quarta-feira, novembro 15, 2017

terça-feira, novembro 14, 2017

a psicologia do possível heptacampeonato


Mais de 30.000 pessoas no treino histórico do Timão, na véspera do clássico com o Palmeiras

O Corinthians está a uma vitória de levantar seu sétimo caneco de campeão brasileiro. Faltam quatro rodadas, e com mais três pontos, ele não poderá mais ser alcançado por ninguém. Aparentemente, um desfecho tranquilo (aparentemente porque nada para nós é tranquilo), e que até surpreende. O mês de outubro do time foi péssimo, com várias derrotas e empates, sedimentando a impressão de que a invicta e histórica campanha do primeiro turno seria arruinada no segundo. E pior, a impressão era de que justamente o Palmeiras, nosso arquirrival, depois de estar 300 pontos atrás, seria o cavalinho do Fantástico a nos tomar a dianteira. Essa suprema humilhação foi projetada, não sem toques de psicologia reversa, por dois corintianos célebres, Casagrande, na Globo, e Neto, em inesquecível desabafo no seu programa na Band:

O fato é que esse apocalipse foi evitado quando o Timão derrotou o Porco, desanimando-o e aos outros concorrentes diretos, por sinalizar que não estava a fim de participar desse roteiro de fracasso trágico. Especialmente importante foi a presença em massa do torcedor no treino da véspera do clássico: mais de 30.000 fiéis passando energia positiva, abraçando o time, sabidamente limitado, e ajudando os jogadores a focarem-se no amor, e não no terror, como diz aquele slogan de épocas de cobrança desesperada a times em crise ("ou vai no amor ou vai no terror").


O ano foi muito louco, até para os padrões normalmente manicomiais deste time. Em janeiro éramos considerados a "quarta força" entre os paulistas (atrás do milionário Palmeiras, do São Paulo e do Santos). O prognóstico mais favorável para um campeonato duro como o brasileiro era, no máximo, chegar lá por décimo, décimo segundo na classificação. Não ser rebaixado seria lucro. Mas fomos campeões paulistas e arrancamos para um Brasileirão formidável, no primeiro turno.
Havia qualidades técnicas não reconhecidas, havia uma infra-estrutura clubística (que melhorou muito desde o rebaixamento de 2007), havia um técnico novato, mas que se mostrou muito determinado e eficaz, em especial na arte de montar uma defesa consistente.
Com isso, e com os primeiros resultados, a confiança foi crescendo, a Fiel empurrando, e o ambiente hostil e competitivo -fardo em todos os setores de atividade humana- se tornou um motivador para que o estado de alerta máximo fosse sustentado. Isso até o relaxamento do segundo turno. Um dos maiores perigos no sucesso... é o próprio sucesso! Ele pode amolecer a fibra do caráter, incutir certos dispositivos de fuga para o prazer, ou para a fantasia, deixando de lado as durezas do compromisso com a realidade. 
Nessas horas é preciso que o indivíduo se volte para seus acervos de energia, encontre essa força que a massa trouxe no treino da véspera da "final" com o Palmeiras, volte a temer o fracasso (estratégia que me parece implícita no desabafo de Neto), mas não com um temor que paralisa, e sim o que estimula, que nos põe em ação, humildes de novo, "quarta força" se preciso, mas atentos, ao mesmo tempo passionais e objetivos, e com tesão de levantar um novo caneco.
Vai Corinthians!


segunda-feira, novembro 13, 2017

o fogo da noite


"Depois de um ano de deterioração da sua saúde e de incerteza espiritual, Blaise Pascal teve uma visão. Foi no dia 23 de novembro de 1654. Às 10h30 da noite, provavelmente quando estava deitado na cama, uma poderosa sensação de bem-estar total e completo, uma certeza tão súbita e completa, que, quando escreveu sobre o fato, encabeçou a página com a palavra fogo. A sensação durou duas horas, e ele tentou capturá-la no papel. Conforme escrevia, seus sentimentos mudaram, pois nenhuma visão pode se sustentar por duas horas, e ele começou a sentir que pecara nos últimos anos. A visão sempre acontece dessa maneira. A sensação inicial é de vitalidade, que faz com que alguém afirme  toda a existência e o amor; amor pelo mundo, amor pela sua realidade física. Conforme essa certeza se esvai, a pessoa se torna ciente da necessidade de disciplina para que essa sensação seja recapturada, e da falta de disciplina no passado. A crônica de Pascal começa da seguinte maneira:
Fogo.
Deus de Abraão, Deus de Isaac, Deus de Jacó, não dos filósofos e estudiosos.
Certeza,  certeza, sensação, contentamento, paz."
Colin Wilson,
Superconsciência

Nirvana, "Dive"


domingo, novembro 12, 2017

estranhofobia

Se essa moda pega, nem em meu prédio me deixam mais entrar

Superman - Main Theme


o Deus sem rosto


"Não defendo nenhum princípio, mas sim alguma coisa bem mais maravilhosa, alguma coisa que está em nós, que arde no fogo da vida, que exulta e quer brotar".

"Sempre me pareceu que as coisas são belas, valiosas, quando são presentes, não aquisições".

"Sem dúvida, já naquela época [Lou fala de um poema que compôs na infância] vibrava por trás de minhas experiências e procedimentos o mesmo tom fundamental que não parecia resultar, de modo algum, de um vir-a-ser paulatino, nascido de experiências normais, alegres ou tristes. Era como se proviesse de um antiquíssimo saber não infantil, de uma reexperimentação daquele impacto primitivo comum a todo homem que desperta conscientemente para a vida e do qual a vida não pode deixar de guardar a marca indelével".

[Revelando que o Deus que se perdeu para ela foi apenas o Deus com rosto, o Deus nomeado, não o Deus "elementar", horrível e  belo, clamor condutor da poesia de Rilke, a propósito de quem Lou reflete nessa passagem] "O que está, mesmo para as pessoas 'crentes', na base do nome de Deus? O contato do que nos é ainda acessível a partir da consciência, mas que, contudo, escapa de nossas motivações conscientes, não nos aparece mais como 'nós'; ainda que nós desemboquemos ali e, por isso, agrade-nos sucumbir à tentação de denominá-lo, de objetivá-lo, no mais recôndito de nosso ser".

"Poder deixar algo em suspenso, ao invés de desperdiçar reflexões diante do inacessível não é apenas um direito como também um dever ao qual a inteligência humana deve aspirar".

-Lou Salomé, Minha Vida-
(trechos recolhidos por Salma Muchail em Lou Salomé: o 'Elementar' por sob a Vida)

sábado, novembro 11, 2017

quinta-feira, novembro 09, 2017

nosso ego encabinado

Tirei essa foto na quarta-feira, quando me preparava para mais um ato corriqueiro de comprar bilhetes de metrô. São desenhos do funcionário que me atendeu. Eram vários. Ele estava criando mais um. São sem moldes, não é livro de mandalas pra colorir, saem direto de sua alma, resistente às pressões de uma rotina no mínimo estressante. Vale reparar na personalidade número 2 de nós mesmos, essa que, segundo Jung, vai além dos limites do tempo-espaço, essa que está oculta e não nomeada nos crachás do nosso ego encabinado, essa que fala e desenha e sonha como potência de águia e vulcão.