sábado, junho 28, 2008

máscaras de pedra sob fixo alerta


Trauma por violência afeta 6% em São Paulo
( fonte: Folha de S.Paulo )

"No período de um ano, de 6% a 10% da população da cidade de São Paulo sofre de um problema de saúde mental relacionado a algum episódio de violência." Com essa frase, o psiquiatra Jair Mari, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) resume o impacto que episódios como roubos e agressões têm sobre o comportamento dos paulistanos.
Os números saíram de um levantamento epidemiológico com 2.500 pessoas na capital paulista, articulado pelo pesquisador e realizado pelo Ibope. Mari é especialista em TEPT --transtorno do estresse pós-traumático-, expressão criada por psiquiatras americanos para caracterizar uma síndrome comum em veteranos de guerra e habitantes de zonas de conflito militar. Esse problema afeta os 6% dos paulistanos aos quais Mari se refere.
Cerca de um quinto dos indivíduos que passam por episódios como estupro ou seqüestro-relâmpago desenvolvem o TEPT, diz Mari. "A pessoa passa a ter 'flashbacks' da situação e a mente é invadida por pensamentos ou imagens do que aconteceu", descreve. "É como se houvesse uma desregulação da atividade mental da pessoa. Obsessivamente, ela passa a reviver aquelas imagens, como se fossem reais de novo, reagindo emocionalmente."
Os resultados preliminares da pesquisa, que foram apresentados em um seminário na Unifesp no sábado passado, serão somados também a um levantamento que o Ibope está fazendo no Rio de Janeiro, com mais 1.500 pessoas. Aqueles que relatam já ter passado por um episódio crítico de violência são convidados pelos pesquisadores a passar por mais uma bateria de exames.
A intenção, diz Mari, é ir além do levantamento epidemiológico. Com um projeto aprovado no programa Institutos do Milênio, do CNPq, Mari conseguiu reunir um pequeno exército de cientistas para aprofundar a análise do TEPT na realidade brasileira.
"Nós dividimos as áreas estudadas em vários estratos, de acordo com a taxa de homicídios em cada um deles, porque queremos também fazer um estudo 'ecológico'. Queremos relacionar a situação dos indivíduos com dados sociais."
À medida que o levantamento vem sendo feito, os entrevistadores do Ibope coletam também amostras de saliva, de onde serão extraídos dados de DNA. Na etapa final do projeto, pesquisadores farão um mapeamento para tentar descobrir quias genes podem influenciar a suscetibilidade ao estresse pós-traumático.
"O transtorno tem origem em muitos fatores, e cerca de 30% deles são genéticos", diz Camila Guindalini, geneticista que coordenará os testes na Unifesp. Segundo ela, será possível fazer análise genética em mais de 2.500 dos entrevistados, o que significaria o maior estudo já realizado sobre esse mal. "Não tenho conhecimento de nenhuma amostra tão grande e tão rica em detalhes", diz.
Comparando os genes das vítimas de estresse pós-traumático com o de pessoas que passaram por situações de violência mas não desenvolveram o trauma, o estudo pode ajudar orientar a pesquisa de novos medicamentos. Hoje, o tratamento receitado por psiquiatras é a terapia comportamental, mas mas com freqüência se usam antidepressivos. O método tem eficácia razoável, mas ainda não há drogas psiquiátricas com efeito mais específico sobre os sintomas do TEPT.
Além do DNA, os cientistas estão olhando para a fisiologia cerebral das pessoas que desenvolvem o transtorno. O grupo espera confirmar a tese de que o transtorno está ligado a uma redução no hipocampo, uma estrutura cerebral relacionada à memória. "Verificamos uma redução pequena, de cerca de 5% a 10%", diz Andréa Jackoswki, que coordena essa parte do estudo. Ainda não é possível, porém, saber se isso está envolvido na causa do transtorno ou se é sua conseqüência.

Epidemia de Aids deve ser tratada como "catástrofe", diz Cruz Vermelha
(fonte: BBC News)

A epidemia de Aids no sul da África é tão grave que deveria ser classificada como catástrofe, advertiu a organização assistencial IFRC (Federação Internacional da Cruz Vermelha e da Crescente Vermelha).
A crise se encaixa na definição das Nações Unidas para catástrofe, como um evento que vai além do que uma única sociedade pode enfrentar, afirmou a entidade, que acredita que a epidemia de Aids deveria receber, de governos e organizações, o mesmo tratamento urgente dispensado a catástrofes e desastres naturias.
O Relatório Mundial sobre Desastres da IFRC costuma se dedicar a análise de respostas a desastres naturais como terremotos.
Mas neste ano, a entidade resolveu abandonar a tradição para focar no que ela considera um dos problemas mais complexos e duradouros enfrentados pela humanidade: a epidemia de Aids.
O documento, de cerca de 250 páginas, diz que boa parte do dinheiro gasto com a Aids - bilhões de dólares no total - não está chegando aos necessitados.
A epidemia provocou 25 milhões de mortes, há 33 milhões de pessoas vivendo com o vírus HIV ou com Aids e ocorrem 7 mil novas infecções a cada dia.
Cerca de 2,1 milhões de pessoas morreram da doença só no ano passado.
A IFRC acredita que a resposta mundial à epidemia deixa a desejar.
"Quando a história do HIV e da Aids for escrita eu acho que as pessoas dirão que nós simplesmente escolhemos as opções mais fáceis", disse Mukesh Kapila, representante especial para HIV/Aids.
Foram feitos programas de educação e conscientização, afirmou Kapila, mas muitos governos não conseguem sensibilizar as pessoas com maior risco de infecção como prostitutas e usuários de drogas injetáveis.
A IFRC também aponta falhas na forma como se lida com HIV/Aids durante catástrofes naturais ou conflitos.
Nesses casos, os fatores de risco para a doença podem aumentar e, ao mesmo tempo, na pressa de trazer ajuda de emergência, a necessidade dos pacientes com HIV/Aids podem ser esquecidas.
Funcionários de agências de ajuda humanitária precisam levar em conta estas necessidades em seus programas de apoio, afirmou Kapila.
Depois que o tsunami atingiu Aceh, na Indonésia, em 2005, houve "um aumento nos fatores de risco como violência sexual e em função de gênero, então vimos uma situação onde havia uma grande vulnerabilidade e HIV e outros males podem florescer nestas circunstâncias", segundo o especialista.
A IFRC diz que o Quênia é um bom exemplo de uma abordagem integrada.
Quando 300 mil pessoas tiveram que deixar suas casas durante a violência que se seguiu às eleições no país, funcionários do setor de saúde agiram rapidamente para garantir que pacientes com Aids continuassem a receber medicamentos antiretrovirais.
Pacientes em acampamentos para refugiados foram localizados e foi criada uma linha telefônica gratuita para fornecer detalhes sobre as clínicas mais próximas para tratamento de Aids.
É necessário um tipo de resposta rápida e bem localizada para uma catástrofe global que vai nos acompanhar ainda por muitos anos, disse a IFRC.

quarta-feira, junho 25, 2008

dona Ruth


Ruth Cardoso (1930-2008)
Para lembrar Renato Russo, quais são as palavras que nunca são ditas? Sobretudo quando deparamos com a mais óbvia das obviedades da vida, a morte, limite e banalidade última de toda palavra, sempre penúltima?
É então convictamente que recorro a um clichê na tentativa de verbalizar algo do pesar que me traz a morte, esta noite, da antropóloga e ex-primeira-dama Ruth Cardoso. Clichê, no caso, de que o mestre ensina pelo exemplo, mais que pela palavra.
Pois sempre vi "dona Ruth", como ela era conhecida, como uma mestre, nas múltiplas dimensões em que fez sentir sua forte, sóbria e inteligente presença.
Intelectual respeitada, professora e orientadora das mais rigorosas e exigentes: bastava a extraordinária relevância de sua prática profissional (professora de antropologia na USP) para que dona Ruth já tivesse garantido lugar de destaque entre os brasileiros que honram o país.
Mas, não bastasse tanto, ela mostrou-se sempre de uma dignidade ímpar, de uma falta de deslumbramento e de um agudo espírito público, quando submetida -nos anos de governo de seu marido FHC-, a esta tentação mefistofélica que é o poder, tentação tanto mais irresistível quanto maior a cegueira e estreiteza dos que não servem à política, e sim se servem dela.
A rede de proteção social que dona Ruth articulou sob o nome de Comunidade Solidária é uma das iniciativas que atestam, a um só tempo, competência e ausência de exibicionismos pessoais, imunidade em relação à vontade de lucrar com o desespero e com os pendores messiânicos das camadas mais pobres da população brasileira.
Não vejo hoje, na esfera da política, como me apegar a ideologias nem partidos, tudo muito igual e ruim; minhas simpatias e rechaços acabam se guiando mais pela personalidade e exemplo individuais. E, assim como a morte de Mário Covas, o adeus de Ruth Cardoso me dói pelo contraste entre essas figuras imensas e a qualidade dos que restam e pilotam não só o PSDB como a inteira nau dos insensatos da política brasileira, "democrática" só no nome, nos ritos vazios, na verborragia insossa e na massificação da barbárie e do mal-estar.

quinta-feira, junho 12, 2008

limonada filosófica


Sei que a música que escolhi é trash rsrs.. homenagem ao meu sonho de hoje, em que ela tocou rsrs.
Sonho: realidade torcida e distorcida pelo desejo, nos meandros da condensação e do deslocamento.
Torcer também é sonhar, torcer também é distorcer.. a realidade para um torcedor é achatada para se conformar aos olhos da sua paixão.. achatada, mas menos chata do que a pura indiferença afetiva, do que a sanidade a-pática (pathos=paixão, doença, oposto de a-pathos), do que a normose (neurose da normalidade) que encara tudo com equidistância, com equilíbrio demasiado, suposta neutralidade.
Vide uma paixão como o Corinthians, por exemplo.. Que transtornos que não me causa essa maldita bênção! rs Como é bom ser corintiano, mas como é difícil!!!!! Merda, meu dia tá uma merda, minha noite foi uma merda, por causa dessa merda de time!!!!! Caralho, depois de ganhar de 3 a 1 o primeiro jogo, como é foram se comportar ontem daquele jeito a-pático e patético!!! Não chutar uma bola decente ao gol adversário??? Goleiro engolir um frango daquele tamanho? Lateral entrar e ser expulso menos de um minuto depois? Técnico montar, ou pelo menos não impedir, toda uma covardia tática dos jogadores e no final ainda vir culpar o juiz?
Saco! Chato! Falando em chatura, e como rir é o melhor remédio, quero compartilhar com vocês os versos que Voltaire consagrou a uma musa de "peito chato",bem pouco americano rsrs. Um exemplo edificante num dia azedo como hj, dia de fazer de limões mirrados a limonada que for possível, e com QUILOS de adoçante pra tapear o gosto ruim......
"Que importa teu seio magro, ó meu objeto amado
Ficamos mais próximos do coração quando o peito é chato
E vejo com um melro em sua gaiola trancado
O amor entre os teus ossos, sonhando numa pata"
Voltaire

segunda-feira, junho 02, 2008

VAAAAI CORINTHIANS!!!!!!!!! rsrs


FINAL DA COPA DO BRASIL: PRIMEIRO JOGO ESSA QUARTA, CORINTHIANS X SPORT, Morumbi
Soube hoje do novo hit da Fiel, inspirado no clássico do grande Tim Maia. Santo Tim, padroeiro dos gênios irreverentes, olhai por nós! São Jorge, protetor da torcida mais fantástica e mais sofrida do planeta, torcei por nós!!!!!!!!!!!

Vou cantar pro Timão ganhar!
Vou cantar pro Timão ganhar!
Eu te amo,
eu te quero bem!
Vou cantar pro Timão ganhar!
Vou cantar pro Timão ganhar!
Eu te amo!
Eu te adoro,
meu amor!
A semana inteira fiquei esperando,
pra te ver Corinthians
pra te ver jogando.
Quando a gente ama,
não mede esforço,
pra ter ver jogar!
Te ver jogar, te ver jogar!
Não é brincadeira
vou vestir meu manto
manto do alvinegro
tem que ter respeito
amor à camisa!
Vou com o Corinthians,
em qualquer lugar!
Qualquer lugar,
qualquer lugar!

domingo, junho 01, 2008

sarau - grandes páginas da literatura universal

Arthur Schopenhauer

O MEU NIRVANA
(Augusto dos Anjos)

No alheamento da obscura forma humana,
De que, pensando, me desencarcero,
Foi que eu, num grito de emoção, sincero
Encontrei, afinal, o meu Nirvana!
Nessa manumissão schopenhauereana,
Onde a Vida do humano aspecto fero
Se desarraiga, eu, feito força, impero
Na imanência da Idéia Soberana!
Destruída a sensação que oriunda fora
Do tato - ínfima antena aferidora
Destas tegumentárias mãos plebéias -
Gozo o prazer, que os anos não carcomem,
De haver trocado a minha forma de homem
Pela imortalidade das Idéias!