Wednesday, February 28, 2007

um irmão unzuhause



Cena do "Inferno" de Dante, segundo William Blake
Daqui a poucos meses o Brasil será brindado com a primeira visita do papa Bento XVI. Este reino Unzuhause, que mantém relações diplomáticas in-tensas com a Santa Madre Igreja rs, quer desde já celebrar o evento, hoje com uma pitada de história. Vai aqui, sem nenhuma intenção de provocação à monarquia vaticana de Roma (em que aliás tenho excelentes relações com outro soberano, Caius Magus Caligulae rs), um alerta sobre os limites de um dos principais dogmas da Igreja, a "infalibilidade papal".
Em meio a leituras sobre Dante Alighieri, pude ver como o mundo do gênio florentino (a Itália da virada do século XIII ao XIV) era capaz de dar inveja ao demônio, tamanho o caos político (rixas entre as cidades, entre os partidos, dentro deles etc) e a crise moral generalizada, dentro e fora dos muros eclesiais. E foi dentro destes que ocorreu uma história que, de certo modo, resume o período: com a morte do papa Nicolau IV, a coroa da Igreja ficou vaga dois anos, pois ninguém se entendia sobre a escolha do sucessor. Estando já a situação insustentável, buscou-se então um nome que gerasse o mínimo de discórdia possível. A escolha recaiu sobre um eremita, Pietro da Morrone, que levava uma vida como às vezes sonho ter rs: para além de todas as facções e barulhos do mundo, em total recolhimento e meditação, em errâncias ermas e quietas.
Morrone, o "escolhido pelo Espírito Santo" (que é como a Igreja diz que ocorrem as eleições do sucessor de São Pedro rs) tentou como pôde fugir dessa enrascada –literalmente, inclusive, tendo sido capturado e coroado à força, com o nome de Celestino V.
Já avesso, por natureza, àquele tipo de poder, o pobre papa Celestino se viu logo enredado numa trama insuportável de intrigas, mesquinharias, ambições. E não foi só a voz da consciência que insistiu que ele fugisse ; ele passou a escutar também, toda noite, vozes do "Além" lhe pedindo pra fazer a mesma coisa! Era, acreditou ele , a voz de um anjo enviado de Deus...Engano! Era, isto sim, a voz de um cardeal, que havia sido cotadíssimo para assumir o trono quando da morte de Nicolau, e que, para atingir o objetivo agora, parece ter instalado um tipo de auto-falante rudimentar na parede do quarto de dormir de Celestino. Para lhe cochichar a vontade do Altíssimo... E não deu outra, Celestino voltou a ser o simples Pietro da Morrone, retirado do mundo, e esse cardeal, de nome Caetani, se tornou o papa Bonifácio VIII. A primeira medida do novo "Santo Padre", sabem qual foi? Mandar encarcerar num mosteiro o frade Pietro, que logo veio a morrer. Podem imaginar como terá sido o restante de seu papado... de fato, Bonifácio declarava abertamente descrer de todos os valores sagrados, e cultivou "religiosamente" a luxúria, a gula, a avidez pelas riquezas e inclusive (e nesse ponto até que ele não deixava de ser interessante) a prática da magia! rs. Notem a ironia das coisas: Dante teria tido a inspiração para escrever a Divina Comédia -que é também um dos maiores espelhos do ideal moral cristão- ao presenciar a grande festa do Jubileu da virada do século, em 1300, quando todos os fiéis da Europa foram convocados pelo papa a uma peregrinação a Roma, onde receberiam a chamada "indulgência plenária" (remissão plena dos pecados) em troca, claro, de módicas contribuições financeiras.
Dante teria sido um desses milhares de peregrinos, e a imponência do espetáculo –organizado pelo papa também como um golpe de marketing para lhe reabilitar a imagem, desgastada após denúncias de adultério, assassinato etc- teria insuflado no poeta a idéia de escrever a Divina Comédia. E, nela, aliás, o pobre Pietro da Morrone recebeu menção nada honrosa: foi parar no Inferno dantesco por ter incorrido no crime do gran rifiuto (a grande recusa) ao deixar o papado! Vejam, se nem Dante, que era Dante, pôde evitar incorrer em tal injustiça, que outros papas, de quaisquer outras esferas da cultura, estariam a salvo do pecado? rs
E o pobre Nazareno que morreu semi-nu preso a um madeiro ignóbil nas terras áridas da Palestina, o que pensaria de papas como este Bonifácio (não raros na história da Igreja), o que pensaria, crucificado outrora, crucificado sempre de novo, em silêncio, nos confortáveis palacetes de seus bem vestidos e bem alimentados porta-vozes na Terra?
Pra encerrar, fica minha já longínqua, mas fervorosa, saudação à memória deste grande unzuhause que fostes vós, frei Pietro!

Tuesday, February 20, 2007

anarquia e 'amorte'



Não canso de constatar como a experiência do poder pode ser esterilizante. Calcada no jogo de espelhos que marca os relacionamentos humanos em geral, é uma experiência que tende a, como dizia Hegel, fazer também do senhor um escravo do escravo, na medida em que a autoridade é uma representação alheia, é um ser- para-outrem. O que diferencia um Napoleão na corte francesa de um "Napoleão" a mais do manicômio é o fato de os outros se curvarem ou não a ele. Essa dinâmica tende paulatinamente a engessar o suposto detentor (e detido número 1) do poder a um papel teatral mais ou menos rígido. Daí o espetáculo constrangedor de tantos artistas ou intelectuais que, ao subirem a rampa do trono (não só o político-partidário), parecem deixar pelo caminho a jovialidade e criatividade, a palavra arisca, contestadora e original, agora trocada pelo fala exausta, previsível, vazia, burra.
Tais observações traem minha forte simpatia pelo anarquismo, embora reconheça que esta seja uma utopia impraticável, no nível político mais amplo, dados os atuais níveis de (in) civilidade, de crise ética e de colapso das instâncias culturais de formação e de humanização do "Homo sapiens sapiens" (que está mais para "Homo demens demens demens", como diria Leonardo Boff rs). A anarquia requer a superação, não o apodrecimento do Estado.
Enquanto é um sonho distante para meu lado "cidadão", vou ao menos cultivando-o (il faut cultiver notre jardin, dizia Voltaire, lembrando Epicuro) enquanto forma própria de pensar criticamente o mundo e a mim mesmo, pois cada pessoa é, em si, um regime político e uma ordem hierárquica (nos melhores casos, uma democracia efetiva, sempre muito complicada, é claro).
Se também nesse nível pessoal não chego a ser uma "anarquia" (se bem que meu quarto seja bastante anárquico, no sentido, caro aos conservadores, de "bagunçado" rs), ao menos tento não perder contato com o impulso da anarquização, enquanto vetor de avaliação lúcida e libertação dos erros e quimeras de nossa política para conosco mesmo e com os outros (somos animais políticos sempre, não só na urna, mas também em casa, no trabalho, no estádio de futebol etc).
E, esses dias, andei aprendendo bastante sobre o fundo psíquico disso que chamei de impulso de anarquização. Poderia chamar também, com a psicanalista Nathalie Zaltzman , de "a pulsão anarquista". Em ensaio com esse título, ela mostra como a pulsão anarquista é uma das formas de expressão mais criativas daquilo que há de mais destrutivo em nós: a pulsão de morte, uma das geniais descobertas (ou comprovações científicas de conteúdos antes metafísicos) de Sigmund Freud.
Eros é a força das integrações, a energia da ligação, portanto da criação e perpetuação da vida –como indicado pela já tantas vezes lembrada, mas nem sempre compreendida, coincidência do verbo "comer" para a alimentação e para a prática sexual. Tânatos, ao contrário, como mostrou Freud, é não o "sex appeal", mas o "nothing appeal", o apelo do no-thing, da não coisa, do nada, do Nirvana. Um equivalente psíquico, no homem, para o princípio cósmico da entropia.
Se, em muitos casos, o impulso tanático pode representar o confinamento, isolamento, definhamento, ele pode também, frisa Zaltzman, ser fonte de renascimentos. Como Hermes é o deus das encruzilhadas, Tânatos é a potência da errância, o desafio do nomadismo, o desabrigo que pode nos impulsionar para adiante de nós mesmos e dos esquemas de poder e de manipulação, essas tortas tábuas em que os inconscientes caminham em fila indiana e de olhos vendados sobre o abismo. Vampira Olímpia, uma das maiores psicanalistas desse país, e, soube ontem, mulher de um charme à la Clarice Lispector quando fuma rs, certa vez me disse: toda pulsão é no fundo uma pulsão de morte. Portanto, anarquistas (filhas e filhos de Tânatos) de todo o mundo, uni-vos! E que amor e morte se encontrem e se fecundem, gerando sempre mais vida e ressurreição, em vossos atos de libertação pessoal e coletiva.

Saturday, February 10, 2007

a pátria da alegria pura

Visão dos Alpes
Um discípulo se apresenta a um mestre Zen buscando a luz. O mestre convida-o a sentar e lhe oferece uma chávena de chá, segundo o complexo ritual que determina a cerimônia. Pronta a infusão, ele a despeja na chávena do visitante, e continua a despejá-la mesmo quando o líquido começa a transbordar. Finalmente o discípulo, alarmado, tenta fazê-lo parar, avisando-o de que a chávena está "cheia". Então o mestre responde: "Como esta chávena, tu estás cheio de tuas opiniões e de teus raciocínios. Como posso mostrar-te o Zen sem que tenhas antes esvaziado a tua chávena?"
Quem nos dá este relato é Umberto Eco, num artigo em que comenta o crescente fascínio que a espiritualidade zen-budista despertou em diferentes dimensões da cultura ocidental do século XX – da literatura beat à psiquiatria, da música de John Cage a determinado estilo de recepção às filosofias de Wittgenstein e Heidegger.
O tema, como se vê, é amplo e multifacetado. Por ora vou me ater a este último aspecto, a possível articulação entre o Zen e o filósofo que hoje mais me ocupa, Martin Heidegger (que foi quem, aliás, inspirou o batismo deste reino, já que o termo unzuhause, enquanto sentimento do não-estar-em-casa, provém de sua filosofia existencial).
Não vou hoje tratar de conteúdos propriamente doutrinários, e sim do que chamaria de clima de pensamento.
A uma determinada altura de sua obra-prima Ser e Tempo, Heidegger discute a ditadura da impessoalidade, ou seja, a tendência das pessoas a se deixarem dissolver no burburinho do "Todo Mundo", nos humores e opiniões convencionais, no quentinho protetor da existência espremida no rebanho. E, entre os exemplos deste comportamento impessoal, cita o uso do transporte público. O pensador alemão escreve isso quando as grandes cidades eram um fenômeno relativamente recente e de alcance ainda imprevisível. O que diria se tivesse de encarar um metrô, ônibus ou congestionamento numa cidade como a São Paulo dos dias de hoje?
Comparem isso que Heidegger expressa em forma conceitual e abstrata, neste tratado de 1927 (talvez a principal obra filosófica do século passado), com o relato bucólico que aparece, dois anos antes, numa de suas primeiras cartas a Hannah Arendt (futura filósofa de grande importância, e então jovem aluna dele em Marburg, quando iniciaram tórrido caso de amor):
"Frequentemente desejo que você tenha descansado tanto quanto eu aqui em cima [ele escreve da cidade de Todtnauberg]. A solidão da montanha, o cotidiano tranqüilo dos montanheses, a proximidade elementar do sol, da tempestade e do céu, a simplicidade de um rasto perdido em meio a uma encosta ampla e profunda: tudo isso mantém realmente a alma distante de toda existência dispersa e definhante.
Aqui está a pátria da alegria pura. Aqui nos tornamos indiferentes ao 'interessante' e o trabalho conquista a uniformidade dos golpes distantes de um lenhador na floresta.
Eu a teria levado com o maior prazer para perto der tudo isto quando você apareceu 'casualmente' em meu caminho para se despedir. (...)".
Heidegger ensina -e isso é vital para adentrarmos o peculiar "clima de pensamento" a que ele nos convida, para mim muito similar ao anti-intelectualismo do zen - que a filosofia é um caminho, não uma prateleira de "respostas" para o respeitável público dos circos da impessoalidade (prateleira como a da auto-ajuda ou dos livros ao estilo "Nietzsche em 90 minutos"). Para ser caminho, há de ser vivência. No caso dele, vivência oposta à de filósofos visceralmente "urbanos" como Sartre –que escreveu grande parte de O Ser e o Nada, aliás, muito influenciado por Ser e Tempo, em plena agitação dos cafés parisienses, de cujas situações Sartre extraiu exemplos-chave para vários de seus argumentos teóricos.
Já a repulsa de Heidegger, o "Filósofo da Floresta Negra", à vida moderna, veio, como se sabe, a estimular sua (breve) adesão ao partido nazista de Adolf Hitler. Mas esse grave equívoco não invalida, ao meu ver, a força da denúncia heideggeriana da civilização urbano-industrial, e dos riscos desta não só para a natureza (vide os dados científicos recém-divulgados sobre os desastres ecológicos que estão por acontecer), mas também para o espírito. Que efeito estufa mais perverso do que este, da "existência dispersa e definhante" das ovelhas de quatro rodas , se apertando e se acotovelando pelas ruas , peidando suas buzinas e seu gás carbônico?
Como estar de chávena vazia e pronta para sorver não doutrinas de "gurus" (ponto que me preocupa em certo tipo de orientalismo), mas a sabedoria concreta da vida, se estamos lotados de tanto lixo sensório e mental?
Mas tenho um débito aqui para com a sinceridade, e vou pagá-lo: me confesso um urbanóide compulsivo rs. A areia da praia, o sufoco de uma barraca e os mosquitos no camping, o desconforto de carregar malas pra lá e pra cá, o apego à avenida Paulista e ao campus da USP, o medo de avião rs, tudo isso, se propicia deleites inegáveis, por outro lado me finca no asfalto, transborda minha chávena e sobrecarrega de teoria e fantasia minha busca dos climas de pensamento que estão a mil pés das fal-ânsias nossas de cada dia.

Saturday, February 03, 2007

ditirambo à solidão

Nietzsche, por Edvard Munch

Acabo de assistir "Pro dia nascer feliz", documentário (superpremiado na Mostra de Cinema de SP de 2005) sobre as diferentes realidades da educação no Brasil. Tive, em muitos momentos , a sensação de que se tratava, na verdade, de um documentário de guerra, não de educação: um flagrante das sucessivas bombas de Hiroshima - na forma de desestímulo ao conhecimento e disseminação da barbárie- detonadas sobre o ontem, o hoje e ainda, infelizmente, muitos amanhãs deste país.
Mas um aspecto menos óbvio ficou patente no filme: a semelhança de inquietações da alma adolescente seja na periferia pobre de Pernambuco ou no bairro nobre de São Paulo. Destaco um aspecto em especial: a conexão entre, digamos assim, a privação e o pensamento. Uma jovem aluna de uma escola pública precária afirmou, enquanto mostrava para a câmera seu caderninho de poesias : "Não sei por quê, mas quando estou triste escrevo bem melhor". Outra adolescente, que estudava num rico colégio católico paulistano, descreveu o impacto de descobrir que o pai não acreditava na religião: "tudo o que me fazia ser o que eu era acabou", disse; sua impressão foi de que sua formação e identidade, espelhadas nos pais, foram construídas com base numa mentira - as nobres mentiras de que fala Platão em A República, ao se referir aos mitos? A menina continuou dizendo do labirinto em que desde então se sentiu, com grave reflexo inclusive em seu desempenho escolar. Essas aflições se arrastaram até o momento em que ela procurou sua professora de filosofia -"uma gênia"-, recebendo então valiosos ensinamentos sobre a importância do que chamou de a experiência negativa.
A poesia num caso, a filosofia noutro, e em ambas as situações o pensamento tendo na experiência negativa -da tristeza, da perplexidade, do sem-chão- sua propulsão originária. É esse o clima que sinto também num poema de Stefan George que há anos não canso de ler e recitar, poema que, além de belíssimo, me parece uma fotografia à la Henri Cartier-Bresson, um retrato que capta, senão o "momento decisivo" (conceito crucial da técnica fotográfica de Cartier-Bresson), ao menos o "movimento decisivo" da obra e da alma de Nietzsche - o latejar de feridas transpondo-se em escrita, de modo parecido com o dos jovens em iniciação à poesia a e à filosofia, no filme. Longe do homem "carnavalesco" que muitos pretendem fazer dele, Nietzsche viveu uma trajetória marcada por severas dificuldades físicas e emocionais (insônia, dores de cabeça, problemas nos olhos etc), que precipitaram o fim de sua carreira universitária, o levaram à errância e isolamento anos a fio e teriam como apoteose a loucura -ao que parece, decorrente de um sífilis adquirida numa das poucas experiências hedonísticas reais (uma ida a um bordel) que ele se permitiu. Não por acaso, mas também não sem ironia (do destino), Nietzsche chamou Assim falou Zaratustra , sua obra-prima e um verdadeiro evangelho da afirmação da vontade de vida, de "um ditirambo à solidão" . Ditirambo, no teatro grego, era um canto coral entoado em homenagem a Dionísio, deus do vinho, da festa e do delírio, aparentemente opostos à solidão. Será?
Para além da culpa moral, civilizatória, cristã -tão combatida por Nietzsche e por descendentes como Sigmund Freud-, terá Nietzsche, o super-homem da gaia ciência, provado do travo amargo de uma culpa mais radical, pré-moral, a culpa ontológica, a culpa de existir?

NIETZSCHE
(Stefan George)

Escuras nuvens avançam sobre a montanha
Gélidas tempestades fustigam –ainda meio outono
Meio primavera... Eis a muralha
Que encarcerou o Trovejador –era o único
Entre os milhares de pó e névoa ao seu redor?
Ali lançou seus últimos relâmpagos rebotos
Sobre planícies e cidades extintas
Transpondo a longa noite para a noite eterna.

Crassa trota abaixo a massa – não a espantem!
Seria ferir medusa – ceifar erva!
Em instantes impera o silêncio celestial
O animal que o polui com elogios
E se ceva em fumos de mofo sufocando-o
Está prestes ao fim!
E então radiante reinarás através dos tempos
Com a coroa ensangüentada como outros guias.

Tu redentor! De todos o mais infeliz –
Marcado pelo destino atroz
Nunca viste a sede da saudade sorrir?
Criaste deuses para logo despedaçá-los
Nunca uma obra tua te deu alegria ou alívio?
Aniquilaste em ti próprio o próximo
E ao sentires sua falta na absoluta solidão
Soltaste um grito de dor e desespero.

Tarde demais chegou o suplicante para revelar-te:
Não existem caminhos sobre cimos nevados
E pássaros apavorados ouviste –na miséria:
Exilado no círculo onde o amor inexiste..
E quando a implacável e atormentada voz
Soa como canto de louvor em soturnas noites
De luar – assim lamenta-se: devia ter cantado
Essa nova alma e a palavra evitado!