo o que se opõe a isso é considerado metal estridente, címbalo que retine, não pertence ao silêncio.
Foge para estabilidade, cala em função do domínio de teus impulsos e repousa, a fim de seres generoso! Ouve a voz do teu Divino Mestre e tudo o que fizeres, faze em segredo, em silêncio, e o Pai celestial, que tudo vê e conhece, te recompensará! Silencia, para vencer o amor próprio e o egoísmo(Mt 6,4), cala-te, para alcançar a comunhão com teu Deus e com teus irmãos (Mt 6,6) e aquieta-te, para que cresças e, em tuas fraquezas, encontres a força espiritual de que precisas (Mt 6,18), para avançar, sempre mais, no caminho da intimidade com Deus e da santidade.