sexta-feira, dezembro 26, 2008

dez motivos para estar vivo em 2009

Aprendi esse exercício com um importante site cultural, o Trópico, e o acho interessante, ao menos como mentalização, primeiro passo, ao meu ver, para um futuro à feição de nossos desejos. Lá vão, sem ordem de importância a não ser nas Três prioridades iniciais, algumas das tais "razões" pra estar vivíssimo em 2009.

1)Amar
2)Amar
3)Amar

4) Avançar o doutorado
5) Não ser menos "espiritual", mas saber ser "material" o suficiente para proteger o espírito (inclusive, sim, quanto a dinheiro, esse tabu católico convertido em tara capitalista)
6) Quebrar rotinas, queimar acomodações no fogo da transformação
7) Viajar - diversificando paisagens e estados de consciência; não por acaso na nossa língua o viajar tem também a conotação do devaneio, andança da imaginação inclusive nas searas do equívoco

8) Ver o Coringão voltar a ser campeão na Primeira Divisão rs; ah, a propósito, tô me lixando pra pergunta de quem conquistou tantos títulos quanto o São Paulo, esse time nerd e chato; eu pergunto é quem é capaz de conquistar um título como o Corinthians, essa paixão desastrosa, gloriosa, incurável
9) Ler e / ou reler amores da minha vida, como Jung, Nietzsche, Goethe etc etc, mas não deixar o ato da leitura se degradar num mero "conhecer" por ouvir dizer; que o conhecimento seja ação, e a ação, conhecimento, e que ambos sejam um só em trindade íntima com o Ser
10) Ser surpreendido por outras e ainda mais deliciosas razões e irrazões da graça de estar vivo, enquanto for -dizendo em linguagem mitológica- da vontade do Misericordioso e da necessidade de meu carma

Amém / Amem

quarta-feira, dezembro 24, 2008

ave, cheia de graça



Hino Akathistos
(século V, autor desconhecido, um dos hinos mais importantes da tradição cristã oriental)

O mais excelso dos anjos foi enviado do Céu para dizer ‘Ave’ à Mãe de Deus. Ao transmitir sua saudação incorpórea, vendo o Senhor fazendo-se homem nela, o anjo, extasiado, deste modo a aclamou:

Ave, por vós resplandecem os gozos,
Ave, por vós se dissolve a dor,
Ave, resgate do pranto de Eva,
Ave, saúde do Adão que caiu
Ave, sois o cimo sublime do intelecto humano,
Ave, sois o abismo insondável ao olhar de um anjo
Ave, levais Aquele que a tudo sustém
Ave, sois a sede do Trono Real
Ave, ó estrela que ao Astro precede,
Ave, morada do Deus que se encarna,
Ave, por vós se renova o criado,
Ave, por vós se faz menino o Senhor!
Ave, Virgem e Esposa!
Bem sabia Maria que era uma Virgem Santa, e por isso respondeu a Gabriel: “Vossa singular mensagem se mostra incompreensível a meu intelecto, pois anunciais um parto virginal em meu seio, exclamando: Aleluia!”
Aleluia, Aleluia, Aleluia!
Ansiava a Virgem compreender o mistério, e perguntava ao Mensageiro divino: “Poderá meu seio virginal dar á luz um filho? Dizei-me!” E aquele, reverente, a respondeu aclamando-a:
Ave, presságio de excelsos desígnios,
Ave, sois a prova de arcano mistério,
Ave, prodígio primeiro de Cristo
Ave, compêndio de toda a verdade.
Ave, ó Escada celeste em que desce o Eterno
Ave, ó Ponte que leva os homens ao Céu,
Ave, cantado portento de coros celestes
Ave, ó açoite que afugenta a horda infernal.
Ave, a Luz inefável haveis portado
Ave, não contásteis a ninguém o ‘modo’
Ave, transcendeis a Ciência dos sábios,
Ave, vós incendiais o coração fiel
Ave, Virgem e Esposa!
A Virtude do Altíssimo a cobriu com sua sombra e fez mãe à Virgem que não conhecia varão: aquele seio, feito fecundo desde o Alto, se converteu em campo ubérrimo para todos os que querem alcançar a Salvação, cantando desta maneira: Aleluia!
Aleluia, Aleluia, Aleluia!
Com o Senhor em seu seio, apressada, Maria subiu à montanha e conversou com Isabel. O pequeno João, no ventre de sua mãe, ouviu a saudação virginal e exultou; saltando de alegria, cantava à Mãe de Deus:
Ave, videira do mais Santo Broto,
Ave, ramo de um Fruto sem mancha
Ave, dais vida ao Autor da vida
Ave, cultivais o Vosso Agricultor.
Ave, sois o campo que mostra as mais ricas graças,
Ave, sois altar em que se oferecem os melhores dons,
Ave, um refúgio aos fiéis preparais,
Ave, um pasto agradável fazeis brotar.
Ave, sois o incenso agradável de súplicas
Ave, do mundo suave perdão,
Ave, clemência de Deus pelo homem,
Ave, confiança do homem em Deus.
Ave, Virgem e Esposa!
Com o coração turbado e pensamentos discordantes, o sábio José se agitava na dúvida; admirando-vos intacta, suspeita esponsais secretos, ó Imaculada! E quando soube que éreis Mãe por obra do Espírito Santo, exclamou: Aleluia!
Aleluia, Aleluia, Aleluia!
Os pastores ouviram os coros de anjos que cantavam a Cristo, baixado entre nós. Correndo para ver o Pastor, o contemplaram como Cordeiro inocente, que se nutre ao seio da Virgem, e cantam assim:
Ave, sois a Mãe do Pastor-Cordeiro,
Ave, recinto do rebanho fiel,
Ave, defesa das feras malignas,
Ave, guardiã da Eternidade
Ave, por vós com a terra exultam os céus
Ave, por vós com os céus rejubila-se a terra,
Ave, sois perene voz dos Santos Apóstolos,
Ave, de Mártires fortes invicto valor.
Ave, potente sustento de Fé,
Ave, de graça esplêndido pendão,
Ave, por vós foi espoliado o Inferno,
Ave, por vós nos vestimos de honra.
Ave, Virgem e Esposa!
Observando a Estrela que guiava ao Eterno, os Magos seguiram seu fulgor. Foi luminária segura para ir em busca do Poderoso, o Senhor.
E alcançando o Deus inalcançável, O aclamaram felizes: Aleluia!
Aleluia, Aleluia, Aleluia!
Os Magos contemplaram em braços maternos Aquele que fez o homem. Sabendo que era o Senhor, ainda que sob a aparência de servo, premurosos o ofereceram seus presentes, dizendo á Mãe bem-aventurada:
Ave, ó Mãe do Astro perene,
Ave, aurora do místico dia,
Ave, os fornos de erros apagais,
Ave, conduzis com vosso brilho a Deus.
Ave, ao odioso tirano afastastes do trono,
Ave, vós Cristo nos dais, clemente Senhor,
Ave, sois o resgate de ritos nefandos,
Ave, sois quem salva do opressor
Ave, destruístes o culto ao fogo,
Ave, extinguis a chama do vício,
Ave, ensinais a ciência ao crente,
Ave, alegria de todas as gentes
Ave, Virgem e Esposa!
Anunciando a Deus foram os Magos, no caminho de volta. Cumpriram Vosso vaticínio e Vos predicavam, ó Cristo, a todos, sem se preocupar com Herodes, o néscio, que era incapaz de cantar: Aleluia!
Aleluia, Aleluia, Aleluia!
Iluminando o Egito com o Esplendor da Verdade, Vós afastastes as trevas do erro, porque os ídolos de então, Senhor, debilitados pela força divina, caíram. E os homens, salvos, aclamaram à Mãe de Deus;
Ave, desquite do gênero humano,
Ave, derrota do reino infernal,
Ave, vós venceis mentiras e erros,
Ave, mostrais a grande falsidade.
Ave, sois o mar que devora o Faraó,
Ave, sois a rocha de que brota a Água da Vida,
Ave, coluna de fogo que guias à noite,
Ave, refúgio do mundo qual nuvem sem par
Ave, vós doais o maná celeste
Ave, ama dos santos júbilos,
Ave, vosso místico lar prometido,
Ave, de leite e de mel manancial.
Ave, Virgem e Esposa!
O velho e inspirado Simeão estava a ponto de deixar este mundo enganoso. Foste dado a ele como uma criancinha, mas em Vós ele reconheceu o perfeito Senhor; e, estupefato, admirando a divina Sabedoria, exclamou: Aleluia!
Aleluia, Aleluia, Aleluia!

sexta-feira, dezembro 19, 2008

sobre super-homens e super-losers




Deus meuuuuu, como é engraçado esse filme "Queime depois de ler", dos irmãos Coen, em cartaz em São Paulo. Seus atrativos vão muito além do elenco estelar - nomes consagrados como John Malkovitch, George Clooney e Brad Pitt, entre outros.
A inteligência da história e da forma como é contada. A ironia do mais ácido quilate, num humor negro com relação aos filmes de suspense e espionagem.
Sátira do método paranóico de existência que se alastra não só nos EUA pós-11 de setembro, mas neste vasto palco de medos, taras e voracidades cegas que é o nosso mundo.
Também a referência ao estereótipo dos "losers" é impressionantemente engraçada. E o chiste mais potente é, sem dúvidas, o que faz ferinas sinapses e latentes ritos de esconjuro entre o conhecido e o "estranho" (Unheimlich), o consciente e o inconsciente, a fachada e o temido.
Como a galeria de losers do filme dos Coen acerta o alvo nesse sentido! Affffffe, e como é assustador o espírito loser, quiçá como a sombra do beco, a ameaça escura de "ficar de fora", o fedido estar "out" e à margem das alegrias solares e perfumadas dos shopping centers da existência alienadamente feliz e obrigada ao sucesso.

Há um momento do filme em que a funcionária da academia, à caça de encontros amorosos, e que é louca para, como repete obsessivamente, se "reinventar" com cirurgias estéticas do dedo do pé à última ruga da testa, vai passando por uma série de fotos num site de candidatos potenciais a amante, e decretando e descartando, um a um: loser! loser! loser! Como se ela também não fosse a própria loser! Mas o pior é que, de fato, esse fenômeno existencial, o loser, é o que mais se pode depreender-com maldade, é claro (e que humor não se nutre de maldade? rs)- daquelas fisionomias em procissão na tela inerte!
O ser loser não é algo impalpável feito o éter, não é algo invisível feito as pulgas de um cão sarnento. Ele se corporifica em gestos, discursos, rostos, em suma, numa certa maneira concreta de estar no mundo, sendo o corpo o veículo e retrato por excelência da nossa travessia, que aliás para o loser não é travessia mas o atravessado, é o estagnado que se move apenas como o atolado nas areias movediças.
Dos fundos da memória infantil, me vem uma metáfora e síntese da fisionomia do loser: a cara desse antigo personagem televisivo Fofão! rsrs Representação da idiotia de nossos tempos, para retomar frase do personagem de Malkovitch no filme.
Imagem de tudo quanto há de fraco, otário, passivo, carente e pidão, nos últimos homens (Nietzsche), nessas entidades temíveis e risíveis que habitam dentro e fora de nós. Que não nos falte também o chamamento de Zaratustra para a vinda , em espírito e corpo, em Verbo tornado carne, para, eu dizia, a vinda redentora do Super-Homem! Um alerta a que não rebaixem sobretudo o winner divino e doloroso que é o Nascido em Belém à caricatura idiota dos papais noéis de saco cheio e alegrias vazias do assim chamado Natal da carneiragem.

a poética bipolar



SIMULTANEIDADE

- Eu amo o mundo! Eu detesto o mundo! Eu creio em Deus! Deus é um absurdo! Eu vou me matar! Eu quero viver! - Você é louco? - Não, sou poeta.

Mario Quintana, A vaca e o hipogrifo

domingo, dezembro 14, 2008

enquanto isso, no reino das sombras..

A atriz inglesa Rachel Weisz


Cena de Batman Begins

Boatos apontam Rachel Weisz como Mulher-Gato no novo BatmanPor Arthur Melo
14/12/2008


O YahooMovies divulgou uma notícia em que aponta Rachel Weisz ("A Múmia", "O Jardineiro Fiel") como possível Mulher-Gato no terceiro filme do Batman. Isso confirmaria de fato a vilã no próximo longa e tiraria Angelina Jolie, favorita pelos fãs ao papel, da corrida ao papel. Mas ainda há outro ponto interessante: segundo a mesma notícia, a Mulher-Gato não será vilanizada noterceiro longa da nova série cinematográfica do Batman.

A Mulher-Gato já deu as caras nos filmes do Homem-Morcego em "Batman - O Retorno", produção de 1992 do diretor Tim Burton, sendo interpretada por Michelle Pfeiffer. Já em 2005, a personagem ganhou um filme próprio (massacrado pela crítica e esquecido pelo público) protagonizado por Halle Berry.

A continuação de "Batman - O Cavaleiro das Trevas" ainda não tem uma previsão para estréia.

sábado, dezembro 13, 2008

touros e fardos do cansaço

Mitra e o sacrifício do touro, após o "transitus" (o animal carregado nas costas pelo deus) até a caverna




"O velho desta carta irradia uma satisfação de criança. Há uma atmosfera de graça à sua volta, indicando que ele está bem consigo mesmo, e com o que a vida lhe proporcionou. Parece que ele está conversando alegremente com o louva-a-deus em seu dedo, como se os dois fossem os maiores amigos. As flores cor-de-rosa que cascateiam em torno dele representam um tempo de deixar-acontecer, de relaxamento e doçura. Elas são uma resposta à sua presença, um reflexo de sua própria natureza. * A inocência que advém de uma profunda experiência de vida é semelhante à de uma criança, sem ser infantil. A inocência das crianças é bela, mas ignorante. Ela será substituída por desconfiança e dúvida à medida que a criança for crescendo e aprendendo que o mundo pode ser um lugar perigoso e ameaçador. A inocência, porém, de uma vida plenamente vivida tem um quê de sabedoria e da aceitação do milagre da vida em eterna mudança".

"O Zen diz que se você abandonar o conhecimento -e dentro do conhecimento inclui-se tudo: seu nome, sua identidade, tudo...-porque tudo isso lhe foi dado pelos outros - se você abandonar tudo o que lhe foi dado pelos outros, , você adquirirá uma qualidade totalmente diferente de ser - a inocência.

Isso será uma crucificação da persona, da personalidade, e haverá uma ressurreição da sua inocência; você se tornará outra vez uma criança, renascida".


Tarô Zen de Osho, carta Inocência


"Vinde a mim todos os que estais cansados sob o peso do vosso fardo e vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vossas almas, pois meu jugo é suave e meu fardo é leve"

Mt 11, 28-30






quarta-feira, dezembro 10, 2008

a caminho do Natal



Oração do Pai-nosso
Frei Betto
www.amaivos.com.br - 10 dez 2008

Pai-nosso que estais no céu, e sois nossa Mãe na Terra, amorosa orgia trinitária, criador da aurora boreal e dos olhos enamorados que enternecem o coração, Senhor avesso ao moralismo desvirtuado e guia da trilha peregrina das formigas do meu jardim,
Santificado seja o vosso nome gravado nos girassóis de imensos olhos de ouro, no enlaço do abraço e no sorriso cúmplice, nas partículas elementares e na candura da avó ao servir sopa,
Venha a nós o vosso Reino para saciar-nos a fome de beleza e semear partilha onde há acúmulo, alegria onde irrompeu a dor, gosto de festa onde campeia desolação,
Seja feita a vossa vontade nas sendas desgovernadas de nossos passos, nos rios profundos de nossas intuições, no vôo suave das garças e no beijo voraz dos amantes, na respiração ofegante dos aflitos e na fúria dos ventos subvertidos em furacões,
Assim na Terra como no céu, e também no âmago da matéria escura e na garganta abissal dos buracos negros, no grito inaudível da mulher aguilhoada e no próximo encarado como dessemelhante, nos arsenais da hipocrisia e nos cárceres que congelam vidas.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje, e também o vinho inebriante da mística alucinada, a coragem de dizer não ao próprio ego e o domínio vagabundo do tempo, o cuidado dos deserdados e o destemor dos profetas,
Perdoai as nossas ofensas e dívidas, a altivez da razão e a acidez da língua, a cobiça desmesurada e a máscara a encobrir-nos a identidade, a indiferença ofensiva e a reverencial bajulação, a cegueira perante o horizonte despido de futuro e a inércia que nos impede fazê-lo melhor,
Assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido e aos nossos devedores, aos que nos esgarçam o orgulho e imprimem inveja em nossa tristeza de não possuir o bem alheio, e a quem, alheio à nossa suposta importância, fecha-se à inconveniente intromissão,
E não nos deixeis cair em tentação frente ao porte suntuoso dos tigres de nossas cavernas interiores, às serpentes atentas às nossas indecisões, aos abutres predadores da ética,
Mas livrai-nos do mal, do desalento, da desesperança, do ego inflado e da vanglória insensata, da dessolidariedade e da flacidez do caráter, da noite desenluada de sonhos e da obesidade de convicções inconsúteis,
Amemos.