Saturday, August 30, 2008

I have a dream

Barack Obama

Martin Luther King

Another head hangs lowly,
Child is slowly taken.
And the violence caused such silence,
Who are we mistaken?
But you see, it's not me, it's not my family.
In your head, in your head they are fighting,
With their tanks and their bombs,
And their bombs and their guns.
In your head, in your head, they are crying...
In your head, in your head,
Zombie, zombie, zombie,
Hey, hey, hey.
What's in your head,
In your head,
Zombie, zombie, zombie?
Hey, hey, hey, oh,
Another mother's breakin'
Heart is taking over.
When the vi'lence causes silence,
We must be mistaken.
It's the same old theme since 1916.
In your head, in your head they're still fighting,
With their tanks and their bombs,
And their bombs and their guns.
In your head, in your head, they are dying...
In your head, in your head,
Zombie, zombie, zombie,
Hey, hey, hey.
What's in your head,
In your head,
Zombie, zombie, zombie?
Hey, hey, hey, hey, oh, oh, oh,
Oh, oh, oh, oh, hey, oh, ya, ya-a...
The Cranberries - "Zombie"
*********
Já não tenho idade para papais noéis, coelhinhos da páscoa e outras crenças do gênero, como por exemplo a de que, um dia, os países tenham o que os homens nunca terão: humildade, generosidade, fraternidade. Os Estados Unidos dificilmente deixarão de praticar políticas obtusas e arrogantes, seja eleito quem for, a qualquer tempo.
Porém não me esqueço do feitiço dos símbolos. A existência que se adensa em afetos e potência se converte em mito.
E Barack Obama, na presente eleição presidencial americana, é um símbolo enfeitiçador. Cativa quem como eu está de saco cheio dos anos Bush, este nefasto inimigo da paz mundial, da melhor justiça social e do equilíbrio ecológico.
E, como primeiro negro com chances reais de conquistar o posto político mais importante do planeta, Obama vem não só encantar, mas também fazer lembrar. E que símbolo não toca nas grandes recordações, não aflora e evoca inconscientes fechados pela tarja do esquecimento?
Mas lembrar o quê? Com seu carisma, suas bandeiras ao melhor estilo da tradição do Partido Democrata e seu jeito de sacerdote progressista, teólogo da libertação em versão black power, Obama rememora o sonho do pastor Martin Luther King, o grande sonho de que os homens não sejam discriminados ou julgados pela cor de pele. Sonho da igualdade entre os homens, amortecido com o fim do socialismo real, mas latente em utopias ancestrais que povoam e tornam menos insuportável a história universal.
Sendo o presidente dos EUA mais importante para todos nós do que qualquer outro governante "nacional" -aliás, onde mesmo acabam as fronteiras nacionais, neste mundo global?-, me sinto, eu Unzuhause, do meu reino do sem-lugar, autorizado a dizer para os corações de todos, e os corações são sempre votantes, porque desejantes:
Em 4 de novembro VOTE OBAMA!!!!!!!!!!!!

Thursday, August 28, 2008

clarão de desconhecido

Marc Chagall, A Queda de Ícaro

Da minha idéa do mundo
Cahi...
Vacuo além de profundo,
Sem ter Eu nem Alli...

Vacuo sem si-proprio, chaos
De ser pensado como ser...
Escada absoluta sem degraus...
Visão que se não pode ver...

Além-Deus! Além-Deus! Negra calma...
Clarão de Desconhecido...
Tudo tem outro sentido, ó alma,
Mesmo o ter-um-sentido...
Fernando Pessoa, "A Queda"

Thursday, August 21, 2008

crítica da razão bêbada


Consulto o Phtah-Hotep. Leio o obsoleto
Rig-Veda. E, ante obras tais, me não consolo…
O Inconsciente me assombra e eu nele rolo
Com a eólica fúria do harmatã inquieto!

Assisto agora à morte de um inseto!…
Ah! todos os fenômenos do solo
Parecem realizar de pólo a pólo
O ideal de Anaximandro de Mileto!

No hierático areópago heterogêneo
Das idéias, percorro como um gênio
Desde a alma de Haeckel à alma cenobial!…

Rasgo dos mundos o velário espesso;
E em tudo, igual a Goethe, reconheço
O império da substância universal!
Augusto dos Anjos,
"Agonia de um Filósofo"
**********
Era uma vez um bêbado que, diante da porta de casa, tarde da noite, voltando da rua, percebe que perdeu suas chaves. Aflito, ele volta para a calçada e se lança à procura com sofreguidão. Rua deserta, quase às escuras, as horas passam e nada. Alguém que passa no local percebe a sua confusão e pergunta o que está havendo. "Perdi minhas chaves", declara o bêbado, entre suores de cansaço e de angústia, antes de voltar a seus movimentos repetitivos, andando em círculo, em torno da mesma estreita faixa da calçada iluminada pelos reflexos do outdoor. "Mas por que procuras só nesse lugar?", indaga o outro. "Ora, tenho certeza de que deve estar aqui".
O "filósofo" de que fala Augusto dos Anjos no poema padece da mesma agonia bêbada: a busca frenética e compulsiva das "chaves" onde a luz do hábito determinar. No caso desse filósofo, o Rig-Veda (antiqüíssimo poema sagrado indiano) e o Phtap-Hotep (escritura egípcia também muito antiga, com ditos de sabedoria moral).
Na nossa existência cotidiana, muitas vezes procedemos assim, nos agarrando à suposição de que só é real o que a estreiteza de nossas "soluções" sacramentais permite que enxerguemos.
Enquanto isso, o Inconsciente assombra, deixando a nós, bêbados e sonâmbulos, ao relento, na rua da amargura e da errância fora de casa, exilados de nós mesmos.

Friday, August 15, 2008

solidão do super-homem


Loucura
Lou-cura
Lou diva

Salomés
Ruínas
do Batista
e do AnticristoPrecipício
PressupostoO suplício
Dionísio

Poeta
Verdade que afeta
Cárcere privado
De chagas per-furado
Sob o manto do profeta
Porta trancada
Teto que desce
A-perto que aquece

Dor que não esquece,
Inferno, as feras
Desarmonia das esferas

A brumaSem rumo
Nem eira
Poeira
À beira
do abismo

ab-surdo
ab-sinto

Sinto?
Santo?

Manto?
Minto?

-Unzuhause-
"Entra ano, sai ano, a falta de um amor humano verdadeiramente renovador e salutar, a solidão absurda que ela traz consigo a ponto de tornar quase todo vínculo remanescente com as pessoas uma causa de novas feridas: tudo isso é a pior coisa possível, e tem sua única justificativa em si mesmo, a justificativa de ser necessário"

NIETZSCHE
carta de 03 de fevereiro de 1888, meses antes do mergulho do filósofo na longa noite final na loucura








NIETZSCHE
(Stefan George)
Escuras nuvens avançam sobre a montanha
Gélidas tempestades fustigam –ainda meio outono
Meio primavera... Eis a muralha
Que encarcerou o Trovejador –era o único
Entre os milhares de pó e névoa ao seu redor?
Ali lançou seus últimos relâmpagos rebotos
Sobre planícies e cidades extintas
Transpondo a longa noite para a noite eterna.
Crassa trota abaixo a massa – não a espantem!
Seria ferir medusa – ceifar erva!
Em instantes impera o silêncio celestial
O animal que o polui com elogios
E se ceva em fumos de mofo sufocando-o
Está prestes ao fim!
E então radiante reinarás através dos tempos
Com a coroa ensangüentada como outros guias.
Tu redentor! De todos o mais infeliz –
Marcado pelo destino atroz
Nunca viste a sede da saudade sorrir?
Criaste deuses para logo despedaçá-los
Nunca uma obra tua te deu alegria ou alívio?
Aniquilaste em ti próprio o próximo
E ao sentires sua falta na absoluta solidão
Soltaste um grito de dor e desespero.
Tarde demais chegou o suplicante para revelar-te:
Não existem caminhos sobre cimos nevados
E pássaros apavorados ouviste –na miséria:
Exilado no círculo onde o amor inexiste..
E quando a implacável e atormentada voz
Soa como canto de louvor em soturnas noites
De luar – assim lamenta-se: devia ter cantado
Essa nova alma e a palavra evitado!

Thursday, August 07, 2008

hermeticamente aberto


Os jornalistas lidamos constantemente com uma palavrinha que nos serve como uma espécie de mantra: "didatismo". Por mais difícil que seja um assunto, devemos torná-lo compreensível e interessante para todos, ou pelo menos para o chamado "leitor médio". Recebi da cara amiga Dani e reproduzo abaixo uma piadinha que vai na contramão disso rs, aliás, toda piada é um estar na contramão de alguma coisa, de alguma verdade "consensual" ou convenção séria, daí seu próprio efeito cômico.
Mas, como as boas piadas em geral, esta é também "bonne à penser", como diria Claude Lévi-Strauss ao comentar os mitos universais.
Boa para pensar, no caso, sobre uma concepção de conhecimento totalmente distorcida, mas muito disseminada nesse país dos "dotô", dos bacharéis, do "sabe com quem está falando", da politicalha e dos espertalhões jurídicos: todos eles parasitas de um saber posto a serviço do poder.
Como se falar bem fosse falar difícil. Como se falar difícil fosse sinal de inteligência. Como se subir na escada do conhecimento fosse o mesmo que acumular diplomas, e como se em tal subida a nossa altura deixasse de ser a mesma reles altura de sempre, confundindo-se com a altura da escada, e esquecendo-se do tamanho do abismo..
Em caso de textos difíceis, muitas vezes se aplica um adjetivo que seria o oposto de "didático": o "hermético". Se teu chefe numa redação te diz que teu texto está hermético, é sinal de que vc vai ter que sentar de novo diante da tela e passar a tecla Del em tudo, e começar de novo, melhorando a linguagem do ponto de vista de facilidade de entendimento.
Porém não gosto desse uso do hermético. Hermético, na origem, é todo ensinamento esotérico relativo aos legados arcaicos de Hermes Trimegisto, o "Três Vezes Grande", que teria vivido ao tempo de Moisés. É, pois, algo da ordem da sabedoria ancestral da humanidade, permeando correntes de gnose (conhecimento) que vão do sufismo islâmico à cabala judaica.
Aos buscadores da Senda, é sabido que o conhecimento que liberta é Revelação, não evasão.
É, não a obstrução, mas comunicação -vale lembrar, o deus grego Hermes, mediador entre o Olimpo e o mundo humano, é padroeiro das comunicações.
Hermético é, em suma, um vivenciar da abertura seletiva, não do fechamento vaidoso: um texto, como um frasco de perfume, devem ser "hermeticamente fechados" apenas quando sua exposição, para os olhos e narinas do despreparo, da estupidez e da má-fé, seria deletéria para todos, inclusive para os néscios que devassaram o que deveria permanecer, por ora, oculto.
**********************
Antes que eu me esqueça rs, a piada é esta aqui:

QUEM TEM DOUTORADO>
> O dissacarídeo de fórmula C12H22O11, obtido através da> fervura e da evaporação de H2O do líquido resultante da prensagem do> caule da gramínea Saccharus officinarum, (Linneu, 1758) isento de> qualquer outro tipo de processamento suplementar que elimine suas> impurezas, quando apresentado sob a forma geométrica de sólidos de> reduzidas dimensões e restasretilíneas, configurando pirâmides> truncadas de base oblonga e pequena altura, uma vez submetido a um> toque no órgão do paladar de quem se disponha a um teste> organoléptico, impressiona favoravelmente as papilas gustativas,> sugerindo impressão sensorial equivalente provocada pelo mesmo> dissacarídeo em estado bruto, que ocorre no líquido nutritivo da alta> viscosidade, produzindo nos órgãos especiais existentes na Apis> mellifera.(Linneu, 1758) No entanto, é possível comprovar> experimentalmente que esse dissacarídeo, no estado físico-químico> descrito e apresentado sob aquela forma geométrica, apresenta> considerável resistência a modificar apreciavelmente suas dimensões> quando submetido a tensões mecânicas de compressão ao longo do seu> eixo em conseqüência da pequena capacidade de deformação que lhe é peculiar.
> > > QUEM TEM MESTRADO>
> A sacarose extraída da cana de açúcar, que ainda não> tenha passado pelo processo de purificação e refino, apresentando-se> sob a forma de pequenos sólidos tronco-piramidais de base retangular,> impressiona agradavelmente o paladar, lembrando a sensação provocada> pela mesma sacarose produzida pelas abelhas em um peculiar líquido> espesso e nutritivo. Entretanto, não altera suas dimensões lineares ou> suas proporções quando submetida a uma tensão axial em conseqüência da> aplicação de compressões equivalentes e opostas.> > >
QUEM TEM GRADUAÇÃO> >
O açúcar, quando ainda não submetido à refinação e,> apresentando-se em blocos sólidos de pequenas dimensões e forma> tronco-piramidal, tem sabor deleitável da secreção alimentar das> abelhas; todavia não muda suas proporções quando sujeito à compressão.> > >
QUEM TEM ENSINO MÉDIO> > Açúcar não refinado, sob a forma de pequenos blocos,> tem o sabor agradável do mel, porém não muda de forma quando> pressionado.> > >
QUEM TEM ENSINO FUNDAMENTAL> > Açúcar mascavo em tijolinhos tem o sabor adocicado, mas> não é macio ou flexível.> > >
QUANDO NÃO SE TEM ESTUDO> >
Rapadura é doce, mas não é mole, não!